Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 12 de 22)

Oscar fechou calmamente seu guarda-chuva e se levantou. Então, ele segurou o cabo com as duas mãos e abaixou lentamente a ponta.

— Eu sou apenas o seu Sinergista comum. — Ele disse, enquanto tocava a ponta do guarda-chuva no chão de pedra.

Rachaduras enormes se espalharam do ponto de contato.

— R-Retirada! Retiraaa… — O cavaleiro líder teve um sentimento muito ruim sobre as fissuras e gritou a ordem de retirada, mas já era tarde demais. Quando ele se moveu pelo campo de batalha, Oscar transmutara certos pontos no chão. Por baixo de uma fina camada superficial de rocha, o solo inferior fora transformado em grãos irregulares ainda mais fino que areia.

A camada fina de rocha não seria capaz de suportar o peso dos cavaleiros, e assim desmoronou por baixo deles. Todos caíram no poço de areia armadilhado que Oscar montou em torno deles. Na verdade, era raso o suficiente para eles ficarem, mas eles estavam tão apavorados que pareciam como marinheiros se afogando.

Coff… Seu desgraçado! Não ache que vai coff… ser capaz coff… de fugir disso assim!

— Transmutar. — A voz de Oscar foi impiedosa. O poço de areia foi rodeado por uma luz dourada. Ele começou a se aglutinar lentamente em pedra dura.

Percebendo o que estava acontecendo com eles, os cavaleiros estenderam a mão desesperadamente em direção a Oscar.

— N-não, por favor, nos desc…

— Vocês valorizam a vida humana mais do que a vontade de Ehit? Eu poderia considerar deixá-los viver se sim. — Era difícil dizer se ele estava tentando se vingar dos cavaleiros ao lhes dar duas escolhas irracionais, ou se ele realmente queria que eles percebessem o erro em suas atitudes.

Contudo, não importava, os cavaleiros eram teimosos demais para mudar suas atitudes.

— Nada é mais importante que a vontade de Ehit! Coff… Como pode não perceber isso!? Se te arrepender de seus pecados agora, ainda pode ser… — A princípio, Oscar pensou que eles estavam implorando por perdão, mas parecia que eles realmente estavam tentando dizer “o perdão ainda está ao seu alcance”.

— Nem sequer querem considerar isso, hein? — murmurou Oscar discretamente consigo mesmo enquanto selava os cavaleiros em seu túmulo de pedra.

Assim que terminou, ele soltou um suspiro cansado. Foi sua primeira vez enfrentando cavaleiros templários, e ele estivera bastante nervoso na verdade.

Ele relaxou agora, embora, e por isso não reparou a figura que esteve se escondendo mais adiante na passagem, nem quando ela partiu.

Ruth observou com espanto quando Oscar enterrou os cavaleiros vivos.

Ele não estava confuso com a força inacreditável de Oscar. Não, na verdade, um sentimento de felicidade que não conseguia bem descrever brotou dentro dele.

O irmão que ele admirara por tanto tempo realmente não era um perdedor. Ele teve a coragem de vir ali embaixo sozinho, apenas para salvar a sua família. E suas habilidades de Sinergista eram ainda maiores do que Ruth inicialmente pensara.

ele era tão forte que nem mesmo os cavaleiros templários poderiam derrotá-lo. Ruth mesmo era um Sinergista inexperiente, e foi por isso que ele podia dizer que as capacidades de Oscar ultrapassavam de longe a de qualquer Sinergista normal.

Não, ultrapassava não era o termo correto. Ele conseguira transmutar vedapedra, um minério que deveria resistir à magia. Ele também percebeu agora que a escada que levava ao primeiro piso deveria ter sido por Oscar. Devia ser assim que ele alcançara Ruth tão rapidamente. Quão bom você tem que ser para fazer uma escada em 65 pisos em alguns segundos?

Isso era o que significava ser um mestre. Todas as várias ferramentas que Oscar usou para derrotar os cavaleiros templários eram artefatos obras-primas de níveis artefatos; e ele mesmo fez todas.

Ruth não sabia por que Oscar esteve escondendo seu talento todo esse tempo, mas isso não importava de verdade. Aniki é ainda melhor do que pensei que fosse! Isso era o que importava.

— Ruth, você está bem?

— S-sim! Aniki, me desculpe por não ter compreendido você todo esse tempo… — Oscar afagou suavemente a cabeça de Ruth.

— Não tem problema, Ruth. Foi culpa minha para começar. De qualquer forma… — Oscar consertou a escada que levava ao primeiro piso.

— Tenho certeza de que as crianças que prosseguiram estão preocupadas com você. Vá cuidar deles para mim.

— Mas… Eu quero ajudar você… Você vai salvar Dylan e os outros… — Ele não conseguia simplesmente abandonar seus irmãos. Mas mais do que isso, ele queria ajudar seu irmão, para redimir sua maldade para com ele todo esse tempo. Ele queria ir atrás dele como fazia no passado. Oscar percebeu no olhar de Ruth.

Só então, o par ouviu o barulho familiar de armadura de placa. Os cavaleiros estavam superconfiantes, e não haviam se preocupado em solicitar reforços quando engajaram com Oscar. Isso servira de grande ajuda enquanto eles lutavam, mas, é claro, outros esquadrões deveriam ter ouvido a confusão.

— Se apresse e vá, Ruth.

— Mas… — Ruth olhou para trás e para frente, entre Oscar e a escada. Oscar sorriu destemidamente, algo que Ruth nunca tinha visto.

— Eu vou cuidar de Dylan e os outros, mas você precisa cuidar daquelas crianças. Você é meu irmãozinho, Ruth. Sei que você consegue fazer isso. — Ruth podia entender que Oscar só estava tentando lhe dar um jeito de parecer que não estivesse fugindo, mas depois de ouvir tudo isso, não havia como dizer não. Ele subiu os primeiros degraus e se virou para Oscar.

— Aniki. Vire à direita na bifurcação que passamos. De lá, siga o caminho com o teto baixo feito de pedrachama. Então, vá pela direita onde as paredes são feitas de shtar estratificado. Depois disso, siga o taur e o túnel de pedraplosão. Daí, vire a esquina onde a luminopedra verde está lascada! É onde a construção que eles nos levaram está! Mantenha Dylan e os outros seguros! — Com isso, ele se virou e correu pelas escadas acima.

Oscar ficou um pouco surpreso com o quão detalhado a descrição de Ruth foi. Ainda assim, ele fechou rapidamente a entrada da escada, a transmutando para se parecer exatamente como a parede à volta.

— Ele é realmente o meu irmão mais novo. Ele se tornará um bom Sinergista. — Oscar girou seu guarda-chuva. Ele sorriu, orgulhoso com o quanto seu irmão crescera, e avançou pelo corredor, seguindo as direções de Ruth.

Ele se deparou com uma série de cavaleiros templários no caminho. Alguns ele derrotou com seus artefatos, outros ele enterrou nas paredes, e outros ainda ele fugiu ao transmutar caminhos pelas paredes.

Por fim, ele avistou um brilho ao longe. Não o brilho natural de luminopedra verde, mas sim a luz suave de lampiões.

— Ah! — Oscar se escondeu rapidamente atrás de um pedregulho próximo.

A razão para isso era simples: a passagem dava em um cômodo em forma de cúpula com um teto de vinte metros de altura. Havia um edifício enfeitado no centro, e um autêntico exército de cavaleiros templários o guardando.

Havia ao menos trinta deles. Julgando pelo tamanho do edifício, o número de armazéns espalhados ao redor, e a cerca em torno do complexo, Oscar imaginava que não era uma instalação comum.

Faz sentido a maioria deles estar aqui se já obtiveram informações de que há um intruso à solta. Não me arrependo de fazer o que fiz, mas eu devia ter sido mais rápido sobre isso… E agora, como lidar com isso? Deveria apenas transmutar um túnel subterrâneo levando diretamente à construção?

Antes que ele pudesse colocar seu plano em ação, contudo, ele foi avistado.

— Saia daí, herege. Sabemos que está se escondendo. — Uma voz velha ecoou pelo local.

Acho que me encontraram.

Claro, ele não possuía motivos para realmente se mostrar. Ele conseguia ouvir homens se aproximando por trás também. Era hora de desaparecer. Ele colocou as mãos no chão, preparar para transmutar um novo esconderijo.

Lamentavelmente, as coisas não ocorreram como o planejado. De fato, a pior coisa possível aconteceu…

— Você veio roubar essa criança de nós, não foi?

— Ah! — Arrepios percorreram pela coluna de Oscar. Ele colocou timidamente sua cabeça para fora.

— Ah, não… — Um dos homens agarrara Corrin pela gola.

Por quê? Como? Eles sabiam que Corrin era uma de suas irmãs? Mas quando é que descobriram? E quem lhes disseram? Essas perguntas martelavam sua mente.

Sua confusão era compreensível. Seus inimigos não deveriam saber quem ele era. Eles presumiram que ele estava aqui para levar todas as crianças de volta, e haviam escolhido um refém aleatório? Não. Eles não teriam dito “essa criança” se fosse verdade.

Não só eles sabiam quem Oscar era, eles sabiam quem era próximo dele.

Onde eu cometi um erro? Ele derrotara todos os cavaleiros que cruzou, ou fugiu antes de eles darem uma boa olhada em seu rosto. Ou pelo menos, ele achava que tinha. Parecia que suas contramedidas não foram perfeitas.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. E agora? Ele tenta salvar geral e corre o risco de algumas crianças entrarem no fogo cruzado ou ele se entrega…

  2. Tinha esperanças de que a “figura escondida”, que ele não notou, fosse Miledi… Mas parece que não era…

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇🏻‍♂️😁

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