Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 1 de 18)

— Então, agora, acho que preciso ensinar vocês coelhos a como lutar. — Depois de deixarem Verbergen, Hajime e os outros criaram uma base temporária perto dos arredores da Grande Árvore. Embora “base” talvez fosse uma palavra forte demais. Tudo o que Hajime fez foi roubar… Não, pegar alguns cristais no caminho e os espalhar ao redor de sua base. A maioria dos homens-coelho encaravam Hajime atônitos. Eles estavam sentados em tocos e rochas, dando uma pausa.

— H-hum, Hajime-san. Nos ensinar a lutar, quer dizer… — perguntou Shea hesitantemente, expressando a pergunta que toda sua tribo possuía.

— Quero dizer exatamente isso. Ficaremos presos aqui pelos próximos dez dias de qualquer forma, certo? Melhor fazer alguma coisa útil nesse tempo, não acham? Já passou da hora de vocês coelhos fracos, medrosos e covardes aprenderem como se cuidar em uma luta.

— Po-por que temos que… — A pergunta de Shea foi uma reação natural ao caráter súbito da declaração de Hajime. As orelhas de todos os coelhos tremeram quando Hajime olhou feio para eles de forma ameaçadora.

— Por quê? Por que pensou em fazer uma pergunta tão estúpida, sua coelha imprestável?

— Ahh, você ainda não me chama pelo meu nome…

Hajime ignorou os murmúrios abatidos de Shea e continuou falando: — Ouça, prometi protegê-los até terminarem de me guiar até a Grande Árvore. Mas vocês já pensaram no que vai acontecer quando isso acabar?

Os Haulia trocaram olhares e balançaram a cabeça hesitantemente. Cam até possuía uma expressão preocupada no rosto. Embora eles tivessem essa preocupação incômoda em suas mentes, a sequência de acontecimentos loucos em que foram lançados um atrás do outro forçou essa preocupação a se afastar. Ou talvez apenas não tinham considerado nada, quem sabe…

— Tal como pensava, ainda não pensaram nada sobre isso. Apesar de que mesmo que tivessem, provavelmente não teriam uma resposta para mim. Vocês são fracos. Ao primeiro sinal de perigo vocês só pensam em fugir. E agora vocês nem sequer têm o santuário de Verbergen para lhes proteger. Então, basicamente, vocês estão fodidos assim que eu for embora.

— ……

Expressões tristes se instauraram nos rostos dos Haulia quando perceberam que as palavras de Hajime os acertaram no âmago. Eles foram abalados por sua declaração impressionante.

— Vocês não têm para onde fugir nem para onde se esconder, e logo não terão ninguém para protegê-los. Mas monstros e humanos não irão parar de atacar vocês por pena, sabe? Nesse ritmo, vocês estão todos condenados a morrer eventualmente. Estão realmente bem com isso? Serem mortos só porque são fracos, digo. Vocês tiveram sorte em sobreviver por tanto tempo e agora vão jogar suas vidas fora? Hum?

Ninguém disse uma palavra quando o clima sombrio caiu sobre a clareira. Por fim, alguém murmurou discretamente:

— É claro que não estamos bem com isso. — Essas palavras retiraram os outros da letargia e todo mundo olhou para Hajime. Até mesmo o olhar de Shea estava cheio de determinação. Hajime assentiu com aprovação, e memórias do seu impotente eu antigo passou pela sua mente enquanto falava.

— Isso mesmo. Vocês não estão bem com isso. Mas o que podem fazer? A resposta é simples. Ficar mais forte. Destrua tudo que ficar em seu caminho e lute pelo seu direito de viver.

— …Mas somos homens-coelho. Não somos como os homens-tigre ou os homens-urso que possuem corpos fortes, ou como as raças aladas ou dos anões que possuem características especiais que podem usar para escapar de problemas. Somos apenas…

O fato de os homens-coelho serem fracos só os deixaram ainda mais desesperados com as palavras de Hajime. Eles eram fracos, então como poderiam possivelmente terem esperança de lutar? Não importa o quanto se esforçassem, eles nunca se tornariam fortes como Hajime. Mas Hajime apenas caçoou deles.

— Sabe, no passado meus camaradas me chamavam de imprestável também.

— Hum?

— Imprestável. Fraco. Inútil. Ambas as minhas estatísticas e habilidades eram dolorosamente medíocres. Eu era a pessoa mais fraca do meu grupo. Nada mais do que um peso morto. É por isso que meus camaradas me desprezavam. E era tudo verdade também.

Todos ficaram com a boca aberta de choque com a confissão de Hajime. Eles não conseguiam acreditar que Hajime, o garoto que derrotou um ancião homem-urso como se não fosse nada e abateu dezenas de monstros ferozes no Desfiladeiro Reisen, já fora chamado de imprestável ou fraco.

— Mas quando caí nas profundezas do inferno, fiz tudo ao meu alcance para ficar mais forte. Não se tratou de se eu poderia ou não conseguia. Se não fizesse, eu morreria. Lutei como se minha vida dependesse disso, porque dependia. E então, antes que percebesse, eu fiquei assim. — Ele falou casualmente, mas o conteúdo inacreditável de sua história deu calafrio nas espinhas dos Haulia.

Se ele tivesse estatísticas medianas para um humano, então ele era mais fraco ainda do que os homens-coelho. Mas, apesar disso, ele lutou contra monstros muito mais fortes do que os inimigos que os subjugaram no Desfiladeiro Reisen. Mesmo assim, não foi a força dele ou o fato de que ele sobrevivera que mais impressionou eles. Foi a sua força de espírito que o permitiu enfrentar tais adversários monstruosos sem vacilar. Quando foram encurralados, os Haulia aceitaram docilmente seu fim. Assim como aceitaram docilmente a decisão dos anciões.

— Vocês são como eu era no passado. Mas não se preocupem, enquanto eu estiver vinculado por essa promessa, vou fazer o possível para salvá-los do desespero. Se me disserem que não tem como conseguirem, então tudo bem. Vocês só irão morrer quando sua hora chegar. Não irei lhes salvar quando o nosso contrato terminar. Podem passar sua breve vida lamentando sua fraqueza que não me importo.

Então, o que vai ser? Os olhos de Hajime pareciam dizer isso. Os Haulia não responderam de imediato. Ou melhor, eles não foram capazes. Eles perceberam que o único caminho para sobreviver era se tornar mais forte, e que Hajime não estava os protegendo por algum sentido nobre de justiça. Ele os deixaria sem pensar duas vezes quando as suas partes do acordo estivessem completas. Contudo, a própria ideia de combate era alienígena aos homens-coelho gentis e amantes da paz. Aceitar a sugestão de Hajime significaria pisar em território desconhecido. Provavelmente seria um evento tão radical quanto o que aconteceu com Hajime para mudar essencialmente sua natureza.

E assim, eles apenas se entreolharam em silêncio. Todavia, apenas Shea se levantou resolutamente. Parecia que ela já havia tomado sua decisão há muito tempo.

— Vou fazer isso. Por favor, me ensine a lutar! Estou cansada de ser fraca! — Ela gritou tão alto que sua voz ecoou por toda a floresta. Todos os presentes puderam ver que ela estava repleta de determinação. Claro, até mesmo Shea odiava lutar. Era assustador, doía, mas mais do que tudo, ela odiava machucar os outros. Ainda assim, era inegável sua culpa por sua família estar nessa confusão, e ela odiava a ideia de causar ainda mais mortes à sua família. Para completar, havia uma outra razão pela qual Shea queria lutar tão desesperadamente contra a sua natureza e ficar mais forte.

Shea encarou Hajime com determinação. Cam e os outros observaram ela com espanto, mas após um tempo, sua admiração deu lugar a determinação, e eles também começaram a se levantar. Não apenas os homens tampouco, as mulheres e crianças também. Quando Cam viu que todos ficaram de pé, ele deu um passo à frente como o representante de sua tribo e se dirigiu a Hajime.

— Hajime-dono… por favor, nos ensine tudo o que pode. — Um pedido conciso, mas, cada palavra foi apoiada por uma vontade sólida. A vontade para resistir às injustiças desse mundo.

— Muito bem. É melhor vocês se prepararem, quão forte se tornarão depende tudo de vocês, só estou aqui para ajudar vocês. Se quiserem desistir no meio do caminho, não tentarei mimá-los para mantê-los aqui. Só temos dez dias, então irei trabalhar até seus ossos. Se viverão ou morrerão dependerá do quão forte você ficar. — Todo mundo concordou de forma sombria. Ninguém iria recuar agora.

Antes do seu treinamento começar, Hajime pegou primeiro o equipamento que fizera para praticar transmutação de sua Arca do Tesouro e passou para todos. Além das facas que ele entregou antes, todos receberam sua própria espada curta, semelhante a uma kodachi japonesa. Essas espadas eram todas reservas que Hajime fez para praticar sua transmutação precisa, o que significava que seus fios eram todos incrivelmente afiados. E por serem feitas de pedra taur, também eram bastante resistentes. Apesar do quão fina a lâmina era, não quebraria facilmente.

Assim que todos estavam armados, Hajime começou a lhes ensinar os fundamentos de combate. Claro, Hajime não era um artista marcial. O pouco que ele sabia de luta com espada vinha de jogos e quadrinhos, e certamente não era o suficiente para ensinar alguém. Então, o que ele lhes ensinou não foram técnicas, mas os movimentos que aprendeu nas profundezas do inferno que o ajudaram contra os monstros. Ele transmitiu todo o conhecimento que obtivera, e encontrou monstros adequados para eles usarem como prática viva. Os Haulia se destacavam em furtividade e reconhecimento, e a fim de capitalizar isso, Hajime lhes ensinou como utilizar ataques surpresas e táticas de grupo.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

  1. Pensando nas características da tribo Coelho, eles são assassinos e rastreadores naturais. Estou ansioso pra verificar o quão forte eles ficaram.

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