Arifureta – Volume 2 – Capítulo 1 (Parte 6 de 18)

Ele não estava exatamente morrendo de vontade de saber o que era, mas já que a ouviu até agora, ele achava que poderia muito bem perguntar. Shea ficou perplexa por um momento com a pergunta de Hajime, antes de perceber que essa poderia ser a sua última chance de convencê-lo. Gesticulando loucamente, ela começou a explicar:

— Hã? Ah, hum, sim! Minha magia especial se chama Visão do Futuro, e ela me permite ver possíveis futuros. Tipo, se escolho x, y vai acontecer mais ou menos… Também só se ativa quando estou em perigo. No entanto, os futuros que vejo não são absolutos… Mesmo assim, prometo que irei ser útil! Você verá o perigo chegando graças a minha Visão do Futuro… Eu a usei antes também. Ela me mostrou a visão de vocês me salvando! Estou tão feliz que o futuro que vi de encontrar vocês dois realmente se tornou realidade!

Como ela havia explicado, Visão do Futuro de Shea era uma capacidade mágica especial que a deixava ver quais consequências futuras resultaria de certas escolhas. Contudo, consumia uma grande quantidade de mana, o suficiente para geralmente deixá-la exausta após a utilização. Também ativava automaticamente sempre que Shea estivesse em perigo. Se esse perigo era uma ameaça direta a ela ou algo que a prejudicaria indiretamente, não importava. Isso também custava muita mana, mas não tanto quanto ativá-la voluntariamente. Especificamente, só custava um terço de tal.

Pelo que parecia, Shea tinha visto um futuro onde Hajime protegia ela e sua família. Razão pela qual partiu em sua busca.

— Se você tem uma capacidade dessa, como é que esses caras de Verbergen te encontraram? Não deveria ter conseguido evitar eles por poder prever o futuro? — O sorriso que Shea deu a Hajime era um que ele não conseguia entender. Ele não podia dizer se era de autodepreciação, tristeza ou simplesmente tentando parecer durona. Poderia até ser os três. Até sua voz era inescrutável.

— …O futuro é algo que sempre temos o poder de mudar. Pelo menos, é no que acredito. Mas existem coisas que não se pode mudar, não importa o quanto tente… Eu percebo isso sempre que falho em mudar alguma coisa. Eu não consegui mudar o futuro que realmente queria. Talvez se eu tivesse tentado só um pouco mais, eu poderia ter…

— Você… — Hajime não podia entender como é que seria saber o futuro. Se fosse um futuro que desejavam, é claro que ficariam contando os dias alegremente até chegar. Mas se o futuro que vissem estivesse cheio de tragédia? Poderiam apenas se sentar ali e aceitar como o inevitável? Ele não conseguia entender antes por causa da personalidade energicamente irritante dela, mas talvez Shea estivesse lutando contra isso todo esse tempo. E até agora, deve ter havido inúmeras outras visões que ela não pôde impedir. Esse era o fardo que essa garota coelhinha tinha de suportar.

Mesmo agora, sua preciosa família estava sendo capturada e morta diante dela porque não conseguia fazer nada quanto ao futuro que via. Isso explicava o porquê ela se esforçou tanto para pedir a ajuda deles, não importando o quanto eles a maltratassem. Ela estava tentando alcançar esse “pouco mais” que não podia antes.

Shea Haulia estava literalmente apostando o destino de sua tribo inteira para conseguir a ajuda de Hajime. Pela primeira vez, a expressão de Hajime se afligiu. Ele podia certamente entender os sentimentos de uma pessoa rastejando desesperadamente pelo bem do futuro desejado, tentando sobreviver da única forma que sabia. Contudo, quando pensou em seus próprios objetivos, ele começou a ficar um pouco conflituoso. Isso era o quanto Hajime havia mudado.

Por fim, ele decidiu que não importaria o quanto ela implorasse, ele simplesmente a deixaria forçosamente para trás… Mas antes que pudesse ligar Steiff, Shea encontrou uma aliada inesperada.

— …Hajime, vamos ajudá-la.

— Yue?

— Ah! Eu sabia que você era uma boa pessoa assim que te vi! Me desculpe por te chamar de plana mais cedo!

Os olhos de Shea brilharam animadamente, enquanto os de Hajime estavam cheios de perplexidade, quando ambos olharam para Yue. Mas antes que algo mais pudesse acontecer, os comentários desnecessários de Shea lhe renderam um tapa de Yue. A atmosfera séria de antes praticamente desapareceu. Era apenas natural, no entanto. Desesperada há um segundo e saltando de alegria no outro era como Shea era.

Yue virou as costas para Shea, que estava esfregando a bochecha ardida, e explicou o motivo para Hajime:

— …Ela pode nos guiar pelo mar de árvores.

— Aaah, você tem razão quanto a isso. — Havia um nevoeiro denso que permeava a Floresta Haltina, e apenas os homens-fera poderiam se orientar corretamente através dele. Ter uma garota coelhinha como guia certamente seria de uma grande ajuda. Eles tinham um plano improvisado para se orientarem na floresta, mas era bem trivial e não havia garantia de dar certo. Na pior das hipóteses, eles poderiam capturar um homem-fera e lhe forçar a ser seu guia, mas ter alguém que estaria disposto a guiá-los seria mais fácil para suas consciências.

No entanto, considerando o quão problemático era o pedido de Shea, Hajime ainda assim hesitou em dizer sim. Mas as próximas palavras de Yue mandou embora toda sua hesitação:

— …Não se preocupe. Juntos somos mais fortes que qualquer um. — Essas eram as mesmas palavras que ele dissera no quarto de Orcus. Eles não teriam que se conter contra qualquer coisa que enfrentassem, mesmo que fosse o mundo todo. Desde que cuidassem um do outro, eles seriam mais fortes do que qualquer um. Hajime sorriu jocosamente; ele nunca pensou que teria suas próprias palavras jogadas de volta de tal forma.

Ter a ajuda dos homens-coelho tornaria definitivamente a orientação na floresta muito mais fácil. É claro, isso vinha com a ressalva de que iriam se envolver na pequena guerra dos homens-coelho e o Império Hoelscher. Hajime não tinha a intenção de meter propositalmente o nariz em problemas, mas evitar a opção mais simples porque vinha com alguns obstáculos ia contra seu credo pessoal. Os inimigos que ficam no seu caminho seriam mortos.

— Você está certa. Você está absolutamente certa, Yue. Usaremos tudo o que pudermos. E mataremos todos que ficarem em nosso caminho. Isso é tudo.

— É. — Yue respondeu com sua marca registrada enquanto Hajime afagava sua cabeça.

— Eles esqueceram que ainda estou aqui? — murmurou Shea a si mesma enquanto observava os dois flertarem. Por fim, Hajime se virou para olhar para Shea.

— Se alegre, sua coelha estúpida. Vamos contratar você como nossa guia da floresta. Em troca, vamos garantir a segurança de sua família. É melhor você não ter reclamações. — Ele estava concordando com o seu pedido, mas a forma como expressou o fez soar completamente como um chefe de máfia. No entanto, talvez seja apropriado, já que Shea acabou de conseguir a cooperação de uma espécie de demônio que abatia hordas de monstros sem pestanejar. De sua parte, ela ficou radiante por ter conseguido com segurança seu futuro desejado.

— C-Claro que não! Muito obrigada! Hic, realmente, muto obigada!! — Dessa vez ela estava chorando lágrimas de alegria. Mas por causa de seus camaradas, ela não tinha o luxo para comemorar por muito tempo. Ela logo recuperou a compostura e se levantou.

— H-Hmm, realmente, muito obrigada por aceitar em ajudar! P-Posso perguntar quais os nomes de vocês…

— Hã? Oh, acho que ainda não nos apresentamos, não é…? Eu sou Hajime. Hajime Nagumo.

— …Yue.

— Então Hajime-san e Yue-chan.

Shea repetiu para si mesma algumas vezes para garantir que não esquecesse. Todavia, Yue não pareceu satisfeita com a forma como fora tratada.

— …Me chame de Yue-san, sua coelha estúpida.

— Fweh? — Era raro Yue mandar em alguém, e Shea claramente não esperava isso também. Parecia que Shea pensava que Yue era mais nova que ela, razão pela qual a tinha chamado de Yue-chan. Mas quando Yue explicou que era uma princesa vampira anciã, Shea ficou de joelhos e começou a implorar por perdão. Parecia que Shea tinha conseguido uma má impressão de Yue. Embora Hajime não podia entender exatamente por que Yue tinha tal ressentimento contra Shea… Só porque ela sempre olhava com ódio para uma certa parte do corpo de Shea, não significava que essa era a razão!

— Ei, suba já, sua coelha estúpida. — No fim, Hajime decidiu ignorar inteiramente o complexo de Yue. Shea olhou atônita para Hajime. Isso não era surpreendente. Motocicletas não existiam nesse mundo. Tudo o que Shea poderia dizer era que isso era algum tipo de veículo. Timidamente, ela subiu na moto atrás de Yue.

O banco traseiro era feito de couro de monstro, e devido Yue ser tão pequena, havia espaço mais do que o suficiente para Shea também. Shea envolveu seus braços ao redor de Yue, surpresa com o quão macio o assento debaixo dela era. Quando ela fez isso, suas duas armas mortais se pressionaram contra as costas de Yue.

Yue se estremeceu um pouco quando os montes macios de Shea fizeram contato com suas costas, e de repente ela se levantou e foi lentamente até que estivesse sentada na frente de Hajime. Ela era tão pequena que Hajime não tinha problemas com ela para dirigir. Parecia que ter os peitos de Shea se pressionando contra ela deixou Yue desconfortável. Ela apoiou soturnamente as costas em Hajime, e tudo o que ele pôde fazer como resposta foi sorrir desajeitadamente.


KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

11 Comentários

  1. Mas agora a Yue deixou o caminho livre para Shea encostar os peitos no Hajime.
    Obrigado pelo capitulo!

  2. Enquanto não sai capítulos novos vou ler a web novel kkkkkk
    Vcs ainda estão traduzindo essa obra?
    It’s showtime

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