Arifureta – Volume 1 – Capítulo 4 (Parte 8 de 18)

Levado pela força da sua própria investida, o raptor morto deslizou alguns metros pelo chão antes de parar. Yue e Hajime olharam para o cadáver do raptor.

— Sério, o que foi isso?

— Primeiro ele foi intimidado, depois baleado… Coitado.

— Poderíamos esquecer a parte da intimidação? Tenho quase certeza que nunca aconteceu.

Ele não fazia ideia do que tinha acontecido, mas os monstros nesse andar não faziam nenhum sentido pelo menos, então ele apenas parou de se preocupar com isso. O cerco tinha começado a se fechar neles, então eles se moveram rapidamente para encontrar um terreno vantajoso.

Quando seguiram em frente, eles se encontraram cercados por um mar de árvores, cada uma com cinco metros de largura na base. As árvores estavam agrupadas tão estreitamente que seus ramos se entrelaçavam, fazendo um caminho natural pelo céu.

Hajime usou Aerodinâmica enquanto Yue usou magia de vento para saltar de galho em galho. Ele planejou abater lá de cima todos os monstros que vinham atrás deles.

Em menos de cinco minutos, o chão abaixo se tornou um enxame agitado quando um raptor atrás de outro vieram para a área. Ele estava prestes a jogar uma granada incendiária quando se enrijeceu de repente. Perto dele, Yue também estava tensa, com suas mãos ainda estendidas para lançar a magia. A razão para a hesitação súbita deles era nada mais que…

— Por que diabos todos têm flores em suas cabeças!?

— É um grande jardim.

Como Hajime tinha tão eloquentemente declarado, as dezenas de raptores tinham flores adornando suas cabeças. Todos com formatos, tamanhos e cores diferentes.

Sua reação tinha alertado os raptores da presença deles, e em conjunto, todos se viraram para o encarar. Cada um deles se preparavam para saltar.

Ele jogou rapidamente sua granada incendiária e começou a disparar nos raptores fora do seu alcance. Após cada disparo havia uma breve aspersão vermelha, sinalizando que Donner tinha arrancado a cabeça de suas presas. Ao mesmo tempo, Yue usou sua Zagaia Carmesim para acabar com os raptores um após outro.

Cerca de três segundos depois da batalha começar, a granada incendiária explodiu. O alcatrão quentíssimo espirrou por toda parte, incinerando a área dos raptores. Hajime suspirou de alívio quando viu que sua outra arma ainda era eficaz nesse piso. Parecia que aquele escorpião tinha sido excepcionalmente forte.

Todo o bando de raptores tinha sido eliminado em menos de dez segundos. Mas, por alguma razão, a expressão de Hajime ainda estava sombria. Yue viu a expressão no seu rosto e inclinou a cabeça em confusão.

— …Hajime?

— Não acha que isso é estranho, Yue?

— Hum?

— Eles são fracos demais.

Yue ficou surpresa com essa resposta inesperada.

Seguramente era verdade que tanto os raptores quanto o T. rex tinham se movido com padrões muito simplistas e tinham sido derrotados facilmente. E ainda por cima, embora eles exibissem uma quantidade considerável de sede de sangue, eles tinham ações quase anormalmente mecânicas. Especialmente quando comparados com o raptor cuja flor Hajime tinha destruído. A maneira que ele tinha pisoteado a flor até virar pó tinha parecido muito mais natural.

Hajime se virou para Yue, mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, seu Sentir Presença detectou uma nova onda de monstros. Havia um verdadeiro exército deles se aproximando por todas as direções. Seu Sentir Presença tinha um raio de vinte metros, e já havia mais monstros do que ele poderia contar vindo até eles, com ainda mais surgindo no alcance a cada segundo.

— Yue, estamos em apuros. Tem pelo menos trinta, não, quarenta monstros vindo na nossa direção. Eles também estão nos cercando por todos os lados. É quase como se alguém os estivesse controlando.

— …Devemos correr?

— É inútil. Com quantos eles são, não escaparemos. Seria mais inteligente subir no topo da árvore mais alta e dar cabo deles de lá.

— Certo… Então vou preparar um feitiço grande.

— Sim, vamos dar a eles o que merecem!

Eles correram por entre os ramos, procurando pela árvore mais alta da área. Quando a encontraram, eles saltaram em um dos seus ramos e destruíram todos os pontos de apoio circundantes, tornando difícil aos monstros os seguir.

Hajime segurava Donner em prontidão enquanto esperava. Ele sentiu um ligeiro puxão na bainha de sua camisa, e percebeu que Yue tinha se agarrado nele. Isso restringia um pouco o movimento dos seus braços, então ele se inclinou a ela para deixar eles mais livres. O aperto dela ficou mais forte quando ele o fez.

Por fim, a primeira onda de inimigos apareceu. Era uma mistura de raptores e T. rexes dessa vez. Os T. rexes começaram a bater no tronco de novo e de novo enquanto os raptores usavam suas garras para criar pontos de apoio e subir na árvore.

Hajime apertou o gatilho de Donner. Pedaços de carne choveram ao chão quando um dos raptores teve sua cabeça estourada.

Essa tinha sido a última do seu pente, então ele deslocou o cilindro do revólver e o girou para remover as cápsulas vazias antes de o colocar na sua axila esquerda e recarregar. Todo o processo só levou cinco segundos.

Mas ele ainda assim se certificou de jogar uma granada incendiária no tempo livre para manter os raptores ocupados. Uma cortina de chamas surgiu no chão. Segundos depois, uma barragem de balas seguiu. Hajime já tinha matado quinze deles, mas não tinha tempo para descansar.

Um grupo de trinta raptores e quatro T. rex tinham se reunido lá embaixo, e eles estavam tentando freneticamente subir na árvore ou a derrubar de vez.

— Hajime?

— Ainda não… Espere só mais um pouco.

Ele respondeu, sem tirar os olhos dos inimigos nos quais ele estava atirando lá embaixo. Confiando em Hajime, Yue se concentrou apenas em verter mana no feitiço.

Finalmente, quando havia mais de cinquenta criaturas enxameando ao redor do chão da floresta, Hajime decidiu que deveria ter todos os inimigos que ele havia detectado e deu a Yue o sinal.

— Yue, agora!

— Certo! Prisão Gélida!

Quando Yue liberou a magia, o chão ao redor da árvore começou a congelar. Em um piscar de olhos, todos os monstros tinham sido envoltos em tumbas de gelo azul-pálido. Eles pontilhavam a paisagem congelada, parecendo flores de cristal.

Presos em seus lindos caixões congelados, a luz da vida logo se drenou de seus olhos. O campo de gelo se expandira cinquenta metros em todas as direções. A magia dela era realmente uma arma de destruição em massa.

— Haah… Haah…

— Bom trabalho. Ainda bem que tenho uma princesa vampira do meu lado.

— …Gufufu…

Hajime não pôde deixar de admirar o inferno congelado que Yue havia criado com um único feitiço. Mas lançar tal feitiço de nível alto tinha drenado toda sua mana, e ela estava muito ofegante. Ela tinha se esgotado completamente com esse ataque.

Hajime a apoiou gentilmente com o braço e mostrou o pescoço. Ela recuperaria a mana se ela bebesse o sangue dele. A Ambrósia poderia curar a sua exaustão também, mas, talvez por ela ser uma vampira, demorava muito para fazer completamente efeito nela. Ele supôs fazer sentido que o sangue era o melhor remédio para um vampiro.

Yue sorriu ligeiramente com o elogio de Hajime antes de enfiar suas presas no pescoço dele. Um ligeiro rubor apareceu em suas bochechas conforme ela bebia o sangue dele.

No entanto, antes que ela pudesse terminar, Hajime a retirou subitamente do pescoço e se levantou de novo. Seu Sentir Presença havia descoberto mais cem monstros vindo na direção deles.

— Yue, temos o dobro de antes vindo em nossa direção.

— O qu…!?

— Com certeza há algo estranho acontecendo aqui. Acabamos de eliminar um grupo enorme deles, não é? Mas eles ainda continuam vindo até nós sem se importar… É como se estivessem sendo controlados. Não me diga que essas flores são…

— Parasitas?

— Também acha, Yue?

Yue assentiu.

— …Deve haver um organismo principal em algum lugar.

— Sim. Se não conseguirmos chegar no bastardo que prendeu essas flores em todo mundo, teremos de lutar contra todos os monstros desse piso para o atravessar.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Obrigado por trazer mais uma parte.
    “O Hajime usava a Aerodinâmica enquanto a Yue usava magia de vento para saltar de galho em galho. Ele (planeou) abater todos os monstros que vinham atrás deles, lá de cima.”
    Seria (Planejou) ali não é?

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