Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 2 de 22)

Ela esperou por um tempo, mas quando se tornou óbvio que ele não diria nada, ela deu um sinal aos dois guardas.

— Vocês estão dispensados. Eu cuido do resto.

— Miledi-sama?

— O que foi?

Os dois guardas seguiram a ordem ao pé da letra. Miledi respondeu brevemente com “Isso é uma ordem” e os viu saindo.

Então, depois de um momento de hesitação fingida, Miledi se inclinou para mais perto do homem.

— Humm, posso te perguntar uma coisa? — Miledi deu o seu melhor para soar como uma criança.

Ainda não havia muita emoção em sua voz, mas estava muito longe da forma inorgânica que ela leu as acusações.

Davy se mexeu. Miledi pôde ver os olhos vazios olhando para ela detrás da franja suja.

— O quê? — Para sua surpresa, ele respondeu.

— Por que atacou aquele sacerdote? Você devia saber o que aconteceria com você.

O que ela queria realmente saber era de qual organização ele fazia parte. Porém, ela achava que perguntar isso imediatamente pareceria suspeito, então ela começou com algo mais inócuo.

Davy ficou olhando para Miledi. Seus olhos vazios começaram a brilhar com uma determinação ardente.

— Que horrível.

— Hum? Você definitivamente fez uma coisa horrível. Mas se sabia disso, então por que…

— Não consigo acreditar que você já é assim sendo tão nova.

— O quê? — A surpresa de Miledi não foi fingida dessa vez.

Davy sorriu para Miledi. Ele se esforçou para ficar de joelhos, tossindo sangue.

— Por quê? É simples. Porque você está fazendo uma cara dessa, garotinha. — Miledi não fazia ideia do que ele estava falando. Ele tinha feito isso por causa da expressão dela? Isso não fazia nenhum sentido cronologicamente, muito menos logicamente.

Ele estava gozando dela? Ou a tortura tinha afetado seu juízo?

De qualquer forma, não parecia que ele se abriria para ela. Nesse caso, ela só tinha que acabar com isso. Como sempre fazia.

Seu pai só lhe disse para tentar ver o que aconteceu, afinal de contas. Ela cumpriu essas ordens.

— Qual é o valor de um mundo onde as crianças não podem sorrir? — Ele disse outra vez antes que Miledi pudesse condená-lo.

— Ah…

Ela não tinha uma resposta para ele. Pela primeira vez, ela ficou perplexa. Parecia como se algo a tivesse apunhalado no peito. Quando ela voltou a si, Davy havia se levantado e estava parado na beira da plataforma.

Como ele pode ficar de pé com feridas tão graves?

— Sinto muito, mas não posso responder o que você realmente quer saber. — Ele cambaleou instavelmente. Mais um passo e ele cairia no abismo.

Ainda assim, os olhos de Davy ardiam com vida.

— Mas eu acredito. Um dia, o mundo será livre.

— Livre? — Ela falou hesitantemente, como se nunca tivesse ouvido isso antes. As palavras de Davy não faziam sentido para ela.

Davy tossiu mais um bocado de sangue. Ele estava praticamente morto. E mesmo assim… ele sorria.

— Ei, garotinha. Você não quer viver sua vida sorrindo?

— Ah…

Davy se inclinou para trás e caiu no desfiladeiro.

Ele pôs fim à sua própria vida, como se negasse o direito de deixar Miledi o executar.

O vento soprou pela plataforma vazia. Não havia ninguém emcima dela agora. Por um tempo, Miledi ficou ali parada.

Dali em diante, Miledi se afundou em pensamentos. Ela continuou cumprindo seu dever, mas agora ela passava um pouco mais de tempo conversando com os condenados, fazendo perguntas que seu trabalho não exigia dela. Ela descobriu que tipo de gente esses criminosos eram.

Nem mesmo ela tinha certeza do porquê fazia isso. Contudo, enquanto ela continuava, algo começou a se formar dentro dela.

Um dos criminosos era um homem que viveu perto do lago do norte. Ele amava aquele lago e rezava para a criatura que vivia dentro dele todos os dias. Isso era um pecado.

Outro criminoso era um comerciante. Ele havia dado um medicamento para um demônio ferido. O demônio ficara grato pelo seu auxílio e os dois formaram uma amizade duradoura. Isso era um pecado.

Mais outra era uma mãe. Ela implorara à Santa Igreja para que não levassem sua criança dotada, pelo menos não até que se tornasse adulta. Isso era um pecado.

Ainda outro fora um homem-fera jovem. Isso era um pecado.

No entanto, esses eram realmente pecados? Alguns dos condenados certamente eram criminosos e muitos deles mereciam ser punidos. Mas os crimes deles eram realmente merecedores da morte? Miledi não se podia permitir tais perguntas. Ninguém questionava as questões absolutas. Especialmente se fosse um Reisen.

Embora continuasse dizendo a si mesma isso, a dúvida que fora plantada em sua mente naquele dia continuou a crescer.

Um dia, uma empregada foi até Miledi.

— A partir de hoje, serei a sua assistente pessoal. Meu nome é Belle. É um prazer servi-la, Senhorita. — A cortesia da empregada era perfeita. Seus cabelos ruivos estavam amarrados cuidadosamente com um laço. Ela era, sem dúvida, linda.

Quando Miledi perguntou por que lhe fora dada uma empregada, Colt respondeu. Segundo ele, aos dez anos ela adquiriu a maior parte dos conhecimentos necessários para ser considerada um membro pleno da família Reisen.

Dentro de alguns anos, ele deixaria de agir como intermediário em seus deveres. Seria esperado que ela lidasse com o imperador e a Santa Igreja por contra própria.

Belle era a filha de uma amante de um nobre, mas ela fora criada com uma educação de nobre adequada, então ela agiria tanto como empregada quanto tutora de Miledi, preenchendo as últimas lacunas restantes no conhecimento de Miledi.

Miledi sabia que esse dia chegaria. Ela não tinha direito de recusar, nem tinha motivos para tal. Todavia, ela não era a mesma garota de antes. Como todos os pensamentos que ela tivera recentemente, ela considerava uma distração ter uma empregada a ensinando graça apropriada e requinte.

Ainda assim, depois de passar um mês com Belle, Miledi tinha que admitir que ela era uma professora eficiente. Não importava a situação, Belle nunca deixava sua fachada de elegância desaparecer. Embora isso a fizesse parecer um pouco rígida às vezes, ainda era impressionante.

Com o tempo, Miledi aprendeu a se comportar da mesma maneira.

Miledi estava grata pelo fato que, embora Belle estivesse com ela o tempo todo, ela só falava quando necessário.

No entanto, ela podia sentir que os olhos de Belle sempre estava sobre ela… apesar de que talvez só fosse porque queria fazer seu trabalho de tutora corretamente. Afinal de contas, é o dever da professora observar de perto as ações do pupilo.

Embora por vezes parecesse que o olhar de Belle tivesse algum outro significado por trás. Miledi dispersou esses pensamentos, decidindo não interferir no trabalho de Belle. Ela não tinha interesse de se aproximar dela, então não havia razão para pensar muito sobre as ações de Belle.

No dia após Miledi chegar a essa decisão, algo aconteceu. Pela primeira vez, Belle não a seguira durante todo o dia. Depois que ela acabou seu trabalho, Miledi retornou ao seu quarto. Ela abriu casualmente a porta do seu quarto e encontrou…

— Ah, bem-vinda de volta, Miledi-tan~ Você certamente trabalha duro para alguém tão pequena~ — Belle estava à espera dela.

E ela saudou Miledi de uma forma ridiculamente bonitinha. Belle estava sentada à mesa de Miledi comendo um pedaço de bolo.

Ela acabou de me chamar de Miledi… tan?

— ……

— Hum? Minha nossa, o que há de errado, Miledi-tan? Parece que você está se perguntando por que sua tutora certinha e adequada está agindo assim.

— ……

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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