Arifureta Zero – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 9 de 22)

— Aniki… Eu… — Oscar bagunçou o cabelo de Ruth. O rosto de Ruth franziu. Seus esforços não tinham sido em vão, afinal.

Oscar realmente viera salvá-los. Quando chegou no 65º piso, Oscar havia encontrado as roupas das crianças, juntamente com suas moedas armazenadas em um cofre.

Elas foram despojadas de todos os seus bens quando foram raptadas. Isso anulara eficazmente o rastreamento de Oscar. Ele decidiu procurar pelo resto do piso antes de fazer outra coisa, e encontrou vários cavaleiros templários de patrulha. Ele ficava cada vez mais desconfiado a cada minuto até que sentiu alguém usando magia de transmutação. Um dos cavaleiros notara também, e foi investigar. Oscar seguiu furtivamente atrás dele.

Se não fosse por Ruth, Oscar continuaria procurando sem rumo por esse piso labiríntico.

— Eu não vejo Dylan e os outros em lugar algum. Você sabe onde eles estão? — Ruth limpou as lágrimas que finalmente caíra e balançou a cabeça.

— Não. Eles trouxeram todos nós a esse edifício grande nas minas. Havia esses caras de branco, e eles fizeram todos nós ficar nesse círculo mágico. — Não havia muitos edifícios dentro do Caminho Verde. E se todos usavam branco, é óbvio que eles fazem parte da mesma organização. Alguma coisa muito suspeita estava acontecendo, especialmente considerando os cavaleiros templários que se envolveram. Oscar entrecerrou os olhos.

— Eu não sei o que estão fazendo, mas disseram que eu não era compatível. Eles levaram Dylan e os outros ainda mais adentro do prédio, mas eles me trouxeram aqui.…

— Entendi… Agora entendi. Obrigado, Ruth. Que bom que você está seguro. Acho que devia tirar vocês daqui primeiro. Vamos lá, pessoal. É hora de ir para casa. — Oscar olhou para as outras crianças atrás de Ruth. Elas estavam todas olhando para ele com admiração. Seu tom gentil ajudou a aliviar o nervosismo deles e assim começaram a sair.

— Vamos para casa?

— Eu posso ver a mamãe e o papai de novo?

As crianças olharam esperançosas para ele.

— Sim, não se preocupem. Vocês vão voltar para casa e ver seus pais de novo. Apenas fiquem quietos para assim os cavaleiros assustadores não os encontrar.

Ruth olhou para o cavaleiro que Oscar nocauteara. Embora ele tenha apanhado o cavaleiro com um ataque surpresa, ainda o derrubou com um único golpe. Os cavaleiros templários eram conhecidos por serem fortes o bastante para valerem cinco soldados regulares. Nenhum artesão normal deveria ser capaz de lidar com um tão facilmente.

— …… — Oscar também não se parecia em nada com o perdedor que Ruth estava acostumado a ver. Ele transmutara as barras com tanta facilidade, e ainda havia uma acuidade nele que Ruth não reconhecia.

— Qual o problema, Ruth? Não temos muito tempo. Precisamos nos apressar.

— E-eu sei disso! — respondeu Ruth, aborrecido por ser interrompido no meio do raciocínio, mas Oscar não respondeu nada. Pelo contrário, apenas sorriu.

Era assim que ele sempre fora. Sempre que se deparava com algo desagradável, ele apenas ria. E ainda assim, o sorriso que Oscar deu a Ruth dessa vez, de alguma forma, parecia diferente.

Perguntas martelaram a cabeça de Ruth.

Oscar conduziu as crianças pela caverna. Ruth seguiu no fim da fila, examinando cuidadosamente as costas de seu irmão. Ele estava dividido entre acreditar em Oscar de novo e a voz em sua mente que lhe dizia que só ficaria desapontado mais uma vez se acreditasse.

Oscar sentiu o olhar ardente de Ruth, mas não o abordou. Ele se focou em evitar as patrulhas de cavaleiros e levar as crianças para onde ele passou inicialmente.

Perto do cofre que guardava as roupas das crianças e a moeda de Ruth. Embora cofre talvez fosse uma palavra grandiosa demais para o que realmente era, apenas uma cavidade coberta de barras. Havia roupas reserva de trabalhadores e algumas outras ferramentas diversas armazenadas dentro também. Obviamente não era feito para guardar algo importante.

Oscar transmutou as barras e atravessou.

Ele pôs a mão na parede do fundo e mana com a cor da luz solar o envolveu. Havia um calor em sua mana que a fazia parecer os raios solares reais.

— Uau, é tão bonito!

— Incrível.

As crianças observaram com espanto. Por alguma razão isso fez Ruth, e não Oscar, corar. Ele continuou roubando olhares no que Oscar fazia, mas tentou parecer que não estava interessado.

O feitiço de Oscar só levou alguns segundos. A parede foi transformada em uma escada que levava para cima.

— Muito bem, pessoal, ouçam. Ainda há outras crianças por aí. Preciso ir salvá-las. Essa escada vai os levar de volta ao primeiro piso. Vocês conseguem subir sem mim?

Havia uma escada dessas nesse piso? Ruth ficou intrigado com isso enquanto as outras crianças trocavam olhares nervosos. Elas esperavam que Oscar as levariam até em casa. Elas estavam com medo de ir sem ele.

— Não se preocupem. Ruth aqui é meu irmãozinho. Ele é um rapaz corajoso. Ele vai levar vocês para fora do Caminho Verde.

— Hã!? — exclamou Ruth de surpresa. Todas as crianças se viraram para ele.

Ele fora certamente o único a tentar usar magia para escapar, então as crianças estavam dispostas a confiar um pouco nele.

Desde que ele não podia segui-los para fora, Oscar transmutou alguns mapas para as crianças. Ele arrancou placas de rocha em forma de disco da parede e gravou um mapa do primeiro piso nelas.

— Ah, esse é o mapa do primeiro piso! Meu pai vende isso aos turistas! — Uma das crianças o reconheceu.

As outras se juntaram, ansiosas para dar uma olhada nos mapas.

Os mapas de Oscar eram tão detalhados que pareciam ter sido desenhados por um mestre artista. A mana dourada de Oscar desapareceu quando ele terminou.

— Pegue isso. Eu marquei o caminho mais curto para a saída. Siga ele e você vai poder sair. Posso contar com você para orientar meu irmão se ele se perder?

— E-eu não sou uma criança! Não vou me perder no primeiro piso! — protestou Ruth calorosamente. Contudo, as palavras de Oscar tranquilizaram o outro garoto. Ele estava menos nervoso agora que tinha um papel a cumprir também.

— Tenho um último pedido a vocês. Veem que há outro mapa na parte de trás desses discos? Esse é o mapa para a Oficina Orcus. Eu sei que todos querem ir para casa, mas preciso que vocês vão lá primeiro e digam a um homem chamado Karg o que está acontecendo. Preciso da ajuda dele para salvar todas as outras crianças. — Na verdade, Oscar só queria que Karg cuidasse delas. Se os cavaleiros templários estavam envolvidos, então ele não podia confiar em nenhuma instituição pública para mantê-las a salvo.

Se as crianças voltassem para suas famílias, era provável que seus pais informassem à guarda. Essa era a última coisa que Oscar desejava. Era óbvio que a guarda informaria suas ações à Santa Igreja.

Ele também não podia dizer exatamente as crianças para que não confiassem na guarda da cidade. Porque elas assumiriam que se não pudessem confiar na guarda, ainda poderiam confiar na Santa Igreja.

E elas não acreditariam se ele lhes dissesse para não acreditar na Santa Igreja. Senão, isso os faria suspeitar mais dele.

Portanto, ele decidira enviá-los a única pessoa com autoridade nessa cidade que Oscar sabia que poderia confiar. Ele sabia que Karg lidaria com as coisas discretamente.

Oscar escondeu sua verdadeira intenção por trás de uma explicação que era mais fácil para as crianças engolirem. Ruth ficou olhando para Oscar com suspeita, mas as crianças estavam todas ansiosas em ir embora. Todas elas estufaram o peito e disseram coisas como “deixa com a gente!” ou “vamos fazer isso!”.

— Obrigado. Vocês são todos muito corajosos.

As crianças ficaram vermelhas de vergonha. Oscar as instou a seguir, e elas começaram a subir os degraus.

Como sempre, Ruth tomou a posição de retaguarda. Embora dessa vez ele tenha feito isso porque queria ficar para trás e falar com Oscar antes de sair. Assim que ficaram sozinhos, contudo, ele ficou sem palavras.

— Vá lá, Ruth. Não temos muito tempo. Você conhece o primeiro andar melhor do que ninguém, e já conheceu o velhote antes também.

— E-eu sei. Mas… aniki, você não estava mesmo… — Oscar sabia o que Ruth queria dizer, mas ele o interrompeu antes que Ruth pudesse terminar.

— Ruth, se abaixe!

— Ah!?

Oscar puxou Ruth para perto e o enfiou debaixo do seu casaco. Ao mesmo tempo uma rajada de vento quente passou sobre a cabeça de Ruth e houve um estrondo alto atrás dele.

O casaco preto de Oscar desviara o ataque, mas Ruth empalideceu quando ele olhou para ver o que aconteceu.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. O jeito que esses capítulos terminam é de lascar os nervos da gente!😅

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇🏻‍♂️😁

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!