Arifureta – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 3 de 11)

Os monstros do desfiladeiro pareciam incapazes de aprender com os seus erros, já que uma vez mais atacavam aos montes o grupo de Hajime.

Cada movimento do martelo de guerra de Shea era literalmente um golpe mortal, esmagando crânios com cada ataque. Nenhum dos monstros poderia se dar ao luxo de sequer se aproximar. Eles eram todos reduzidos a pó.

Os poucos que conseguiram passar pela coelhinha pasteleira da morte foram queimados até virar pó pela magia de Yue. Embora fosse preciso mais mana do que o habitual para ativar seus feitiços, sua reserva enorme de mana combinada com a mana que armazenava em seus acessórios significava que nunca se esgotaria. As capacidades dispersivas do desfiladeiro diminuíam seu alcance, mas também abaixavam seu tempo de conjuração, assim ela era capaz de lançar bolas de fogo ardentes quase instantaneamente.

As técnicas de Hajime também não eram brincadeira. Mesmo enquanto pilotava Steiff, ele não errou nem um só tiro com Donner. Apesar de alimentar Steiff e seu Campo Elétrico simultaneamente no desfiladeiro, ele não parecia estar ficando sem mana.

As bestas ferozes que rondavam essa terra inóspita não eram nada mais que saco de pancadas para o grupo. Eles mataram exércitos de monstros ao longo de sua caça à uma entrada para o labirinto. Nos poucos dias que passaram lá, eles já preencheram a ravina com cadáveres.

— Haah. Saber que a entrada está em algum lugar em Reisen é uma pista simplesmente vaga demais. — Eles analisavam cuidadosamente cada caverna que passavam, mas ainda não haviam encontrado nada parecido com uma entrada. Hajime começou a ficar impaciente.

— Bem, só estamos verificando esse lugar a caminho do vulcão mesmo, então encontrar alguma coisa é apenas um bônus. E quem sabe, podemos achar mais pistas depois de concluirmos o vulcão.

— Acho que tem razão.

— É… mas esses monstros estão começando a me irritar.

— A mim também. Acho que você realmente odeia esse lugar, Yue-san.

Ainda que se queixando, o trio seguiu adiante. E assim, mais três dias se passaram.

Eles não haviam encontrado nada nesses dias também, e quando a luz da lua começou a iluminar a ravina, Hajime decidiu erguer o acampamento. Eles montaram suas tendas e começaram a preparar o jantar. Ingredientes foram usados, temperos medidos e os pratos servidos. Tudo, desde a tenda até as louças foram elaborados por Hajime, logo tudo possuía qualidade de artefatos.

A tenda foi reforçada com petrentura e petrálgida, que regulava a temperatura do interior. Graças às propriedades da petrálgida, Hajime também foi capaz de elaborar um refrigerador e um congelador. As armações de metal da tenda possuíam pedras intercaladas dentro delas também. Essas pedras foram imbuídas com a habilidade “Ocultar Presença”, dificultando os monstros localizarem seu acampamento.

Todas as panelas e frigideiras aqueciam proporcionalmente com a mana que aplicavam nelas, eliminando qualquer necessidade de acender um fogo. Até as facas foram encantadas com Garra Ventânica, as tornando extremamente afiadas. Ele também fizera um limpador a vapor improvisado. Todas eram criações amadas que faziam suas viagens mais confortáveis. E por apenas serem úteis com pessoas que podem controlar mana diretamente, ninguém iria querer roubá-las.

— Magia antiga da Era dos Deuses é mesmo conveniente. — Essas foram as palavras exatas de Hajime quando criou todos esses artefatos. Qualquer praticante de magia dos dias atuais teria desmaiado ao ouvir as coisas relativamente escusas que Hajime fez usando sua capacidade.

O jantar dessa noite foi carne de kululu cozida em sopa de tomate. Kululus eram basicamente galinhas que podiam voar. Sua carne possuía o sabor idêntico ao de uma galinha comum. Pratos de kululu eram aparentemente muito populares em Tortus. Eles já tinham marinado e cortado a carne de kululu, assim eles só cozinharam juntamente com alguns vegetais em um caldo à base de tomate.

O sabor do kululu foi reforçado ainda pela manteiga passada por cima dele e pelo toque picante de tomate que encharcara a carne. Os outros vegetais, todos os quais se pareciam com algum tipo ou outro de vegetal da Terra, e a sopa em si eram igualmente requintados. Até mesmo o pão que trouxeram para mergulhar na sopa era incrível.

Depois que terminaram o jantar, Hajime e as garotas se sentaram para conversar por um tempo, como faziam todas as noites. Graças a petruflagem na tenda, eles não precisavam se preocupar com ataques de monstros. Os poucos que vagaram nas proximidades por acaso foram sumariamente lidados por Hajime. Ele apenas enfiava a mão para fora da janela projetada para esse propósito, depois os abatia. Quando chegou a hora de se deitar, os três alternariam a vigia até a manhã.

Essa noite, foi a vez de Hajime ser o primeiro vigia. Yue e Shea se prepararam para deitar quando ele ficou pronto. A tenda estava mobiliada com futons macios também, para que pudessem dormir bem mesmo na natureza. Pouco antes de dormirem, Shea saiu da tenda.

Hajime lhe deu um olhar questionador, e ela respondeu casualmente:

— Só vou colher algumas flores.

— Não há flores aqui.

— Ha-ji-me-san! — Sua aparência indiferente se desfez e ela olhou reprovadoramente para Hajime.

— Foi mal — disse ele sem remorso, percebendo o que ela realmente queria dizer.

Shea amarrou a cara de raiva enquanto saía do acampamento e partia. Alguns minutos depois…

— H-Hajime-san! Yue-san! Encontrei algo! Venham aqui! — Ela esquecera que os monstros ainda enxameavam a ravina fora do acampamento e gritou por ajuda. Hajime e Yue trocaram olhares antes de saírem da tenda.

A voz de Shea vinha de onde um dos pedregulhos caíra contra a parede da ravina, criando uma pequena abertura. Ela estava acenando os braços loucamente bem na frente dela, com seu rosto cheio de emoção.

— Aqui! Olhem o que encontrei!

— Certo, certo, pare de me puxar. Seu fortalecimento de corpo está no máximo. Se acalme.

— …Tão chata.

Ela agarrou os dois pela mão e os puxou mais fundo na fenda. Hajime tentou acalmá-la, enquanto Yue apenas lhe mostrou frustração em seu rosto. Quando ela os levou para dentro, Hajime viu que a parede fora escavada de um lado, criando um lugar surpreendentemente espaçoso. Shea estufou o peito orgulhosamente e apontou para uma parte da parede que ficava entre a entrada e a parte de trás.

Hajime e Yue olharam para o que ela estava apontando e pestanejaram, confusos. Uma tabuleta estava esculpida diretamente na parede de pedra. Escrito nela, em letras cursivas fofas, estava isso:

Bem-vindo a todos! Dou boas-vindas à masmorra extremamente emocionante de Miledi Reisen~

O ponto de exclamação e o til só serviam para exacerbar o leitor.

— Que diabos é isso?

— …O quê?

Hajime e Yue falaram ao mesmo tempo. Parecia como se não pudessem acreditar em seus próprios olhos. Essa grafia bonitinha era completamente alienígena ao desfiladeiro desolado.

— O que isso quer dizer? Que essa é a entrada, obviamente! Quando eu estava indo no banh… digo, quando procurava flores, eu a encontrei por acaso. E pensar que o Desfiladeiro Reisen era realmente a entrada para mais um dos labirintos… — Hajime e Yue finalmente se recuperaram o suficiente do choque para se entreolharem descrentes.

— Yue. Acha que é isso mesmo?

— ……Sim.

— Isso foi uma longa pausa. O que te faz pensar assim?

— …Miledi.

— Faz sentido…

As anotações de Oscar informavam que o primeiro nome de Reisen de fato era Miledi. O nome Reisen era famoso, mas a maioria das pessoas não conheciam o seu primeiro nome. E por isso, o fato de que foi escrito na placa fazia com que muito provavelmente essa fosse a entrada para o devido labirinto. A única razão para eles duvidarem mesmo era porque…

— O que há com essa escrita estupidamente bonitinha? — Hajime se lembrou dos numerosos combates de vida e morte que enfrentou no Grande Labirinto Orcus. Se esse labirinto fosse algo assim, ele teria um combate duro. E, ainda assim, a entrada estava assinalada com essa placa jovial totalmente incongruente. Yue, também, sentira em primeira mão o quão severo um labirinto poderia ser, então ela não podia deixar de pensar se isso não era apenas uma brincadeira.

— Mas não há nada que se pareça com uma entrada aqui. A caverna só leva a um beco sem saída mais adiante… — Alheio à sua perturbação interior, Shea olhou ao redor da caverna e bateu nas paredes, procurando por uma abertura.

— Ei, Shea. Não… — Tic!

— Fugyah!?

“Não toque nas coisas descuidadamente assim” era o que Hajime tentou dizer, mas antes que pudesse, a parede que Shea tocou virou subitamente, levando Shea até o que quer que estivesse do outro lado. Era como uma daquelas portas secretas que se veria em um esconderijo ninja.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

3 Comentários

  1. A curiosidade que matou o gato também pode matar o coelho 🤭🤣

    Muito obrigado pelo capítulo, Kaka 🙇🏻‍♂️😁

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