Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 8 de 11)

Miledi encarou Oscar por alguns segundo antes de responder calmamente:

— Entendi… — Ela se virou e saiu andando. Sua figura recuando parecia excepcionalmente pequena para Oscar.

Era difícil de imaginar que uma garotinha como ela estivesse lutando contra o mundo. Que raios a levou fazer tal escolha suicida? Talvez ela só seja louca… Seria mais fácil para Oscar se fosse esse o caso.

Assim, ele poderia se convencer de que suas palavras não o tinham comovido.

— Ah, sim, poderia dizer a todos que a comida estava deliciosa?

— Eu irei.

Miledi olhou para trás e sorriu para Oscar. Assim, sem outra palavra, ela desapareceu na escuridão da noite.

Era como se ela não fosse nada mais que um espírito.

Oscar cerrou os dentes, apenas se contendo de dizer alguma coisa.

Eles nunca mais se veriam. E é melhor assim, ficou dizendo a si mesmo.

No dia seguinte…

Miledi apareceu no local de trabalho de Oscar.

— Olá, bons cidadãos da Oficina Orcus! Eu sou a ídolo mundialmente conhecida, Miledi! Onde está o meu O-kun fofinho?

Uma série de artesãos com rostos brutos olharam confusos para a garota que acabou de aparecer na entrada dos fundos. Parecia que ela tinha esquecido seus modos no útero enquanto passava descaradamente pelos artesãos confusos, sem sequer um “com licença”.

— Uau, já devia esperar que uma das três grandes oficinas de Velka fosse tão incrível. O país é conhecido pela sua tecnologia, afinal de contas. Há mestres artesãos para todo o lado~ — exclamou Miledi maravilhada, enquanto olhava a oficina.

Nos fundos da oficina, Oscar estava totalmente mudo. Ele tinha esperado nunca mais ver Miledi de novo. Querendo evitar ser visto, ele se escondeu rapidamente.

Ele estava contente hoje por ter tido pedidos o suficiente para que pudesse se esconder atrás de sua pilha de trabalhos terminados.

Qu-Qu-Que diabos ela está fazendo aqui!? Ele ajustou os óculos repetidamente.

Os artesãos olharam um para o outro, se perguntando quem era essa garota.

Apesar de ela estar sorrindo como uma tola, suas roupas caras a denunciavam como uma nobre, ou pelo menos alguém rico. Normalmente, qualquer um que invadisse a oficina assim seria botado para fora, mas Miledi foi tão flagrante nisso que os artesãos hesitaram.

Especialmente porque em caso de ela ser uma filha de nobre, eles não poderiam se dar ao luxo de ser rude com ela.

Assim que alguém correu para chamar o chefe, um jovem deu um passo à frente. Embora ele mesmo fosse um nobre, ele segurava uma mão com a outra, como um comerciante bajulador. Ping nunca foi de deixar escapar a oportunidade de fazer ligações importantes. Ele sorriu tão lisonjeiro quanto pôde.

— Senhorita, do que é que precisa? Talvez eu possa lhe ajudar. Ah, me desculpe por não me apresentar antes. Sou Ping Waress, filho do Visconde Waress.

— …Oi! Sou Miledi. — Miledi observou Ping cuidadosamente por alguns segundos, mas depois eclodiu em um sorriso de novo e se apresentou.

Os espectadores poderiam ver facilmente que esse sorriso era falso, contudo.

— Miledi, certo? Um nome bonito para combinar com uma pessoa linda como você. Desculpe perguntar, mas de que família você vem…

— Isso realmente importa? — Miledi ainda estava sorrindo, mas seus olhos eram frios. Mesmo um nobre idiota como Ping entendia o recado.

Ping tentou acalmar os ânimos apressadamente e recuperar a simpatia dela.

Se ela podia usar esse tipo de atitude com Ping, um filho de visconde, então ela deveria ser uma nobre muito importante de fato. Ou ao menos era o que Ping pensava.

— Oh não, de forma alguma. Peço desculpas. Realmente, me perdoe. Independentemente, o que é que você precisava? Lhe garanto que eu, herdeiro da família Waress, posso cumprir qualquer pedido que queira! — Mesmo assim, ele ainda tentou vender o nome de sua família. Torpa e Raul se apressaram até Miledi também, na esperança de obter suas boas graças.

Todavia, antes que pudessem alcançá-la, Miledi largou uma bomba em Ping:

— O-kun, digo, Oscar-kun está? Vim aqui para vê-lo…

— Hã? O-Oscar? — Os olhos de Ping se arregalaram. Torpa e Raul pararam na hora. Até mesmo os artesãos pararam de trabalhar.

Oscar gemeu consigo mesmo. Sua idiota! Minha posição nessa oficina já está mal o suficiente e agora você conseguiu torná-la dez vezes pior! Os outros artesãos não podiam acreditar que uma nobre dama estaria procurando pelo membro menos habilidoso da oficina. Ainda mais surpreendentemente, ela o chamou por um apelido.

Todo mundo se virou para olhar o cubículo de Oscar.

— Me desculpe novamente pela minha audácia, mas que negócios você tem com Oscar? Você pode não saber disso, mas suas habilidades são, bem, escassas… Há muitos outros artesãos mais habilidosos que ficariam contentes em cumprir seu pedido.

— Hum? Só queria ver como O-kun trabalha. Não preciso de nada realmente. Ah, é ali onde ele trabalha? Obrigada, Pinwa-san~

— Hum, meu nome é Ping War…

Antes que ele pudesse corrigi-la, Miledi avançou para o local de trabalho de Oscar. Ela tinha seguido os olhares dos outros artesãos para descobrir onde era.

Enquanto isso, Ping ficou lá parado, perplexo.

Uma nobre dama de posição elevada tinha vindo para a Oficina Orcus só para ver Oscar trabalhar.

Ela logo avistou Oscar se escondendo atrás da sua pilha de caixas e se aproximou dele.

— Ah, aí está você, O-kun! Sou eu, Miledi-chan! Não te vejo desde ontem à noite!

Ah, que ótimo, isso vai causar ainda mais mal-entendidos. A expressão de Oscar se enrijeceu.

Os outros artesãos começaram a murmurar uns aos outros sobre Oscar ter dormido com uma garota nobre.

Ping olhou feio para Oscar, com seus olhos ardendo de ciúmes e ódio. Ele correu até Miledi e Oscar, tentando agir de forma educada enquanto a alertava para se afastar de Oscar:

— Senhorita Miledi. Embora ele possa ser um membro da Oficina Orcus, como disse anteriormente, ele é só um Sinergista de terceira categoria. Só lhe foi permitido trabalhar aqui porque o chefe teve pena dele. Além disso, ele é um órfão. Ele não tem modos e nem educação. Não acha que alguém distinta como você deveria ter mais cuidado ao escolher os amigos que tem? No mínimo, acho que ele não é merecedor de…

— Oh, você ainda está aqui, Piress-san? Estou bem agora, então você pode voltar ao trabalho… Ou na verdade você não tem trabalho para fazer?

— Pfft…! — Alguns dos artesãos não conseguiram conter seus risos. Miledi acertou em cheio.

Independentemente de ela ter pretendido insultá-lo ou apenas ter feito um comentário descuidado, ela tinha acertado Ping onde doía. Ele ficou vermelho de vergonha e seu sorriso falso rompeu.

— Minhas desculpas, mas…

— Hum, Miledi-san! Eu terminei aquilo que você me pediu ontem à noite. Na verdade, estava de saída para entregas agora mesmo. Por que não vem comigo?! Muito obrigado pelo seu patrocínio! Espero que você volte à Oficina Orcus caso precise de mais alguma coisa! — Oscar cortou Ping apressadamente.

Ele queria parar isso antes que se transformasse em uma briga. Ele também salientou que era trabalho o motivo de ela ter vindo até ele, para dissipar quaisquer mal-entendidos potenciais.

Infelizmente, parecia que Miledi não conseguiu captar a mensagem.

— Hã? Pedi? Mas O-kun, eu não…

— Vem, vamos lá! — Oscar carregou seu carrinho com uma velocidade desumana e olhou sugestivamente para Miledi. Ele estava sorrindo, mas o sorriso não chegava aos seus olhos.

Miledi começou a suar frio.

— Droga, talvez eu tenha ido longe demais… — murmurou ela a si mesma enquanto seguia atrás de Oscar.

Naturalmente, sua atuação péssima não fez nada para dissipar as suspeitas que as pessoas tinham.

Os artesãos se viraram para fofocar entre si. Ninguém notou Ping, que estava encarando venenosamente Oscar.

— Ei, ei, O-kun. O-kuuun. Pare de me ignorar~ Ei, me escute~

— …… — Oscar andava pela rua silenciosamente, puxando o carrinho carregado de pedidos atrás dele.

Miledi seguia atrás dele balançando a mão na frente do seu rosto ocasionalmente, tentando chamar a atenção dele.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

2 Comentários

  1. Menina persistente visse! Coitado do O-kun, digo Oscar 🤭

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇🏻‍♂️😁

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