Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 14 de 18)

O homem-tigre chegou a essa conclusão em um instante. Todavia, por causa de quão esmagadoramente poderoso Hajime era, ele não podia deixá-lo simplesmente ir assim. Embora ele estivesse igualmente consciente de que alguém com as capacidades de Hajime estava completamente além de seu poder para lidar. E assim, ele ofereceu um compromisso:

— Se não deseja causar qualquer problema ao meu país ou ao povo, não me importo em te deixar visitar a Grande Árvore. Também não tenho o interesse em desperdiçar a vida de meus homens. — Todos os outros ao redor de Hajime pareciam abalados. Era completamente sem precedentes permitir um humano intruso ainda mais em seu território.

— Contudo, um mero capitão da guarda como eu não tem a autoridade para permitir isso. Me permita contatar meus superiores. É possível que os nossos anciões tenham alguma informação sobre essa verdadeira entrada que procura. Se realmente não quer fazer mal àqueles que não são seus inimigos, então certamente você estará disposto a esperar aqui enquanto enviamos um mensageiro.

Apesar do suor frio escorrendo loucamente de suas costas, seus olhos estavam resolutos. Com a sua proposta, Hajime mergulhou em pensamentos.

Existia uma boa chance de que esse fosse o maior acordo que o homem-tigre poderia fazer. Hajime ouvira dizer que os intrusos no mar de árvores geralmente eram executados sem questionar. Ele tinha certeza de que o homem-tigre ainda queria eliminá-los também. Contudo, se ele desse a ordem para atacar aos seus homens, todos eles morreriam. E então, ele bolou uma proposta que manteria seus homens vivos, e frearia felizmente o elemento perigoso que era Hajime.

Ele ficou extremamente impressionado pelo homem-tigre surgir com uma solução racional. Então ele comparou os benefícios de simplesmente matar todos eles e abrir caminho e os benefícios de deixar Verbergen acompanhar seus movimentos, mas pelo menos ainda receber sua permissão para passar… e decidiu que esse último seria menos incômodo.

Na pequena chance de que a Grande Árvore não fosse a entrada do labirinto, ele precisaria fazer mais reconhecimento, de qualquer forma. Ter a aprovação oficial de Verbergen era certamente melhor. Claro, era totalmente possível que apenas se tornasse o inimigo de uma nação inteira em vez disso, mas se as coisas pudessem ser resolvidas pacificamente, então era melhor. Era mais uma decisão simples de custo-benefício do que feita por compaixão.

— Tudo bem. Mas se assegure de retransmitir minha mensagem corretamente, ouviu?

— Claro. Zam, você nos ouviu! Vá até os anciões o mais rápido possível!

— Entendido! — Um dos presentes em torno deles desapareceu. Hajime coldreou ambas as armas e parou de usar sua habilidade Intimidação.

A tensão acalmou um pouco. Embora ele estivesse aliviado, o homem-tigre ainda estava um pouco suspeito com a facilidade que Hajime abaixou a guarda. Alguns de seus homens ainda estavam prontos para lançar um ataque surpresa. Mas Hajime, que já adivinhara suas intenções, apenas sorriu destemidamente.

— Qual você acha que é mais rápido, sua investida ou meu saque…? Não posso dizer que me importo em testar, se quiser abusar da sorte.

— …Não, acho melhor não. Contudo, por favor, não faça nada precipitado. Se fizer, seremos forçados a atacar.

— Por mim tudo bem.

Embora ainda estivessem cercados, Cam e os outros suspiraram de alívio ao ver que não estava para acontecer um banho de sangue iminente, e todo mundo se acalmou um pouco. Porém, os olhares dos homens-tigre dirigidos aos homens-coelho eram tudo menos agradável, então não poderia ser chamado de situação pacífica.

Passado um tempo, Yue se cansou do concurso inútil de encarar, e sem se importar com o clima pesado, começou a provocar Hajime para passar o tempo. Farta da atmosfera opressiva, ou talvez apenas esperasse melhorar o humor, Shea também se juntou. Hajime também participou relutantemente, e a tensão relaxou um pouco. Os homens-coelho ficaram todos perplexos quando Hajime começou a “flertar” no meio de território inimigo.

Cerca de uma hora depois. Shea ficara bastante atrevida, e Yue agora a tinha envolvido em uma chave de braço. A garota coelhinha estava gritando desesperadamente: “Tio! Tio!” enquanto o resto de sua família olhava incrédulos. Por fim, eles sentiram uma série de figuras se aproximando rapidamente.

O clima de tensão voltou em um instante, embora Shea ainda estivesse gritando de dor.

Do nevoeiro surgiu um séquito de homens-fera desconhecidos. O homem mais velho no centro se destacava entre eles. Ele tinha cabelo loiro longo e solto, e um par de olhos azuis impressionantes que dizia sobre a longa sabedoria acumulada. Seu corpo era tão frágil que parecia que uma rajada de vento forte o levaria embora. Embora seu rosto majestoso estivesse enrugado, elas só serviam para destacar sua aparência nobre. A parte mais distinta de sua aparência, contudo, era suas orelhas longas e cônicas. Ele era um dos povos feéricos da floresta, um elfo.

Hajime imaginou que ele devia ser um dos anciões. E seu palpite acabou por estar correto.

— Hmm, então você é o humano que está causando um tumulto em nossa floresta. Qual é o seu nome?

— Hajime. Hajime Nagumo. Quem é você, velhote?

Os homens-fera ao redor ficaram chocados com sua atitude arrogante. Contudo, o elfo velho estendeu a mão para acalmá-los antes que a raiva deles fervesse.

— Eu sou Ulfric Heipyst. Tenho a honra de representar Verbergen como um dos seus anciões. Então, fui informado de seu pedido, mas antes de dar a minha resposta, gostaria de lhe perguntar uma coisa. Onde você soube sobre os Libertadores?

— Ah, acabamos de ouvir do próprio homem na casa de Oscar no fundo do abismo.

Hajime ficou surpreso por Ulfric estar mais interessado nos Libertadores do que em seus objetivos na floresta. E embora Ulfric não demonstrasse em seu rosto, ele estava surpreso por Hajime saber sobre os Libertadores. A razão era porque as únicas pessoas muito próximas dos Libertadores sabiam de seu verdadeiro nome, ou que Oscar Orcus fora um deles.

— Entendi. Então você diz ter descoberto isso no fundo do abismo. Não posso dizer que já ouvi falar de tal lugar, no entanto… Você pode provar sua alegação? — Ulfric ficou preocupado por talvez haver alguém entre a liderança dos homens-fera que tivesse vazado informações confidenciais, razão pela qual perguntou.

A expressão de Hajime ficou pensativa. A única coisa que conseguia pensar seria mostrar sua força, mas ainda não provaria isso. Enquanto ele ficou intrigado com a questão, Yue teve uma sugestão.

— …Hajime, o que acha dos cristais de mana, ou algumas das coisas de Oscar?

— Ah, sim, bem pensado. Me deixe procurá-los…

Hajime bateu as mãos antes de abrir a Arca do Tesouro e pegar cristais de mana tão grandes que nenhum monstro da superfície poderia gerar. Ele entregou a Ulfric para inspecionar.

— N-não acredito… Nunca vi um cristal de mana de tal pureza… — O queixo do homem-tigre caiu de choque. Do mesmo modo, Ulfric ergueu as sobrancelhas com leve surpresa.

— Ah, tem isso também. Aparentemente é o anel que Oscar usou ou algo assim. — Hajime também pegou o anel com o brasão de Orcus. Dessa vez Ulfric foi incapaz de conter seu choque e arregalou os olhos de surpresa quando olhou para o brasão. Ele começou a respirar lentamente e profundamente a fim de se acalmar.

— Entendi… Então vocês jovens realmente chegaram ao local de descanso de Oscar Orcus. Ainda há algumas coisas que estou muito curioso para saber, mas… muito bem. Eu lhe concederei passagem por Verbergen. Pelo meu direito como ancião, vocês estão livres para andar como quiser. Claro, os Haulia são bem-vindos também.

Os homens-fera ao redor dele não foram os únicos surpreendidos. Afinal, Cam e os outros ficaram chocados também. De uma só vez, os homens-tigre começaram a protestar ardentemente contra a decisão do ancião. Era apenas natural. Nenhuma vez humanos já foram permitidos passar por Verbergen.

— Devemos tratá-los como convidados de honra. Eles ganharam esse direito. Essa é uma das leis antigas que apenas os que integram o conselho dos anciões sabem. — O tom duro de Ulfric não dava lugar para discordância, então os homens-fera se calaram. Todavia, surpreendentemente, Hajime foi aquele quem levantou uma objeção:

— Espera. Não vá decidindo nossos planos por nós. O único lugar que tenho assuntos a tratar é na Grande Árvore; não estou planejando ir para Verbergen ou qualquer coisa assim. Se estamos livres para ir, então iremos direto para a Grande Árvore, muito obrigado.

— Receio que não possa.

— O quê?

Então eles realmente tentarão se meter no meu caminho, hã? Hajime se colocou em guarda imediatamente, mas Ulfric apenas respondeu confuso:

— O nevoeiro ao redor da Grande Árvore é tão denso que até mesmo os homens-fera se perdem próximo dela. Ele aumenta e diminui em ciclos, e só quando o nevoeiro está mais fraco podemos se aproximar com segurança. Temo que o próximo ciclo não aconteça em dez dias… Pensava que todos os homens-fera estivessem cientes desse fato, mas… — Ulfric deu um olhar intrigado a Hajime antes de mover o olhar para Cam. Depois de um momento gasto absorvendo essa nova informação, Hajime também se virou para olhar para Cam. Perante dois olhares expectantes, Cam respondeu com…

— Ah — como se só agora tivesse se lembrado. Uma veia pulsou na testa de Hajime.

— Cam?

— Ah, hum, não sei bem o que dizer… Bem, havia tanta coisa acontecendo, então é normal eu ter esquecido… É, eu mesmo só estive lá quando era uma criança, e eu não prestei muita atenção aos ciclos ou coisa assim na época… — Ele continuou inventando desculpas, mas os olhares implacáveis de Hajime e Yue não o deixou escapar. Por fim, ele surtou e se virou para seus irmãos.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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