CdMD – Capítulo 31

Bruxa Branca – parte 2

Leona mirou corretamente, mas o tiro acabou acertando o ombro do capitão. As pessoas de Mok-Gol estavam se aproximando de Leona.

O capitão cerrou seus dentes e gritou:

— Atirem! Matem ela!

Ao seu comando, flechas começaram a voar.

*Whoosh!*

Entretanto, Leona conseguiu desviar das flechas. Estas acertaram o chão onde ela estava previamente. Recarregar a flecha levaria algum tempo para os guardas. Leona estava a uns noventa metros longe do portão, e os guardas iriam com certeza mirar com cuidado para matá-la

*Bang!*

Leona atirou de novo, mas ela não era habilidosa o bastante para acertar um tiro de tão longe.

— Merda…

— Peguem ela. Tirem aquela arma dela!

Quando Leona atacou o capitão, ela se tornou inimiga das pessoas de Hewl-Jin também.

Eu só tenho mais três munições.

Havia mais inimigos, mas ela não tinha munição para matar todos. Os inimigos se aproximavam com paus e espadas para matá-la. Mesmo que Leona fosse corajosa, era uma situação difícil de vencer.

Zin deu o revólver para Leona se proteger, não atacar os outros. Os inimigos estavam rapidamente se organizando para atacá-la. O centro foi fechado e seus inimigos miravam flechas nela. Ela não tinha lugar para ir. Eles estavam cercando Leona para deixar mais fácil atirar flechas.

— Guardas! Atirem nela! Nós cercamos ela! — Os sobreviventes de Mok-Gol bloquearam seu caminho, e Leona ficou presa.

Eu não quero morrer em um lugar como esse! — Leona cerrou seus dentes e estava determinada a sobreviver a todo custo.

— Atirem!

Eu não vou morrer como minha mãe!

Leona desviou das cinco flechas vindo em sua direção, mas a situação estava se tornando desesperadora. Os guardas continuaram a recarregar suas flechas e continuaram atirando. Leona tinha que dançar para evitar a chuva de flechas.

Só restam três tiros. Eu atiro nesses malditos bloqueando o caminho e escalo a muralha de lixo? Não, preciso salvar essas munições… se eu morrer, qual o ponto de salvá-las? O que eu faço…?

— Atirem!

*Whoosh!*

As flechas assobiaram pelo ar, e Leona gritou freneticamente:

— Caçador fedido! Quando você vai voltar?!

Com seu grito, todas as flechas congelaram no meio do ar.

— O que aconteceu?

*Thud!*

As flechas que estavam flutuando no ar caíram no chão.

— Criança. Você sabia que sua onda psíquica é muito alta? Estou ficando com uma dor de cabeça gigante.

Uma mulher estava andando lentamente pelo portão da frente. Leona nunca viu ela antes; ela mal estava vestida com vários pedaços rasgados.

— Qu-quem é você…?

A mulher que apareceu de repente começou a andar em direção a Leona. Seu cabelo cinza era longo o bastante para alcançar seus calcanhares, e seus olhos brilhavam com uma luz roxa, mostrando que ela não era exatamente sã.

Ela tinha forma humana, mas era diferente.

— O que está acontecendo? O que você fez? Quem é você?

— Não consegue dizer?

Quando o capitão tocou seu ombro e gritou, a mulher de cabelos cinza sorriu desdenhosa. Ela esticou sua mão, e um tipo de energia foi atirada, estraçalhando o capitão em pedaços.

Antes de que a mulher de cabelos cinza pudesse responder, uma pessoa aleatória gritou:

— É a bruxa! A bruxa de verdade! — Um sobrevivente de Mok-Gol gritou essas palavras.

— O quê? Se você está dizendo que eu sou a bruxa de verdade, então você está dizendo que a garotinha não era uma bruxa de verdade?

— !

As pessoas começaram a gritar e fugir. A mulher de cabelos cinza começou a sorrir.

— Sim, eu sou uma bruxa.

A mulher de cabelos cinza transformou sua mão em um tentáculo, então instantaneamente perfurou e matou o homem. Ela olhou para sua mão direita e disse:

— Sou uma alien também.

Uma corrente vermelha explodiu de sua mão esquerda, e acertou o grupo de pessoas, as transformando em múmias que pareciam ter milhares de anos.

— E uma vampira.

Enquanto a mulher pisava no chão, um líquido negro irrompeu e arrastou as pessoas para baixo.

*Crack!* *Crunch!*

Leona estava perturbada com o som dos ossos humanos quebrando debaixo do chão.

— E um demônio.

A mulher que emanava uma aura preta, vermelha, branca e roxa riu das pessoas que estava aterrorizadas por essa série de eventos.

Alien, vampira, demônio e uma bruxa.  A mulher de cabelos cinza que possuía poderes de quatro malignos diferentes estava rindo sinistramente. Logo, a mulher estava imperturbada pelo massacre que aconteceu. Ela pôs uma mão na cabeça de Leona, seu rosto escurecendo.

— Eiel está… morta?

A bruxa de cabelos cinza perguntou, olhando para Leona.

Ela não chegou na cidade por engano, ela foi atraída pela onda psíquica de Leona. Para ser exato, ela confundiu a onda psiquica com a de outra pessoa. Mas assim que percebeu uma coisa, ela começou a falar com um rosto triste.

— Criança. Evite humanos.

— O quê?

— Se estiver ao redor deles, todos agem de forma convencida.

*Kabam!*

— Arrggh!

Conforme a bruxa esticava sua mão, tentáculos esmagavam e matava as pessoas restante. Leona gritou enquanto agachava no chão. Ela nunca sentiu tal medo antes.

Havia gritos por todo o lugar e alguém estava gritando de medo. A bruxa afagou a cabeça de Leona uma vez e começou a ir embora.

— Qu-quem é você? — Leona perguntou para a bruxa.

— Um maligno, assim como você.

Leona e a mulher ainda eram malignos independente de suas diferenças. Depois da bruxa de cabelos cinza salvar Leona, ela foi embora sem dizer muito. Ela partiu sem arrependimentos ou remorsos. Quando a bruxa partiu de  Hewl-Jin, não havia ninguém vivo além de Leona.

Leona se sentou por um tempo. Como se lembrasse de um fato que não queria saber, ela foi deixada atônita e não disse nada.

Ela não sabia o que era um maligno, mas Leona sabia o que ela era.

Leona vivia para ficar viva e foi ensinada a fazer o mesmo. Ela não era a mesma Leona de antes. Ela não estava certa sobre sua razão de viver.

Pouco tempo depois, Leona levantou de novo.

Ela começou a andar por Hewl-Jin, a bruxa matou todo mundo então ela começou a pegar lascas. Leona descobriu que não havia sentido em ficar em um estado de choque e terror.

Quando Leona terminou de pegar as lascas, Zin retornou.

— … Que bagunça.

Zin disse enquanto olhava para Leona que estava esperando no hotel deles. O hotel também foi atacado e parecia que estava para ruir. Zin não sabia o que tinha acontecido na cidade, mas ao olhar para a destruição que tomou lugar, ele foi capaz de descobrir algo.

Um maligno deve ter passado aqui.

E olhando para Leona que estava viva, ele não perguntou.

Mas Leona olhou para Zin e perguntou:

— Você vai me matar?

— …

Zin percebeu algo, Leona também percebeu algo. Dessa forma, ela tinha que fazer a pergunta a fim de descobrir como o caçador de malignos reagiria.

Zin fez uma pergunta diferente:

— Por que você não fugiu?

Com isso, Leona abaixou sua cabeça e falou tristemente.

— Eu quero viver.

— Se você quer viver, deveria ter fugido.

— Eu quero viver, mas não assim.

— …

— Você está me perguntando por que eu não fugi. Então, por que você não está me matando?

— Eu não tinha a confirmação que você era um maligno.

— Você tem a confirmação agora?

— Eu tenho evidência que mais ou menos me dá confirmação.

— Então, você vai me matar?

Zin não falou por um tempo. Leona que disse que queria viver ficou parada indefesa na frente de um caçador perigoso.

Leona cerrou seus dentes e abaixou sua cabeça.

Leona vagou pela selva difícil. Ela evitou ladrões, assassinos, Salteadores e vagabundos a fim de viver. E ao longo disso, ela esteve sozinha.

Ela pensou que tinha de viver. No fim, ela falou o que sentia.

— Minha mãe me disse que mesmo se você tiver que viver em um lixão, era melhor estar vivo.

Zin não falou .

— Mas eu não quero viver mais assim.

Conforme Leona sentia a solidão, ela começou a ter a dor de estar sozinha.

— Estar em um lixão ainda significa estar em lixão. Eu não quero mais viver se vou ter que viver assim. Odeio ficar sozinha. Não consigo mais dormir sozinha na mata me cobrindo com folhas. Não posso mais fazer isso!

Leona começou a tremer e chorar. Ela pensou que preferia morrer pelas mãos de Zin do que viver sozinha longe dele.

Ela estava começando a aprender o quão bom era ter um companheiro e se sentiu triste que tinha que estar sozinha de novo. Ela percebeu os sentimentos de solidão depois de experimentar ter a companhia de alguém. E ela não conseguia se satisfazer com só sobreviver.

Ela queria ficar com Zin. Queria ter uma vida de verdade ao invés de aguentar a cada dia.

Assim que ela soube que era um maligno, Leona sabia que isso seria impossível. Mas esperou pela confirmação de Zin mesmo que isso significasse a possibilidade de morrer pelas mãos dele.

Mas parecia que o olhar frio do caçador não permitiria isso.

— Que vida merda…

Leona disse em um tom devastado, mas ainda fofo, porém Zin não demonstrou qualquer emoção. Leona abaixou sua cabeça sem dizer nada.

Ela estava pronta para ser morta se Zin escolhesse fazer isso.

Zin começou a pensar em agonia. Não como um caçador, mas como um Zin, ele falou lentamente para Leona que estava soluçando.

— Cem anos depois do apocalipse, eu estive vivendo como um caçador de malignos.

Zin começou a falar sobre si. Leona se sentiu estranha enquanto Zin falava sobre quanto tempo viveu.

— E depois que os malignos se foram, outros cem anos se passaram. Eu estive vivendo como um caçador de malignos em um mundo sem malignos. — O rosto de Zin não mostrava emoção, mas parecia que algo estava rodando dentro de sua mente.

— Tempo demais se passou…

— ….

— Faz tanto tempo que eu nem sei o motivo de eu ter de caçar malignos.

Quando Zin falou com Baek-Goo, ele percebeu como perdeu a razão para procurar sem parar por um maligno. Ele esqueceu o motivo há muito tempo.

E quando um maligno apareceu, Zin estava mais confuso do que feliz. Era como se uma pessoa lembrasse de um sonho há muito tempo esquecido.

— Mesmo assim, vou caçar o maligno. Assim como eu costumava fazer.

Mesmo que ele tenha perdido o motivo, ele iria continuar caçando malignos. E isso significava que ele iria matar Leona.

— Mas, só dessa vez… eu vou adiar um pouco. Desculpe-me por não conseguir manter minha promessa de te levar para um lugar seguro.

Com suas palavras, Leona levantou sua cabeça. Seus olhos estavam vermelhos de chorar.

— Você vai ser o próximo alvo.

— O quê?

— Vá.

Ele transmitiu o ponto que havia outros malignos que ele podia caçar. Mas era só uma desculpa já que não queria matar Leona.

— Fuja e viva em algum lugar que eu não possa te encontrar.

Ter misericórdia de uma presa, especialmente um maligno era proibido para um caçador. Entretanto, Zin decidiu poupar a vida de Leona para caçar um inimigo mais poderoso. Leona recebeu um período de carência até que Zin caçasse a protótipo.

Leona se levantou lentamente. A expressão assustadora no rosto de Zin não permitia que ela fasse mais.

— Eu… preferia… ficar com…

— Pare.

Leona tentou falar algo, mas Zin cortou ela.

— Pare de falar.

Leona mordeu seus lábios com a resposta fria de Zin.

— Você não sabe como eu me sinto falando com você.

— …

— Entre as várias bruxas que eu cacei, havia muitas pessoas que eram preciosas para mim.

Ele teve de matá-las apenas porque elas eram bruxas.

— Eu tive de matar pessoas que nunca chegaram perto de um monstro só porque elas eram bruxas.

— …

— E agora, eu estou dando a exceção pela primeira vez na minha vida.

Sem entender o motivo dele fazer isso, Zin olhou para Leona e disse:

— Por te deixar ir, eu estou insultando todas as pessoas que matei. — O caçador de malignos adicionou. — Então, vá embora.

Com suas palavras, Leona cerrou seus punhos, incapaz de dizer mais nada. Já que ela não sabia o que Zin estava pensando, ela era incapaz de criticar ou entender seu comportamento. Zin estava poupando a vida dela, mas ele não podia mais ficar com ela depois de saber que ela era uma bruxa.

Leona se levantou lentamente e passou por Zin. Enquanto passava, Leona murmurou enquanto chorava:

— Você é um covarde.

Zin não respondeu, e Leona foi embora. Ela foi embora, e Zin ficou parado por um tempo. Ele tinha que procurar sua presa, mas precisava de tempo para organizar seus pensamentos.

[Sangue de maligno necessário]

A mensagem era visível para seus olhos.

Zin estava se perguntando se ele tinha de matar a coisinha e sugar sua força vital. Ele  decidiu não fazer isso, e sua decisão não foi lógica. A vida de um caçador era longe de ser racional, mas dessa vez, Zin até mesmo abandonou o código do caçador. Haveria consequências para as ações que ele tomou.

Zin não ficou muito tempo e começou a se mover. Dos céus nublados, chuva começou a cair, e começou a cair feio.

Zin estava sozinho novamente e ele tinha um objetivo.

 

Os cem anos como andarilho acabaram.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

1 Comentário

  1. Concordo com a Leona. Se ele se arrepende de ter matado as bruxas apenas por serem bruxas, deveria se redimir protegendo essa bruxinha que é obviamente inocente, e não ficar se lamentando pelos erros do passado. Desse jeito ele só tá fugindo do problema.

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