Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 2 de 18)

Yue tinha tomado afeição especial por Shea, e estava ensinado ela sobre como usar magia. Embora ela fosse uma homem-fera, Shea possuía mana e podia controlar ela diretamente, então, com o conhecimento certo ela conseguiria usar magia. Ela não precisaria de cântico graças a sua capacidade, mas ainda precisava de um círculo mágico, já que ela naturalmente não possuía habilidades para isso. Gritos ocasionais podiam ser ouvidos para além da névoa, o que significava que o treinamento de Shea estava indo bem.

Contudo, por volta de dois dias depois deles começarem seu treinamento, Hajime estava observando furiosamente o treinamento dos Haulia. Como prometeram, eles estavam tentando lutar contra sua natureza pacifista e aprender a lutar adequadamente. Eles até conseguiram derrotar alguns monstros, apesar de terem sofrido ferimentos. Mas… Snnnrk. Houve um som molhado quando uma das espadas curtas especiais de Hajime afundou no flanco de um monstro.

— Aaah, por favor, me perdoe por tal ato pecaminoso. — O homem-coelho que o matou abraçou gentilmente o monstro morto. De fato, ele parecia um pai que foi forçado a matar seu filho.

Tum! Outro monstro caiu no chão.

— Sinto muito! Sinto muito! Não tive escolha! — Uma garota Haulia tremia incontrolavelmente quando cortou a cabeça de sua presa. Parecia que ela acabara de matar acidentalmente seu namorado.

Snap! À beira da morte, um dos monstros restantes usou suas últimas forças para disparar um projétil em Cam. Ele o jogou para trás, mas em vez de xingar, Cam apenas ficou deitado no chão e murmurou sua última vontade:

— Heh, então esse é o meu castigo por mostrar minhas presas para alguém. Não é mais do que o merecido… — Lágrimas brotaram nos olhos da outra Haulia, e todos eles olharam para ele lamentavelmente.

— Chefe, por favor não diga isso! Todos compartilhamos o mesmo pecado!

— Exatamente! Mesmo que tenhamos que ser julgados por nossos crimes, esse dia não é hoje! Se levante, Chefe!

— Não podemos mais voltar atrás, então vamos pelo menos ver o quão longe essa estrada pode nos levar, Chefe.

— P-pessoal… Tem razão. Não podemos parar aqui. Temos que superar a morte desse monstro rato pequeno e continuar adiante!

— Chefe! — Eles estavam tendo um momento bastante comovente. Incapaz de suportar mais, Hajime finalmente se intrometeu.

— Gaaah! Vocês são tão irritantes! Parem de ficar tão emocionais depois de cada monstro que matam! Sério, mas que diabo!? Vocês só estão brincando comigo!? Parece que isso veio de uma novela mexicana! Vocês não têm que fazer uma cena todas as malditas vezes, apenas matem em silêncio! E rapidamente também! E outra, parem de humanizar as coisas que matam, é escroto!

Hajime sabia que estavam tentando o seu melhor, mas ele odiava como eles faziam um escândalo tão grande a cada monstro que matavam. Isso havia acontecido várias vezes nos últimos dois dias, e Hajime tentou falar calmamente sobre isso sempre. Contudo, eles não mostraram sinais de corrigir seus hábitos, então Hajime finalmente esbravejou.

Todos eles estremeceram diante da fúria de Hajime, mas ainda murmuraram desculpas como “é fácil para você dizer…” ou “mas mesmo que seja um monstro, ainda me sinto mal por isso…” uma e outra vez.

Veias pulsavam na testa de Hajime. Um dos garotos dos Haulia deu um passo à frente para tentar acalmar Hajime. Ele era aquele que Hajime salvara de ser devorado no Desfiladeiro Reisen, e ele havia se afeiçoado bastante por Hajime. Contudo, assim que ele estava prestes a dar mais um passo à frente, ele pulou para trás repentinamente. Confuso, Hajime fez uma pergunta:

— Hã? O que houve?

O garoto tocou suavemente as solas dos pés antes de responder.

— Ah, bem… Eu quase pisei naquela flor ali… Ufa, ainda bem que notei a tempo. Eu poderia ter esmagado se não tivesse visto. É tão bonita. Cara, teria sido um desperdício matá-la. — A expressão de Hajime congelou.

— U-uma flor?

— É! Sabe, eu adoro flores. E há tantas por aqui que foi muito difícil não pisar nelas enquanto estávamos treinando. — Ele sorriu alegremente para Hajime. Todos os outros Haulia também olharam orgulhosamente para ele. Lentamente, Hajime abaixou a cabeça. Seu cabelo branco cobriu o rosto.

— …Está me dizendo que a razão de vocês terem saltado aleatoriamente às vezes… foi só por que estavam preocupados com as flores? — perguntou ele suavemente, quase como um sussurro. Como Hajime mencionou, os Haulia pularam muitas vezes em direções esquisitas em intervalos estranhos durante seu treinamento. Isso o incomodara por um tempo, mas ele achou que era algo que faziam para tornar sua próxima ação mais fácil, para finalizar melhor seus inimigos.

— Oh, não, claro que não. Nunca iríamos.

— Haha, pois é, quem faria isso? — disse Hajime, claramente aliviado.

Cam sorriu desajeitadamente, e a expressão de Hajime finalmente começou a relaxar um pouco. No entanto…

— Naturalmente, não seríamos só cautelosos com as flores. Temos que ter cuidado para não esmagar os insetos também. Eles simplesmente aparecem do nada, então são muito mais difíceis para prestar atenção. Embora tenhamos conseguido evitar pisar neles até agora.

O queixo de Hajime caiu. Ele começou a balançar para frente e para trás, como um fantasma. Preocupados por poderem ter dito algo errado, os Haulia olharam uma para os outros ansiosamente. Ainda balançando um pouquinho, Hajime foi até o garoto, depois surgiu com um sorriso radiante. O garoto sorriu de volta.

Então, ainda sorrindo… ele esmagou a flor sob seus pés. Ele não só pisou nela, ele afundou seu calcanhar bem fundo.

O garoto observou pasmado. Por fim, ele tirou o pé. Tudo o que restou do que uma vez fora uma bela flor foi algumas pétalas dispersas, e um caule que fora esmagado no chão.

— A-a flor! — O lamento desesperado do garoto ecoou por todo o mar de árvores. Chocados, todos os Haulia olharam para Hajime. Ele se virou para encará-los, com ambos o sorriso radiante e a veia pulsando ainda presentes em seu rosto.

— Certo, já entendi. Finalmente entendi quão mole vocês são. A culpa é minha. Eu subestimei sua raça. Haha, não acredito que vocês na verdade se preocupariam com flores e insetos quando estão em uma luta de vida ou morte… O problema de vocês é muito mais fundamental do que a falta de capacidade em combate ou prática real de luta com inimigos. Eu deveria ter percebido isso antes. Não acredito que fui tão ingênuo… Hahaha.

— Hajime-dono?

O sorriso de Hajime assumiu uma aparência medonha, e Cam e os outros começaram a se afastar lentamente. Em vez de uma resposta… Bum! Ele atirou com Donner. Cam foi jogado à uma curta distância através do ar antes de bater no chão com um baque retumbante. A bala de borracha que acertou sua testa caiu dele segundos depois com um ploft suave. Apenas o vento moveu pelo silêncio que se seguiu. Hajime foi lentamente até Cam, que ficou inconsciente, e disparou outra bala em sua barriga.

— Hauugh! — Ele soltou algo que era uma mistura de tosse e grito quando acordou, e pestanejou segurando as lágrimas enquanto olhava para Hajime. Havia uma coisa absurdamente surreal em um velho com orelhas de coelho sentado em uma pose que Hajime viu frequentemente garotas fazendo em desenho animado, mas ele deixou isso de lado por enquanto.

— Muito bem seus merdinhas inúteis. Se não querem que suas cabeças sejam estouradas, é melhor começarem a lutar com esses monstros como se sua vida dependesse disso! Não se atrevam a se preocupar com as flores, insetos ou qualquer uma dessas porcarias! Vou fazer vocês se arrependerem se fizerem! Agora se apressem e comecem a matar, seus vermes malditos! — Todos os Haulia se endureceram de medo com sua linguagem excepcionalmente abusiva. Mas, com quão exasperado ele estava, ele nem sequer esperou pela resposta deles antes de disparar com Donner outra vez.

Bum! Bum! Bum! Bum! Bum! Bum! Eles se espalharam como os quatro ventos, tropeçando em si mesmos para escapar da fúria de Hajime. Todos menos o menino, que se agarrava desesperadamente na perna de Hajime.

— Hajime nii-chan! Por que está fazendo isso!? O que aconteceu com você!? — Uma luz perigosa cintilou nos olhos de Hajime quando encarou o garoto. Ele olhou em volta, tentando encontrar todas as flores próximas. Em silêncio, ele começou a atirar em todas elas. Uma após a outra elas morreram. O garoto gritou:

— Por quê!? Por que está fazendo isso!? Pare com isso, Hajime nii-chan!

— Cale a boca, pirralho. Não entendeu ainda? Quanto mais você ficar sentado aqui chorando, mais flores morrerão. Seu terno amor e carinho não as salvará. Todas elas serão mortas, e você só está aqui sentado com lágrimas nos olhos. Se não gosta disso, então vá matar alguns monstros!

Para salientar seu ponto, Hajime disparou em mais algumas flores. Ainda chorando, o garoto correu para o nevoeiro.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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