Arifureta – Volume 1 – Capítulo 4 (Parte 1 de 18)

Hajime e Yue extraíram a carne do escorpião e dos ciclopes derrotados, depois levaram tudo de volta para sua base. Transportar tal quantidade enorme de carne não foi uma proeza fácil, mas depois de dar a Yue mais do seu sangue para restaurar sua energia, Hajime foi capaz de contar com sua ajuda. Com as suas forças combinadas, reforçada pela sua magia de capacitação corporal, eles foram capazes de transportar a enorme quantidade de carne para seu esconderijo.

Originalmente, ele tinha sugerido usar a sala onde Yue havia sido selada como uma nova base, mas ela tinha rejeitado a proposta.

Ele supôs que era compreensível. Ela deveria estar farta de olhar para as paredes do que tinha sido sua prisão por séculos. Mesmo que fossem ficar presos nesse piso até Hajime reabastecer seu estoque de suprimentos, era melhor para sua saúde mental manter Yue fora dessa sala. Assim, ambos estavam passando o tempo conversando e conhecendo melhor um ao outro enquanto reviravam os suprimentos.

— Então isso quer dizer que você deve ter pelo menos 300 anos, certo Yue?

— É feio perguntar a idade de uma garota.

Ela olhou com raiva para Hajime. Parecia que até mesmo nos mundos paralelos perguntar uma garota sobre sua idade era um tabu.

Pelo que se recordava, os vampiros tinham sido destruídos em uma enorme guerra que tinha envolvido a terra há 300 anos. As chances eram que Yue tinha perdido a noção do tempo, presa na escuridão silenciosa que esteve, mas isso justificaria a razão que ela deveria ter, pelo menos, essa idade. Se ela tivesse sido selada com a idade de vinte ou próxima disso, então ela provavelmente era muito mais velha que 300.

— Todos os vampiros vivem tanto quanto você?

— …Não, sou uma exceção. Eu não envelheço por causa dos meus poderes regenerativos.

De acordo com ela, ela já tinha parado de envelhecer desde que tinha despertado seus poderes em tenra idade. Os vampiros comuns ainda poderiam estender suas longevidades ao beber o sangue de outras raças, mesmo assim, não poderiam viver mais que duzentos anos.

Como referência, os humanos nesse mundo viviam uma média de 70 anos, enquanto a expectativa de vida dos demônios era um pouco maior que 120. Os homens-feras tinham expectativas de vida variável, dependendo da raça específica. Elfos, por exemplo, podiam viver por séculos.

A razão pelos poderes excepcionais de Yue, era porque ela tinha herdado o sangue dos vampiros atávicos antigos. Sua linhagem tinha feito dela uma das criaturas mais fortes do mundo atualmente, e ela tinha ascendido ao trono com a tenra idade de dezessete.

Entendi. Não é de se admirar que ela foi capaz de explodir aquela carapaça do escorpião tão facilmente. Mais ainda, ela era praticamente imortal. Apenas os deuses ou diabos podiam aspirar esse nível de força. E parecia que Yue tinha sido classificada como uma das últimas.

Seu tio, cego pela ganância e ambição, tinha perpetrado a ideia errada entre os seus companheiros vampiros de que Yue era de fato um diabo. Ele então tinha usado isso como justificativa para tentar matar ela, mas tinha sido frustrado pela sua regeneração automática. Consequentemente, ele acabou selando ela aqui nesse abismo subterrâneo ao invés disso. Na época, ela tinha ficado chocada demais com a traição súbita para resistir à captura. Quando ela recuperou um pouco sua compostura para entender o que tinha acontecido, ela já tinha sido selada dentro do cubo de pedra.

Era por essa razão que ela não tinha ideia de como esse escorpião veio habitar ali, como ela tinha sido selada, ou sequer como eles tinham conseguido trazer ela aqui nas profundezas do inferno. Hajime tinha ficado um pouco desapontado quando ouviu isso, já que ele tinha esperado que ela devesse conhecer alguma saída.

Ela falou sobre as especificidades dos seus poderes com ele por um longo tempo também. Ela tinha supostamente afinidade perfeita com cada elemento. A certa altura, Hajime se recordou de dizer “Que diabos, você é completamente roubada…”, ao qual Yue tinha respondido dizendo que não era muito habilidosa em combate de perto. O “máximo” que ela era capaz de fazer era usar magia de fortalecimento para aumentar suas capacidades físicas para correr enquanto lançava feitiços o mais rápido que pudesse. É claro, sua capacidade de ignorar feridas graças a sua regeneração inata e a força esmagadora dos seus feitiços, significava que ainda era o suficiente para matar a maioria das coisas.

Uma coisa interessante a constar era o fato de ela ainda dizer os nomes dos feitiços em voz alta, apesar de não ter necessidade de cânticos de nenhum tipo. Parecia que tinha se tornado simplesmente um hábito já que tinha começado a aprender dessa forma. Mesmo aqueles com afinidade com magia normalmente tinham que dizer algo relacionado ao feitiço para manter uma imagem firme em suas mentes.

Sua regeneração automática parecia ser uma espécie de magia especial semelhante ao que os monstros tinham, e iria ativar naturalmente desde que ela tivesse mana restando. A menos que fosse literalmente reduzida a cinzas em um instante, ela poderia se recuperar de qualquer ferimento. Mas, olhando de outra perspectiva, isso significava que uma vez que sua mana esgotasse, seus ferimentos não seriam mais curados. Se ela tomasse qualquer dano naquela luta com o escorpião, teria morrido sem dúvida.

— Enfim… sobre a questão mais importante. Yue, você tem ideia de onde estamos? Ou alguma ideia de como voltar à superfície?

— Infelizmente não. Porém… — Parecia que Yue também estava incerta da sua localização exata. Embora o tom dela fosse apologético, a maneira como ela parou implicava que ela sabia alguma coisa pelo menos.

— Segundo a lenda, esse labirinto foi construído por um dos dissidentes.

— Os dissidentes?

Além de ser uma palavra desconhecida, tinha uma sonoridade bastante sinistra. Hajime parou a sua transmutação e se virou para encarar Yue. Ela moveu seu olhar rapidamente para longe do que ele estava fazendo e encontrou os olhos dele antes de assentir severamente e continuar.

— Eles foram rebeldes que tentaram trazer o fim do mundo. — Considerando o quão reservada e inexpressiva Yue era, suas explicações sempre levavam tempo. Por sua vez, Hajime tinha um monte de transmutação pela frente, então ele se acomodou para ouvir enquanto trabalhava em reabastecer seu suprimento de munição. A batalha anterior lhe tinha demonstrado também o quão carente de força ele estava, e ele tinha começado a trabalhar em uma nova arma para retificar seu poder de fogo insuficiente.

Supostamente, houve sete descendentes que juntos, haviam conspirado para planejar a destruição do mundo. No entanto, os deuses colocaram fim a seus planos e eles foram forçados a fugir para os confins da terra. Seus bastiões do exílio foram o que mais tarde seria chamado de os Sete Grandes Labirintos. O Grande Labirinto Orcus era um deles, é claro. Havia rumores que o dissidente que o criou residia nas profundezas desse abismo, ao qual todos chamavam de inferno.

— …É possível que haja um caminho para a superfície lá, na parte mais profunda do labirinto…

— Entendi. Não consigo imaginar a existência de alguma escada enorme com mil anos de história no fundo. Mas, se isso tudo foi feito por alguém da Era dos Deuses, então provavelmente há um círculo de teletransporte ou algo assim. — Hajime sorriu com essa nova possibilidade. Ele voltou seu olhar para o que estava fazendo com a mão. Yue seguiu o exemplo. Seus olhos grudaram na mão de Hajime.

— …É assim tão interessante me ver trabalhar? — Ela assentiu silenciosamente. Hajime pensou que ela parecia extremamente fofa naquele momento, sentada ali, abraçando os joelhos com seus dedos mal saindo pelas mangas do seu sobretudo largo. Ele foi dominado por um desejo ardente de abraçá-la.

Meu, não consigo acreditar que uma garotinha linda como ela tem realmente 300 anos. Mundos paralelos são realmente de se tirar o chapéu. Eles até têm lolis eternas. Mesmo transformado, Hajime nunca esqueceu de nenhum dos seus conhecimentos otaku. Como se estivesse lendo seus pensamentos, Yue olhou repentinamente para cima.

— Você pensou em alguma coisa muito rude, não foi, Hajime?

— Do que está falando? — Ele fingiu tolice, suando internamente com o quão perspicaz a intuição feminina dela era. Em silêncio, ele voltou ao seu trabalho, claramente à espera de distrair a atenção de Yue. Ele aparentemente conseguiu, já que ela começou a bombardeá-lo com perguntas sobre si.

— …Hajime, o que está fazendo aqui? — Essa era a pergunta que ele tinha mais esperado. Esse era, afinal de contas, o fundo do abismo. As profundezas do inferno, figurativamente. Um lugar onde ninguém, além de monstros, chamavam de casa.

Mas, essa foi apenas a primeira de muitas perguntas por vir. Como você é capaz de controlar mana diretamente? Como você pode usar magia especial de monstros? Como você é capaz de comer carne de monstros e não morrer? O que aconteceu com seu braço esquerdo? Você é mesmo humano, Hajime? O que é essa arma que você usou antes?

Depois da primeira, foi como se uma represa tivesse rebentada e o atingido com perguntas incessantemente.

Por sua vez, Hajime também esteve morrendo de vontade de conversar há muito tempo. Ele respondeu cada pergunta minuciosamente, não incomodado com a tempestade de perguntas. Parecia que Hajime tinha uma empatia por Yue. Ele provavelmente percebeu inconscientemente que, de alguma forma, ela foi a única razão por ele não ter caído realmente ao nível de um monstro insensível que se importava apenas com sua própria sobrevivência.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Li uma boa parte do capítulo com um sorriso de satisfação no rosto. É tão bom ver esses dois interagindo de tal forma. Obrigado pelo capítulo!

  2. Yue é a heroína, por resgatar o MC da trilha da perdição completa!

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇🏻‍♂️😁

  3. Pra mim que estou lendo, confesso que eu ficaria um pouco relutante em contar os segredos da minha força pra alguém que eu acabei de conhecer, vulgo a história de Sanção e Dalila, mas não sei se tomaria uma decisão diferente se eu estivesse no lugar do protagonista.

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