Arifureta – Volume 2 – Capítulo 2 (Parte 9 de 18)

— Uwooh!? — Regin conseguiu sair do caminho dela por pouco. Mas a faca de Cam não passava de um sinal. Segundos depois, uma tempestade de pedras e flechas caiu sobre os homens-urso indefesos. Os Haulia riam com gargalhadas enquanto observavam Regin e os outros se defenderem desesperadamente com seus machados largos.

— Por quê!? — Regin mal conseguiu gemer essa palavra.

— Por quê? Não é óbvio? Vocês são nossos inimigos. Que outra razão precisaríamos?

A lógica na resposta de Cam era simples.

— Ugh, mas…!

— Além disso… é divertido ver vocês bastardos arrogantes arrasados e se arrastando pela terra como escória que são! Hahaha!

— O quê!? Seus monstros! Como podem!?

O deleite na voz de Cam era inconfundível. Toda sua tribo estava disparando com suas fundas e bestas a uma distância segura enquanto atormentavam os homens-urso. Eles exibiam os sinais de pessoas que enlouqueceram devido ao seu primeiro contato com o poder. A adrenalina da vitória contra uma das subespécies mais fortes de sua raça fez com que eles perdessem o juízo. Eles estavam completamente fora de controle.

A ferocidade de seus ataques aumentou até que Regin e os outros estivessem apinhados em uma pilha deplorável, quase não suportando. Mas mesmo isso não duraria por muito mais tempo. Embora nenhum deles tenha se ferido fatalmente ainda, todos estavam cobertos de feridas grandes e pequenas. A próxima barragem acabaria com eles.

Cam sorriu cruelmente e ergueu o braço para o ar. Alegremente, o resto dos Haulia ajustaram suas bestas e carregaram suas fundas. Dando-se conta de que nada que pudesse fazer evitaria esse ser o seu túmulo, Regin largou sua arma como rendição. Interiormente, ele pediu desculpas aos seus homens por levá-los tolamente para a morte.

O braço de Cam desceu como a foice do próprio anjo da morte quando deu o sinal para o disparo. Todos dispararam de uma só vez. Regin encarou desafiadoramente a barragem que era para ser a sua morte, determinado a pelo menos não lhes dar a satisfação de olhar para outro lado. Mas então…

— Parem com iiiiiiiisso! — Uma silhueta branca avançou à frente dos homens-urso e destruiu os projéteis com um martelo de metal enorme.

— Hã? — O queixo de Regin caiu de surpresa. Foi apenas natural. Bem quando estava prestes a morrer, uma garota coelhinha de cabelos claros viera do céu juntamente com um martelo enorme. E a onda de choque de quando acertou o chão lançou para longe as flechas e pedras que iam na direção dele e seus camaradas. Seu rosto chocado era quase cômico de se olhar. Todos os outros homens-urso possuíam expressões semelhantes.

A garota coelhinha furiosa era, é claro, ninguém menos que Shea. Graças a transmutação comprimida de Hajime, o martelo era inimaginavelmente denso. Ainda assim, Shea brandia o martelo ridiculamente pesado como se não fosse nada, então o apontou para Cam. Até um simples movimento como esse causou uma ventania poderosa.

— Não consigo acreditar em vocês! Papai, e o resto de vocês também, voltem já a ter bom senso! — Eles foram surpreendidos pela entrada repentina de Shea, mas eles se recompuseram rapidamente e olharam com raiva para ela.

— Shea, eu não sei do que está brincando, mas saia da nossa frente. Não podemos matar eles se não sair.

— Ah, não, não vou me mover. São vocês que precisam parar!

Os olhos de Cam se entrecerraram furiosamente.

— Parar? Não venha me dizer que planeja se aliar ao inimigo, Shea. Dependendo da sua resposta, talvez eu tenha que…

— Não, não me importo desses caras morrerem ou não.

— Não!? — Os homens-urso estavam convencidos de que ela viera aqui para impedir a fúria assassina de sua tribo, então eles ficaram atordoados com sua resposta.

— Claro que não. Eu não teria sobrevivido ao treinamento de Yue-san se eu ainda fosse mole o bastante para pegar leve com pessoas tentando me matar. Até eu sei que isso só iria te matar.

— Hmph, então por que exatamente está nos impedindo? — Apesar de estar falando com sua filha, o tom de Cam era ríspido. O resto de sua tribo olhava suspeitosamente para ela.

— Não é óbvio!? Porque se eu não os parar, vocês irão se perder! Vocês irão cair na depravação!

— Se perder? Cair na depravação? — Era óbvio que ele não entendera nenhuma palavra que Shea disse.

— Isso mesmo! Não veem!? Hajime-san pode não mostrar qualquer misericórdia aos seus inimigos, ouvir suas súplicas, ou nunca ter pena, mas ele não desfruta ao matar! Ele te ensinou a matar os seus inimigos, não como atormentá-los!

— N-não estávamos…

— Você ao menos sabe que tipo de expressão estava fazendo agora há pouco, papai?

— Expressão? Digo, não posso olhar para o meu próprio rosto… — Com as palavras de Shea, os Haulia se viraram para olhar um ao outro. Shea fez uma pausa para respirar fundo e então calmamente, mas com firmeza, continuou:

— …Vocês pareciam iguais aos soldados imperiais que nos atacaram.

— O qu…!?

Isso foi um choque. Um grande o bastante para levar embora o véu do desejo de sangue que obscurecia seus pensamentos até agora. Eles não eram melhores que os monstros que riram ironicamente para eles enquanto escravizavam a maioria de sua tribo… Foi precisamente porque os Haulia viram de perto tal desprezo que sabiam quão nojento era. Pior do que a escória que tomaram suas famílias… Isso foi uma verdade amarga para engolir.

— Sh-Shea… Eu…

— Hmph, parece que vocês se acalmaram um pouco. Ótimo. Fiquei preocupada em ter que chutar todos os seus traseiros antes de voltarem ao juízo.

Shea agitou seu martelo casualmente algumas vezes. Sua expressão dura relaxou um pouco quando viu os sorrisos sanguinários desaparecer do rosto de sua família.

— Bem, essa foi a sua primeira batalha, então está tudo bem, contanto que vocês tenham percebido o erro a tempo. Além do mais, isso é tudo culpa de Hajime-san. Sei que ele também precisava fortalecer vocês mentalmente, mas ele foi longe demais! Ele os transformou em selvagens, não em guerreiros! — Dessa vez sua raiva foi dirigida a Hajime. Ela acrescentou discretamente: “Como me apaixonei por um cara como esse mesmo?” ao seu monólogo.

De repente, um tiro ecoou por toda a clareira. Um dos homens-urso atrás de Shea soltou um gemido abafado e desabou no chão. Percebendo que ignoraram completamente seus oponentes nos últimos minutos, Shea e Cam se apressaram para ver o que estavam fazendo. Quando olharam para trás, eles viram Regin agarrando a testa e gemendo de dor.

— Não se atreva a pensar em tentar fugir enquanto não estão olhando. É melhor ficar em silêncio enquanto a conversa deles acaba. — Hajime e Yue se materializaram de dentro da névoa. Aparentemente, Regin e os outros tentaram sair de fininho enquanto Shea e Cam discutiam. Por alguma razão, Hajime decidira usar uma de suas balas de borracha não letais.

Não obstante das palavras de Hajime, os homens-urso observavam cuidadosamente seus arredores, procurando qualquer chance para escapar. Hajime ativou sua Intimidação a fim de mantê-los dóceis. Com a pressão dessa magia os mantendo tremendo no lugar, Hajime ficou livre para andar calmamente até Shea e os outros. Hajime olhou em volta desajeitadamente por alguns segundos antes de fortalecer sua determinação e olhar para Cam como quem pede desculpas.

— Hum, bem, sabe, foi mal. Eu não me importei, mas esqueci o que o choque de matar alguém pode fazer com uma pessoa. Realmente, sinto muito.

Cam e Shea ficaram surpreendidos. Ninguém jamais esperava que Hajime, de todas as pessoas, pediria desculpas.

— C-chefe!? Você está bem!? Bateu a cabeça em algum lugar!?

— Médico! Médico! Precisamos de ajuda urgente!

— Chefe, se mantenha calmo!

Com isso veio as reações exageradas. Havia uma veia saliente familiar em sua testa.

Hajime pensava honestamente que era culpado, e estava se desculpando sinceramente. Por ele não ter tido problemas ao matar pessoas, ele falhou em ter se dado conta do choque que isso poderia fazer com outra pessoa. Forte como era, Hajime não possuía experiência em ensinar os outros. E essa inexperiência quase o fez distorcer a mente dos Haulia. Foi por essa razão que estava se desculpando de coração. Contudo, em vez de aceitá-la, esses coelhos estúpidos questionaram sua sanidade. Embora, de certa forma, ele não tivesse certeza de que deveria ficar zangado, ou refletir sobre a forma que estava agindo. Ele decidiu engavetar a questão para mais tarde, e em vez disso foi até Regin. Então, ele pressionou Donner lentamente contra a cabeça do homem-urso.

— Então, prefere ter uma morte viril ou viver em desgraça? — Foi os Haulia que ficaram ainda mais surpresos com seu ultimato do que os homens-urso. Era impensável que Hajime iria realmente oferecer poupar a vida de um inimigo. Essa era a mesma pessoa que abateu sem piedade qualquer um que mostrara suas garras para ele desde que o conheceram.

— Ele realmente bateu a cabeça em algum lugar, não é… — murmurou baixinho Cam. Outra veia se juntou a primeira, mas se ele se deixasse levar por tudo o que os homens-coelho dissessem, eles não chegariam a lugar nenhum.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. “Como me apaixonei por um cara como esse mesmo?”

    Isso não é óbvio? Porque o autor quis e pronto.

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