Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 7 de 18)

— Ouçam, homens dos Haulia! Guerreiros corajosos e orgulhosos! Hoje é o dia que finalmente deixaram de ser vermes inúteis! Vocês costumavam ser pedaços de lixo que valiam menos que o cuspe em minha bota! Mas isso já não é mais verdade! Com força vocês esmagam a irracionalidade desse mundo, e com astúcia vocês superam quem ousa se opor a vocês! Vocês renasceram como grandes guerreiros da tribo Haulia! Agora vão, e ensinem a esses ursos bastardos que não conseguem pensar em nada além de sua vingança equivocada quem é quem manda! Eles não passam de trampolins em seus caminhos! Bastardos inúteis que nem sequer merecem consideração! Construam uma montanha com seus corpos, e firme sua bandeira em seu cume! Essa bandeira é a prova de que vocês estão vivos! Que os Haulia já não são coelhinhos dóceis! Deixem que todos da Floresta Haltina saibam de sua existência!

— Senhor, sim senhor!

— Me digam, rapazes! Vocês são os guerreiros mais poderosos de toda Haltina! Qual é o seu desejo!?

— Matar! Matar! Matar!

— Qual é a sua especialidade!?

— Matar! Matar! Matar!

— E o que fazem com seus inimigos!?

— Matar! Matar! Matar!

— Isso mesmo, mate-os! Foi para isso que conseguiram força! Lutem pelo seu direito de viver!

— Sim, sim, senhor!

— Esse é o espírito! Membros orgulhosos da tribo Haulia, aqui estão as minhas ordens! Busquem e destruam! Agora vão!

— Yahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

— Huaaaaaa, toda a minha família se fooooi. Estão todos moooortos.

Ao comando de Hajime, todos os Haulia se viraram como um e se aventuraram adiante no nevoeiro.

Não existia vestígios da antiga raça amante da paz que costumavam ser. Shea caiu de joelhos e chorou sem palavras. Seus gritos ecoaram pela floresta. Nem mesmo Yue não pôde deixar de se levar por tamanha demonstração de emoção, e afagou confortantemente a cabeça de Shea.

Destinado a se juntar aos seus companheiros, o garotinho correu por trás de Shea, mas ela o chamou para impedi-lo.

— Par-kun! Por favor, espere! V-veja, há uma bela florzinha bem aqui! Você não precisa ir com eles… Você pode apenas esperar aqui comigo. O que me diz? Não quer ficar? — Se não por isso, ela queria ao menos salvar esse garotinho de ir para o caminho errado. Ela estava tentando seduzi-lo de volta com a promessa das flores. Por que flores? Porque ele era ninguém menos que o mesmo garoto que era tão apaixonado por elas antes.

Com as palavras de Shea, o menino, Par, parou. Ele expirou, suspirou e encolheu os ombros. Foi uma reação um pouco exagerada considerando a pergunta.

— Senhora Shea, por favor, não desenterre más recordações. Já joguei fora o meu passado. Aquele garoto fraco que amava flores não existe mais.

Para referência, Par ainda tinha dez anos.

— M-más recordações? Jogou fora seu passado? Hmm, não entendi muito bem, mas isso significa que não gosta mais de flores?

— Isso mesmo, joguei fora esse amor junto com o meu passado.

— Mas você acostumava amar tanto elas…

— Hmph, isso não passava de loucura da juventude.

Para reiterar, Par tinha apenas dez anos.

— Enfim, Senhora Shea.

— O-o quê? — Ver o quão drasticamente o garoto que costumava correr dizendo “Shea onee-chan, Shea onee-chan” havia mudado deixou Shea quase sem palavras. Havia tomado cada parte de sua consciência restante apenas respondê-lo. Mas essas palavras que ela se esforçou tanto para expor só pioraram as coisas.

— Juntamente com o meu passado, joguei fora aquele meu nome fraco. Agora me chamo Baltfeld. Baltfeld, o Executor. Por favor, me chame pelo meu novo nome de agora em diante.

— O quê!? De onde um nome como Baltfeld viria!? E o que raios “o Executor” quer dizer!?

— Ooops, sinto muito. Meus camaradas estão esperando, então preciso ir. Até logo!

— Ei, espere! Volte aqui! Ainda não terminei… Caramba, você é rápido! Espere! Eu disse para esperaaaaaar! — Shea esticou a mão impotente para a névoa, parecendo como se tivesse sido abandonada pelo seu amado. Mas não obteve resposta; toda a sua família marchou para a guerra. E assim, ela apenas abaixou a cabeça e voltou a soluçar. A família que ela conhecia desaparecera. Ninguém poderia deixar de compadecer com sua situação.

Insegura sobre o que dizer para animá-la, Yue só pôde sorrir sem jeito. Até mesmo Hajime evitou desconfortavelmente seu olhar. Seus olhos avistaram Yue, e ela murmurou discretamente:

— …Você é incrível, Hajime. Você continua fazendo coisas que seres humanos normais nunca poderiam sequer sonhar como se não fosse nada.

— Nem tanto, não é como…

— Você fez uma lavagem cerebral em todos eles sem usar magia negra… Inacreditável.

— Para ser sincero, mesmo eu acho que passei um pouco do limite. Mas não me arrependo.

Durante algum tempo depois, a única coisa que poderia ser ouvida nessa parte da floresta eram os sons dos soluços de Shea. Enquanto isso…

Regin Vanton era o próximo a ser o chefe do clã Vanton, o mais forte entre os homens-urso. Dizia-se que ele era um dos homens-urso mais fortes em Haltina. Ele era o braço direito do chefe, Jin Vanton, quem ele praticamente idolatrava.

Não apenas Regin. Todos os membros do clã Vanton, especialmente os mais jovens, o adoravam. A generosidade e o patriotismo zeloso de Jin, combinado com a sua força considerável, eram as principais razões de sua popularidade esmagadora.

Quando souberam do futuro de Jin, a maioria de seu clã riu disso como uma piada de mau gosto. Não havia como um mero humano ter derrotado Jin tão facilmente, ou machucá-lo tanto para que nunca fosse capaz de lutar de novo. Mas quando a prova foi colocada diante de seus olhos, eles não puderam mais ignorar a realidade. O corpo debilitado de Jin deitado em uma cama de hospital era uma prova irrefutável dessas alegações.

A incredulidade surpresa de Regin ao ver inicialmente o corpo emaciado de Jin deu lugar rapidamente a raiva fervente. Levado pela sua raiva, ele foi correndo para o Salão dos Anciões e os pressionou para mais pormenores sobre o incidente. Assim que ele soube a verdade, Regin ignorou as advertências do ancião e contou ao resto de sua tribo o que ouvira, os instando a segui-lo na vingança.

Graças às palavras do ancião, alguns dos homens-urso decidiram ficar para trás, mas todos os jovens de sangue quente do clã Vanton, junto com alguns dos outros que eram especialmente próximos de Jin, juraram se juntar ao grupo de vingança de Jin. Ao todo, cerca de cinquenta pessoas optaram por seguir Regin. Já que sabiam que o destino do humano odiado era a Árvore Sagrada, Uralt, eles decidiram ficar à espera no caminho principal que levava até ela. O raciocínio deles era que ser abatido bem na frente de seu objetivo seria muito mais doloroso.

Seus adversários não eram nada mais do que um grupo desorganizado de homens-coelho liderados por um humano. E mesmo que esse humano tenha derrotado Jin, deveria ter sido algum tipo de ataque surpresa ardiloso. Nessa neblina intensa ele ficaria ainda mais incapacitado com seus sentidos em desordem, e aqueles coelhos fracos nem sequer valia contar como força de combate.

Regin era um homem-urso muito habilidoso. Em circunstâncias normais, ele não subestimaria seus inimigos assim. Mas sua raiva o cegou de tal prudência.

Contudo, mesmo que estivesse disposto a admitir que sua raiva o fizera agir precipitadamente…

— Isso ainda é demais! — gritou Regin, com a voz cheia de desespero. O motivo de sua angústia provinha do fato de que os homens-coelho, uma das tribos dos homens-fera mais fracos que existia, havia destruído completamente seu exército de homens-urso, uma das tribos de homens-fera mais fortes que existia.

— Vamos! Isso é tudo o que tem!? Patético!

— Ahahahaha! É isso aí, gritem como porcos inúteis que são!

— Vocês são uns lixos malditos! Hyahahaha!

Os risos estridentes dos Haulia ecoaram pela clareira, e incontáveis facas cintilavam na luz fraca do sol. Suas expressões gentis e pacíficas originais não estavam em lugar algum. Os homens-urso ficaram claramente abalados com a ferocidade inesperada que os homens-coelho exibiam.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

7 Comentários

  1. Achei que o Hajime tivesse feito um exercito, mas ele fez executores que o único proposito é matar hauhauhhauhau

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