Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 16 de 17)

Entre a multiplicidade de feitiços voando no Beemote, um deles possuía uma trajetória ligeiramente mais baixa… e estava a caminho de Hajime. Alguém visara claramente seu ataque diretamente para ele.

Mas por quê!? Um momento de confusão e surpresa passou pela sua cabeça.

Ele travou rapidamente suas pernas em uma tentativa de parar, e então a bola de fogo explodiu centímetros em frente ao seu rosto. As ondas de choque o enviaram para trás, em direção ao Beemote. Ele evitou um golpe direto, e não sofreu nenhum dano grande, mas seus canais semicirculares foram colocados em desordem e ele perdeu completamente seu equilíbrio.

Hajime cambaleou para se pôr de pê, tentando aumentar o espaço entre ele e o Beemote tanto quanto possível, mas o Beemote estava farto de ser bombardeado. Logo após Hajime conseguir acertar sua postura, ele deu outro rugido. Hajime olhou para trás e o viu reunindo a mana vermelho-escura pela terceira vez quando terminou de aquecer o capacete. O monstro estava olhando inequivocamente para ele.

Em seguida, o Beemote usou o seu capacete aquecido como um escudo contra a barragem de feitiços e investiu contra Hajime. Ele ainda estava um pouco desorientado, com a visão ainda desfocada, então ele só conseguia ouvir o Beemote se aproximando atrás dele, e seus colegas gritando e berrando à frente dele.

Hajime reuniu os últimos resquícios de sua força e saltou para o lado. Um segundo depois, o Beemote se chocou no chão, usando todo o seu ódio e raiva como combustível no ataque. A ponte inteira tremeu quando ele bateu. Rachaduras enormes se espalharam do ponto de impacto. A ponte rangeu como protesto pela última vez, antes… de colapsar inteiramente.

Os sucessivos ataques finalmente ultrapassaram o seu ponto de resistência.

— Graaaaaaaaah!? — O Beemote rugiu furiosamente quando tentou se agarrar desesperadamente à ponte desmoronando com as suas unhas. Todavia, tudo o que ele cravou também desmoronou, e depois de uma luta final inútil, caiu para as profundezas do inferno. Seus últimos gritos ecoaram ao longo de toda a câmara.

Hajime também se rastejou desesperadamente através da ponte colapsando, tentando encontrar um lugar para se agarrar, mas todos os seus apoios desmoronavam bem rapidamente.

Ah, eu não vou conseguir… Ele murmurou essas palavras interiormente quando desistiu. Olhando para seus colegas uma última vez, ele viu Kaori tentando correr desesperadamente até ele, enquanto Shizuku e Kouki agarravam seus braços e estavam a contendo. Seus colegas também estavam todos pálidos, cobrindo os olhos ou a boca com as mãos enquanto o viam. O Capitão Meld e os outros cavaleiros o observavam com expressões dolorosas em seus rostos enquanto viam Hajime cair.

Por fim, a ponte inteira caiu, e Hajime despencou para as profundezas do inferno, olhando fixamente para cima. Sua mão estendida tentava agarrar inutilmente a luz desvanecendo.

Ouvindo os gritos do Beemote que ficavam mais e mais ténues. Ouvindo a ponte se desmoronando no nada. E então, muito rapidamente, Hajime foi engolido pela escuridão, juntamente com o último dos destroços.

O próprio tempo pareceu desacelerar quando Kaori observou Hajime cair para as profundezas da terra, com desespero claro em seus olhos. A conversa que ela teve ontem à noite com Hajime se reproduziu em sua mente repetidas vezes.

Eles conversaram ao luar, bebendo o chá preto medíocre de Hajime. Foi a primeira vez que ela já teve uma conversa tão prazerosa.

Ela se lembrou do pesadelo que suscitara sua visita, e de quão surpreso Hajime ficou quando ela apareceu de repente na frente do seu quarto. Ele havia até levado seu sonho tonto tão a sério. E antes que ela desse conta, seus medos desapareceram e eles ficaram conversando alegremente sobre tudo e mais alguma coisa.

Ela havia voltado ao seu quarto muito feliz, até que se lembrou de que o visitou com uma roupa bastante ousada, e se contorceu, envergonhada. Então, alguns segundos depois ela se sentiu um pouco triste, pensando que ela não devia ter muito charme já que Hajime não reagira à sua aparência nem um pouco. E então, ela também se lembrou de como tentou esquecer tudo o que havia acontecido assim que viu a expressão exasperada de Shizuku.

Mas, acima de tudo, ela se lembrou da promessa que fez a Hajime naquela noite. A promessa de o proteger. A promessa que Hajime sugeriu para aliviar os medos de Kaori. Ela repetiu essa promessa em sua cabeça repetidamente enquanto observava Hajime ser engolido pelo abismo obscuro.

Ela ouviu um grito fraco e distante, depois percebeu que era o seu próprio, antes de voltar a seus sentidos. Seu rosto se distorceu em angústia quando a realidade do que aconteceu lhe atingiu outra vez.

— Me deixe ir! Preciso ir até Nagumo-kun! Eu lhe prometi! Eu prometi que iria o proteger! Me deixem iiiir! — Shizuku e Kouki se esforçavam para conter Kaori, que parecia pronta para saltar no abismo por vontade própria. Ela lutava mais ferozmente do que alguém teria pensado ser possível tendo em conta a sua estrutura física magra.

Se isso continuasse, Kaori acabaria por se machucar. Contudo, eles definitivamente não podiam a deixar ir também. Se a soltassem, ela iria certamente saltar do penhasco sem hesitação. Ela já havia perdido qualquer sentido de racionalidade. O sofrimento suplantara completamente sua mente.

— Kaori, pare! Kaori! — Foi exatamente porque ela entendia como Kaori se sentia, que Shizuku não conseguiu encontrar quaisquer palavras para confortar sua amiga. Tudo o que podia fazer era continuar chamando seu nome.

— Kaori! Não há razão nenhuma para tirar sua vida também! É impossível ajudar Nagumo! Se acalme! Você se machucará nesse ritmo! — Essas foram as melhores palavras que vieram à mente de Kouki. Todavia, eram também as piores palavras que ele podia ter dito para Kaori nesse momento.

— O que quer dizer com impossível ajudar!? Nagumo-kun não morreu! Tenho que ir salvá-lo! Ele precisa de mim! — Era evidente para todos os outros presentes que não existia salvação para Hajime. Ele havia caído de um penhasco tão profundo que ninguém conseguia sequer ver o fundo.

Entretanto, Kaori não estava em um estado mental onde ela poderia aceitar esse fato. Qualquer coisa que alguém dissesse só iria sair pela culatra e dobrar sua determinação de saltar lá para baixo. Ryutarou e os outros alunos estavam todos olhando para ela angustiadamente, completamente perdidos sobre o que fazer.

Foi então que o Capitão Meld se aproximou de Kaori e deu a ela um golpe forte com a faca da mão em sua nuca. Ela espasmou uma vez, depois caiu inconsciente. Kouki pegou Kaori antes de cair, olhando com raiva para o Capitão Meld o tempo todo. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Shizuku o interrompeu e se curvou para o Capitão Meld.

— Desculpe. E obrigada.

— Eu… não mereço seu obrigado. Mas não posso deixar mais ninguém morrer. Ouçam todos, estamos voltando para a superfície o mais rápido possível… Eu a deixo ao seu cuidado.

— Eu a teria levado mesmo que você tentasse me impedir. — Kouki observou infeliz o Capitão Meld se afastar, mas ele permaneceu calado. Quando Shizuku estava pegando Kaori dele, ela disse baixinho:

— Não conseguíamos parar ela, então o Capitão Meld o fez por nós. Você percebe que não temos muito tempo, certo? O sofrimento de Kaori pode ter afetado a moral de toda a classe, e mais importante, alguém tinha que parar ela antes que se machucasse… Agora mexa seu rabo lá para frente e abra caminho para nós. Você tem que tomar a frente até que todos nós sobrevivamos a isso… Nagumo-kun disse a mesma coisa, se lembra? — Kouki assentiu relutantemente com as palavras de Shizuku.

— Você está certa, vamos sair daqui.

Um dos seus colegas de classe morrera bem na frente dos seus olhos. Isso abalou bastante a turma toda. Todo mundo estava olhando para o abismo onde a ponte estivera em um deslumbre. Alguns dos estudantes até se sentaram onde estavam, proclamando coisas como “estou farto dessa droga!”. Tal como Hajime disse a Kouki antes, eles precisavam de um líder para os guiar.

Kouki se virou para seus colegas e levantou a voz:

— Pessoal! Nesse momento temos de nos concentrar em sobreviver! Temos que nos retirar! — Suas palavras estimularam aos poucos a classe entrar em ação.

Os círculos mágicos ainda estavam cuspindo mais Soldados Traum. Seus números estavam gradualmente sendo reconstituídos. Uma batalha de frente seria perigosa, além disso, não havia mais necessidade de lutar. Kouki gritou tão alto quanto possível, exortando seus colegas a seguir. O Capitão Meld e os outros cavaleiros tentaram inspirar algum vigor nos alunos também. Por fim, todos foram para a escada.

Era uma escada muito longa. Eles continuaram subindo através da escuridão, incapazes de ver para onde a escada os conduzia realmente. Julgando pela velocidade, eles já deveriam ter subido mais de trinta pisos. Mesmo com a magia de fortalecimento de corpo, os alunos logo começaram a ficar cansados. Eles também já estavam parcialmente exaustos da sua luta anterior, então a escuridão interminável da escada minou a sua força de vontade.

Quando estava pensando que deviam parar o grupo para fazer uma pequena pausa, o Capitão Meld viu uma parede mais à frente com um círculo mágico gravado.

Os alunos começaram a parecer um pouco mais otimistas quando o Capitão Meld se aproximou cautelosamente da porta na parede e começou a investigar. Ele passou uma Lente Justa por cima dela também.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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