Arifureta – Volume 2 – Capítulo 3 (Parte 5 de 11)

Por fim, eles acabaram em uma sala estranha. As escadas, conexão dos corredores e até mesmo o formato da sala era completamente caótico. Parecia que uma criança de três anos apenas montara aleatoriamente um monte de blocos de lego. A escada que levava ao terceiro piso se conectava a um caminho inclinado que conduzia de volta para a passagem principal que levava para fora do primeiro piso, ao passo que a escada no segundo piso parecia terminar em uma parede.

— Bem, acho que esse lugar é um labirinto.

— …É. Parece fácil nos perder.

— Hmph, já devia esperar daquela puta maldita. Essa sala é um reflexo de sua personalidade horrível!

— Acredite, entendo como se sente, mas acho que precisa se acalmar.

A raiva de Shea ainda não havia diminuído. Hajime lhe deu um olhar meio exasperado, meio com pena e fez uma pergunta.

— Então, para onde vamos agora?

— Hajime. Não faz sentido pensar nisso.

— Hmm, acho que você está certa. Só temos que marcar e mapear o local nós mesmo enquanto exploramos.

— É… — concordou Yue. Cartografia era uma habilidade fundamental, necessária para explorar masmorras. Contudo, dado o quão sinuoso era a forma da construção do labirinto, Hajime não tinha certeza o quão preciso seus mapas seriam. Ele franziu a testa, claramente insatisfeito.

A marcação que se referia era outra de suas habilidades mágicas especiais, Rastreamento. Esse feitiço permitia Hajime marcar determinados locais com mana. Ele poderia então encontrar esses locais marcados não importa onde estivesse. Se marcasse uma criatura viva, ele poderia rastrear sua localização. Ele iria usar no labirinto para marcar onde estavam, assim poderia mapear sua localização. Ele também poderia deixar suas marcas visíveis, então Yue e Shea poderiam vê-las também. Como a mana era ligada a um objeto, ela não seria dissipada como os outros feitiços que conjuravam.

Hajime decidiu começar pela passagem do lado direito, e a marcou antes de entrar.

A passagem tinha por volta de dois metros de largura, feita de tijolos. E como o Grande Labirinto Orcus, as paredes brilhavam vagamente. No entanto, elas não estavam iluminadas pela luminopedra verde. A luz nessa masmorra era azul-claro.

Quando ele checou o que era com Avaliação de Minério, descobriu que era linite. Ela brilhava ao entrar em contato com o ar. A sala em que estiveram devia ter sido encantada de alguma forma para não brilhar até que alguém entrasse. A passagem se assemelhava com a mina em Laputa, na verdade. Aquela onde os personagens principais encontram o velho que consegue falar com as pedras. Parecia que a linite nunca deixava de brilhar depois de entrar em contato com o ar mesmo uma vez.

Hajime se lembrava do filme animado de sua terra natal enquanto seguia pelo longo corredor. Tuc. Um dos ladrilhos no chão afundou um pouco quando Hajime o pisou. Essa foi a primeira vez que o chão fizera isso. Ele olhou para seu pé, confuso.

Então, de repente… Vuuuuuum! O som de alguma coisa cortando o ar repentinamente preencheu o corredor quando duas serras circulares apareceram de cada lado da parede. A da direita estava próxima da altura do pescoço, enquanto a da esquerda estava na altura da cintura. As duas lâminas avançaram rapidamente em direção ao grupo.

— Pessoal, esquivem! — Hajime se curvou para trás instantaneamente igual matrix, evitando ambas as lâminas. Dado o quão baixa era Yue, tudo o que tinha que fazer era agachar para evitar ambas. Shea conseguiu escapar do perigo também. Eles puderam ouvir Shea gritar de surpresa quando as lâminas passaram por ela. Desde que seu grito não pareceu doído, Hajime presumiu que estava segura.

Shea de fato quase não conseguiu se esquivar, e um pouco de pelo de suas orelhas de coelho foram cortados… mas não foi grande coisa.

Após as lâminas terem passado por Hajime e as garotas, elas desapareceram nas paredes como se nunca tivessem existido. Por um tempo, Hajime ficou lá parado, esperando cautelosamente por uma segunda onda. Mas nenhuma veio. Ele soltou um suspiro de alívio, então se virou para as garotas. Quando fez isso, calafrios percorreram sua espinha.

Seguindo seus instintos, ele agarrou Yue e Shea, depois se atirou para frente. Nem mesmo um segundo depois, lâminas de guilhotina se chocaram no chão onde estavam parados. Elas vibraram quando desceram, cortando através do chão como se fosse manteiga.

Suando muito, ele olhou para a lâmina que caíra centímetros de seus pés. Yue e Shea congelaram de medo também.

— São todas armadilhas físicas. Por isso o meu Olho Demoníaco não consegue sentir. — Ele estava tão concentrado em armadilhas mágicas que não levou em conta a possibilidade de armadilhas físicas. Devido as armadilhas que encontrara em suas excursões pelo labirinto até agora tinham sido mágicas, seu olho poderia facilmente avistá-las. Mas confiar demais em seu olho foi o que o levou a baixar a guarda. Ele colocou muita fé em suas capacidades.

— Haah. P-pensei que tínhamos acabado ali. Espera, Hajime-san! Por que simplesmente não as parou? Você tem um braço de metal!

— Essas coisas são bastante afiadas, sabe? Mesmo que não o transpasse direto, tenho certeza de que iriam danificá-lo bastante. Não posso usar Pele de Diamante, lembra?

— D-danificar…? O que é mais importante para você: seu equipamento ou a minha vida?

— Digo, você se saiu bem, não é? Qual é o problema?

— Ei, não mude de assunto! Não iria realmente me deixar morrer, não é? Eu sou mais importante, não é? Não é? — Shea se agarrou a Hajime enquanto o pressionava obstinadamente por uma resposta. Mas Yue foi quem respondeu.

— …Coelha Ranhosa. A única razão de você quase morrer é porque te falta treinamento.

— R-Ranhosa… Retire o que disse, Yue-san! Isso é demais, até para mim! — E assim, outro apelido foi acrescentado à série “qualquer coisa coelha”. Apesar de quase morrer duas vezes nas poucas horas em que estavam explorando, Shea ainda estava bem vivaz. Sua verdadeira força era quão robusta era. Embora ela provavelmente iria se queixar se alguém lhe dissesse isso.

Ainda assim, o que Shea disse era verdade. Embora ele escolheu se esquivar, Hajime poderia muito bem ter bloqueado com seu braço. Seu casaco era feito de couro de monstros, então teria servido bem para defendê-lo. E se as lâminas perfurassem tudo, ele possuía placas de metal protegendo seus órgãos vitais. Armadilhas como essas não o matariam facilmente.

Mesmo assim, essas lâminas seriam claramente demais para humanos normais. Armadura comum teria sido cortada bem ao meio devido ao quão rápido elas vibravam. A menos que fosse algo do nível da armadura que Hajime fez com o minério que encontrou no abismo, qualquer aspirante a explorador teria que se esquivar.

— Bem, se isso é o pior que pode ficar, então está tudo bem. — Hajime ignorou a discussão habitual de Shea e Yue, e murmurou consigo mesmo. Por mais forte que sejam as armadilhas, ele ficaria bem, desde que não fossem melhoradas por magia. E Yue possuía sua regeneração automática. Então, mesmo que fosse pega por uma, ela sobreviveria. O que queria dizer… que Shea era a única cuja vida estava correndo grande perigo. Quer tenha percebido ou não, estava claro que ela era a mais tensa de todos presentes.

— Hum? Hajime-san, por que está me olhando com esse olhar de pena?

— Aguente firme, Shea…

— H-hum, o quê? De onde veio isso? E por que tenho tal mau pressentimento sobre isso…? — Shea esfregou os braços cautelosamente, claramente evasiva pela demonstração incaracterística de bondade de Hajime. Ela se manteve em constante alerta para mais surpresas desagradáveis quando seguiram mais fundo na passagem.

Até agora, eles não encontraram nenhum monstro. Era possível que não houvesse nenhum nesse labirinto, mas um otimismo infundado normalmente levava à cova cedo. Eles poderiam saltar de qualquer lugar, tal como as armadilhas.

Após mais alguns minutos, o caminho levou à outra sala. Essa possuía três corredores diferentes conduzindo para fora. Depois de marcar sua localização, Hajime escolheu o caminho mais à esquerda, uma escada que descia.

— Uuuu, tenho uma má sensação sobre isso. Algo ruim sempre acontece quando minhas orelhas ficam inquietas. — Eles estavam na metade da escada quando Shea disse isso. Tal como dissera, suas orelhas estavam em pé tremendo levemente.

— Ei, não seja pé frio. Alguém sempre acaba pisando em uma armadilha bem depois quando alguém diz isso… Aqui, veja.

— N-não é culpa minha!

— Coelha azarada.

Enquanto conversavam, houve um barulho sinistro, e os degraus se achataram formando um escorregador. Era uma escada bem íngreme, então eles não conseguiriam manter seu equilíbrio facilmente. Para piorar, um líquido negro escorregadio começou a sair de buracos minúsculos na escada.

KakaSplatT
☦ Death To The World ☦

5 Comentários

  1. Eu queria que depois falasse qual era a ordem pra capturar os labirintos pq o do orcus foi sacanagem

  2. Essa Masmorra é bem tensa, por conta desse monte de armadilhas.

    Muito obrigado pelo capítulo Kaka 🙇🏻‍♂️😁

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