Arifureta – Volume 1 – Capítulo Extra (Parte 4 de 5)

Por fim, a refeição deles foi preparada, e o casal começou a arrumar a mesa. Eles colocaram as louças em uma mesa limpa feita de cristal e se sentaram nos sofás próximos. Os dois sofás estavam originalmente de frente um para o outro, mas Hajime e Yue os arrastaram para juntar, então eles se sentaram para comer um do lado do outro. Isso não era só limitado à mesa de jantar: Yue se recusava a se sentar em qualquer lugar que não fosse ao lado de Hajime. Parecia que ela gostava de estar perto dele.

— Certo, hora de comer.

— É. Boa sorte, Hajime.

Hajime tinha um olhar de profunda resolução em seu rosto enquanto olhava para a carne. Yue estava olhando para ela angustiadamente. Hajime mordeu a carne enquanto Yue observava.

— Guh… Gaaah. — Ele gemeu dolorosamente enquanto seu corpo inteiro se enrijecia. Ele estava mordendo com força o suficiente para fraturar seus próprios dentes. Ele continuou comendo apesar da dor, e cada nova mordida trazia novas ondas de agonia. Yue afagou angustiadamente as costas dele e o serviu um copo de Ambrósia.

— Credo, já passou um mês e ainda dói muito comer… Quão poderosa era aquela cobra bastarda!? — Hajime estava nesse momento lidando com um pedaço de bife da Hidra.

Todos os monstros que ele tinha comido até agora haviam cessado de lhe causar dor após a primeira refeição, mas não só seu corpo ainda estava sofrendo sempre que ele comia mais da Hidra, suas estatísticas também continuavam a crescer. Considerando que os monstros recentes haviam cessado de aumentar suas estatísticas, a Hidra deveria ser algo especial.

— …Hm. Aquele monstro era realmente diferente. Acho que todos os Libertadores trabalharam em conjunto para fazer algo assim.

— É. Foi um milagre termos conseguido vencer aquela coisa maldita. Me parece como se esse labirinto fosse concebido para ser vencido depois de conquistarmos alguns dos outros. Precisaríamos de magia da Era dos Deuses à nossa disposição para vencer algo assim normalmente.

Hajime estava certo. Mesmo com seu corpo monstruosamente fortalecido, derrotar algo parecido com aquela Hidra teria sido normalmente impossível.

A principal razão de eles terem ganhado foi devido às suas armas. Seu canhão eletromagnético e explosivos contavam com uma força que ultrapassava de longe suas estatísticas reais. Se ele tivesse lutado com armas de fantasia tradicional como espadas ou magia, ele teria sido derrotado com certeza.

Outro fator enorme que havia contribuído para a vitória deles foi a Ambrósia. Sem ela, ele nem sequer teria conseguido chegar aos pisos inferiores. Ele teria morrido por causa das feridas que o Garrurso lhe causara. Se assim não fosse, a petrificação do Basilisco o teria feito. E mesmo ignorando esses, houve inúmeras outras situações onde ele teria morrido se não fosse pela Ambrósia.

Por último, mas não menos importante, foi o fato de que Yue estivera com ele. Ela podia fazer uso de todo poder de sua considerável mana instantaneamente sem ter que entoar um encantamento ou usar um círculo mágico. Foi ela quem tinha coberto as fraquezas de Hajime em ataques de grande área, e o salvou inúmeras vezes mesmo antes de chegarem na Hidra.

Ou seja, as três coisas principais que tinham contribuído para a sua vitória não foram suas estatísticas, mas seu armamento superpoderoso, sua pedra de cura impressionante e sua aliada mágica roubada.

Hajime finalmente terminou seu bife de Hidra e olhou ansiosamente para a comida normal exposta diante dele enquanto a dor sumia gradualmente. O peixe fora pescado do lago subterrâneo, enquanto os vegetais foram aqueles que eles tinham cultivado.

— Eu só tenho comido carne de monstro até agora, então até isso tem sabor divino, mas…

— …É. Seria melhor se conseguíssemos um pouco de comida de verdade — disse Hajime, com um pouco de saudade em sua voz enquanto se enchia de vegetais. Yue concordou sinceramente enquanto se enchia de peixe.

Hajime tinha vindo de uma cultura que respeitava a arte da culinária, enquanto Yue era uma realeza formal que havia experimentado antes a abundância das artes culinárias desse mundo. Ambos estavam ficando cansados de simples vegetais e peixes grelhados, cozidos ou fritos com apenas sal como tempero, e tinham descoberto o quão difícil era cozinhar, na verdade.

— …Sinto muito, Hajime. Se ao menos eu soubesse mais sobre cozinhar…

— Não é culpa sua, Yue. Não precisa se desculpar. Além do mais, você costumava ser da realeza. Ninguém espera que uma princesa saiba cozinhar. Aliás, eu gostaria de ter passado mais tempo aprendendo a cozinhar.

Os dois, um porque era da realeza e o outro porque era um estudante, possuíam pouca habilidade com as artes culinárias. Yue, todavia, estava duplamente deprimida, pois ela não conseguia cozinhar para o homem que amava. Ela franziu a testa, desejando que sua mestra também lhe tivesse ensinado como cozinhar, e não apenas como agradar alguém na cama. Hajime coçou a bochecha enquanto observava Yue amuar e se afundar ainda mais na crise.

— Bem, sabe, minha mãe é uma excelente cozinheira, tenho certeza de que pode pedir a ela para te ensinar.

— Ah…! Sim. Sim! Cozinhar com sua mãe parece divertido, Hajime.

Os olhos de Yue começaram a cintilar com a sugestão de Hajime. Ela imaginou uma cena idílica onde estava cozinhando com a mãe de Hajime, enquanto Hajime e seu pai observavam da sala de estar. Então, todos eles comeriam juntos, e os pais dele louvariam a comida deliciosa de sua nora. A fantasia dela se desenrolou por algum tempo, e sua boca inexpressiva habitual se afrouxou lentamente em um sorriso.

— Claro, então eu posso contar com você para fazer o café da manhã e o almoço. Minha mãe é o tipo de pessoa que só faz o jantar, por isso eu sempre só tinha sobras e coisas assim para todas as outras refeições.

— É… Deixe comigo.

Já que a mãe de Hajime era uma quadrinista popular, ela sempre estava dormindo durante a hora do café da manhã e ocupada com o trabalho durante o almoço. Hajime geralmente estava ocupado ajudando seus pais com o trabalho ou jogando até tarde da noite, então, para ele, o café da manhã e o almoço era sempre um caso meio confuso que ele dava pouca atenção.

Mas, se Yue estivesse disposta a aprender a cozinhar, fazer o café da manhã e o almoço, então ele não poderia pedir mais nada. De volta a quando era um estudante, ele nunca teria imaginado que um dia pudesse comer um almoço caseiro preparado por uma beleza loira.

Embora ache que já comi uma vez o almoço caseiro de uma garota bonita. No entanto, ela meio que forçou isso em mim, então não me lembro como era o sabor.

Ele não tinha certeza de que tipo de vida iria viver uma vez que conseguisse voltar ao Japão, mas, a ideia de ir à escola e comer o almoço caseiro de Yue parecia certamente atraente. Na verdade, só de pensar nisso trouxe de volta recordações esbatidas que pareciam ter décadas de existência. Memórias de quando Kaori tinha oferecido um pouco do seu almoço a ele quando estava prestes a tirar sua sesta da tarde. Ela também lhe tinha dado um pouco do seu almoço no fatídico dia que eles foram invocados. Bastante forçosamente, também. Suas ações difundiram esse anúncio bombástico para toda a turma, na verdade.

Hajime havia aceitado a oferta relutantemente. É claro, seus colegas de classe não aceitariam ele comendo o almoço da deusa da escola, mas… eles o teriam odiado ainda mais se tivesse recusado. Além disso, Kaori tinha parecido bastante desanimada enquanto se preparava para guardar sua lancheira.

Ele estava condenado se o fizesse e amaldiçoado se não. Foi por isso que ele tinha de, pelo menos, aceitar a boa vontade de Kaori. Tudo o que ele realmente se lembrava da época era do suor frio escorrendo de sua testa enquanto se apressava em comer o almoço de Kaori o mais rápido possível. Isso, e como ela havia sorrido enquanto observava-o comer.

De repente, calafrios percorreram a coluna de Hajime. Ele acordou de seus lapsos de memória e percebeu que Yue estava olhando para ele com uma expressão muito complexa no rosto.

— …Hajime, quem era aquela garota?

— ……

Ele queria saber como ela sabia, entretanto, também percebeu que perguntar agora seria um passo em falso terrível. A intuição feminina era um dos sete grandes mistérios desse mundo, e qualquer desculpa era inútil perante isso. Elas seriam descobertas facilmente. Sem dúvida. Visto pelas frágeis mentiras que eram.

— Ela é um dos colegas de classe que te falei.

— …Ela é a razão de você ter caído aqui, Hajime?

— Bem, acho que é, de certa forma.

Hajime não tinha certeza de como reagir à pergunta de Yue, mas ela ignorou a confusão dele e murmurou baixinho, como se ela estivesse falando consigo mesma.

— …Você já comeu a comida dela?

— Mais ou menos, é.

— Era deliciosa?

— Honestamente, não me lembro muito bem… Talvez? Ela era famosa por sua comida.

— …Entendo.

Yue olhou seriamente para Hajime por um tempo. Então ela começou a se inclinar lentamente à frente, com seu olhar fixo nele.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

10 Comentários

  1. Acompanhei a tradução atual e a Light Novel é bem superior ao mangá(não vou entrar em detalhes, pois iria ser um longo comentário kkk).
    Só tenho a dizer que acompanharei mais capítulos da tradução de Arifureta (apesar que diferente de MdG eu irei demora a ler os capítulos, pois vou deixar acumular).

    E obrigado por trazer a tradução da obra ^^

      1. Eu tenho hábito de ler capítulos com mais de 40000 palavras em pouco tempo, e como Arifureta tem alguns capítulos menores deu para fazer a leitura mais rápido kkkk

  2. Sei que isso nao vai acontecer mas imagina a cena do hajime voltando pro Japão kkk todo fudido sem braço esquerdo, olho direito e com cabelo Branco, mais alto e com uma “esposa” Linda. Séria interessante ver essa cena
    It’s showtime

  3. Me acabo de rir com esses dois! Kkkkkkkkk

    Muito obrigado pelo capítulo, Kaka 🙇🏻‍♂️😁

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