Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 21 de 22)

Esse era o truque final de seu guarda-chuva, uma autodestruição.

Ele duvidava que iria matá-lo, mas definitivamente ganharia algum tempo para Miledi.

Miledi avançou em direção ao dragão, enquanto Oscar saltou até o teto. Os dois cruzaram caminho no meio do ar.

Enquanto passavam um pelo outro, Oscar deu a Miledi a joia que ficava incrustada no cabo de seu guarda-chuva. Ele a tirou antes de arremessá-lo.

Miledi se engasgou quando sentiu a grande quantidade de mana armazenada em seu interior. Ela deu uma olhadela em Oscar e sorriu triunfantemente.

Então, de costas um para o outro, os dois utilizaram suas habilidades mais desenvolvidas.

— Transmutar!

— Estouro Etéreo.

Mana dourada cruzou as rachaduras no teto. Ao mesmo tempo, uma nova escura como breu desceu sobre o dragão antigo, emitindo centelhas azul-celeste de sua superfície.

Não houve um grande estrondo, mas vibrações do impacto puderam ser sentidas. O ataque mais mortal de Miledi também era o seu mais silencioso.

Ao mesmo tempo, o teto se reparou em um piscar de olhos. Quando Oscar olhou para baixo, ele viu que o chão desaparecera.

— …… — Os dois olharam em silêncio uma para o outro.

Oscar abriu sua boca hesitantemente:

— Eu sei que te disse para enviar ele para o inferno, mas nunca disse nada como criar um inferno…

— Ugh…

— O que diabos vamos fazer agora? Isso é muito pior que um piso desmoronando, sabe disso, não é? Não há como eu consertar isso nem com minha Transmutação.

— N-não precisa gritar comigo! Sei bem que exagerei um pouco! Além do mais, isso é tudo culpa sua, O-kun!

— M-minha culpa? Foi você quem fez um abismo gigante! Pare de tentar empurrar a responsabilidade disso em mim!

— Não, é tuuuuuudo culpa sua! Mas que droga estava naquela joia!? Pensei que fosse algum tipo de artefato que armazenava mana, então retirei tudo, mas havia mais do que pensava que teria! Tipo, muito mais! Nem o mais raro dos artefatos chegava perto.

— Hmm, bem, é, hum… Uma Gema Divina que fiz, acho?

— Perdão, não tenho nenhuma ideia do que disse. — Ou melhor, gostaria de ter a mínima ideia.

Gema Divina: era um cristal lendário que muito raramente aparecia na natureza. Era mana pura e cristalizada. Geralmente Gemas Divinas levavam milhares de anos para se formar. Elas podiam armazenar mais mana do que qualquer outra coisa. Levava mais uns pares de séculos para uma recém-formada Gema Divina se tornar plenamente saturada de mana. Embora, uma vez que ficava, ela excretava um líquido conhecido como Ambrósia. Ambrósia era uma droga milagrosa que podia curar feridas e curar qualquer doença.

E Oscar havia dito que “fizera” uma. Já que era só uma cristalização de mana altamente concentrada, poderia, em teoria, ser criada.

— Quando soube sobre as Gemas Divinas, pensei que talvez fosse capaz de fazer uma, então tentei. É claro, essa não secreta Ambrósia. Tudo o que é capaz é armazenar mana. Pensava que se continuasse a verter mana nela, ela iria eventualmente começar a produzir Ambrósia por si só, então estive vertendo um pouco de minha mana nela todos os dias desde os meus doze anos. Coloquei ela em meu guarda-chuva porque também era capaz de absorver uma porcentagem da mana utilizada em feitiços direcionados a mim.

— Estou vendo. Não entendi nada.

De fato, o cérebro de Miledi falhou em compreender como Oscar conseguira fazer um cristal mítico aos doze anos. Ela sorriu, com uma expressão de pura confusão em seu rosto.

— Não acredito que usou seis anos de mana em um feitiço, embora… Haaah… Bem, acho que ainda não tivemos tempo para discutir isso, e é minha culpa por não te avisar, mas… Ugh, não posso acreditar que ajudei você a fazer um buraco gigante no Caminho Verde… Acho que vou desmaiar.

Apesar de eu achar que matar um bispo e seus cavaleiros templários seja um crime ainda maior. É meio tarde para se preocupar em ser presa por vandalizar o Caminho Verde. Oscar balançou a cabeça e mudou de planos.

— De qualquer forma, vamos sair daqui. Você poderia me devolver minha Gema Divina, Miledi?

— Uh, ainda realmente não entendo o que quer dizer. — Miledi repetiu, com aquele sorriso vago ainda em seu rosto. Exceto que agora havia suor frio escorrendo pelas suas costas.

Parecia que havia mais do que apenas confusão e surpresa impedindo Miledi de devolver.

— Miledi, me devolva minha Gema Divina.

— O-kun, eu sou o tipo de mulher que nunca olha para o passado.

— Você não me contou toda a história de sua vida há algumas horas? Enfim, onde está a joia?

— L-lá embaixo, eu acho. — Miledi apontou para o fundo do abismo, desviando os olhos o tempo todo.

— Se explique. Nada de desculpas.

— Fiquei tão surpresa com o quão forte minha magia estava que sem querer deixei cair o que estava segurando. Eu estava segurando a sua Gema Divina. Fim.

Oscar encarou Miledi com os olhos sem vida. Miledi se recusou a encontrar seus olhos, enquanto rios de suor continuaram a escorrer por sua testa.

Oscar olhou fixamente para ela por mais alguns minutos antes de finalmente suspirar e dar de ombros.

— Bem, pelo menos estamos todos seguros. Uma Gema Divina não é grande coisa.

— Você é um cara tão legal, O-kun! — Miledi deu um sorriso largo, e Oscar sorriu de volta. Então, eles notaram Corrin em pé no teleférico improvisado de Oscar acenando freneticamente para os dois.

— Acho que devíamos ir — disse Oscar de ânimo leve, e fez um “toca aqui” para Miledi.

Dois dias após o incidente no Caminho Verde.

Ainda era cedo o bastante para que o sol não tivesse nascido. Velnika, a capital, ainda adormecia. Oscar caminhava por uma das ruas desertas da cidade.

Ele usava um casaco preto, carregava um grande saco e possuía um guarda-chuva preso à cintura, ainda que não houvesse uma nuvem no céu. Parecia que ele estava prestes a partir em uma longa jornada.

E, de fato, estava. Hoje seria o dia em que ele deixaria Velnika.

Havia uma série de razões para sua partida. A primeira era óbvia. Ele não podia ficar aqui depois de se rebelar contra a Santa Igreja e matar o Bispo Forneus. Claro, as provas de sua morte e as circunstâncias ao seu redor haviam desaparecido todos no fundo do abismo que Miledi criara. Contudo, ele não podia ter certeza de que tudo fora enterrado.

Além do mais, ele possuía muitos conhecidos nessa cidade. Se alguém fosse atrás dele de novo, seria possível que iriam visar seus amigos primeiro, assim como Dylan e os outros foram raptados.

A segunda razão pela qual estava partindo era para encontrar uma cura.

Eles acabaram destruindo os Olhos de Ehit. Como eles já não tinham ninguém para os comandar, Dylan e Katy não tentavam matá-lo mais, mas eles se tornaram cascas vazias em vez disso. Ele tentara todos os tipos de magia de cura e até mesmo recorreu a ajuda de Miledi, mas ambos Dylan e Katy permaneceram em coma.

Magia normal não tinha qualquer efeito neles, então ele precisava procurar por algo novo, sendo essa outra razão pela qual estava partindo.

Mas antes de sair, ele convencera Moorin de tirar as crianças da capital.

Eles se mudariam para a aldeia escondida que a organização de Miledi utilizava como base de operações.

Miledi prometera proteger Moorin e as crianças. Mesmo que ela não fosse uma amiga de Oscar, ela ainda teria levado as crianças para lá. Dylan e Katy eram testemunhas importantes, e Corrin e Ruth agora sabiam a verdade sobre a Santa Igreja.

Era possível que a Santa Igreja não se importasse, já que tudo o que faziam era sancionado pela população em geral, mas também era possível que tentariam matar as crianças para esconder as provas de seus feitos. Nesse caso, um esconderijo da organização anti-igreja era praticamente o lugar mais seguro do mundo para elas.

As crianças choraram quando Oscar lhes contou seus planos para partir, mas Ruth se determinou a confortá-los. Com Dylan em coma, se tornou sua vez a tomar o comando. Ruth parecera bastante viril quando disse a Oscar para deixar as crianças com ele.

Além disso, Oscar vira o tipo de camaradas que Miledi tinha com ela. Eram todos guerreiros altamente habilidosos, então ele tinha certeza de que eles seriam capazes de guiar Moorin e as crianças em segurança para sua aldeia por conta própria.

Miledi mesma atestou por eles, o que fora mais do que suficiente para Oscar.

Como ela possuía muita coisa para resolver depois da batalha, eles se separaram durante a noite.

Oscar passara então um dia inteiro reabastecendo seu estoque de equipamento e colocando seus negócios em ordem. Ele saiu cedo de manhã para evitar ser visto por alguém que pudesse reconhecê-lo.

Apesar de ainda ser cedo, ele evitou a rua principal e seguiu pelas vielas.

— Preciso me despedir do vovô — murmurou Oscar consigo mesmo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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