Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 13 de 18)

Hajime agitou o braço esquerdo contra eles, e com outro chiado pneumático, ambos os macacos morreram, com suas cabeças perfuradas por agulhas de dez centímetros de comprimento.

Ele estava usando a arma de agulhas que instalou em seu braço protético.

Ele roubara a ideia do escorpião contra o qual lutou, e podia disparar uma única agulha ou um jato estilo escopeta. Ele as ejetava usando seu Campo Elétrico, e embora não estivesse no nível da força de Donner ou Schlag, ainda era muito poderosa por si mesma.

Ela só tinha um alcance de dez metros, mas era muito silenciosa, e as agulhas eram revestidas de veneno, as tornando uma ferramenta de assassinato muito eficaz. Ele não usou Donner especificamente porque não queria chamar a atenção com os tiros.

— Mu-muito obrigada, Hajime-san.

— Obrigado, Onii-chan!

Shea e o garoto que ele salvou agradeceram ele por sua intervenção atempada. Ele sacudiu a mão casualmente, indicando que não foi nada. Os olhos do garoto brilhavam enquanto olhava para Hajime. Shea, por sua vez, encolheu os ombros, decepcionada com si mesma por congelar ao primeiro sinal de perigo.

Cam sorriu sem jeito, e começou a liderá-los outra vez quando instado por Hajime.

Eles foram atacados por monstros mais algumas vezes durante a sua caminhada, mas Hajime e Yue repeliram tranquilamente cada onda com facilidade. Os monstros que habitavam a floresta eram considerados forte pelos nativos, mas não representaram qualquer problema para Hajime e Yue.

Contudo, poucas horas depois de entrarem na floresta, eles acabaram cercados tão meticulosamente que tiveram de parar. Seus números, sede de sangue, e até mesmo a coordenação eram níveis acima de qualquer monstro que enfrentaram na floresta até o momento.

As orelhas de todos os homens-coelho se contraíam nervosamente enquanto tentavam descobrir quantos eram. Quando descobriram a identidade de seus oponentes, todos os homens-coelho fizeram uma careta. Shea deu um passo em frente, e seu rosto ficou completamente pálido. Quando Hajime e Yue perceberam quem os cercavam, também franziram a testa aborrecidos. Afinal, aqueles à volta deles eram ninguém menos que…

— Você aí… Por que há humanos no meio de vocês? Indique sua raça e o clã!

Um homem-fera corpulento com uma cauda listrada e um par de orelhas de tigre barrou seu caminho.

Definitivamente não era normal ver homens-fera e humanos juntos no mar de árvores. O homem-fera tigre olhava incredulamente para Cam, como se ele fosse algum tipo de traidor da raça. Havia uma espada de duas mãos aparentemente perigosa em suas mãos. As dezenas de homens-fera os rodeando estavam todos olhando feio para os homens-coelho, claramente indignados.

— H-hmm, nós somos… — Suor frio escorria da testa de Cam enquanto tentava pensar em algum tipo de desculpa. Todavia, o homem-tigre avistou Shea antes que ele pudesse conseguir.

— Uma coelha… de cabelos brancos? Vocês devem ser a tribo Haulia dos relatórios. Vocês são uma desgraça para todos os homens-fera. Vocês enganaram seus companheiros homens-fera durante anos, escondendo essa garota demoníaca desprezível, e agora estão trazendo até mesmo humanos ao nosso meio!? Traidores! Não vou ouvir nenhuma de suas desculpas! Todos vocês serão executados aqui! Todo mundo, inv…

Bum! Justo antes dele terminar de dar a ordem para investirem, a arma de Hajime disparou. Um traço vermelho passou raspando a bochecha do homem-tigre, esculpindo um buraco na árvore atrás dele, e desaparecendo profundamente no mar de árvores.

Um rastro de sangue escorria pela bochecha do homem-tigre enquanto ficava congelado no lugar. Se suas orelhas ficassem no lado da cabeça como as dos humanos, uma delas teria sido completamente arrancada. Todos se enrijeceram repentinamente com esse novo ataque que viera tão rápido que ninguém sequer teve tempo para reagir.

Apesar de seu tom casual, as palavras de Hajime carregaram uma quantidade surpreendente de peso. Isso foi devido à habilidade Intimidação que ele estava usando, o que fez seus adversários sentirem uma pressão física de suas palavras.

— Consigo lançar ataques como esse várias vezes por segundo. Sei exatamente onde cada um de vocês está. Raios, se quisesse, eu poderia matar todos vocês em menos de um minuto.

— O-o qu… Não houve sequer um cântico.

O homem-tigre hesitou. Não só esse humano era capaz de lançar um ataque desconhecido de grande poder, ele conseguia ao que parecia lançar múltiplas vezes por segundo sem sequer entoar. Além disso, para completar, ele até mesmo parecia saber onde todos eles estavam. Como que para provar sua afirmação, Hajime sacou Schlag e apontou para longe. Bem onde o braço direito do homem-tigre esperava em uma emboscada. Hajime podia dizer que ele estava tremendo por trás do nevoeiro.

— Se pedir aos seus homens para atacarem, não irei lhes mostrar qualquer misericórdia. Até que o nosso contrato esteja completo, a vida desses caras está sob minha proteção… Não pense que sequer um de seus homens irá para casa vivo se tentar machucá-los.

Hajime jorrou desejo de sangue em suas palavras em cima de sua Intimidação. A aura ameaçadora saindo de todos os seus poros fez o homem-tigre começar a suar frio. Ele se esforçou desesperadamente em impedir sua vontade instintiva de rugir de medo.

Você só pode estar de brincadeira! N-nenhum humano pode fazer algo assim! Esse cara é algum tipo de monstro! A fim de evitar ser engolido pelo medo, o homem-tigre tentou se concentrar, mas Hajime nivelou tanto Donner quanto Schlag na direção dele antes de continuar:

— Mas se estiver disposto a sair em silêncio, não vou persegui-lo. Se você não é meu inimigo, então não preciso te matar. Agora faça sua escolha: você vai ir calmamente para casa, ou morrer por causa de seu orgulho tolo?

O homem-tigre estava certo. Se ele desse a ordem para atacar, aquela habilidade de antes acabaria com toda a sua tropa. Não havia sequer a menor chance de que algum deles conseguisse sobreviver.

Ele era o capitão do segundo esquadrão da guarda de Verbergen. Seu trabalho era patrulhar Verbergen e seus assentamentos periféricos e mantê-los a salvo de monstros ou invasores. Ele estava disposto a morrer alegremente no cumprimento do dever, razão pela qual não conseguia recuar tão facilmente, mesmo sabendo que poderia trazer a morte de seu esquadrão inteiro.

— …Posso te perguntar uma coisa primeiro? — O homem-tigre conseguiu roucamente dizer essas palavras. Hajime balançou a cabeça, indicando que ele podia continuar.

— …O que você está querendo? — Uma pergunta simples. Contudo, ordenar ou não seus homens correr para a morte dependia inteiramente da resposta. Seu olhar mostrava que se Hajime pretendesse machucar os cidadãos de Verbergen, ele não recuaria, não importando o quão impossível fosse à luta.

— Só queremos visitar a Árvore Sagrada, Uralt.

— Quer ir para a Grande Árvore… Mas por quê? Para quê?

O homem-tigre tinha certeza de que esse humano viera escravizar os homens-fera ou algo assim, então ele não esperava essa resposta. Embora eles mantivessem a área como sagrada, não era de muita importância prática, razão pela qual ele estava tão confuso. Na verdade, era mais uma atração turística do que um ídolo de culto.

— Porque a verdadeira entrada para um dos labirintos pode estar lá. Estamos em uma jornada para conquistar todos os Sete Grandes Labirintos. E empregamos a tribo Haulia para nos guiar até lá.

— Verdadeira entrada? Como assim? Essa floresta por si mesma é considerada um dos Sete Grandes Labirintos. Um labirinto natural onde qualquer um que não seja um homem-fera se perderá para sempre assim que pôr os pés para dentro.

— É, mas há um problema com essa lógica.

— O quê?

O homem-tigre perguntou suspeitosamente, inseguro de onde vinha a confiança de Hajime.

— Os monstros aqui são fracos demais para isso ser o verdadeiro labirinto.

— …Fracos demais?

— É. Os monstros que encontrei no último labirinto eram todos de um nível totalmente diferente. Ao menos, os das profundezas do Grande Labirinto Orcus eram todos assim. Além disso…

— Além disso?

— Os labirintos são provações que os Libertadores deixaram para trás. Se qualquer homem-fera velho consegue atravessar a floresta, então isso realmente não é muito a cara de uma provação. É por isso que não acho que a floresta em si seja o labirinto.

— …… — O homem-tigre ficou totalmente desnorteado com a explicação de Hajime, porque o que dizia não fazia absolutamente nenhum sentido para ele. Quer fosse que os monstros eram fracos demais, a conversa sobre as profundezas do Grande Labirinto Orcus, os Libertadores ou a provação e afins… nada disso era algo que ele tivesse ouvido.

Em circunstâncias normais ele teria descartado tudo como um absurdo. Contudo, não havia razão para Hajime mentir. Ele era o único com todas as vantagens, por isso não havia necessidade para ele inventar qualquer desculpa.

Além do mais, eles de alguma forma não pareciam mentir. E se seu objetivo realmente não residisse em Verbergen, então fazia muito mais sentido apenas deixá-los ir até a Grande Árvore e acabar seus negócios para que ele não os incomodasse mais. Ele não teria que desperdiçar a vida de seus subordinados assim.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Sempre fico com aquele gostinho de quero mais obrigado pelo capitulo acho q vou da uma olhada no matador de Goblins

  2. Se eu fosse o homem-fera, no primeiro tiro já falava “são realmente traidores, trazem tal grande ser a nosso humilde lar e nem avisa, para que pudéssemos nos preparar adequadamente” haha
    Brincadeiras a parte, obrigado pelo capítulo

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