Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 17 de 22)

Forneus ficou vermelho de raiva e gritou para Miledi:

— Sua puta, eu fiz esse monumento para o Senhor Ehit! Como se atreve a destruí-lo! Oscar, ela é uma de seus aliados!? Se aquele edifício for completamente destruído essas cobaias não voltarão ao normal! Está de acordo com isso!?

— Ah… — Oscar sentiu como se fosse socado no estômago. Forneus olhou feio para ele silenciosamente, implorando para ele parar Miledi.

Oscar agarrou seu guarda-chuva. Contudo, Miledi continuou com entusiasmo, como se inconsciente da turbulência no coração de Oscar.

— Hum? Você poderia estar preocupado comigo destruindo… isso? — Ela estalou os dedos, e um objeto grande flutuou do edifício sem teto.

— Po-po-po-po-po… — Forneus não pôde articular mais corretamente. Sua surpresa era compreensível.

Flutuando no ar, com pedaços se desfazendo e caindo no chão, estava uma parte do chão com quase seis metros de diâmetro. Um círculo mágico complexo fora gravado na superfície da terra, com um altar de algum tipo em cima. O altar estava preso por um pilar retangular no centro do círculo mágico, e um olho fora gravado em seu centro.

— O-kun! Isso é o que transformou Dylan-kun e os outros em lutadores irracionais. É um artefato que detêm as memórias de mestres antigos. Não só isso, ele pode transferir essas habilidades de luta para outras pessoas. Mas esse bispo estúpido na verdade não sabe como usá-lo direito! — De acordo com Miledi, a grande quantidade de informações transferidas para as pessoas que herdam essas habilidades era demais para os hospedeiros lidarem. Por causa disso, suprimia suas personalidades originais. No início, os indivíduos que eles testaram ficaram enlouquecidos, mas depois de um tempo o bispo descobrira uma forma de ao menos controlar seus super-soldados. Todavia, ele ainda não sabia como voltá-los ao normal.

Além disso, a fim de executar os tipos de movimentos que combatentes mestres eram capazes, os hospedeiros pressionavam seus corpos além de seus limites. É claro que eles não conseguiriam durar muito tempo nesse estado, e se destruíam rapidamente. Mas por suas capacidades de cura terem aumentado à força também, seus corpos regeneravam repetidamente. Mesmo assim, existia um limite físico para quanto tempo eles poderiam continuar fazendo isso. Até com tal magia de cura poderosa, algumas batalhas os deixariam mortos e feridos.

Dylan e Katy haviam começado a tossir sangue só por se moverem um pouco. Era óbvio que lutar por até trinta minutos seria o suficiente para matá-los. Então as habilidades dos melhores guerreiros do passado foram implantadas à força em seus corpos.

— Eu esmaguei os ossos desses cavaleiros com magia gravitacional até que falassem, então tenho certeza disso.

— Não… então isso quer dizer que Dylan e Katy não irão… — Um lamento cheio de desespero interrompeu a voz trêmula de Oscar.

— Meu… Meu artefaaaaaaato… Você está com os Olhos de Ehit! Aaaaaah, como pôde!? Sua maldita prostituta miserável! — Forneus puxou os cabelos. Ele estava completamente louco.

Seu artefato era conhecido como Olhos de Ehit. Como Miledi explicou, permitia seu utilizador transcrever habilidades antigas em novos hospedeiros. Parecia que os cavaleiros templários se depararam com ele acidentalmente quando exploravam o sexagésimo quinto piso.

Forneus recebeu um relatório sobre o que encontraram e formulou rapidamente um plano para criar a Legião de Ehit, um exército de super-soldados dedicados ao seu deus. O piso também tornava o local perfeito para conduzir suas experiências em segredo. Seus cavaleiros não eram habilidosos o bastante para carregar o altar de volta para fora ficando completamente ilesos, então era prático também. Ele escavara um dos maiores cômodos no piso e construiu o edifício que Miledi destruiu para servir como uma base de operações.

— Essa era para ser a minha maior oferta para Ehit! Eu teria criado para ele uma legião de soldados de valor, leais à todas as suas ordens! Minhas conquistas teriam me elevado à posição de arcebispo, não, até ao papado! Aaaaaaaaaaaah!

Era para isso que ele sacrificaria Dylan e Katy? A escuridão penetrou no coração de Oscar. Ele podia sentir chamas negras de ódio furiosas dentro dele. Ele sentiu como se fosse o único prestes a enlouquecer, não Forneus. Oscar agarrou seu guarda-chuva e apontou para Forneus. Ele não estava mais pensando racionalmente.

— Não cruze a linha, O-kun.

— Mi… ledi…

Miledi flutuou até Oscar e colocou as mãos sobre as dele. Ele segurava o guarda-chuva com tanta força que suas juntas ficaram pálidas.

Por alguma razão, o toque de Miledi o acalmou. A névoa de ódio que confundia seus pensamentos se dispersou.

Forneus se virou para Oscar.

— Oscar, mate essa infeliz! Não se esqueça, eu tenho a vida dessas crianças miseráveis em minhas mãos! — Ao comando de Forneus, Dylan e Katy apontaram suas armas em seus próprios pescoços. Com uma única palavra dele, eles se matariam.

Oscar cerrou os dentes de frustração com isso. Contudo, ele não estava mais lutando sozinho.

Miledi olhou diretamente nos olhos de Oscar. Não havia mais a frivolidade alegre em seu olhar.

— O-kun. Mesmo que se junte a ele, não será capaz de proteger ninguém. — Ela estalou os dedos de novo.

Ao seu sinal, Dylan e Katy abaixaram suas armas. Vendo como eles se esforçavam desesperadamente em erguê-las de volta, Oscar imaginou que eles não abaixaram voluntariamente.

Era como se suas armas repentinamente pesassem demais para se erguer. Forneus observou estupefato.

— É hora de vocês descansarem. — Sua voz estava cheia de gentileza. Dylan e Katy se ergueram no ar e flutuaram até Miledi. Eles tentavam sair de seu feitiço, mas não havia muito o que podiam fazer no meio do ar. Ela tocou os dois com um leve choque elétrico, os fazendo perder a consciência. Ela então os abaixou gentilmente no chão. A seguir, ela levantou Corrin que voou até Oscar. Corrin se engasgou de surpresa quando voou pelo ar.

Ela ainda estava um pouco confusa, mas abraçou forte Oscar. Ainda existia lágrimas em seus olhos.

— Vocês não nasceram nesse mundo para sofrerem assim.

— Miledi?

Miledi acariciou o cabelo de Dylan e Katy.

— Se concentre em se curar, O-kun. Esses ferimentos são bem sérios. Eu lido com esses tolos, está bem? — Ela se levantou e virou para encarar Forneus e seus cavaleiros.

— O artefato está em minhas mãos. Já resgatei todas as outras crianças que estavam no edifício. As que você já transformou estão inconscientes e contidas. O-kun é um mestre em usar artefatos, então tenho certeza de que ele pode usá-lo para voltar todos ao normal. Você consegue entender o que isso significa, seu monstro louco? — A voz de Miledi estava tão fria que Oscar mal podia acreditar que ela era a mesma pessoa.

Os cavaleiros começaram a entoar seus feitiços. Forneus agarrou o cristal pendurado em seu pescoço e olhou feio para Miledi. Ele abriu a boca para dizer algo, mas antes que pudesse, Miledi o interrompeu.

— Você enfrenta Miledi Reisen. Isso é xeque-mate. — Mana azul-celeste eclodiu ao seu redor. Ela girou em uma espiral, seu esplendor iluminou o local escuro. Miledi flutuou para o ar, como se as leis da gravidade não tivessem qualquer efeito nela. Seu cabelo loiro preso se agitava de um lado para o outro, e seus olhos azuis cintilavam enquanto ela encarava seus inimigos.

Uma esfera negra rodopiante surgiu entre suas mãos. Ela o fez girar ao seu redor.

Sua capacidade de mana ultrapassava até mesmo a de Oscar.

Os cavaleiros foram atordoados, sem palavras. Era como se o tempo passasse mais devagar.

Pairando sobre eles dessa forma, Miledi parecia quase que divina. Todo mundo ficou boquiaberto.

Forneus foi o primeiro a voltar aos seus sentidos.

— O-o que estão fazendo, seus tolos!? Abatam aquela mulher!

Os cavaleiros regressaram aos juízos e liberaram seus feitiços. Oscar deu um grito de aviso, mas se provou desnecessário.

— O-o que é isso!?

— Minha magia simplesmente… desapareceu!?

Os feitiços dos cavaleiros foram sugados para a esfera orbitando Miledi e desapareceram.

Esse era um dos feitiços gravitacionais, Ruptura Espacial. Ela criara um buraco negro que absorvia todos os feitiços, independentemente de seu elemento. Mesmo os Raios Celestiais dos cavaleiros não conseguiam escapar da singularidade da estrela negra. Uma barreira inquebrável feita de gravidade a protegia.

— Se eu pudesse assumir o controle de sua consciência! — gritou Forneus e ergueu o cristal. Parecia que seu cristal foi imbuído com algum tipo de magia de manipulação de mente.

Os cavaleiros começaram a entoar novamente, esperando complementar o ataque de Forneus com os seus.

— Tarde demais: Queda dos Céus. — Inúmeras pequenas esferas negras surgiram ao seu redor. Elas se juntaram acima de Forneus e os cavaleiros.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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