Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 12 de 18)

— Porque vocês seriam um peso morto.

— Mas…

— Não ponham a carroça à frente dos bois. Vocês podem ter melhorado um pouco, mas são 180 dias mais cedo para vocês estarem sequer perto do meu nível.

— Que número estranhamente específico!

Não obstante da rejeição breve de Hajime, Cam se recusou a desistir. Ele foi até ao ponto de dizer “mesmo que você não nos dê permissão, nós vamos segui-lo de qualquer forma!” em resposta. O treinamento espartano construíra um estranho sentido de camaradagem entre ele e os homens-coelho, então todos o respeitavam imensamente agora. Ele possuía certeza de que eles realmente o seguiriam não importando onde fosse, então ele decidiu deixá-los se juntar com uma condição.

— Está bem, vamos fazer assim. Vocês se concentram duas vezes mais em seu treinamento duro. Se vocês ficarem fortes o bastante quando eu vier aqui de novo, posso considerar deixá-los se juntar.

— …Você não está só mentindo para se livrar de nós, está?

— Não estou.

— Se estiver, então nós iremos a todas as cidades humanas que pudermos encontrar e gritaremos o seu nome como uma espécie de culto maluco, tudo bem?

— V-vocês realmente não desistem, não é?

— Temos orgulho de nos chamar de seus homens, chefe.

Hajime se contraiu um pouco quando viu quão “másculos” os seus ditos subordinados se tornaram. Yue deu uns tapinhas reconfortantes em seu braço. Ele realmente exagerou dessa vez, em mais de um sentido.

Isso era culpa dele, no entanto, então tudo o que pôde fazer foi suspirar. Na próxima vez que voltasse aqui ele teria uma enorme dor de cabeça para lidar.

— Uaaa… ninguém está prestando atenção em mim… mesmo estando prestes a partir… — Shea estava desenhando círculos no chão enquanto lamentava, mas isso também não chamou nenhuma atenção para ela.

Eles se separaram no fim da floresta. Assim que as despedidas terminaram, Hajime pegou Steiff e em pouco tempo eles estavam percorrendo as planícies. Sua formação no veículo era como a de antes, com Yue na frente, Hajime no meio e Shea na traseira. Parecia para Hajime que Shea estava o agarrando ainda mais forte do que antes, mas ele fez o possível para ignorar. Caso ele reagisse mesmo que um pouco, ele tinha certeza de que Yue notaria. Suas orelhas de coelhinha balançavam ao vento, e Shea fechou os olhos alegremente enquanto apreciava a sensação de andar livremente sob o céu aberto.

— Hajime-san. Me esqueci de perguntar antes, mas onde estamos indo exatamente? O Grande Vulcão Gruen?

— Oh? Não te disse?

— Não!

— …Ele me disse. — Yue estufou o peito orgulhosamente.

— E-eu sou uma de vocês agora, está bem!? Deixem de guardar segredos de mim! A comunicação é importante entre os aliados, não é!?

— Desculpe, desculpe. Estamos voltando para o Desfiladeiro Reisen.

— O Desfiladeiro Reisen? — repetiu ela, claramente não entendendo. Tirando a Floresta Haltina, os únicos labirintos conhecidos eram o Grande Vulcão Gruen e o Grande Labirinto Orcus. Hajime já concluíra o labirinto de Orcus, então Shea naturalmente presumiu que o próximo destino seria o vulcão. Sentindo sua confusão, Hajime elaborou sua decisão.

— Existem rumores de que Reisen é um dos Sete Grandes Labirintos também. Dado que vai daqui até o continente ocidental onde está o deserto, mais vale viajar por ele e verificar o caminho.

— E-então só vamos passar por ele como um marco… — O rosto de Shea se tensionou. Não só era considerado o campo de execução do mundo, como também foi onde ela acabara de perder muitos integrantes de sua família recentemente. Mesmo sabendo da força deles, ela ficou um pouco chocada por eles poderem tratá-lo apenas como uma autoestrada. Por causa do quão forte ela o agarrava, sua reação foi transmitida perfeitamente para Hajime, que suspirou.

— Sabe, você deveria ter mais fé em sua própria força. Como você é agora, os monstros no fundo do desfiladeiro não são mais uma ameaça tanto quanto os monstros que você lutou na floresta. A razão por todos temerem tanto Reisen é porque a mana se dispersa rapidamente bem depois de ser emitida do corpo, mas isso nem afetará você já que usa fortalecimento de corpo. De fato, lá embaixo você é mais forte de que todo mundo.

— …Como sua mestra, estou envergonhada por você não ter percebido algo tão simples.

— Uuu… Sinto muito. — Lágrimas surgiram nos olhos de Shea com a repreensão de Yue. Sem jeito, ela tentou mudar de assunto.

— E-então, vamos acampar no vale? Ou vamos encontrar uma cidade para descansar?

— Acho que uma cidade. Quero abastecer a comida e converter algumas das coisas que tenho sobrando em dinheiro. Se o mapa que vi antes for preciso, deve existir uma cidade em algum lugar por aqui.

Hajime estava mais do que pronto para ter uma refeição decente dessa vez. Nem Hajime nem Yue sequer aprenderam a cozinhar, então, todas as comidas que fizeram no abismo não possuíam gosto. Depois, no mar de árvores, eles ficaram focados demais em treinar os homens-coelho para se preocuparem em cozinhar, assim eles comeram quaisquer conservas que sobraram. Ele ansiava algo que fosse preparado por alguém com habilidade real. E se ele iria passar noites em pousadas e comprar mantimentos, ele precisaria de dinheiro. Ele possuía mais materiais raros de monstros do que poderia usar, então ele queria transformar alguns deles em dinheiro. Ele também só queria relaxar um pouco antes de irem de volta ao desfiladeiro e começar a lutar de novo.

— Haaah… Entendi… Menos mal. — Shea suspirou de alívio. Hajime lhe deu um olhar intrigado e perguntou por quê.

— Ah, eu só estava preocupada que você fosse direto para o Desfiladeiro Reisen e dissesse algo como “eu posso viver de carne de monstro”. E Yue está bem com seu sangue, então… Fiquei preocupada de ter que convencer você a comprar comida. Ainda bem que você ainda tem algum bom senso. Não sabia que você ainda comia comida normal, Hajime-san!

— Claro que sim… De jeito nenhum eu comeria carne de monstro se tivesse escolha. E que tipo de monstro você me vê, a propósito?

— Uma espécie de super carnívoro?

— Parece para mim que você quer que te amarre na traseira da moto e arraste você até a cidade.

— Ei, espere, pare! Onde conseguiu essa coleira!? Por favor, não… Eu não quero morrer! Yue-san, me ajuuuuuude!

— Você colhe o que planta. — A brincadeira alegre do trio era tudo o que se poderia ouvir por quilômetros dessa vasta planície vazia.

Eles avistaram a cidade algumas horas depois, quando o sol começou a se pôr. Um sorriso dividia o rosto de Hajime. Que nem quando ele vira o sol antes, a visão dessa cidade realmente o fez entender que ele finalmente estava livre do abismo. Yue estava saltando para cima e para baixo em seu colo também. Como ele, ela estava animada ao ver a civilização novamente. Eles trocaram olhares e seus sorrisos ficaram ainda maiores.

— Hum, desculpe incomodar vocês dois, mas poderiam por favor retirar essa coleira de mim agora? Não consigo tirar ela sozinha… Hum, estão ouvindo? Hajime-san? Yue-san? Por favor, não me ignooorem! Vocês vão me fazer chorar, está bem? Vocês querem me ver chorar tanto assim!? — Os seus sorrisos só ficaram maior. Quando eles ficavam assim, ninguém poderia interrompê-los. Nem mesmo o lamento alto da pobre coelhinha atrás deles.

Mais alguns minutos de viagem os trouxeram mais perto da cidade, e os dois finalmente voltaram a realidade. Agora que eles estavam muito mais próximos, eles puderam ver que era uma aldeia pequena cercada apenas por uma cerca improvisada e um fosso. Existia um portão de madeira onde a aldeia se conectava a estrada, com cabanas pequenas em ambos os lados. Provavelmente era onde os guardas do portão ficavam destacados. Pelo menos isso queria dizer que a aldeia ao menos era grande o suficiente para justificar uma guarda, o que indicava que Hajime definitivamente seria capaz de abastecer seus suprimentos. Ele sorriu com prazer.

— Se estiver de bom humor, poderia tirar essa coleira de mim? — resmungou com infelicidade Shea enquanto Hajime vistoriava a cidade. Havia uma joia pequena e discreta fixada dentro do colar preto no pescoço de Shea. Embora fosse sua punição de Hajime por falar demais, era uma peça realmente muito elegante. Mas por alguma razão ela não conseguia tirar, motivo pelo qual continuava a pedir Hajime para tirá-la dela.

Eles estavam próximos o bastante para que os membros da guarda fossem capazes de vê-los em breve, então Hajime guardou Steiff e eles continuaram a pé. Haveria uma enorme agitação caso ele andasse em uma cidade com uma moto preta, afinal de contas.

Shea se queixou durante toda a caminhada, mas Hajime e Yue simplesmente a ignoraram o tempo todo, enquanto eles percorreram rapidamente para o próximo destino.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

9 Comentários

    1. Pensei a mesma coisa, mas no sentido de evitar atenção, “olhem ela é só minha escrava”

    1. Então, o lançamento de Arifureta voltou com a periodicidade normal: todas as segundas e quintas-feiras. 😉😉😉

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