Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 14 de 18)

— Bem, se descobrirem e os mercadores de escravos vierem atrás de você, pelo menos não vamos te abandonar.

— Mesmo que tenha que transformar todos da cidade em seus inimigos?

— Você sabe que já matei um monte de tropas imperiais, não é?

— Então você me ajudaria mesmo que isso significasse tornar todo o reino seu inimigo? Fufu…

— Não seja ridícula. Mesmo que tenha que enfrentar o mundo inteiro, ou os próprios deuses, se eles se tornarem meus inimigos, eu lutarei contra eles.

— Fufufu, Yue-san, você ouviu isso? Hajime-san claramente disse algumas coisas bem embaraçosas. Ele deve se importar mesmo com a gente!

— …A única que ele se preocupa sou eu.

— Ei, qual é, leia o clima! Só tinha que dizer “…é.” como sempre faz. — Apesar de estar se queixando, Shea ainda possuía um sorriso no rosto. Ouvir Hajime dizer que lutaria contra o mundo inteiro por ela a fizera se sentir extremamente feliz. Especialmente porque ela se apaixonou por ele.

Hajime ignorou suas palhaçadas e continuou explicando sua decisão de colocar um colar nela.

— Além disso, esse colar possui uma pedra de telepatia e uma pedra de visão dentro, para que possa usar em uma emergência. Basta colocar um pouco de mana no colar e serão ativados.

— Uma pedra de telepatia e uma… pedra de visão?

Como o próprio nome sugeria, a pedra de telepatia permitia seu portador comunicar telepaticamente com os outros. Hajime criara usando a magia de criação que aprendeu no labirinto. A distância que se poderia alcançar entre uma pessoa e outra com ela dependia da quantidade de mana colocada na pedra. Contudo, toda transmissão feita com a pedra de telepatia seria propagada para qualquer um no alcance que também possuísse uma, então elas não eram adequadas para conversas secretas.

A pedra de visão também era algo que ele elaborara com magia de criação. Ele havia adicionado Sentir Presença [+Sentido Preciso] em uma pedra normal. Essa habilidade permitia que um alvo marcado previamente fosse identificado entre um grupo de outras presenças. Assim, o colar também servia como uma espécie de guia para Hajime encontrar Shea a qualquer momento. A força desse sinal, tal como o alcance das transmissões da pedra de telepatia, dependia do quanto de mana Shea colocasse.

Quanto mais ela ouvia a explicação, mais grata ficava com Hajime.

— Ah, também, você pode removê-lo pondo uma quantidade determinada de mana nele, está bem?

— Entendi. Então, em outras palavras… você me deu isso para que pudesse ouvir a minha voz sempre que quisesse, e para que soubesse sempre onde estou, certo? Você é assim tão obcecado por mim? Isso é um pouco estranho, mas, bem, não é como se eu odiasse ou algo as… Bragahgwa!?

— Não fique se achando.

— Ugh… Sinto muito.

A mão de Yue formou um arco perfeito antes de se conectar em cheio na parte de trás da cabeça de Shea e jogá-la estatelada no chão. Sua foz foi tão fria quanto gelo. Hajime começava a se perguntar se Yue era realmente tão ruim em combate corpo a corpo quanto alegava. E não é só porque Yue permitira Shea os acompanhar, que queria dizer que ela gostava de vê-la se engraçar com Hajime. Embora estivesse em dúvida se as ações de Shea pudessem ou não ser consideradas como “dar em cima”.

Depois de mais alguns minutos de caminhada, a trupe alegre acabou em frente a um edifício com uma grande espada longa desenhada em sua placa. Era a mesma placa que Hajime vira em Horaud, o símbolo da guilda dos aventureiros. Apesar desse edifício parecer ter apenas cerca da metade do tamanho daquele em Horaud.

Hajime abriu as portas pesadas de madeira e entrou. Já que as palavras “guilda dos aventureiros” traziam à mente imagens de pessoas rudes e selvagens, Hajime esperava que o interior fosse sujo, mas estava surpreendentemente limpo. Havia um balcão logo em frente, enquanto todo o lado esquerdo parecia ser um restaurante. Vários aventureiros estavam sentados conversando ou comendo. Julgando pelo fato de que nenhum deles estarem bebendo álcool, Hajime presumiu que o estabelecimento não o servia. Acho que eles não querem bêbados bagunçando o lugar.

Assim que Hajime entrou pela porta, a atenção de todos se mudou para ele. Normalmente, um grupo de três pessoas não chamaria atenção por muito tempo, mas a curiosidade de todos foi despertada quando os olhares deles se mudaram de Hajime para as duas garotas que estavam atrás dele. Houve mais do que um murmúrio apreciativo, e alguns dos aventureiros foram esbofeteados por suas companheiras. Dizer que eram mais socos do que tapas parecia mais apropriado para um grupo de aventureiros.

A julgar pela forma que as coisas ocorriam em histórias de fantasia, Hajime esperava algumas vaias também, mas contrariamente às expectativas, a maioria das pessoas permaneceram em silêncio. Foi um pouco anticlimático, mas Hajime ainda permaneceu contente por ninguém ter decidido entrar em seu caminho.

Enquanto ia até o balcão, ele se encontrou cara a cara com uma mulher de meia idade… sorrindo encantadoramente. Uma bem constituída, entretanto. Seu torso era duas vezes maior que o de Yue. O estereótipo de que todas as recepcionistas de guilda eram mulheres bonitas parecia ser falso. Bem como na realidade a maioria das empregadas eram efetivamente mulheres idosas. Seja qual mundo estivesse, a verdade era mais dura do que a ficção.

Não que Hajime estivesse esperando que a recepcionista fosse uma beldade. Não, nem um pouco. Era por isso que esperava que Shea e Yue parassem logo de olhar feio para ele. Estava começando a ficar desconfortável. Quer ela adivinhou o que se passava na cabeça de Hajime ou não, a recepcionista apenas continuou sorrindo para ele.

— Você já possui duas garotas lindas com você e ainda não está satisfeito? Bem, infelizmente para você, essa recepcionista não é bonita.

…Essa senhora consegue usar magia de ler mentes ou algo parecido? A expressão de Hajime se tensionou e ele tentou responder casualmente.

— Ah, não pensei em nada como isso.

— Ahaha, não subestime a intuição feminina de uma mulher, garoto. Podemos ler vocês homens como um livro aberto. Suas duas amigas ali não vão gostar se continuar olhando com desejos cada garota que encontrar, sabe?

— …Não vou me esquecer disso.

Quando ouviu sua resposta deprimida, contudo, ela se desculpou de imediato.

— Oh, olhe o que a idade faz com você. Sinto muito pela lição sendo que acabamos de nos conhecer.

Era difícil odiar alguém como ela. Quando Hajime olhou de volta para os outros aventureiros, ele viu que eles estavam lhe dando um olhar de dó, como se dissessem “pobre rapaz, então ela te pegou também, hein?”. Parecia que a razão pela qual os aventureiros eram todos tão maduros foi por causa dela.

— De todo jeito, bem-vindo à filial em Brooke da guilda dos aventureiros. Que negócios tem conosco?

— Ah, é, certo… Estou procurando vender alguns materiais.

— Entendo. Posso pedir para ver sua placa de status?

— Hã? Preciso mostrar minha placa de status só para vender coisas?

A senhora deu a Hajime um olhar confuso.

— Você não é um aventureiro? Não precisa de sua placa de status só para vender, mas se você for um aventureiro registrado, tem 10% de bônus em suas vendas.

— Não sabia disso.

Segundo a explicação da senhora, existia muitos outros benefícios ao ser um aventureiro registrado. Como eram aqueles que saíam para recolher cristais de mana e plantas medicinais que a maioria das cidades precisavam, eles eram bem tratados. Já que as áreas fora das cidades eram infestadas de monstros, pessoas normais teriam dificuldade em recolher qualquer coisa. Era normal para aqueles que assumiam trabalhos mais perigosos terem privilégios especiais.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

4 Comentários

  1. Será que nosso herói vai ser cadastrar como aventureiro? Com as coisas que ele vai pegar mundo a fora deve ser capaz de fazer uma fortuna! Hehehe

    Muito obrigado pelo capítulo Kaka 🙇🏻‍♂️😁

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!