Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 10 de 11)

— Olá! Sou Miledi, amiga de O-kun! Vim aqui hoje para ver como é o trabalho dele. — Oscar soltou um suspiro de alívio quando ouviu Miledi fazer uma apresentação adequada. Ele tentou sinalizar para Miledi sair, mas o interesse de Daisy já fora despertado.

— Minha nossa, não sabia que Oscar tinha amigas tão fofas. Há quanto tempo vocês dois se conhecem?

— Desde ontem! Quando conheci O-kun, eu senti, tipo assim, uma faísca. Entende o que quero dizer, senhorita?

— Ah, mas é claro! Quando conheci o meu marido, me senti como se tivesse sido atingida por um raio! Agora entendi, é o que acontece. Fico feliz por você, Oscar. Estávamos todos preocupados com você. Você é bonito e ótimo no que faz, mas nunca nem flertou com uma garota antes. Eu e as outras donas de casa estávamos começando a achar que deveria tentar te apresentar a minha filha se não encontrasse alguém em breve! — Oscar sabia que garotas faziam amizades com as outras facilmente, mas ele não esperava que Daisy e Miledi se dessem bem tão rápido. Elas continuaram conversando, principalmente dizendo coisas embaraçosas sobre Oscar.

Ficou cada vez mais constrangedor para ele a cada minuto que passava. Ele desejou se enfiar em um buraco qualquer e morrer.

A fábrica de fofocas das donas de casa era algo a se recear. Entretanto, ele não tinha tempo disponível para pensar sobre as suas reuniões secretas onde elas discutiram formas de encontrar uma esposa para ele, uma vez que tinha que fazer algo sobre Miledi, que de forma pouco sutil, insinuava que estava tentando se casar com ele.

A única graça divina para essa situação era que Daisy era pouco suscetível a adivinhar a verdade. Isso é, Miledi teve uma intenção de “achei que esse cara seria perfeito para a minha sociedade anarquista” quando disse que tinha sentido uma faísca quando o encontrou.

— Daisy-san! Desculpe interromper, mas posso explicar o que meus produtos fazem?

— Hã? Ah, sim. Desculpe, Oscar. Fiquei um pouco empolgada. Ela é uma garota muito legal, no entanto. Trate ela bem, ouviu?

Oscar respondeu com seu sorriso habitual. Ele podia ver de soslaio Miledi sorrindo, mas ele a ignorou.

— Humm, então, essas facas de açougueiro têm lâmina serrilhada. Isso vai ajudar a impedi-las de ficarem presas quando estiverem cortando carne particularmente dura. Apesar de eu ainda não ter realmente as testado muito. Por isso, poderia me dizer como elas estão se saindo depois de mais ou menos um mês?

Tanto Daisy quanto Miledi examinaram as facas, acenando com a cabeça.

Oscar continuou explicando como as coisas não grudariam na frigideira mesmo que Daisy não usasse óleo. Umas das principais razões por Oscar ser tão popular entre as pessoas comuns era porque ele colocava toques extras como esses em suas mercadorias.

— Você sempre dá atenção em pequenos detalhes como esses. Muito bem, eu falo para o meu marido também. E sempre que eu tiver oportunidade, eu passo por lá para te dizer como está o uso. A propósito, você entalhou algum nome estranho dessa vez também?

Daisy examinou as facas e a frigideira com certa suspeita.

Miledi inclinou a cabeça, confusa, enquanto Oscar suspirou.

— Não, como você pediu, eu não as marquei com minha marca. De qualquer forma, por que você não gosta?

Daisy respondeu com outra pergunta:

— Só por curiosidade, que nome você deu a essas facas e essa frigideira?

Oscar estufou o peito orgulhosamente.

— Que bom que perguntou. As facas são chamadas de Triturador de Carne Mk. III, enquanto a frigideira se chama Mestre Escorregador Alfa. O que acha? Legal, não é? Se quiser, ainda consigo entalhar os nomes…

— Não, obrigada. — Daisy recusou antes dele terminar.

— Por quê…? — murmurou baixinho Oscar.

— O-kun… Você tem um senso terrível para dar nomes.

— O que quer dizer com terrível!? Você não deveria me apoiar aqui!? — gritou Oscar. Daisy concordou com a afirmação de Miledi, o deixando sem ninguém a quem recorrer.

Embora Oscar fosse amado pelos cidadãos, todos eles pensavam unanimemente que os nomes que ele gravava em suas mercadorias eram terríveis.

Apesar de o ter magoado por fazer isso, ele começou a cumprir os pedidos de seus clientes para parar de gravá-los. Ele também era cuidadoso em os manter claros no registro da oficina. Todos os artesãos da Oficina Orcus deviam registrar suas transações.

Dessa forma, ele não precisava ouvir as pessoas lhe dizendo o quão terrível era o seu senso para nomes.

Oscar pegou o dinheiro de Daisy e foi rapidamente para o seu próximo cliente. Ele ainda estava um pouco mal-humorado sobre a questão dos nomes.

O resto de suas entregas ocorreu normalmente, mas cada conversa o deixou um pouco mais mentalmente esgotado. Em cada entrega Miledi se daria bem com os clientes e causava um mal-entendido que Oscar tentaria corrigir desesperadamente.

Quando eles entregaram a última, Oscar estava exausto.

— O-kun, O-kun. Você parece muuuuuuito cansado.

— E de quem você acha que é a culpa?

— Uau, já passou do meio-dia. Qual é um bom lugar por aqui para comer? Estou morrendo de fome.

— Preste atenção quando as pessoas estão falando com… Ah, desisto! Preciso comer ou vou desmaiar. — Resmungando consigo mesmo, Oscar levou Miledi a um restaurante por perto. Era gerido por um conhecido dele.

Já que ainda era hora do almoço, havia bastante pessoas. Embora estivesse em uma parte mais pobre da cidade, o restaurante em si era impecavelmente limpo. Havia fotos do cardápio do lado de fora também.

Por sorte, ainda havia uma mesa vazia sobrando em um canto, então Oscar a reivindicou. Miledi se sentou próxima a ele.

— Hum? Sou só eu ou as pessoas estão olhando para nós? — Miledi olhou ao redor do local.

Oscar olhou em volta e viu alguns moradores, alguns aventureiros e até mesmo uma mesa cheia de garotas locais sentadas nas proximidades. O restaurante atraía todos os tipos de clientes, então não era tão incomum. O que era incomum era que cada um deles estava olhando para ele.

Oscar sabia que Miledi era provavelmente a razão, então ele os ignorou e chamou um garçom.

— Olá~ Ah, Oscar-san, bem… vindo? — Uma adolescente radiante veio para pegar seu pedido. O limpo avental branco que ela estava usando se adequava bem.

— Boa tarde, Aisha-san. Pode nos trazer dois do especial do dia? — Oscar pediu por Miledi também. Ele não queria perguntar a ela o que queria, já que isso lhe daria uma desculpa para dizer alguma coisa.

Todavia, a forma como ele escolheu tão casualmente para Miledi pareceu destruir Aisha. Ela olhou de Oscar para Miledi antes de eclodir subitamente em lágrimas.

Oscar foi completamente surpreendido. Miledi sorriu jocosamente, percebendo o que estava acontecendo. Os clientes observavam com interesse, se perguntando como Oscar a tinha feito chorar.

— O-Oscar-san. E-E-E-Eu não sabia que você tinha uma namorada…

— Hã? Ah, não, não tenho. Essa garota é só…

— Essa garota!? Você é sempre tão educado com todo mundo, mas você é tão próximo dela que se refere a ela tão casualmente… N-Não acredito nisso. — Aisha cambaleou para trás, com a mão na boca. Miledi não se intrometeu com sua provocação habitual dessa vez. Nem ela queria despedaçar o coração puro dessa garota.

— Hmm, acho que você está enganada com algo aqui. O-kun e eu…

— O-kun!? Você o chama de O-kun!? Nem mesmo eu nunca usei um apelido tão casual com ele!

— Err, bem, humm… — Antes que ela dissesse mais alguma coisa, Aisha se virou e correu.

— Buaaaaaaaaa, eu pensei que tinha uma chaaaaaance! Paaaaaaaaai, dois especiais do dia! — Ela desapareceu na cozinha do restaurante. A voz de um homem idoso ecoou da parte de trás:

— Dois do dia, é pra já! Obrigado por ter vindo!

Mesmo que seu coração estivesse partido, Aisha ainda fazia o seu trabalho devidamente. Também dava para perceber a dedicação de seu pai ao próprio trabalho, que pegou o pedido sem pestanejar. Tal pai, tal filha.

Gemidos de lamentos podiam ser ouvidos em outro canto do local.

Oscar se virou e viu um grupo de garotas locais debruçadas sobre a mesa. A causa do desespero delas era evidente se você pensasse sobre o que tinha acabado de acontecer.

— Você é muito popular, O-kun.

— Sem comentários.

Objetivamente falando, fazia sentido. Oscar era muito respeitado, vinha de uma oficina notável, era bastante bonito e ainda por cima tinha até uma personalidade amável. E por causa de todo mundo saber que ele era solteiro, todas as garotas pensavam que tinham uma chance.

Oscar ajustou os óculos para cobrir sua expressão.

Dois dos aventureiros se levantaram e foram até ele. Eles estavam sorrindo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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