ALdCS – Capítulo 43

Oitavo Dever Diário do Cavaleiro Sol: Faça a Política da Boa Vizinhança (Parte 2)

Pensando que Elijah mal acabou de terminar o treinamento rigoroso de Julgamento, com certeza ele deve estar cansado a ponto de estar meio morto, então imaginei que seu caminho provavelmente seria diretamente do Templo Sagrado para o castelo. Hummm… Ou talvez ele pudesse ter parado no meio do caminho para uma refeição? Eu imaginei, baseado no relacionamento de Julgamento com ele, que Julgamento provavelmente não teria preparado biscoitos de mirtilo para ele comer.

Eu rapidamente o encontrei em uma taverna entre o Templo Sagrado e o castelo. Ele parecia exausto e bastante deprimido. Ele parecia completamente diferente daquele cavaleiro real machão que eu vi poucos dias atrás. Agora, todo o seu ser se assemelhava ao de uma pessoa idosa, e aquele rosto bonito para todos os propósitos também havia perdido sua cor. Até mesmo a garçonete jogou sua comida para ele, sem sequer lhe dar um olhar de flerte.

Pobre rapaz… Não é de admirar que Julgamento tenha me pedido para verificá-lo.

Caminhei em direção à cadeira vazia ao lado dele e sentei-me, arrebatando o pedaço de carne que ele acabara de selecionar e enfiei na boca.

Ele olhou para seus pauzinhos vazios por um momento antes de lentamente virar a cabeça para mim e perguntou incerto:

— Posso saber quem você é?

Eu levantei meu capuz e sorri para ele.

— Ah! Combina com você! — Ele exclamou, e depois ficou em silêncio.

Parecia que ele estava incomodado com alguma coisa, pois segurava o hashi, imóvel. Ele não falou nada até eu ter comido metade da carne em seu prato, quando ele abriu a boca e perguntou em desespero:

— Eu não deveria me envolver neste truelo, não é?

Oh! Ele está pensando em sair dessa! — Eu rapidamente engoli a carne e o persuadi:

— Por que você diz isso? Será que você não ama a Sua Alteza?

— Não é isso. — Elijah levantou indignado — Seria impossível para mim não a amar, definitivamente impossível!

— Se esse é o caso — eu balancei a cabeça —, então por que você não quer duelar?  Você realmente quer entregar a princesa ao Filho do Deus da Guerra?

Elijah sentou-se de mau humor e disse em voz baixa:

— Eu…eu não quero… mas nossos status social é muito diferente.

— É isso que seus companheiros disseram?

De uma maneira dolorosa e um tanto complacente, ele disse:

— Sua Majestade e meu professor também disseram isso. Eles estão extremamente furiosos.

Peguei um pedaço de carne do seu prato, lentamente mastigando e engolindo antes de dizer sem pressa:

— Então pense assim, por que você não continua recebendo o treinamento de Julgamento e pensa nos próximos dois dias? Não seria muito tarde para você desistir, se você ainda pretendesse.

Elijah acenou com a cabeça rapidamente desta vez e alegremente disse:

— Eu não me importaria de receber mais treinamento do Cavaleiro-Capitão Julgamento. A esgrima do Cavaleiro-Capitão Julgamento é fora de série! Acabei de receber uma semana de treinamento e já sinto que melhorei imensamente. É incrível.

— Mas é claro, afinal, Julgamento já era invencível aos treze anos. Eu acho que além de Roland, ninguém pode igualar ele em termos de espadas…

— Qual cavaleiro sagrado é Roland? — Os olhos de Elijah brilharam, nem mesmo hesitando em me interromper.

— Err….. ele não é um cavaleiro sagrado. — Eu disse hesitante.

— Oh, então ele é um cavaleiro normal ou um cavaleiro real? — Elijah perguntou implacavelmente. Era óbvio que ele queria conhecer esse tal de Roland, cuja força poderia igualar a do Cavaleiro Julgamento.

Mas aí eu fiquei curioso. Será que Elijah não conhecia Roland, mesmo que ambos fossem cavaleiros reais?

— Ele era um cavaleiro real, mas morreu. Você não ouviu falar de Roland antes? — Perguntei.

— Ah… é o capitão Roland? — Elijah pareceu surpreso — Eu o vi algumas vezes, mas apenas nos esbarramos por aí, nunca nos conhecemos bem. Ele não era exatamente uma pessoa sociável, e também era um pouco retraído e raramente brigava com os outros. Mesmo sabendo que ele não era fraco, também não sabia que ele era tão forte! — Com insinuações de arrependimento e tristeza, ele acrescentou — Se ao menos eu tivesse feito amizade com ele! Dessa forma, talvez eu pudesse convencê-lo a não confrontar diretamente o rei, e então ele não teria sido morto.

— Então você sabe que Roland foi morto pelo rei? — Indaguei, surpreso — O incidente não foi encoberto pelo príncipe herdeiro?

Elijah assentiu e disse em voz baixa:

— A maioria dos cavaleiros reais sabia disso, mas por causa do príncipe herdeiro eles não disseram nada.

Então, é isso.

Eu assenti. Quando Roland buscou sua vingança contra o rei, havia cerca de cinquenta cavaleiros reais presentes. Encobrir as notícias completamente não teria sido fácil. Além disso, o príncipe herdeiro provavelmente não se esforçaria demais para encobri-lo, pois a reputação de seu pai era tão horrível que acrescentar o boato de matar um cavaleiro real não mudaria nada.

Vendo o olhar desapontado de Elijah, eu estava prestes a dizer a ele que conheço uma “pessoa” forte e perguntar se ele estava ou não interessado, mas vi um monte de pessoas vindo de trás dele. Eu rapidamente peguei a carne da mesa e fui para a mesa ao lado, fingindo não conhecer Elijah.

Elijah ficou intrigado:

— Cavaleiro-Capitão Sol, você…

— Aí está você, Elijah!

Elijah virou a cabeça e viu um bando de cavaleiros reais correndo em sua direção como uma manada de touros.

— Eles não estão aqui para me bater, né? —  Elijah murmurou, enquanto seu rosto imediatamente empalidecia e olhava para mim com um olhar angustiado.

O primeiro cavaleiro real que o alcançou lhe deu um tapinha nos ombros, rosnando baixinho:

— Elijah, você tem que vencer!

— Sim. E se casar com a princesa!

— Você não pode perder para aquele Filho do Deus da Guerra!

Os cavaleiros reais falavam ao mesmo tempo, mas em geral era tudo sobre os muitos erros do Monastério do Deus da Guerra, e depois algo parecido com Elijah vencendo a batalha e a justiça sendo cumprida. Elijah estava ouvindo tudo isso ainda meio zonzo. Ele levantou a cabeça e viu um cavaleiro idoso, aquele que ele tratava como sendo meio professor, andando e rapidamente ele foi ao seu encontro enquanto gritava com uma voz chorosa:

— Professor… o que está acontecendo?!

O cavaleiro idoso correu como um adolescente de temperamento quente, agarrou a gola de Elijah e gritou:

— Rapaz! Se você não se casar com a princesa, nunca mais poderá me encarar de novo!

Elijah ficou espantado com o que seu meio professor, o cavaleiro idoso disse, então ele gaguejou:

— Mas o… o que é isso? O que está acontecendo aqui?

Os cavaleiros reais a seu lado, indignados, disseram:

— Aqueles malditos guerreiros do Monastério do Deus da Guerra nos emboscaram à noite!

— Eles até estavam gritando alguma coisa sobre a gente se juntar às pessoas e dizer que andar a cavalo não era justo. Eles continuaram nos obrigando a desmontar para engajá-los em um combate um-a-um!

As vozes de todos os cavaleiros reais estavam se elevando com raiva:

— Somos cavaleiros porra, cavaleiros! Somos especializados em andar a cavalo e lutar em grupo! Quem iria querer lutar no mano a mano com esses miseráveis, que são especializados em combate um-contra-um? Nós não somos loucos!

— Nem um pouco!

O meio professor de Elijah franziu a testa enquanto falava francamente:

— Suas habilidades ainda não são o ideal! É impossível derrotar o Filho do Deus da Guerra. É ainda mais impossível para aquele Cavaleiro Sol que nem sabe empunhar uma espada…  Vá! Eu farei para você um treinamento especial!

Hmph! Você pode dar uma lição no seu aluno, mas por que botar meu nome no meio, velhote? — Eu olhei

— Espere, eu só…

Elijah provavelmente queria dizer que ele tinha acabado de voltar de um treinamento com Julgamento, mas percebeu que não poderia revelar este assunto, então ele só podia ficar de bico fechado.

Sem qualquer motivo para objetar, Elijah foi impotente arrastado para cima. Ele só podia olha de vez em quando de relance para mim com os olhos confusos.

— São os guerreiros do Monastério do Deus da Guerra! — Um cavaleiro real de repente rosnou com raiva apontando para fora.

O Filho do Deus da Guerra avançava pela rua enquanto liderava um grupo de guerreiros que fumegavam de ódio. Os olhos dele estavam fixos, não apenas no rosto de Elijah, mas em todos os cavaleiros reais. Era óbvio que ele estava indo tirar satisfação.

O Filho do Deus da Guerra caminhou em frente aos cavaleiros reais e imediatamente os repreendeu:

— O que é agora? Por que seus cavaleiros reais nos desafiaram para uma batalha em grupo a cavalo? Somos guerreiros! Quem iria querer lutar com vocês a cavalo? Nós não somos loucos!

Ouvindo isso, os infelizes cavaleiros reais começaram a clamar:

— Que mané no mano a mano! Somos cavaleiros! Quem iria querer desafiá-los num duelo?

Conseguindo essa resposta, a raiva do Filho do Deus da Guerra tornou-se regozijo:

— Okay, okay, okay! Então eu desafio vocês, eu contra vocês todos. Podem vir a cavalo, montados num burro ou numa jumenta, foda-se! Se quiserem vir também tudo junto, podem vir!

Os cavaleiros reais ficaram furiosos, mas desta vez o cavaleiro idoso os deteve. Caminhando em frente e de pé diante do Filho do Deus da Guerra, ele disse friamente:

— Interessante! Talvez você queira competir contra mim. Eu montarei a cavalo, mas atacarei sozinho.

O Filho do Deus da Guerra finalmente percebeu o cavaleiro idoso. Reconhecendo seu oponente, ele começou a franzir a testa.

Murmurei para mim mesmo:

— Esse é um dos cavaleiros favoritos do rei.  Até mesmo você não vai querer irritá-lo agora. Afinal, Sua Majestade tem apenas dois cavaleiros favoritos, e ele também é o mais velho. É mais provável que o rei ouça seu conselho.

O Filho do Deus da Guerra parecia prestes a explodir de raiva, mas ele sufocou todo esse sentimento, pois não queria incomodar a pessoa à sua frente. Finalmente, ele rosnou:

— Vamos embora.

O “cavaleiro confidente” mais velho não parecia querer confrontar o Filho do Deus da Guerra da Guerra. Ele apenas virou a cabeça e bateu no ombro de Elijah enquanto ele advertia:

— Rapaz, lute bem. Perca e você estará em apuros!

— É, perca e você vai ver só! — O resto dos cavaleiros reais berrou.

O rosto de Elijah ficou mais pálido que o de Roland em um piscar de olhos, e ele começou a lançar um olhar de soslaio que era um grito de socorro.

Eu sinceramente senti pena dele. Basicamente, as chances de ele derrotar o Filho do Deus da Guerra eram semelhantes às chances de eu derrotar o Cavaleiro Julgamento. Mas mesmo que eu tivesse pena dele, eu ainda abaixei a cabeça e fingi que não tinha visto nada. Engoli com indiferença o último pedaço de carne e peguei um lenço e limpei a boca.

O Monastério do Deus da Guerra e os cavaleiros reais começaram a rivalizar, e Elijah não seria capaz de se retirar desta batalha, mesmo se quisesse… Parece que eu poderia pedir a Adair que parasse com as missões da meia-noite.

Despreocupado, levantei-me e decidi voltar ao Templo Sagrado. Eu pretendia pegar outro prato de biscoitos de mirtilo do Gelo, e talvez pedir ao Nuvem para me encontrar um armário de livros onde ninguém passaria, e depois me emprestar um livro para ler até dormir gostoso…

Deodoro
Tradutor nas horas vagas. Só joga no hard.

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