Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 16 de 22)

— Trabalhe para mim, Oscar. Se ajoelhe perante a mim e professe sua fé em Ehit. Se devote de corpo e alma aos serviços de nosso grande senhor!

— E se me recusar? — Oscar olhou de relance para Dylan e Katy. Desde que Forneus começara a falar, eles não se mexeram. Sua lealdade a ele deu náuseas em Oscar. Ao mesmo tempo, no entanto, ele sabia qual seria sua resposta.

— Você consegue levar isso a sério? — Ainda que irritasse Forneus com quão menosprezo Oscar pensava sobre trabalhar para Ehit, pouco adiantou para diminuir sua alegria em tê-lo dançando na palma de sua mão. E assim, ele continuou, se assegurando de que Oscar não tinha como fugir.

— Se você mostrar sua sinceridade a Ehit, tenho certeza de que ele estará disposto a conceder os números 44 e 45 sob sua proteção. Embora, se recusar, é possível que eles se juntem a ele no céu muito em breve.

Em outras palavras, ou eu me junto e ele os traz de volta ao normal, ou ele continuará pressionando Dylan e Katy até morrerem.

Oscar rangeu os dentes. A palavra “fúria” não fazia jus a ira em seu olhar.

Mesmo assim, não existia nada que ele pudesse fazer. Afinal, não havia como saber o que Forneus faria a Dylan e Katy caso ele atacasse.

Ele poderia matar todos os cavaleiros e depois ameaçar matar Forneus se ele não trouxesse Dylan e Katy de volta. Todavia, não existia garantia de que funcionaria. Forneus era um fanático da cabeça aos pés. Oscar duvidava de que ameaçar sua vida seria o suficiente para obrigá-lo a fazer coisas que ele via como uma traição ao seu deus. Era uma aposta arriscada.

Além disso, posso mesmo vencer os cavaleiros com meus ferimentos atuais? Seu guarda-chuva negro possuía um feitiço de cura integrado, mas mesmo que pudesse ativar o feitiço instantaneamente, a cura em si levaria tempo.

Ele duvidava que seus inimigos o esperariam pacientemente se recuperar. Mais importante, o sangue que perdeu não voltaria.

Mas acima de tudo, ele não poderia arriscar a vida deles.

— Dylan, Katy… — Eles não reagiram a sua voz. Ele não confiava que poderia incapacitá-los sem causar dano algum.

Ele fechou os olhos e considerou suas opções. Então, com um olhar sombrio, ele encarou Forneus.

— Você tem que prometer que não vai machucar Corrin… e o resto da minha família no orfanato. Além disso, você tem que trazer Dylan e Katy de volta ao normal e mandá-los para casa. Essas são as minhas condições.

— Se eu faço isso ou não depende da profundidade de sua fé.

Oscar cedeu. Os lábios de Forneus se curvaram formando um sorriso de desdém.

— Se não me prometer ao menos isso, vou matar todos vocês, mesmo que tenha que dar minha vida para conseguir. Pelo menos assim, todas as outras famílias estarão seguras. Não ache que mostrei a vocês tudo o que posso fazer ainda. — Isso foi um blefe. Oscar estava sem trunfos. Mesmo assim, ele falava sério sobre dar sua vida para matar todos eles se precisasse. Uma olhada na determinação em seus olhos foi suficiente para dizer isso a Forneus.

Forneus franziu a testa de infelicidade.

— Hmph. Muito bem, não tocarei nas crianças do orfanato. Mas 44 e 45 ficarão comigo. Quem sabe quais tipos de itens perigosos você pode fazer. Se eu voltar esses dois ao normal, que garantia tenho de que você não vai se virar contra mim? Você pode transmutar vedapedra sem qualquer problema, então até mesmo um colar de escravo não será capaz de te conter. Até que prove sua fé, esses dois ficarão comigo. Não se preocupe, prometo mantê-los vivo até lá, pelo menos.

— Urgh… — Oscar rangeu os dentes, mas acabou assentindo. Ele sabia que era impossível Forneus concordar sem alguma garantia. E como ele disse, métodos de retenção não funcionariam em Oscar.

Ele jurou que se vingaria assim que Dylan e Katy estivessem livres.

Forneus chamou Dylan e Katy para o seu lado. Então, ordenou Oscar a se ajoelhar perante ele.

— Onii-chan… — Corrin agarrou a manga de Oscar enquanto ele ia tropeçando até Forneus. Ela sabia. Ela sabia que ele estava jurando uma vida de servidão para si mesmo, só para salvá-los.

Oscar afagou a cabeça de sua irmãzinha inteligente no que poderia ser a última vez.

— Não se preocupe. Prometo que Dylan e Katy voltarão um dia. Só espere em casa com a mamãe como uma boa menina, está bem?

Mas o que vai acontecer com você? Corrin não conseguiu dizer essas palavras em voz alta.

Ele tomara sua decisão, então nada que ela dissesse seria capaz de mudar isso. Mesmo assim, ela se agarrou em sua manga, na esperança de convencê-lo a não ir.

Oscar a soltou gentilmente. Parecia que Corrin não possuía forças para impedi-lo. Durante toda a luta, Corrin não chorou sequer uma vez. Mas agora, lágrimas grandes escorreram pelas suas bochechas. Doía em Oscar vê-la assim, mas ainda assim ele se virou e encarou Forneus. Assim, ele andou os últimos passos na direção dele.

— Hehe, não se preocupe. Contanto que você sirva Ehit, essas duas cobaias não irão morrer. Também não farei nada ao resto de sua família.

— É melhor que não. Para o seu próprio bem. — Oscar se ajoelhou diante de Forneus.

Seu sorriso ficou mais largo, e assentiu.

— Agora, jure sua lealdade eterna a Ehit. Não podemos esquecer as formalidades.

Você só quer se vangloriar, seu velho desprezível. Mesmo assim, a expressão de Oscar permaneceu em branco. Ele nunca jurara sua lealdade a Ehit, mas teria que fazer agora.

— Todo-poderoso e onisciente senhor da criação, Ehit. Tenho a honra de jurar minha fidelidade a você. Eu, Oscar, dedico minha vida e minha alma… — Nesse ponto, tudo o que restava era dizer “a você”, mas ele nunca pronunciou essas últimas palavras.

Um estrondo forte o interrompeu. O túnel sacudiu tão violentamente que pedaços do teto quebraram e caíram no chão.

— O-o que está acontecendo!? Isso é um terremoto!? O que é isso!? — gritou Forneus confuso. No entanto, ninguém respondeu.

Os cavaleiros olharam em volta, claramente surpresos com o rumo dos acontecimentos. Isso foi inesperado até para eles.

Naturalmente, não foi nenhum nem outro para Oscar. Ao contrário de Forneus, no entanto, Oscar percebeu algo. Por ele ser um sinergista, ele estava mais sintonizado com a pedra ao redor deles do que os outros.

— Está vindo de dentro do edifício? Merda, não me diga que temos que lidar com outro monstro louco. — O terremoto teve origem no edifício. De certa forma, era verdade que eles estavam prestes a ter contato com outro “monstro louco”. Todavia, não do tipo que Oscar esperava.

As vibrações pararam. O silêncio preencheu o lugar. Segundos depois, o teto do edifício cedeu. E com ele veio…

— Hiyaaah! A garota preferida de todo mundo, Miledi Reisen, está aqui para salvar o dia! — O teto do edifício permaneceu flutuando no ar. Também não havia magia de ar visível a mantendo no lugar. Miledi Reisen estava em cima dele, fazendo uma pose heroica. Ela fez o sinal de paz em frente ao rosto e piscou para Oscar. Ele podia jurar que viu estrelas flutuando no fundo atrás dela.

— Q-que raios você está…! — Forneus, Ping e todos os cavaleiros templários exclamaram de surpresa. Eles estavam surpreendentemente em sincronia, e os seus olhos pareciam prestes a saltar do rosto.

Como de costume, Miledi fez o que quisesse, sem se importar com o choque deles.

— Mwahahaha! Você, o velho asqueroso aí! Que pena, mas O-kun já se prometeu a mim~ Você acha que ganhou? Acha mesmo que o derrotou? Hehehehehehe! — Algumas veias de Forneus pulsaram enquanto olhava para Miledi. Ninguém nunca ousou chamá-lo de “velho asqueroso” antes. O que o enfurecia ainda mais, no entanto, era o sorriso brincalhão de Miledi. Isso o agravou mais do que palavras poderiam expressar.

Além disso, ela chegara absolutamente no momento perfeito para salvar o dia. Era quase como se ela estivesse ouvindo a conversa deles e planejara sua entrada. Ah, também, ela explodiu o telhado do edifício precioso de Forneus. Ele possuía muitas razões para ficar zangado.

Ele abriu a boca para gritar com ela, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, Oscar olhou para ela acima e expressou seus pensamentos: — M-Miledi? P-por que está aqui?

Miledi olhou para baixo e sorriu para Oscar.

— O-kun, não posso acreditar em você. Se você tivesse me pedido ajuda, você não teria ficado machucado assim, e não teria feito Corrin-chan chorar! Quão patético você pode ser? Você realmente fez uma garotinha chorar!

— Isso não é verdade! Está bem, talvez seja! Mas ainda assim, eu pensei bastante no que disse e… Espera, esse não é o momento!

Mesmo quando ela acabara de salvar a sua vida, ela conseguia ser irritante a respeito disso. Os gritos agravaram seus ferimentos e Oscar se contorceu de dor. A expressão de Miledi ficou séria, e ela continuou:

— O-kun, não posso acreditar em você. Você devia saber que ele nunca cumpriria a sua promessa. Desde que seja em nome de seu deus, eles acham que tudo é justificado. Até mesmo ele não sabe como trazer Dylan-kun e Katy-chan de volta ao normal.

— O quê? — Os olhos de Oscar se arregalaram de surpresa.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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