Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 5 de 18)

— Quero ficar com você, Hajime-san! Purque gosto de você!

— Você o quê?

Merda, mordi a língua! Nervosa, Shea tentou se recompor, enquanto Hajime apenas olhava para ela completamente em choque. Era quase como se não pudesse acreditar no que acabara de ouvir. Eventualmente, as engrenagens de seu cérebro começaram girar de novo e ele processou as palavras.

— Espera, espera… Espera. Isso não faz nenhum sentido. Onde é que eu acionei algum de seus eventos amorosos? Digo, sei que sempre tenho sido bastante maldoso com você esse tempo todo… Calma, não me diga que gosta dessas coisas? — Embora ele achasse que essa conjectura não pudesse ser verdade, ele ainda deu um passo atrás só por precaução. Naturalmente, Shea negou suas acusações.

— Como se atreve a me chamar de pervertida!? Não sou nada disso! E se já que percebe que está sendo mau, não acha que poderia ser um pouco mais simpático comigo?

— Não sei por que teria que ser simpático com você para começar… Você realmente gosta de mim? Tem certeza de que não é só coisa do calor do momento?

Hajime ainda não conseguia acreditar que ela realmente gostasse dele, por isso seu pressuposto de que a atribuição incorreta de excitação entrara em jogo. E considerando como ele a tratou até agora, nem era surpreendente. Contudo, parecia que Shea ficou muito infeliz por ele duvidar de seus sentimentos.

— Não posso dizer que não fui completamente afetada pela situação. Afinal, você nos salvou de tantos problemas terríveis, e você é um pária assim como eu… e eu fiquei definitivamente feliz quando você disse aos anciões que iria proteger sua promessa não importa o quê… Mas se foi por causa de tudo isso ou não, o fato de que gosto de você agora não mudou. Até eu acho que é meio estranho. Por que você, de todas as pessoas? Você sequer me chama pelo nome, toda vez que fica bravo começa imediatamente a atirar nas pessoas, você é mau, não se importa com os sentimentos dos outros, joga pessoas em hordas de monstros, não tem misericórdia, você é mau, nunca faz nada bondoso, só é gentil com Yue-san, você é mau… Hum? Sério, por que eu gosto de você? Hum?

Em meio ao seu discurso, Shea começou a questionar seus próprios sentimentos. Ela inclinou a cabeça, confusa, e enquanto Hajime queria desesperadamente usar Donner, ele se conteve. Nada que ela disse estava errado, afinal de contas.

— De qualquer forma, não importa quais são os seus sentimentos, não pretendo a levar conosco.

— Sem chance! Olhe, tudo foi só uma piada, certo? Realmente gosto de você, então, por favor, me leve com você!

— Olhe aqui, mesmo que… mesmo que seus sentimentos sejam verdadeiros, eu já tenho Yue. De fato, estou surpreso que você confessou tudo isso com ela aqui na frente… Pensando bem, a coisa realmente assustadora sobre você não é sua capacidade de fortalecimento de corpo, mas quão descaradamente ousada você é. Seu coração é feito de azantium ou algo assim?

— Me desculpe, meu coração não é tão duro! Ahh, sabia que isso aconteceria… mas não faz mal. Eu já sabia que não conseguiria lidar com você por meios normais, Hajime-san. — Shea riu triunfantemente, o que fez Hajime olhar para ela com suspeita.

— Eu já planejei tudo! É por isso que coloquei minha vida em risco! Agora, Yue-sensei, se puder fazer a gentileza!

— Hã? Yue? — Hajime pestanejou com esse giro súbito de conversa. Aborrecida, Yue não obstante virou fielmente para olhar para Hajime. Sua expressão parecia como se ela tivesse acabado de engolir centenas de baratas, e ela abriu a boca muito relutantemente.

— ……Hajime, vamos levá-la conosco.

— Espera, hum… O quê? O que está acontecendo aqui? Você obviamente não gosta da ideia, mas… Espera, era isso do que se tratava a aposta?

— …Fui descuidada.

Yue encolheu os ombros desapontada, e Hajime, que finalmente adivinhara o que aconteceu entre elas, não pôde deixar de se surpreender.

Shea devia saber que lhe pedir diretamente só iria conseguir uma recusa imediata, então ela fez tudo ao seu alcance para levar seu pedido a ele. Ela até entendia Hajime bem o suficiente para perceber que ele ouviria Yue, mesmo que ele não ouvisse Shea.

Foi por isso que ela tentara recrutar Yue para ajudá-la em sua causa. Na realidade, ela arriscou sua vida para obter tal aliada poderosa. Sentimentos imaturos nunca teriam convencido Yue, afinal. Hajime mal havia visto ela nos últimos dez dias, mas ele estava certo de que ela deveria ter treinado como se sua vida dependesse disso a fim de derrotar Yue. E isso significava que seus sentimentos eram inegavelmente verdadeiros.

Hajime coçou desajeitadamente a cabeça. Mesmo que Yue aprovasse ela, ainda que a contragosto, ainda não existia nenhuma boa razão para levar Shea junta com eles. Então, no fim, ainda se resumia aos sentimentos de Hajime.

Embora Yue tivesse concordado em ajudar mesmo que relutantemente, parecia que ela já desistira. Ela a viu de perto nos últimos dez dias, e sabia o quão duro Shea treinou para passar pelos obstáculos que Yue lançara em seu caminho. Foi por isso que ela estava disposta a levá-la junto. Além do mais, deixando de lado os sentimentos de Shea por Hajime, Yue possuía bem pouca razão para a odiar.

Shea sorriu triunfantemente quando pediu Yue para ajudar, mas agora preocupação suplantou seu rosto mais uma vez, e ela olhava ansiosamente para Hajime. Shea fizera tudo o que podia, e agora só lhe restava esperar pela sua decisão.

Por fim, Hajime respirou fundo e focou os olhos em Shea. Cada uma de suas palavras foram escolhidas com muito cuidado. E para cada pergunta, Shea respondeu com convicção.

— Mesmo que te deixe vir, isso não significa que vou responder aos seus sentimentos, entende?

— Não sabe? O futuro não é imutável.

Já que era uma pessoa que podia ver o futuro, ela sabia disso sem dúvida. Dependendo das ações, o futuro podia ser alterado.

— Ele não será nada além de perigo.

— Ainda bem que sou um monstro então. Não vou ficar no seu caminho durante as lutas.

Os anciões a desprezaram antes com esse nome, mas agora ela usava isso com orgulho. E foi tudo por causa de que descobrira que havia algumas coisas que não podia ser feita a menos que fosse um monstro.

— Meu objetivo é voltar ao meu próprio mundo. Talvez nunca veja mais sua família de novo se vier comigo.

— Já conversei com eles sobre isso, mas ainda quero ir. Papai entende também. — Shea não sentia nada além de gratidão pela família que a protegera por tanto tempo. Ela provavelmente nunca seria capaz de descrever o que sentiu quando a família que viveu toda sua vida a mandou ir com um sorriso depois de ela os ter dito suas intenções.

— Pode não ser fácil para você viver no meu mundo.

— Vou dizer quantas vezes for preciso… Ainda quero ir.

A mente de Shea já estava decidida. Meras palavras não a dissuadiriam mais… Não, elas não conseguiriam a dissuadir. Isso era apenas o quão forte seus sentimentos eram.

— ……

— Fufu, é tudo o que tem para dizer? Isso quer dizer que ganhei?

— O que há para sequer “ganhar” aqui…?

— Existe uma coisa. Significa que meus sentimentos te conquistaram… Hajime-san.

— …O que diabos isso quer dizer?

Ela decidiu reiterar as suas intenções de Shea Haulia.

— Por favor, me leve com você.

Hajime e Shea encararam um ao outro por um tempo. Refletidos nos olhos safira de Shea estavam as próprias pupilas de Hajime. Por fim…

— …Ótimo, faça o que quiser. Esquisita maldita.

O que quer que ele tenha visto nos olhos dela foram o suficiente para convencê-lo, já que Hajime finalmente cedeu com um suspiro.

Um único berro de alegria, seguido pelo som descortês de alguém assoando o nariz ecoou pela floresta. Hajime só pôde sorrir ironicamente enquanto lamentava o futuro que lhe aguardava.

Shea colocou as mãos nas bochechas e soltou uma série de risadas que pareciam como: “Ehehe! Uheheheh! Kufufu!” enquanto pulava alegremente. Sua expressão séria de há pouco desaparecera sem deixar vestígios.

— …Nojenta. — Yue murmurou, incapaz de observar mais. As orelhas de coelho sensíveis de Shea não deixaram escapar o sussurro insultuoso, embora.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

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