Arifureta – Volume 1 – Capítulo 4 (Parte 16 de 18)

Lundel tinha se apaixonado por Kaori desde o dia que ela foi invocada. Mas, é claro, ele ainda só tinha dez anos de idade. Kaori pensava nele apenas como uma criança que tinha se afeiçoado a ela. Ela não tinha razões para suspeitar que seus sentimentos fossem mais profundos que isso. E já que ela era naturalmente propensa a cuidar dos outros, ela simplesmente o tratava como um irmãozinho fofinho.

— Príncipe Lundel, é bom te ver de novo. — Até Kaori pensou que ele se parecia com um cachorrinho pela maneira como ele ansiava pela sua atenção, enquanto ela sorria gentilmente para ele. Lundel corou em vermelho-vivo, mas ele ainda tentou parecer o mais viril possível na frente da sua paixão.

— É, não te vejo há muito tempo! Tudo me parecia tão entediante enquanto você esteve ausente. Você não está machucada, está? Se ao menos eu fosse mais forte, você não teria que lutar por nós… — Lundel mordeu os lábios de infelicidade. Kaori já não mantinha qualquer desejo de ficar de braços cruzados e deixar os outros a proteger, mas ela ainda sorriu para a resolução infantil do garoto.

— Estou realmente feliz que está tão preocupado comigo, mas não precisa realmente se preocupar. Estou lutando porque quero.

— Não, luta não combina com você, Kaori. De-Deve haver algum tipo de função mais segura que você pode fazer.

— Como? — Kaori inclinou a cabeça ligeiramente. Lundel conseguiu de alguma forma corar ainda mais. Shizuku observava toda a conversação dos bastidores, sorrindo enquanto via as tentativas desastradas do príncipe em cortejar Kaori.

— B-Bem, que tal ser uma empregada? Eu poderia até mesmo fazer de você minha empregada pessoal para que você não precisasse trabalhar demais.

— Uma empregada? Sinto muito, mas não posso aceitar sua proposta. Sou uma sacerdotisa, então…

— Então, que tal trabalhar no hospital? Não há necessidade de se expor ao perigo e lutar nas linhas de frente no labirinto, não é?

O reino tinha um hospital estatal na capital. Ele ficava localizado bem ao lado do palácio. Era bastante óbvio que ele não estava realmente preocupado com a segurança de Kaori. Lundel só queria a manter perto dele. Infelizmente, Kaori era estúpida demais para perceber isso.

— Me desculpe, mas é só nas linhas de frente que eu consigo curar imediatamente os feridos. Estou muito agradecida por estar tão preocupado comigo, mas vou continuar lutando.

— Hmph… — Lundel fez um beicinho quando percebeu que seria incapaz de mudar a ideia de Kaori independente do que ele dissesse. Foi então que o casmurro da justiça decidiu se intrometer e colocar lenha na fogueira.

— Sua Alteza, Kaori é uma amiga de infância muito querida minha. Prometo que não vou deixar que nada aconteça a ela — disse Kouki com um sorriso, pretendendo aliviar as preocupações do garoto. Infelizmente, ele não percebeu que só piorou as coisas. Para o apaixonado Lundel, parecia que ele estava dizendo “Não te atreva a tocar na minha mulher. Enquanto eu estiver por perto, não deixarei mais ninguém ter Kaori!”. O herói e a curandeira. Eles realmente pareciam um casal dos sonhos.

Lundel olhou furioso para Kouki, como se estivesse olhando para seu inimigo mortal. Para sua mente jovem, parecia como se Kouki e Kaori já fossem namorados.

— Como pode se chamar de homem enquanto leva Kaori para lugares tão perigosos com você?! Eu não vou perder! Vou te mostrar que Kaori está melhor comigo!

— Hmm… — Kaori olhou para Lundel, intrigada com seu desabafo súbito enquanto Kouki só olhava atônito. E Shizuku, tendo visto toda a conversação, só suspirou com a atitude estúpida de Kouki.

Lundel cerrou os dentes furiosamente, e Kouki abriu a boca para tentar suavizar a situação. Mas, antes que ele pudesse tornar as coisas piores, uma voz aguda soou por entre o pátio.

— Lundel, pare de agir como criança. Você está incomodando Kaori e o Kouki.

— I-Irmã…!? M-Mas…

— Nada de mas. Todos estão se esforçando tanto por nossa causa, mas você está ignorando completamente os sentimentos deles e tentando manter Kaori aqui… Não acha que está sendo imaturo?

— Ahh… M-Mas…

— Lundel?

— E-Eu acabei de me lembrar que preciso fazer uma coisa! Com licença!

Indisposto a admitir seu próprio erro, Lundel se virou e saiu correndo. A Princesa Liliana suspirou exasperada enquanto observava ele ir.

— Kaori, Kouki, peço desculpas em nome do meu irmão. Ele lhes deve ter causado muitos problemas. — Ela se curvou bastante enquanto se desculpava com eles, e seus longos cabelos loiros caíram graciosamente sobre seus ombros.

— Não precisa se desculpar, Lili. Tenho certeza que Lundel só estava preocupado comigo.

— Exatamente. Não sei por que ele ficou tão zangado, mas… se eu disse alguma coisa que o ofendeu, é eu quem deveria estar se desculpando.

Liliana simplesmente sorriu desajeitadamente. Ela simpatizava um pouco com seu irmãozinho. O foco de sua afeição não estava nem um pouco interessado nele. Pior ainda, seu autoproclamado rival amoroso nem ligava que ele estava em volta.

Houve, na verdade, uma grande comoção quando Kouki e o Lundel se conheceram, mas… essa é uma história para outra hora.

Liliana tinha atualmente quatorze anos. Sua aparência bonita e cabelos loiros e soltos fez ela popular tanto dentro do palácio quanto entre as pessoas comuns. Ela era séria sobre seus deveres, gentil e não muito rígida quanto às posições sociais. Apesar da sua posição, ela era gentil com os servos e empregadas, e se dava bem com pessoas de todas as classes.

Ela na verdade estava profundamente preocupada com a situação de Kouki e dos outros alunos. Não só em sua qualidade como uma princesa, mas também em um nível pessoal. Ela se sentia extremamente culpada por ter um grupo de crianças não relacionadas envolvidas nos problemas do seu país.

Não levou muito tempo para ficar amiga da maioria dos estudantes invocados. De fato, ela se dava especialmente bem com Kaori e Shizuku, e em pouco tempo elas tinham deixado de lado os títulos formais e chamavam umas às outras por apelidos.

— Não precisa fazer isso, Kouki. Lundel é um pouco selvagem, então não se importe. Mais importante, bem-vindos de volta pessoal. Ainda bem que todos voltaram sãos e salvos. — Liliana sorriu calorosamente para os alunos. Apesar de eles estarem acostumados em ver beldades como Kaori e Shizuku em sua classe, os garotos ainda estavam completamente encantados pelo seu sorriso afável. A beleza de Liliana era acentuada pelo ar refinado de realeza, algo que poucas pessoas poderiam esperar em encontrar.

Os membros dos grupos de Hiyama e de Nagayama estavam vermelhos como beterrabas, e mesmo algumas das garotas estavam corando um pouco. Os estudantes estavam impressionados pelo fato de estarem falando diretamente com a realeza, algo que eles nunca teriam tido a chance de fazer em seu próprio mundo. Para eles, era estranho que Kaori e Shizuku fossem capazes de falar como se ela fosse só mais uma de suas amigas.

— Obrigado, Lili. Seu sorriso já é o suficiente para levar embora toda a nossa exaustão. Estou feliz em vê-la também — respondeu Kouki, com seu conjunto habitual de frases clichês acompanhadas pelo seu sorriso famoso. Contudo, para reiterar, Kouki não tinha segundas intenções ocultas em suas palavras. Ele só estava realmente feliz em voltar vivo e ver a sua amiga mais uma vez. Na verdade, ele era completamente ingênuo acerca dos efeitos que suas palavras e condutas tinham nos outros.

— Hein, s-sério? H-Hmm… — Já que ela era uma princesa, Liliana se acostumou a receber elogios de todos os tipos de pessoas. Nobres, dignitários estrangeiros, mensageiros, e até mesmo plebeus elogiavam sua beleza ou sua inteligência a cada momento. Por isso ela tinha dominado a arte de discernir as verdadeiras intenções das pessoas.

E era precisamente por isso que ela conseguiu perceber que Kouki queria dizer com sinceridade tudo o que pronunciou. As únicas pessoas que a elogiavam sinceramente eram sua família, então ela não estava acostumada a louvores sinceros. Ela corou em um carmesim profundo enquanto tentava formular algum tipo de resposta. Esse lado facilmente frustrado dela também fazia parte da razão pela qual ela era tão popular.

Kouki apenas ficou lá, sorrindo felizmente, uma vez mais totalmente ignorante aos efeitos que suas palavras haviam causado. Como sempre, Shizuku suspirou cansadamente atrás dele. Era porque ela o conhecia tão bem que ela percebia que, mesmo que alguém tentasse lhe dizer, ele não entenderia.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

17 Comentários

    1. Olha, se tu levar em consideração os status de Hajime e sua sofrência (ainda com uma baita vampira poderosa) para com a Hidra, e o status dos seus colegas de classe… eles simplesmente nunca chegariam ali, nem perto desse piso na verdade. hahahaha

      1. Só tento imaginar a quantidade de andares que o Hajime avançou só de cair da ponte e ainda desceu mais uns 100 andares. Os amigos deles estão recebendo elogios por passar do 65 ASHASAUSHAU

  1. Cara este Kouki eh muito chatooooooo, nao aguento personagens como ele haha, espero que ele seja o cara ruim manipulador do grupo para ao menos, e entao o Hajime dar um pau nele e tirar ele da historia kkk,

    1. Lembra até aquele herói da Justiça de Tate no Yuushua no Nariagari, no final só um FDP que acha estar sempre certo

  2. O que vai acontecer se eles continuarem descendo? Vão acabar achando os andares tudo vazios huahauhauhauah
    Obrigado por trazer mais uma parte.

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