Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 11 de 18)

— Espera! Por favor! Eu te digo qualquer outra coisa que você perguntar! Eu vou dizer tudo o que quiser, então por favor!

O soldado começou a implorar pela sua vida de novo quando percebeu que Hajime planejava matá-lo. Contudo, a única resposta que conseguiu… foi uma única bala na cabeça.

Houve uma tomada de ar coletiva quando os Haulia se engasgaram. Parecia que eles se surpreenderam com o quão absolutamente impiedoso ele era. Pela primeira vez, houve medo em seus olhos. Até mesmo Shea estava olhando para ele timidamente.

— H-Hmm, não podia pelo menos deixar esse último ir embora… — Ele lhe deu um olhar fulminante, e ela recuou de pavor. Essas são as pessoas que mataram e escravizaram seus camaradas, e ela ainda quer lhes mostrar misericórdia? Esses homens-coelho são bons demais. Ou, espera, talvez todos sejam apenas pacifistas? Hajime estava prestes a abrir a boca para se opor, mas Yue foi mais rápida:

— …Não acha que é bastante egoísta para um inimigo abaixar sua espada e implorar por sua vida só depois de saber que está em desvantagem?

— M-Mas…

— Além do mais, foi ele quem lhe protegeu, então não acha que está com medo da pessoa errada?

— ……

Embora seu tom fosse calmo, ela estava claramente zangada. Ela não podia os perdoar por terem medo dele sendo que ele fora a única pessoa que os protegeu. Colocando desse jeito, parecia muita ingratidão, e todos os Haulia desviaram o olhar.

— Hmm, peço desculpa pela minha grosseria, Hajime-dono. Não queríamos criticar suas ações. Contudo, não estamos acostumados com esses conflitos brutais… Seus métodos apenas chocaram alguns de nós.

— Eu também sinto muito, Hajime-san. — Shea e Cam se desculparam em nome de sua tribo, mas Hajime apenas balançou a mão, indicando que não tinha se ofendido nem um pouco.

Ele andou até os cavalos e carruagens intocados, acenando para os outros. Levaria meio dia para chegarem ao mar de árvores a pé, mas não havia qualquer razão em não utilizar o conjunto perfeito de carruagens que encontraram.

Ele retirou Steiff de sua Arca do Tesouro, depois o engatou na carruagem. Ele separou os homens-coelho em grupos à cavalo e grupos em carruagens antes de os conduzir ao mar de árvores.

Antes de partirem, Yue usou sua magia de vento para lançar os cadáveres dos soldados imperiais na ravina. Tudo o que restou da carnificina que acontecera fora apenas algumas poças de sangue.

A Floresta Haltina podia ser vista ao longe. No fundo de seus recessos havia o país dos homens-fera de Verbergen, e em algum lugar lá dentro estava um dos Sete Grandes Labirintos. Eles viajaram a um bom ritmo, e as árvores ficavam cada vez maiores no horizonte.

Como de costume, Yue estava sentada aconchegada no colo de Hajime enquanto ele dirigia Steiff, com Shea agarrada a ele por trás. Hajime tentou convencer Shea de ir nas carruagens, mas ela insistiu em andar de Steiff com ele. Yue também tentara chutá-la para fora várias vezes, mas ela apenas se levantava de novo como um zumbi, então Yue eventualmente desistiu.

A razão pela qual era tão persistente era porque Shea queria conhecer melhor os dois camaradas que finalmente encontrara. Por isso ela parecia tão feliz agarrada em Hajime. Parecia que Shea também tinha gostado do banco de trás de Steiff; ou melhor, ela só gostava de ficar atrás de Hajime de um modo geral. Yue fez uma nota mental de amarrá-la se as coisas começassem a se descontrolar.

Prensado entre uma um tanto irritada Yue e uma radiante Shea, Hajime continuou dirigindo Steiff no reflexo enquanto olhava para longe, viajando levemente.

De repente, Yue disse:

— …Hajime, por que você lutou com eles sozinho?

— Hum?

Ela estava, claro, se referindo ao combate anterior com as tropas imperiais. Naquela hora, Hajime havia detido Yue e cuidado deles completamente sozinho. Quer ela ajudasse ou não, os soldados teriam sido aniquilados instantaneamente mesmo assim. Contudo, depois da luta, Hajime parecia perdido em pensamentos, o que despertara o interesse de Yue.

— Hmm. Bem, havia algo que queria confirmar, então…

— …O que queria confirmar? — perguntou Yue. Shea espreitou por trás do ombro de Hajime, também muito interessada em ouvir a resposta.

— Bem, veja… — Sua explicação continuou por um bom tempo, mas a essência dela foi mais ou menos o seguinte:

A primeira razão por ter detido Yue foi porque queria realizar um pequeno experimento. Ele apontara para a cabeça de todos só por precaução, mas ele tinha disparado alguns tiros experimentais em suas armaduras. O motivo pelo qual ele queria garantir que suas balas normais perfurariam a armadura, era porque seu canhão eletromagnético seria exagerado contra a maioria dos oponentes humanos, e em espaços fechados como cidades poderia incorrer em baixas acidentais.

Embora ele não tivesse problemas em matar qualquer um que lhe opusesse, até mesmo ele hesitava só de pensar em matar acidentalmente um espectador inocente ou disparar acidentalmente na casa de alguém e matar uma família. Só porque ele não tinha mais nenhuma objeção em matar, não queria dizer que ele tinha qualquer desejo de matar pessoas indiscriminadamente. Portanto, ele queria testar quanta pedraplosão precisaria para matar os soldados de armadura. Felizmente para ele, ele conseguiu muito bons resultados. Graças a eles, ele tinha uma ideia decente de quanto precisaria para regular o poder de fogo.

A segunda razão foi porque queria ver se hesitaria quando seus oponentes fossem pessoas humanas. Não importava quanto ele mudara, essa ainda continuava sendo a primeira vez que lutou contra uma pessoa real. Então ele queria ter certeza de que poderia lidar mentalmente com o fato de matar alguém, tanto durante o ato em si, quanto depois da ação feita.

No fim, ele concluiu que “eu não me senti muito mal por isso”. Nessa altura, sua filosofia de matar qualquer coisa que o opusesse havia se consolidado firmemente.

— O motivo pelo qual eu estava boiando era porque estava pensando o quanto devo ter mudado para nem sequer pestanejar depois de matar alguém…

— Entendi… Tudo bem para você?

— Sim, eu não me importo. Isso é quem sou agora, e essa mentalidade definitivamente me ajudará nas batalhas por vir.

Shea ficou surpresa ao ouvir que essa foi sua primeira vez matando alguém, considerando o quão impiedoso ele fora os matando. Paralelamente, ela ficou impressionada que os sentidos aguçados de Yue, pelo menos quando se tratava de Hajime, repararam nessa ligeira mudança que ele estava passando. Subjacente a tudo isso, havia um leve sentimento de solidão por não saber nada sobre Hajime e Yue.

— Hmm! Hajime-san, Yue-san, vocês poderiam me contar mais sobre vocês?

— Hum? Achei que já tivesse lhe dito sobre mim.

— Não, não digo sobre suas habilidades e coisas assim. Quero dizer como foi parar naquele abismo ou algo assim, ou por que vocês estão em uma jornada, ou o que tem feito até agora. Quero saber mais sobre vocês.

— …Por quê?

— Não há nenhuma razão, só queria saber… Em virtude de como sou, eu tenho causado muitos problemas à minha família. Sempre me odiei por isso… Claro, todos sempre me dizem que não sou um fardo, e com certeza eles falam sério, mas… sempre achei que não pertencia a esse mundo. É por isso que fiquei feliz quando conheci vocês dois. Pela primeira vez, finalmente tinha encontrado pessoas como eu. Pela primeira vez, não me senti a estranha… Sei que é presunção minha, mas fiquei finalmente feliz por ter encontrado pessoas que pareciam c-camaradas… É por isso que eu quero saber mais sobre vocês… Não sei bem como dizer isso, mas…

Quanto mais ela falava, mais envergonhada ficava, e no fim ela já estava quase sussurrando atrás de Hajime. Hajime e Yue não sabiam o que dizer com isso. Lembrando do passado, Shea ficara surpreendentemente feliz em conhecê-los.

Na hora, eles estavam ocupados salvando a tribo Haulia, então Yue não teve tempo para pensar em seus sentimentos vagos. Em consequência, tudo que disse a Shea foi coisas simples como por que ela poderia usar magia. Shea deveria ter ficado se perguntando sobre seus dois novos companheiros esse tempo todo.

Era um fato que nesse mundo pessoas com uma disposição física semelhante à dos monstros não eram bem aceitas, então foi normal que Shea sentisse um sentimento de camaradagem. Posto isso, Hajime e Yue não podiam vê-la como uma camarada tão facilmente.

Contudo, ainda havia algum tempo até chegarem ao mar de árvores. Já que eles não tinham motivos reais para escondê-lo, Hajime e Yue decidiram falar de seus passados a fim de passar o tempo. No momento em que terminaram a sua história…

— Buaaaa… Hic… Que horrível. Pobrezinhos. Hajime-san, e você também, Yue-san… comparado ao que vocês sofreram, fui praticamente abençoada… Buaaa, não acredito que fui tão patética. — Shea estava bagunçada de lágrimas. Ela continuou resmungando coisas como “não posso acreditar que fui tão mimada” e “eu nunca vou reclamar de novo” entre soluços. Ao mesmo tempo, ela limpara dissimuladamente o rosto na borda do casaco de Hajime. Depois de ter aprendido sobre o quanto os dois tinham sofrido, Shea se sentiu patética por pensar que sua própria situação fora cruel.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Contar a trajetória deles para ela é, praticamente, jogar na cara dela o quão feliz era sua vida comparada a deles hauahuahauhauhaua

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