Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 18 de 18)

Quando o cerco ficou completo, o homem que gritou antes avançou em Yue. Se algum japonês estivesse presente, ele teria comentado sobre como a sua investida era igual ao Mergulho Lupin. Yue, contudo, apenas olhou friamente para ele e murmurou duas palavras:

— Caixão de Cristal. — Instantes depois, o homem foi coberto até o pescoço de gelo. Esse peso adicional o fez espatifar no chão. Ele soltou um grunhido muito afeminado quando caiu.

Todos os outros olharam com espanto. Yue lançara um dos feitiços de água de mais alto nível, Caixão de Cristal, sem um cântico. Eles começaram a sussurrar intensamente uns aos outros. “Ela deve ter entoado com antecedência” ou “Aposto que ela está escondendo um círculo mágico sob suas roupas” puderam ser ouvidos entre as muitas vozes.

Yue caminhou bruscamente até o homem congelado. Embora eles estivessem impressionados com seu poder, todos os homens investiram de qualquer modo, preparados para se tornarem o próximo Lupin com a chance de se tornarem seu amante. A fim de poupar tempo, Yue decidiu fazer o primeiro homem de exemplo.

Ela moveu sua mão, e o gelo o cobrindo começou lentamente a derreter. Pensando que ela estava o libertando, o homem sorriu de alívio. Assumindo que isso queria dizer que ainda tinha uma chance, ele olhou com paixão para Yue.

— Y-Yue-chan. Sinto muito por correr para você tão de repente! Olhe, só quero que saiba que falo sério… — Ainda sobretudo coberto de gelo, o homem parou de repente no meio da confissão. Porque ele percebeu que Yue só estava derretendo o gelo ao redor de uma parte do seu corpo. Especificamente…

— H-humm, Yue-chan? Por que é que você só está derretendo o gelo daqui debaixo? — De fato, Yue só estava derretendo o gelo que rodeava sua virilha. O resto estava ainda fortemente preso no lugar. Uma terrível premonição passou pela sua mente, e ele olhou pavorosamente para Yue. Nem pensar, ela não faria. Ela não faria, não é?

Yue simplesmente sorriu.

— Abatam-no. — Bolas de vento começaram a bater nas bolas do homem, uma atrás da outra.

— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!! Por favor, pare! Mamãããããããe! — Os gritos do homem ecoaram pelas ruas. Cada uma das esferas que o atingiram fizeram um barulho similar ao de quando Mario coletava uma moeda. Não, sinceramente, o som verdadeiro não era nada assim, mas por ser horripilante demais para descrever, era melhor fingir que era algo tão relaxante. Seus testículos se moviam como um saco de pancadas sendo golpeado por um boxeador.

Todos os homens na área, mesmo os espectadores curiosos e os donos de barracas que não tinham nada a ver com a situação, seguraram instintivamente as bolas.

A barragem contínua finalmente chegou ao fim na mesma hora que o homem perdeu a consciência. Ela fez propositalmente cada esfera de vento individualmente fraca o suficiente para que ele não perdesse a consciência de imediato, mas ainda assim forte o bastante para machucar. Foi realmente um feito divino. Yue soprou a ponta do seu dedo como se fosse o cano de uma arma e martelou o último prego no caixão.

— …Você poderia muito bem ser uma garota agora. — Naquele dia, um homem morreu, e uma segunda Cristabel, ou melhor, Mariabel, nasceu. Na verdade, ele iria treinar com Cristabel e abrir uma loja filial no nome dela (dele?). Na realidade se tornou muito popular… mas isso é uma história para outra hora.

Daquele dia em diante rumores começaram a se espalhar sobre a “Esmagadora de Bolas”. Os rumores finalmente alcançaram tão longe quanto a capital, e o novo apelido de Yue se tornou um símbolo de medo para os aventureiros no mundo inteiro, mas isso também era melhor deixar para outra hora.

Yue e Shea ignoraram os olhares temerosos dos outros homens e foram até a loja de itens. Um par de mulheres que estavam observando os acontecimentos murmuraram “Yue onee-sama…” enquanto ela passava, mas as ignorou também.

Elas terminaram o resto de suas compras, e quando voltaram, encontraram Hajime quase pronto com seu trabalho. Ele estava prestes a dar as boas-vindas, mas as palavras morreram em seus lábios quando viu a aparência de Shea.

— Ehehe. O que achou, Hajime-san? Pareço mais como uma aventureira agora? — Shea deu uma voltinha quando disse isso. Sua saia curta se moveu até uma altura perigosa, e seus peitos sacudiram loucamente debaixo da camisa, se sequer pudéssemos chamar disso, o que enfatizou o seu decote. Como antes, sua barriga estava completamente exposta.

Por assim dizer, suas roupas novas eram tão reveladoras quanto as velhas. A única verdadeira diferença era que suas sandálias surradas foram substituídas por botas resistentes. Dito isso, elas se apertavam apenas até os tornozelos, então nada de mais mudara até mesmo nisso.

— …O que vocês foram comprar mesmo? Para mim parece que essa coelha imprestável ainda usa a mesma roupa reveladora de antes…

— Vamos, o que está dizendo, Hajime-san? Olhe com atenção. Mesmo que minha saia vire para cima, esse calção vai impedir que alguém veja a minha calcinha. Vê? — Um pouco tímida, Shea levantou sua saia para mostrar para Hajime. De fato, havia um calção por baixo, que parecia surpreendentemente durável. Aparentemente, a parte superior de sua roupa, que mais parecia uma roupa de banho do que tudo, era também uma espécie de armadura biquíni, assim realmente protegia suas partes vitais eficazmente. Ainda assim, como é que isso protegeria sua barriga, suas coxas ou qualquer outra parte do seu corpo? Hajime olhou para Shea duvidosamente.

— …Está tudo bem. Shea disse que todas as outras roupas eram apertadas demais e dificultavam seu movimento. — Yue respondeu por ela. Parecia que Shea enfatizava a flexibilidade de movimento sobre qualquer nível de proteção que roupas podiam oferecer. Assim, a garota coelhinha foi equipada com um novo conjunto que praticamente não diferia do antigo, com exceção de que era um pouco mais estiloso e oferecia ligeiramente mais proteção. A vestimenta foi coroada com um dos casacos feitos à mão de Yue. Bem, tanto faz. Se ela não se importa, então acho que está tudo bem.

— De qualquer modo, desde que tenhamos tudo feito, isso é o que importa. Obrigado pelas compras. Ah, sim, esteve bem barulhento lá fora há pouco tempo. Aconteceu alguma coisa? — Hajime ignorou Shea, que ainda estava girando com sua roupa nova, e mudou de assunto. Até mesmo ele notou a agitação há pouco. Shea se encolheu um pouco quando viu Hajime ignorando suas tentativas de exibir seu charme, enquanto Yue respondia sua pergunta.

— …Mais ou menos. Não foi nada de mais.

— Ah, entendo. Que bom, então.

A lojista monstruosa e o homem que Yue quase mandou para o céu foram todos descartados como “nada de mais”. Hajime olhou para as duas suspeitosamente por alguns segundos antes de dar de ombros.

— Temos tudo que precisamos?

— Sim. Pegamos tudo.

— É. Pegamos uma tonelada de comida também, então não passaremos fome tão cedo. Essa sua Arca do Tesouro é realmente útil!

Hajime as emprestou sua Arca do Tesouro enquanto estavam fora comprando. Shea olhava com inveja para o anel, ao qual Hajime apenas sorriu sem jeito. No seu nível atual de habilidade, ele não conseguia criar algo como a Arca do Tesouro. Mas devido ao quão conveniente ela era, ele também queria ser capaz de fazer algumas para Yue e Shea.

— Então, Shea. Isso é para você. — Hajime estendeu um objeto cilíndrico e mecânico que possuía cerca de cinquenta centímetros de comprimento e quarenta de diâmetro. A coisa toda era de um prateado brilhante, e existia uma coisa pequena parecida com uma empunhadura ligada na lateral.

Shea pegou reflexivamente em suas mãos, e o peso inesperado dele a levou cambalear para trás. Rapidamente, ela usou seu fortalecimento de corpo para se firmar e erguer o objeto.

— O-o que é essa coisa? É superpesada…

— É o novo martelo de guerra que fiz para você. Mais pesado é melhor, certo?

— Hum? Isso é… um martelo de guerra? — A pergunta de Shea era previsível. A parte do cabo cilíndrico lembrava a de um martelo, mas a empunhadura era curta demais para brandir devidamente. Era bastante desbalanceado.

— É. Isso é o que se parece quando está em repouso, ou em modo de bombardeio. Agora, vá em frente, tente colocar um pouco de mana.

— Humm, assim? Ah!?

Quando ela verteu sua mana nele, o martelo moldado estranhamente fez um monte de sons mecânicos enquanto o cabo se estendia, assim se tornou o lugar perfeito para segurar um martelo.

Esse era um artefato que Hajime criou, que o chamou de Drucken. Ele adicionara um monte de funcionalidades extras que um martelo normal não teria. Em seu modo normal de bombardeio, a empunhadura era mantida perto do fim pois era usada como um gatilho para disparar projéteis enormes nos inimigos. Verter mana em uma determinada parte dele o fazia se transformar na forma mais familiar de martelo que Shea estava acostumada. Disparar balas não era o único truque que esse martelo possuía, tampouco.

Isso era o motivo pelo qual Hajime queria ficar para trás para terminar. Ele passou a manhã o aperfeiçoando enquanto Yue e Shea saíram para fazer compras.

— Isso é o melhor que posso fazer por enquanto, mas quando eu aprimorar um pouco mais minhas habilidades planejo melhorá-lo. Não se sabe o que vamos encontrar aonde estamos indo. Sei que Yue lhe treinou, mas ainda assim foi só por dez dias. É perigoso para você vir conosco, então fiz essa arma para conseguir o máximo do seu poder. Se certifique de se acostumar com ele, está bem? Você é nossa camarada agora. É melhor não morrer, ou eu mesmo te mato.

— Hajime-san… Fufu, isso nem ao menos faz sentido… Bem, não se preocupe. Eu vou ficar ainda mais forte, assim poderei te seguir não importa onde vá!

Shea segurou Drucken alegremente perto de seu peito. Mesmo quando estava feliz era inutilmente muito exagerado. Yue apenas deu de ombros impotente, enquanto Hajime sorria jocosamente. Sei que sou aquele quem o fez, mas é estranho ver uma garota ficar tão feliz por receber um martelo de guerra.

Eles foram fazer o registro de saída da pousada, com Shea seguindo atrás deles em êxtase. A filha do dono da pousada ainda corou quando viu Hajime, mas ele decidiu ignorar isso.

Era meio-dia quando eles saíram, e os raios quentes do sol caíram sobre eles. Hajime levantou a mão para cobrir os olhos e respirou fundo. Quando se virou, ele viu Yue e Shea sorrindo para ele.

Ele assentiu para as duas, então começou a andar em frente. Elas o seguiram.

E assim, sua jornada continuou.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Uma pegunta quantos capítulos essa NL tem ao todo e quantos capítulos vcs planejam traduzir ? Haverá alguma pausa no futuro ah e muito obrigado pelo capitulo

    1. Bem, uma light novel não é mensurada em capítulos, mas sim em volumes. Arifureta possui atualmente 8 volumes no Japão e 7 traduzidos para inglês. Cada volume possui cerca de 5 capítulos (fora os extras).

      Planejo traduzir tudo.

      Falar sobre pausas com essa antecedência é um tanto complicado, elas só vem quando as coisas complicam por aqui. Mas geralmente pausas garantidas são as entre volumes. Como quando terminar o volume 2 e chegar ao terceiro, haverá uma pausa de duas semanas para ajeitar tudo para o próximo por vir, como por exemplo a edição das ilustrações.

  2. A Shea fica toda animada só de receber qualquer presente do Hajime, ai ele ainda fala coisas que mostra que ele se importa com ela. Mas é claro que ela ficaria extremamente feliz! hauhuahuhaah

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