Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 18 de 18)

Vendo que ele não tinha a intenção de desistir, Ulfric deu um longo suspiro. Os outros anciões olharam um para o outro, esperando que alguém talvez tivesse uma solução. O silêncio preencheu a sala por alguns instantes antes de Ulfric dar uma última sugestão com um olhar exausto no rosto.

— Então vamos apenas dizer que eles são seus escravos. Segundo as leis de Verbergen, qualquer um que deixa o mar de árvores e não retorna, ou aqueles que são capturados como escravos, são considerados mortos. Embora pudéssemos ter chance contra humanos nessa floresta enevoada, fora dela suas magias nos destruiriam. Portanto, aqueles que acabam capturados são considerados mortos, e ir atrás deles é proibido para evitar ter mais vítimas… Se já estão mortos, não poderíamos executá-los.

— Ulfric! Você não pode! — Tudo isso era sofisma, nada mais. Os outros anciões, é claro, não ficaram feliz com essa proposta. Zel até mesmo foi tão longe como protestar.

— Zel. Você seguramente vê que esse garoto não está disposto a ceder, bem como não temos a força para obrigá-lo. Se tentarmos executar os Haulia, ele lutará conosco. Como um ancião… não posso arriscar os sacrifícios que essa decisão traria.

— Mas então como vamos servir de exemplo para o resto de nosso povo!? Se as pessoas descobrirem que cedemos à força e deixamos essa garota monstruosa andar à solta junto com seus companheiros demoníacos, o que pensarão de nós? Nossa dignidade estará sempre manchada!

— Mas…

A discussão de Zel e Ulfric continuou, e os outros anciões começaram a manifestar suas opiniões também. Em pouco tempo havia se transformado em uma gritaria. Como esperado, deixar uma ameaça potencial livre e ignorar um veredito que já fora decidido não era algo que eles podiam engolir facilmente. Isso criaria um precedente perigoso, e mancharia para sempre o nome do conselho. Ficando cansado de suas discussões, Hajime decidiu se intrometer apesar de saber que poderia piorar as coisas.

— Hmm, desculpe interrompê-los em tal conversa animada, mas não acham que se preocuparem com essa coelha imprestável agora depois de tanto tempo é meio sem sentido? — Todo mundo se calou imediatamente. Todos os anciões olharam para Hajime, confusos. Ele dobrou sua manga direita, depois começou a controlar sua mana diretamente. Veias carmesins se manifestando de seu braço exposto. Ele então ativou Campo Elétrico para mostrar melhor seu ponto, e faíscas começaram a percorrer seu braço.

Todos os anciões olharam com espanto. Quando o viram usar magia sem um círculo ou encantamento, seus queixos caíram. Eles pensaram que o braço esquerdo de Hajime fosse algum tipo de artefato, e foi por isso que derrotou Jin.

— Assim como ela, consigo controlar minha mana diretamente, e uso magia especializada que apenas monstros deveriam ter. Ah, Yue também pode, a propósito. Todos aqui somos basicamente monstros. Se ter as mesmas capacidades que monstros verdadeiros é motivo para execução, então não deviam tentar nos executar também? Mas espere, sua lei não diz para não se oporem a qualquer um que possuem as qualificações, não importa quem são eles? Faça o que fizerem, vão ter que quebrar uma de suas leis. Então, ficar tão preso a ela parece meio sem sentido para mim. — Demorou alguns segundos para os anciões se recuperarem de seu choque, mas quando finalmente voltaram a si eles começaram a sussurrar ferozmente um ao outro. Eles finalmente chegaram a uma decisão, e Ulfric, seu representante, disse com um suspiro cada vez mais cansado:

— Haaah, pela regra do conselho a criança amaldiçoada Shea Haulia será considerada um parente da criança amaldiçoada Hajime Nagumo. Como Hajime demonstrou possuir as qualificações mencionadas em nossas leis antigas, não iremos nos opor a sua passagem. Contudo, ele será banido de Verbergen e seus assentamentos circundantes. Doravante, qualquer um que tomar alguma medida contra Hajime ou seus similares fará por sua conta em risco, sem a bênção ou proteção de Verbergen… Ponto final. Isso está bom o suficiente?

— Sim, está bem. Como eu disse, tudo o que me interessa é chegar até a Grande Árvore e ter esses caras me guiando, então não temos problemas aqui.

— …Entendi. Muito bem, poderia lhe pedir gentilmente para sair, então? É uma pena não poder dar as boas-vindas adequada a primeira pessoa que já satisfez o pacto antigo, mas…

— Não se preocupe com isso. Estou ciente de que causei a vocês muitos problemas por causa de meu egoísmo. Honestamente, fico feliz de que não escolheram fazer nada estúpido.

Ulfric sorriu amargamente. Os outros anciões pareciam todos igualmente infelizes e exaustos. Não era tanto o fato de guardarem rancor, ou mesmo odiarem Hajime, eles apenas queriam que ele fosse para longe dali. Ele encolheu os ombros sem poder fazer nada e assinalou para Yue e os outros se levantarem.

Yue se levantou devagar. Ele não conseguia dizer se ela não tivera qualquer interesse na conversa deles desde o início, ou se ela simplesmente não sentiu vontade de dar seu parecer. Contudo, Shea e o resto dos Haulia ainda ficaram sentados. Parecia que o choque do que aconteceu fora tão grande que ainda não tinham registrado o fato de que foram salvos. Eles vieram preparados para morrer, e agora acabaram de serem exilados. A maioria deles ainda não estavam realmente certos de que estava tudo bem para eles irem embora.

— Ei, até quando vão ficar sentados sonhando acordado? Levantem-se, estamos partindo. — Todos os homens-coelho se apressaram em se levantar e seguiram atrás de Hajime após essas palavras. Ulfric e os outros seguiram junto também, dizendo que iriam escoltá-lo até o portão.

Enquanto eles estavam voltando, Shea andou timidamente até Hajime e lhe fez uma pergunta.

— H-hmm, nós… realmente não seremos executados?

— Não ouviu nada do que dissemos?

— N-não, eu escutei, mas… nós nos safamos tão facilmente que ainda não parece real… Sinto que vou acordar a qualquer momento e descobrir que tudo isso foi um sonho… — Todos os outros Haulia possuíam a mesma expressão desnorteada em seus rostos. Hajime pensou que isso era apenas por causa do quão absoluto o julgamento dos anciões normalmente era para os homens-fera. Yue entrou na conversa, vendo que Shea ainda assim não sabia o que fazer com seus sentimentos.

— …Só fique feliz.

— Yue-san?

— Hajime salvou vocês. Essa é a verdade pura e simples. Por que não ficar feliz com isso?

— …… — Refletindo sobre as palavras de Yue, Shea olhou para Hajime. Ele apenas deu de ombros sem olhar de volta.

— Quero dizer, isso era parte da promessa.

— Ah…

Os ombros de Shea tremeram. Em troca de orientá-lo pelo mar de árvores, Hajime prometeu proteger ela e sua família. Ela se moera até o osso, quase literalmente, a fim de arrancar uma promessa dele.

Embora ela tivesse visto um futuro onde ele os protegia, não havia nenhuma garantia de que esse futuro viria a acontecer. As escolhas de Shea afetavam constantemente o futuro que via. Por isso ela esteve tão desesperada em obter sua cooperação. Mesmo que ela não possuísse nada para oferecer em troca, e seu potencial salvador fosse um humano, um membro de uma raça que discriminava os homens-fera. Tudo o que possuía para negociar era seu corpo e sua magia especial. Quando ele ignorou essas duas coisas, ela realmente queria chorar, mas ainda assim tentou desesperadamente espremer uma promessa dele. E então, no caminho de salvar a sua família ela percebeu que ele não era o tipo de pessoa que voltaria atrás com a palavra. Parte de sua convicção vinha do fato de que ele nunca a discriminou, uma garota coelha.

Todavia, tudo isso foi baseado em seus sentimentos; ela nunca teve uma razão concreta para crer que Hajime manteria sua promessa. Era por isso que ela ainda estivera um pouco preocupada lá no fundo. Foi por isso que tentou dizer coisas como “ele não é um cara que voltará com a palavra!” com confiança, e extrair promessas que ele estaria disposto a lutar contra pessoas humanas. Apesar do seu medo inicial, ela realmente ficara aliviada por ele ter matado aqueles soldados imperiais sem hesitar.

Ainda assim, quando eles estavam negociando com os anciões, os medos de Shea de que ele iria abandoná-los voltara. As circunstâncias eram completamente diferentes. O que ele fez foi o mesmo que ameaçar com guerra no rosto do Imperador de Hoelscher. E mesmo assim, ele manteve a promessa sem ceder em nada. Independentemente de ele ter feito isso para si mesmo ou não, Yue tinha razão. Ele havia salvado ela e sua família.

Só de pensar nisso fez com que seu coração acelerasse mais uma vez. Ela podia sentir seu rosto corar, e um sentimento indescritível brotou dentro dela. Ela não estava certa se era felicidade por sua família ter sido salva, ou… Pensar mais nisso faria com que seu cérebro superaquecesse, então ela decidiu parar de se preocupar com isso e apenas ser feliz como Yue lhe disse. Suas novas emoções estavam clamando para serem expressas, então Shea fez isso do único jeito que sabia: abraçando Hajime o mais forte que pôde, é claro.

— Hajime-saaan! Muito obrigaaaaada!

— Oof. O que foi isso?

— Grr…

Com lágrimas ainda nos olhos, Shea enfiou o rosto no ombro de Hajime, o agarrando com uma força desumana. Havia um sorriso radiante em seu rosto, e suas bochechas estavam brilhando em vermelho.

Yue rosnou com infelicidade, mas então pensou melhor do que chutar Shea. Em vez disso, ela simplesmente juntou a mão de Hajime na dela.

Enquanto viam Shea explodir de alegria, a realidade de terem sido salvos finalmente tocou os outros Haulia, e todos começaram a se abraçar, revelando a alegria de todos. Os anciões observavam sem jeito, inseguros sobre como se sentir. Havia muitos olhares odiosos e zangados os observando ir, contudo.

Hajime sorriu amargamente quando percebeu que seus problemas na Floresta Haltina só estavam começando.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. A Yue se faz de durona com a Shea mas, se o Hajime quiser, aposto que ela deixaria ela ser amante dele hauhauhauhauhauha

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