Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 13 de 18)

Eventualmente, quando chegaram à cidade, dois homens armadurados saíram das cabanas de ambos os lados do portão. Eles estavam cobertos por peitorais de couro, e as espadas longas em suas cinturas eram as únicas armas que carregavam. Em vez de soldados, pareciam mais como aventureiros. Eles solicitaram que Hajime parasse.

— Pare. Nos mostrem suas placas de status, e digam o porquê de estarem aqui. — Procedimento padrão. Os guardas também sabiam, e não pareciam tão alertas. Hajime pegou obedientemente sua placa de status e ofereceu para um dos guardas.

— Estou aqui mais para abastecer meus suprimentos. Estamos em uma jornada. — O aventureiro-soldado deu um hmm desinteressado e olhou para a placa de status de Hajime. Seus olhos se arregalaram. Ele a segurou rapidamente na luz, então esfregou os olhos para ter certeza de que não estava apenas vendo coisas. Percebendo o que devia ter acontecido, Hajime sabia que devia ter esquecido de disfarçar suas estatísticas.

De fato, existia uma habilidade que permitia alterar os números em uma placa de status. Aventureiros e soldados faziam uso disso extensivamente, já que ter suas informações vazadas para a pessoa errada poderia ser fatal. Dezenas de mentiras diferentes passaram pela mente de Hajime, então ele apenas escolheu uma aleatoriamente.

— Eu fui atacado por monstros há algum tempo. Ela esteve quebrada desde então.

— Q-quebrada? Mas… — Um dos guardas do portão se engasgou. Era apenas normal. Não só seu nível estava registrado como desconhecido, mas suas estatísticas e habilidades eram absolutamente ridículas. Placas de status poderiam quebrar, mas normalmente só no sentido físico, nunca algo assim, que parecia estar pifando. Normalmente, o guarda teria rido dele por dizer uma mentira óbvia, mas com os números de Hajime sendo tão estupidamente altos, significava que ele não possuía mais certeza no que acreditar. Hajime apenas deu de ombros impotente, então continuou com sua declaração anterior:

— Como explicaria esses números? Se fosse real, então eu seria uma espécie de monstro. Tenho cara do tipo de pessoa que poderia acabar com essa cidade inteira apenas levantando o dedo? — Ele abriu os braços como se estivesse brincando, e o guarda sorriu com ele. Se a placa de status estivesse realmente dizendo a verdade, então Hajime seria um monstro muito mais poderoso do que qualquer herói ou senhor demônio. Mesmo que fosse sem precedentes, ainda fazia mais sentido sua placa estar quebrada.

Se o aventureiro-soldado soubesse a verdade, ele teria desmaiado na hora. Yue e Shea observavam com espanto enquanto Hajime tecia suas mentiras sem pestanejar.

— Haha, é, você certamente não me parece nada com um monstro. Nunca ouvi falar de uma placa de status quebrada como essa, mas acho que há uma primeira vez para tudo… Enfim, continuando com vocês duas… — O guarda mudou o olhar para as duas garotas em pé atrás de Hajime. Elas estavam escondidas parcialmente pelo corpo de Hajime antes, então não chegara a dar uma boa olhada nelas, mas ele congelou quando viu que Hajime viajava com elas.

Um rubor carmesim se espalhou lentamente por seu rosto enquanto olhava para Yue e Shea. Yue era, é claro, uma beldade deslumbrante que se parecia com uma boneca de porcelana elaborada magistralmente. E Shea era bem atraente, contanto que mantivesse a boca fechada. Basicamente, os dois guardas do portão ficaram completamente encantados.

Hajime aclarou a garganta ruidosamente. Regressando aos seus sentidos, os dois olharam rapidamente para Hajime.

— Essas duas perderam suas placas quando fomos atacados pelos monstros que falei antes. E essa garota coelhinha aqui é, bem… vocês entenderam, não é? — Os dois assentiram conscientemente e devolveram a placa de status de Hajime.

— Mas cara, você com certeza tem em mãos uma gracinha. Ouvi dizer que homens-coelho de cabelos claros são bem raros. Você deve ser bem rico, hein?

Os dois continuaram a roubar olhares para as garotas enquanto o homem falava, com sua voz claramente cheia de inveja. Hajime apenas deu de ombros como resposta, dizendo nada.

— Bem, tanto faz. Vocês estão livres para passar.

— Obrigado. Ah, é. Existe algum lugar onde possa vender alguns dos materiais que recolhi?

— Hum? Há uma guilda de aventureiros seguindo a estrada principal. Eles seriam as pessoas a se perguntar isso. Eles possuem mapas da cidade lá também, se precisar de um.

— Legal, obrigado pela informação. — Com informações em mãos, Hajime e as garotas foram para a cidade.

De acordo com a placa pendurada no portão principal, o nome da cidade era Brooke. A cidade estava frenética de atividades. Horaud, a cidade que Hajime foi quando eles partiram para treinar pela primeira vez no Labirinto Orcus, era grande, mas várias barracas ainda podiam ser vistas pela estrada principal, com comerciantes vendendo seus produtos e clientes pechinchando fervorosamente.

Por alguma razão, ver toda essa atividade ao seu redor fez Hajime bobo de emoção. Yue, também, sorria alegremente. Apenas Shea tremia incontrolavelmente, encarando Hajime com lágrimas nos olhos. Ela não gritava, mas simplesmente olhava com raiva para ele. Incapaz de ignorá-la mais, Hajime soltou um suspiro cansado. Resmungando consigo mesmo, ele se virou para encarar Shea.

— O que foi? Eu finalmente posso desfrutar em estar com outras pessoas de novo, então por que está me olhando assim? Você parece uma espécie de monstro gorila terrível que tive que me conter para não lançar uma pedra.

— Perdão, não pareço uma gorila! E por que essa descrição!? Estou começando a sentir pena desse pobre gorila que você provavelmente matou!

— …Mas você não ficou assim toda lacrimejada depois de cheirar sua axila?

— Você também não!? Que malvado, eu não!

Shea estava tão exaltada como sempre. Ela agitava freneticamente seus braços, protestando calorosamente contra suas palavras. Em aparte, aquele monstro gorila que Hajime estava se referindo foi aquele que acabou usando como cobaia para sua Síntese de Compressão. Fora apenas para estudos, não por prazer. Ainda que tenha tentado farejar Yue. A habilidade Braços de Aço de Hajime viera dele, na verdade.

— Faça algo quanto a essa coleira! Todo mundo pensa que sou sua escrava… Hajime-san, você pôs isso em mim de propósito, não foi? Que cruel. Pensei que fôssemos camaradas! — Mesmo quando estava zangada, Shea na verdade não parecia como tal. Embora ainda achasse bastante chocante seus supostos companheiros tentarem a fazer parecer uma escrava. É claro, o colar que Hajime pôs nela não era uma coleira de escravo verdadeira, nem possuía qualquer capacidade de subjugá-la. Shea sabia disso também. Ainda assim, foi um choque.

Vendo sua angústia sincera, Hajime coçou a cabeça sem jeito.

— Escute, acha mesmo que um homem-fera poderia andar por aí na cidade ao ar livre se não fosse escravo de alguém? Especialmente uma garota coelhinha como você, já que são tão populares. Além disso, você possui cabelo branco e um belo corpo. Posso lhe garantir que se não estivesse usando esse colar, alguém tentaria te capturar no momento que entramos na cidade. E então tudo se tornaria uma enorme confusão de sequestradores. E isso seria um saco… Espera, por que está corando assim? — Ao longo de sua explicação, o olhar bravo de Shea fora substituído por um rubor tímido. No fim, ela estava com as mãos nas bochechas e se balançando de vergonha. Yue apenas encarava ela com frieza.

— A-ah, você, Hajime-san. Não posso acreditar que você seria tão atrevido em público. Dizendo coisas como tenho um belo corpo, ou uma grande personalidade, ou que sou a garota mais fofa e mais sensual do mundo. Nossa, que vergon… Bugaah!? — O punho de Yue interrompeu os delírios exagerados de Shea. Seu grito posterior não tinha nem um pingo de fofura. Além disso, uma vez que não se defendeu com fortalecimento de corpo, sua bochecha possuía um grande inchaço vermelho.

— …Não fique se achando.

— Mi disgurpe, Yue-san.

Shea tremeu com a frieza na voz de Yue. Cansado desse pequeno teatro cômico, Hajime as interrompeu e continuou sua explicação:

— Enfim, fingir que você é uma escrava quando estamos em território humano é para o seu próprio bem. Prefiro não acabar tendo que te salvar de problemas cada vez que irmos para uma cidade.

— Eu… entendo isso, mas… — Ela entendia logicamente o porquê de Hajime fazer isso. Porém, ela ainda tinha dificuldade em engolir isso. Ela colocara grande importância na ideia de que eram camaradas, e detestou jogar tudo fora, mesmo que fosse apenas um fingimento. Dessa vez, foi Yue que tentou convencê-la.

— …Não importa o que todos pensam o que você é.

— Yue-san?

— Tudo o que importa é que as pessoas importantes para você sabem a verdade… Certo?

— …É, tem razão. Você tem toda razão.

— …Ótimo. Embora isso meio que me irrita. Você é alguém que reconheci, Shea… então pare de ficar irritada com qualquer coisinha.

— Yue-san… Ehehe… Obrigada.

No passado, Yue exercia seu poder pelo bem de seu povo. Embora falasse pouco, as respostas que encontrou após sua traição dramática, carregaram um peso enorme. Por isso que elas ressoaram dentro do coração de Shea. Hajime, Yue e os outros Haulia sabiam que ela era sua camarada, e isso era tudo o que importava. Não havia necessidade de gritar isso ao resto do mundo se trouxesse problemas desnecessários. Claro, isso ainda não a impedia de desejar poder… Shea sorriu timidamente para Yue antes de se virar para olhar de volta para Hajime. Havia um olhar esperançoso em seus olhos. Acho que tenho que dizer alguma coisa também. Hajime encolheu os ombros.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Muuuuuuuuito obrigado pelo capítulo.

    Valeu pela tradução kaka, a propósito, ainda joga futebol?
    😀

    1. Sabe como é, né?… Não mais profissionalmente, já dei aquela aposentada maravilinda. Mas ainda bato uma pelada com a rapaize de vez em quando. 😉😎

  2. Hajime pensa “acho que tenho que dizer alguma coisa”… Então encolhe os ombros kkkkkkkkk

    Muito obrigado pelo capítulo, Kaka 🙇🏻‍♂️😁

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