CdMD – Capítulo 44

Jogo de Maldição – parte 1

— E como você consegue confiar no poder da feitiçaria? Todos os feiticeiros que eu conheci eram falsos!

— Capitão, você não vai saber até ver o que aconteceu. Não foi enganação.

— Você sabe o quê? Trambiqueiros usam truques ou ilusões para enganar pessoas! Eles usam truques simples para enganar pessoas e tirar vantagem delas!

— Sem chance…

— A Lorde não parece ter um grande comandante no castelo. — Zin estalou sua língua, e Leona olhava ao redor com medo.

O Capitão da Guarda era geralmente a segunda pessoa mais poderosa no castelo. Ele era a pessoa mais provável de se tornar o Lorde de um castelo.

Era muito comum um Capitão da Guarda trair seu Lorde e se tornar o próprio Lorde. E, apesar do capitão não ser um nativo do castelo de Jule, a Lorde o contratou por causa de sua experiência.

Era claro que o capitão queria se tornar o Lorde. Ele estava gritando e estava criando confusão publicamente ao invés de falar em particular com a Lorde. Ele estava tentando intencionalmente transmitir para as pessoas que a Lorde deles era incompetente. Seu objetivo principal era apontar as falhas dela e fazer as pessoas suspeitarem de sua liderança. Ele provavelmente não ligava para as lascas e sacrifício da vaca.

Políticas… está em todo lugar.

Contanto que a sociedade existisse, política estaria envolvida. O Capitão da Guarda estava tentando causar desconfiança entre os residentes. Era um ato bem tolo, infantil e óbvio.

Leona perguntou preocupada.

— O que nós fazemos?

— O que você acha? Nós precisamos sair. — Zin se levantou.

— Nós podemos perder nossas lascas.

Isso era um assunto sério para Zin, ele tinha que agir rápido para ser pago. Se Zin era um charlatão ou não, não importava para o Capitão da Guarda. Seu objetivo principal era criar uma cisma entre a Lorde e os residentes. E assim que a Lorde perdesse a confiança dos residentes, ele iria traí-la e se tornar o Lorde. Mas neste momento, o capitão escolheu a pessoa errada. Zin pode ser uma pessoa astuta e sorrateira, mas ele não era charlatão.

Os guardas e os residentes ficaram longe da Lorde e do capitão e observavam a situação. No meio da praça central do castelo, o Capitão da Guarda e a Lorde encaravam um ao outro.

— Você vai ter que falar comigo diretamente sobre suas suspeitas.

— Como você ousa andar aqui fora, seu charlatão!

O capitão encarava Zin com um olhar feroz e a Lorde não era capaz de fazer nada sobre isso. Ela não podia ficar do lado do capitão ou de Zin. Independente de suas habilidades, Zin ainda era um forasteiro e a Lorde tinha a responsabilidade de buscar o bem estar do castelo. Não seria sábio para a Lorde tomar partidos.

Zin sabia sobre a situação que a Lorde estava, então ele fez uma educação politicamente correta.

— É minha responsabilidade defender minha inocência, o que você pensa?

Zin estava tentando dizer que era sua inocência que estava em disputa. A Lorde assentiu quietamente e o Capitão da Guarda continuou encarando Zin, pronto para acusá-lo.

— Certo, você pode ter enganado a Lorde, mas você não vai ser capaz de me enganar!

O Capitão estava totalmente confiante de que Zin era um charlatão que enganou a Lorde burra para roubar lascas e uma vaca.

Zin queria esclarecer e perguntou ao capitão.

— Você não acredita no poder da feitiçaria? Ou você não acredita em mim? Vamos deixar isso claro primeiro.

— Ambos, seu charlatão! Se você não devolver as lascas que pegou, eu vou matar você e a criança que está com você, seu pedaço de merda!

O Capitão da Guarda parecia odiar Zin porque ele tinha Leona como companheira. Zin não tinha intenção de explicar sua situação com Leona.

— Bom, então. Pelo que parece se eu puder o provar da feitiçaria, posso provar minha inocência. Correto?

Os residentes fingiam trabalhar enquanto ouviam a conversa com cuidado dos dois.

— Há, você está falando bobagem. Todos os feiticeiros são charlatões, então toda feitiçaria são truques e mentiras! Por que você não nos mostra agora? Você vai fazer chover? Vai fazer trovejar? Vai em frent.!

— Não faço esse tipo de feitiçaria. Eu tenho um jeito para demonstrar facilmente. — Zin pegou um amuleto de sua bolsa. Já que ele pegou o item de lugar nenhum, o Capitão da Guarda ficou levemente nervoso. mas ainda tinha confiança em sua crença…

— Há, eu acho que você está tentando fazer truques. Eu não…

— Eu tenho pena de você por pensar nisso como um truque.

— O quê? como você ousa falar assim com o Capitão da Guarda do castelo…

— É uma pena que você é tão defensivo com sua própria autoridade, mas ainda é tão rude com a sua Lorde.

— Seu pedaço de…

— Chega. Eu vim provar meus poderes, não brigar com você. — Zin cortou o homem. — Eu sou um caçador, mas feiticeiros sempre chegam no assunto de confiança. Há sempre pessoas que acreditam que feitiçaria é falso. Nessas horas, feiticeiros realizaram essa ação. Eu não sei se você ouviu falar disso. — Enquanto segurava o amuleto, Zin sorriu sinistramente. Era o sorriso mais assustador que ele já fez.

— É chamado “jogo de maldição” e é bem simples. Nada complicado.

— O que é?

— Eu ponho uma maldição em você e você aceita a maldição.

Não havia melhor jeito de provar o poder da feitiçaria em alguém que não acreditava em feitiços. Um feiticeiro sempre tinha de provar seu poder para pessoas incrédulas. O método era mais efetivo do que realizar cerimônias que fazia chover e relampejar.

A pessoa que pedia por provas receberia a maldição e seria provado o poder da feitiçaria. Era um método simples que pedia que a pessoa incrédula tomasse um risco.

Se a maldição fosse falsa, a pessoa amaldiçoada ficaria bem e o feiticeiro seria julgado falso. Se a maldição fosse real, a pessoa amaldiçoada iria encontrar acidentes e o feiticeiro seria julgado como um de verdade.

Era um método direto e simples e era um método usado largamente em áreas onde feiticeiros reinavam. Se um feiticeiro fosse capaz de provar seus poderes através do jogo de maldição, ele ganharia autoridade sobre as pessoas. Ninguém iria querer desobedecer o feiticeiro.

— Você não disse que eu era falso? Isso significa que minha feitiçaria seria falsa também e minha maldição não teria efeito em você.

Em muitos casos, o jogo de maldição não tinha efeito. Mesmo se fosse falso de verdade, ninguém iria receber de bom grado uma maldição sobre si mesmos. O que geralmente acontecia era que a pessoa pedindo provas iria embora covardemente.

Zin sorriu e zombou do capitão.

— Você disse que veio da selva, mas você deve ter deixado sua coragem lá fora, hein?

— O quê? Como você ousa zombar de mim, seu imbecil! Eu estou satisfeito em servir como um Capitão da Guarda, mas antigamente, costumava ser um caçador que vagava pela selva! Você sabe quantos monstros já cacei?

— Claro que não. Mas mesmo se eu soubesse, por que isso importaria? — Conforme o capitão gritava, Zin assentia com um sorriso. Ele não acreditava que o capitão costumava ser um caçador, mas mesmo se ele fosse um caçador, realmente não importava.

Na frente de um caçador de malignos, era inútil se gabar de quantos monstros uma pessoa já caçou.

O Capitão da Guarda ficou ainda mais furioso com as provocações de Zin.

— Por que você não vai em frente e faz esse jogo de maldição em mim? Eu vou provar que não vai ter efeito! E, então, vou te matar por tentar enganar a todos nós!

— Claro. — Zin deu de ombros. — Eu vou por uma maldição. A duração vai ser de quatro dias. Se você vencer a maldição por quatro dias, você vai ser o vencedor do jogo da maldição. E quando eu puser a maldição em você, também vou criar um item anti-maldição que vai reverter a maldição em você. Se você desistir e vier até mim pegar o item, então vou ser o vencedor do jogo de maldição.

— Isso nunca vai acontecer, vai em frente agora, sua fraude!

O sol estava se pondo e os residentes se sentaram ao redor do capitão e de Zin. O lugar se tornou um campo de testes para ver se a Lorde tomou a decisão certa. O capitão discutiu para que todos os residentes testemunhassem o jogo de maldição e a Lorde aceitou.

Os residentes nunca viram algo assim e estavam interessados em ver um feiticeiro fazendo feitiçaria. Todos se sentaram bem longe de Zin e do capitão para assistí-los. Leona também estava assistindo de uma distância segura.

Zin segurou o cabochão em sua mão direita e pediu para o capitão se sentar.

— Eu preciso preparar algo.

— Não me diga que você vai precisar de outra vaca.

— Eu sou um feiticeiro habilidoso e não preciso dessas coisas para pôr uma maldição em você. Só preciso de algumas fogueiras.

O Capitão da Guarda odiava participar disso, mas ele estava feliz. Provar que a feitiçaria era falsa iria causar os residentes a perderem a confiança na Lorde.

Ao provar que Zin era uma fraude, o capitão iria tomar controle do castelo. Ele estava animado com a ideia de que se tornaria o Lorde em breve.

Conforme um grupo de guardas corriam em direção a eles e juntavam a lenha para começar a fogueira, Zin balançou sua cabeça.

— Não, as fogueiras precisam estar nos cantos Nordeste, Noroeste, Sudeste e Sudoeste.  

Zin pôs as lenhas nos quatro cantos ele mesmo e começou as fogueiras. Zin olhou ao redor do castelo e viu algumas lâmpadas acesas. Então, ele falou com os guardas:

— Apaguem todas as lâmpadas do castelo.

Quando Zin falou, o capitão resmungou.

— Que irritante. Você não pode só seguir com isso?

— Uma maldição é atraída pela luz. Se houver outra luz, a maldição pode pular fora e cair em outras pessoas. Isso não tem nada a ver com a ativação da maldição.

— Pffft…

Zin pediu que todas as luzes fossem apagadas, então outras pessoas estariam seguras. Zin olhou para as quatro fogueiras que estavam acesas na agora escura Jule, e então olhou para o céu.

— Uma lua nova. É uma noite perfeita para lançar uma maldição.

Era uma noite muito escura e quieta, não havia estrelas brilhando no céu. Na escuridão, com o capitão cercado pelas quatro fogueiras, Zin andava ao redor. As fogueiras continuavam queimando e a luz vindo do fogo parecia estranha.

Os residentes seguraram o fôlego e permaneciam em silêncio. Zin estava agindo como um feiticeiro e os residentes estavam assistindo o estranho realizar uma cerimônia estranha. A Lorde deles sabia o que estava em jogo.

Ela estava preocupada com sua posição como Lorde, mas ela também se perguntava se era a decisão certo realizar uma cerimônia perigosa dentro do castelo. Entretanto, ela sabia que isso tinha de ser feito, porque o Capitão da Guarda estava desafiando a autoridade dela frequentemente. Ela precisava que esse jogo de maldição funcionasse para manter sua posição como uma Lorde.

O Capitão da Guarda estava no meio da luz, cercado por quatro fogueiras. Ele não podia ver nada além delas.

Ele sentia que estava no meio da escuridão.

— Antes de eu começar, vou explicar sobre maldições. — Naquele momento, Zin não era um caçador, mas sim um feiticeiro e ele estava supervisionando a cerimônia.

— A maldição que eu vou pôr em você é chamada “dreno da fortuna”. — Era uma maldição que utilizava dois caracteres do cabochão.

— Essa maldição vai tomar sua sorte. O efeito da maldição é simples. Quando ela se ativar, você vai se tornar azarado.

— Azarado? Que tipo de maldição é essa? Hahahaha! — O capitão riu alto, uma reação natural para esconder seu medo.

Zin continuou a explicar sobre a maldição.

— Você vai morrer em exatamente quatro dias a meia noite.

— O quê?!

Todo mundo segurou a respiração com as palavras de Zin.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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