Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 15 de 18)

— Muitas das estalagens e lojas que fazem negócios com a guilda dão aos aventureiros 10-20% de desconto por seus serviços, e se o seu ranque for alto o suficiente você pode alugar carruagens de graça. O que acha? Gostaria de se registrar conosco? A taxa de registro é de apenas mil lutas. — Luta era a moeda padrão utilizada em toda a parte norte de Tortus. Através da combinação de minério de zagalta com vários metais, se poderia criar ligas de diferentes cores. Luta era feita dessas ligas, e marcadas com um selo especial. As moedas vinham em azul, vermelho, amarelo, roxo, verde, branco, preto, prateado e dourado. Elas valiam 1, 5, 10, 50, 100, 500, 1.000, 5.000, e 10.000 lutas, respectivamente. Curiosamente, era os mesmos valores que as cédulas e moedas japonesas possuíam.

— Hmm, entendi. Nesse caso, acho que mais vale registrar. Infelizmente, não tenho dinheiro comigo agora. Você poderia apenas descontar do valor de todas as coisas que eu vender? Não me importo de pegar a taxa de base por mais que precise registrar.

— O que está fazendo, andando por aí sem um tostão com duas garotas fofas assim? Eu lhe darei o bônus por tudo, então apenas se certifique de tratá-las corretamente, está bem? — Essa senhora é realmente bem legal. Hajime aceitou cortesmente sua oferta, depois entregou sua placa de status.

Ele se lembrou perfeitamente de ocultar suas estatísticas, então apenas seu nome, idade, gênero e classe estavam indicados. Ela perguntou se Yue e Shea queriam se registrar também, mas elas recusaram. Elas sequer possuíam placas de status, então teriam que obter alguma da senhora. Mas então ela veria todas as suas estatísticas e habilidades absurdas antes de terem a oportunidade de escondê-las.

Hajime estava curioso para ver como suas estatísticas eram, mas teria provocado um alvoroço enorme. Lidar com isso seria uma dor de cabeça, então decidiu continuar discreto em vez disso.

Quando ela devolveu sua placa, havia algo novo escrito. Ao lado da coluna “classe” estava uma coluna “profissão”, que atualmente dizia “Aventureiro”. Existia uma pequena marca azul ao seu lado.

Essa marca denotava seu ranque. Em que mudaria para vermelho, depois amarelo, roxo, verde, branco, preto, então prateado e finalmente dourado… Ah, entendi. Os ranques do aventureiro possuíam as mesmas cores da moeda. Em outras palavras, um aventureiro ranque azul era basicamente tão sem valor quanto um centavo. Que deprimente. O mestre da guilda que projetou esse sistema deveria possuir uma personalidade perversa.

Além disso, parecia que qualquer uma além da classe de combate não poderia ultrapassar o ranque preto. Embora fosse pouco, mesmo as classes não-combatentes poderiam ao menos subir aos quatro dígitos. Aqueles que conseguiam chegar tão longe ainda eram mais admirados do que os aventureiros focados em combate que chegavam ao dourado, então se poderia ver quanta importância que colocavam nessas cores.

— Se for um homem é melhor almejar o preto, ouviu? Você não quer parecer desinteressante na frente de suas amigas, não é?

— É, vou trabalhar duro. Muito bem, então agora posso vender minhas coisas, certo?

— Fique à vontade. Sou uma avaliadora qualificada, então posso cuidar disso para você. — Então, ela não era apenas uma recepcionista, mas também uma avaliadora. Que mulher talentosa.

Hajime havia colocado de antemão alguns dos materiais de sua Arca do Tesouro em sua bolsa, os quais ele retirou. Era uma variedade estranha de peles de monstros, garras, presas e cristais de mana. Ele os colocou no pequeno recipiente no balcão concebido para esse fim, e a senhora olhou para eles admirada.

— Es-esses são…! — Ela pegou timidamente cada item, os examinando cuidadosamente. Depois de uma análise estressante, a senhora suspirou e olhou para Hajime.

— Você me trouxe algumas coisas loucas aqui, garoto. Esses… são de monstros encontrados no mar de árvores, não é?

— Sim, isso mesmo. — Isso também se desviava das expectativas de Hajime. Hajime evitara de propósito tentar vender qualquer coisa que obteve no abismo, já que ele presumia que tais monstros não vagavam pela superfície. Se mostrasse, haveria um grande tumulto. Ele esperava que materiais de monstros da floresta ainda fossem um pouco raros, mas ele não tinha mais nada em mãos para vender. E com base na reação da senhora, eles eram de fato raros.

É claro, Hajime não esperava mesmo que a recepcionista da guilda entraria em pânico ao ver o que ele trouxe, chamado o chefe da filial, e feito ele subir instantaneamente para o ranque máximo dos aventureiros. Nem esperava que ela se apaixonasse por ele na hora após ver quão incrível ele era… Não, nem um pouco. Por isso, vocês duas poderiam parar de me olhar assim? Estão começando a me assustar.

— Você realmente não aprende, não é? — A senhora olhou feio para Hajime.

— Não faço ideia do que está falando. — O abismo poderia arrancar todas as outras partes de sua personalidade, mas o coração de um otaku não era apagado tão facilmente… Não que fosse motivo de orgulho. Hajime evitou seu olhar e tentou bancar o desentendido.

— A maioria das coisas do mar de árvores são de qualidade bastante elevada, então eu ficaria feliz em levar eles de você. — Ela continuou indiferentemente. Parece que ela sabe como perceber sinais também. Que bela senhora. Hajime duvidava que houvesse alguma velha por aí mais impressionante do que ela.

— Então eles são raros?

— Bem, veja, humanos se perdem fácil no mar de árvores, e muitas pessoas que vagueiam lá dentro nunca mais saem de novo. Por isso que a maioria das pessoas o evitam como uma praga. Existem alguns com escravos homens-fera que vão lá para enriquecerem, mas se eles não os tratam direito, não é difícil para os escravos conduzirem seus mestres ao erro. E os poucos sortudos o suficiente para voltarem com alguma coisa normalmente vão mais perto da capital para vender as coisas que pegaram. Eles poderão conseguir um preço mais alto, e sua fama aumentará mais rápido.

A senhora deu uma olhada para Shea. Ela provavelmente pensa que nós a pegamos para nos guiar. Graças a presença de Shea, não pareceu estranho Hajime ter materiais do mar de árvores. Pelo contrário, ela possuía uma expressão preocupada no rosto, e murmurou algo como: “Fazer algo tão perigoso apesar de ser tão jovem…”. O que ela acharia… se lhe contasse que fui até Verbergen, e transformei toda uma tribo de homens-coelho em monstros sanguinários? Embora considerando como vem agindo até agora, ela poderia nem ficar tão surpresa assim. Hajime sorriu ironicamente consigo mesmo.

Depois de avaliar todos os seus produtos, a senhora ofereceu o preço de 487.000 lutas por todo o estoque. Um montante dos grandes.

— Está realmente bem com isso? Você pode conseguir mais perto da capital.

— Nem, tudo bem. É o suficiente.

Hajime recebeu gratamente suas 51 moedas. Talvez tivesse algo a ver com o minério de que eram feitas, mas eram extremamente leves. Também eram finas o bastante para que mesmo 51 delas pudessem ser levadas facilmente. Apesar de que mesmo que fossem volumosas, Hajime poderia ter simplesmente armazenado elas na Arca do Tesouro.

— A propósito, o guarda do portão mencionou algo sobre vocês terem mapas da cidade…

— Ah, sim, temos. Com licença um instante… Aqui está, achei. As pousadas e lojas que recomendo estão todas marcadas nele. — O mapa que ela entregou estava minuciosamente detalhado, e todas as informações mais importantes eram fáceis de achar. Pareciam-se com panfletos turísticos que Hajime estava acostumado. Ele não conseguia acreditar que a guilda dava de graça algo tão legal.

— Ei, não existe mesmo problema em ficar com isso de graça? É realmente um bom mapa. Diabos, estaria totalmente disposto a pagar por algo como isso…

— Não me importo. Eu só desenho por diversão no meu tempo livre. Na verdade, minha classe é escriba, então algo como isso é fácil para mim.

Essa senhora é a Mulher-Maravilha ou o quê? O que alguém tão habilidosa está fazendo em uma cidade remota como essa? Hajime tinha certeza de que a história de como ela acabou aqui seria um conto interessante.

— Tem certeza? Bem, então obrigado.

— Está tudo bem. De todo jeito, já que você agora tem uma boa quantidade de dinheiro, eu recomendaria ficar em um lugar agradável. Essa cidade é bem segura, mas tenho certeza de que pelo menos alguns caras vão tentar fazer alguma coisa estúpida já que você possui aquelas duas ao seu lado.

Prestativa até o fim. Hajime sorriu com apreciação, lhe agradeceu e foi até a porta. Yue e Shea se curvaram para ela também antes de seguirem atrás dele. Os aventureiros ficaram todos sussurrando furiosamente um ao outro quando viram as garotas deixando o edifício.

— Heh, que bando interessante… — murmurou consigo mesma a senhora.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

6 Comentários

  1. Se todas as guildas tiverem pessoa tão prestativas é o melhor lugar do mundo para ser aventureiro hauhauhauaha

  2. Agora tá ficando interessante. Chega de labirintos e florestas. Quero ver interação numa cidade!!!

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