CdMD – Capítulo 62

Plano de um Louco – parte 2

A garota na frente de Leona e todas as outras crianças que estavam reunidas ao redor de Leona estavam muito interessadas nela. 

— Você é tão bonita! Todas os forasteiros são bonitos assim? Eu pensei que todos eram viciados em VC e pareciam como monstros.

— Os adultos sempre dizem isso. Eles mentiram para nós.

Leona não sabia o que fazer conforme as crianças estavam gritando ao mesmo tempo.

— Então, você gostou da fortaleza? É sua primeira vez em uma fortaleza? Vamos brincar! Deixa eu te mostrar as coisas!

Leona estava se perguntando o motivo de todas essas crianças estarem interessadas nela. 

— Éee, bom…

— Está preocupada com o quê? — A garota pegou leona pelo pulso e puxou ela para fora. Havia crianças que eram amigáveis, mas a garota que pegou Leona parecia muito amigável. 

— Vamos brincar! — Não parecia que iria soltar Leona.

— Ei, espera! — Leona não sabia como lidar com alguém tão amigável.

Zin e Ramphil tiveram que passar por outra rodada de pontos de checagem para sair da fortaleza. Um dos membros do Armígero recebeu uma chamada via rádio e começou a balançar a cabeça. 

— Sim? Ah… hmmm… ahã. Entendido. 

Depois de terminar a chamada, ele parecia estar confuso. Ramphil gesticulou para ele falar o que estava acontecendo e então começou a falar. 

— Um bando de Salteadores apareceram fora das muralhas ao alcance das metralhadoras.

— Hmm?

— Eles estão planejando atacar? Isso não faz sentido algum.

— Não. — O membro do Armígero começou a falar lentamente apesar de saber que não fazia sentido. 

— Eles criaram uma pilha de corpos mortos e estão se curvando em direção a fortaleza. 

— ?

— Hmm?

Zin e Ramphil não fazia ideia do que estava acontecendo. Depois de uma discussão rápida eles decidiram ir averiguar o que estava rolando. Só Zin e Ramphil se moveram entre as muralhas interna e externa.

Zin estava tentando descobrir o motivo dos Salteadores, mas não conseguia pensar numa boa razão para os Salteadores estarem agindo desse jeito estranho. 

Os Salteadores não conseguiam ouvir as mensagens de aviso vindo das muralhas da fortaleza, já que estava longe demais. Naquela distância, eles pareciam estar se curvando e implorando por perdão. Zin achou a situação um pouco engraçada porque os Salteadores que ele precisava matar vieram até ele!

— Cacei tantos Salteadores quanto cacei monstros, mas nunca vi Salteadores fazerem uma visita. 

Conforme Zin falava incrédulo, ele tirou suas roupas protetoras e as enfiou em sua bolsa. Ramphil também sabia que era uma situação incomum. Zin pegou suas armas e disse. 

— Vamos ficar prontos para puxar o gatilho a qualquer momento. 

— Claro.

Os Salteadores pareciam estar desarmados, mas Ramphil mudou a pistola para um fuzil no modo espalhado. Um massacre estaria esperando os Salteadores se fizessem um movimento errado. 

Parecia haver pelo menos cento e cinquenta Salteadores. Havia dez Salteadores na frente deles.

Conforme Zin e Ramphil se aproximavam, o Salteador na frente os avistou e, então, se curvou com sua cabeça encostando no chão. 

Lentamente, Zin conseguiu descobrir o que estava acontecendo. Na verdade, ele era capaz de ver quais eram os motivos dos Salteadores. 

— Senhor! Armaram uma pra gente! — Conforme o Salteador na frente gritava, os outros Salteadores começaram a gritar também. 

— Armaram uma pra gente! —

Era uma cena bem rara.

— Que palhaçada. — Conforme Zin falava, Ramphil assentiu com um olhar sério. 

Ramphil estava encarregado da missão e Zin ficou atrás e deixou Ramphil tomar conta da situação. Ele não queria se envolver. 

Ainda segurando seu fuzil laser, Ramphil começou a falar com o Salteador.

— Senhor, alguém armou pra cima da gente! — O chefe Salteador gritou alto.

— Por que você não começa a se explicar, então?

— Hm, sim, desculpe por desperdiçar seu tempo valioso… quero dizer, sim!

— …

— É isso!

— O que é “isso”? — Ramphil apontou seu fuzil para o Salteador e ele começou a falar nervoso. 

— Plano do ma… ma… mal. Sim! Era um plano do mal! — O Salteador na frente de Ramphil estava tentando explicar o que aconteceu.

Ele começou a explicar o quanto eles respeitavam o Armígero e quão gratos eram por serem protegidos pelo Armígero antes de chegar ao ponto. 

Ele faz parte do grupo Salteador que estava na área há muito tempo e ele mencionou que os Salteadores estavam vivendo pacificamente graças a presença do Armígero. Eles ouviram que um veículo armado estava passando, mas não chegaram perto dele porque não queriam interferir.

Mas eles ouviram tiros e explosões e perceberam que houve algum acidente. Quando chegaram na cena, a luta já tinha terminado e pareceu que eles faziam parte do grupo que tentou assaltar o veículo armado.

O Salteador explicou que seu grupo não atacou o veículo, mas sim um grupo diferente de Salteadores que atacou o veículo para que o Armígero atacasse o grupo deles. O Salteador insistiu que o outro grupo Salteador tentou armar para o grupo dele.

Ele explicou ainda que seu grupo matou os Salteadores do outro grupo e trouxe os cadáveres deles para a fortaleza.

— Aqueles malditos estavam usando seu poder para nos exterminar e tomar a área. Foi isso que aconteceu!

— Hmm…

— Por que nós faríamos algo maluco como atacar o Armígero todo poderoso? Nós estávamos abusando a… quero dizer, nós só nos beneficiamos com a sua presença. Não há razão alguma para nós atacarmos o Armígero. Então, nós matamos os malditos que atacaram vocês e trouxemos as cabeças deles aqui… então, por favor, não fiquem chateados…

Os dez corpos eram daqueles que atacaram Ramphil. Ele olhou para os dados da batalha e reconheceu alguns dos rostos. 

Parecia que os corpos dos Salteadores eram de fato aqueles que atacaram o veículo armado.

Os soldados Armígeros tinham um pensamento diferente. Eles não ligavam se os Salteadores eram pessoas más ou não. O importante para Ramphil era descobrir quem era o responsável real pelo ataque e punir. 

Ramphil pensava que era mais importante cumprir o objetivo de verdade da missão do que simplesmente seguir ordens. Dessa forma, ele não só atirou e matou todos os Salteadores. Ele iria escutar o que tinham a dizer. 

— Nós não podemos excluir a possibilidade dos Salteadores terem matado seus próprios companheiros para evitar a responsabilidade. — Conforme Ramphil falava, o Salteador ficou pasmo.

— Isso… isso poderia ser possível, mas nós não traímos nossos próprios companheiros dessa maneira. Se fosse esse o caso, por que nós estaríamos visitando vocês? Nós teríamos fugido da área na hora. Olha, estamos desarmados. 

A razão dos Salteadores parecia ser plausível. 

Havia duas possibilidades. A história do Salteador poderia ser verdade e o outro grupo de Salteadores atacou o veículo armado. Eles fizeram isso para irritar o Armígero a fim de que este matasse todos os Salteadores na área. Ou poderia ser que os Salteadores tentaram atacar o Armígero e ficaram com medo das consequências

Parecia estranho Salteadores matando seus companheiros e vindo até a fortaleza para implorar por suas vidas. Faria mais sentido eles fugirem da área. 

— Hmmm… — Ramphil pensava enquanto assistia o Salteador visivelmente começar a entrar em pânico.

— Se esse é o caso, você está dizendo que o outro grupo de Salteadores que está tentando tomar o seu Abatedouro possui homens o suficiente para usar uns vinte Salteadores como isca? Eles sabiam que nós estávamos indo para a fortaleza?

Se o outro grupo de Salteadores sabia sobre o movimento do veículo armado e estava disposto a sacrificar vinte e tantos Salteadores, significava que eles eram uma organização grande, parecida com um exército.

Conforme Zin ouvia a conversa, ele pensou em algo. 

Matar alguém com a ajuda dos outros…

Ramphil olhou para Zin como se pensasse a mesma coisa. 

— Eu gostaria de ouvir a opinião do caçador. 

Todos os Salteadores começaram a olhar para Zin. Apesar deles serem lixo humano, Zin não sentia vontade de matar todos os Salteadores aterrorizados agora. Ele não ganharia nada por matar todos. Zin não gostava de matar se não fosse se beneficiar. 

— Hmmm, eu não acho que esses Salteadores foram traídos e sacrificados. 

— Então, você está dizendo que eles não são os responsáveis pelo ataque?

— Exatamente. 

Esses Salteadores não tinham nada com o que ganhar ao atacar o Armígero. Eles montaram um Abatedouro e não tinham razão para atacar um veículo armado. 

Ter um veículo armado seria legal, mas não era importante ao ponto que justificaria comprometer a existência do grupo de Salteadores. Eles eram pessoas loucas, mas não ao ponto de jogar suas vidas fora.

Ao mesmo tempo, parecia improvável que outro grupo de Salteadores estava tentando tomar o Abatedouro.

— Então, nós vamos precisar encontrar o grupo de Salteadores que tentaram armar para vocês. 

— Exato.

— Ah! Sim! Muito obrigado, senhor! Obrigado por acreditar na gente! — O chefe Salteador disse. 

Os Salteadores ficaram tão felizes que estavam prontos para se curvar na frente deles. O relacionamento com a fortaleza Armígera era importante para os Salteadores. Mas Zin não conseguia ligar menos. Zin foi até o Salteador que estava se curvando. Parecia que Zin era um assaltante pronto para roubá-lo.

— Este homem é um soldado Armígero, mas eu sou um caçador, como ele mencionou antes. 

— Sim! Sim! Senhor caçador! — Foi a resposta que ele disse na hora. 

— Cala a boca e me escuta. 

— Sim! Nós estamos escutando!

— Nós vamos tomar conta do grupo de Salteadores que armou para vocês. Isso é uma coisa boa para nós, mas uma coisa boa para vocês também, certo?

— Huh? Hm… sim… é verdade… mas por que você… — O Salteador estava se sentindo inquieto. Zin deu um tapinha no ombro do Salteador e sorriu. 

— Quanto você pode pagar? — Um caçador só ficava motivado com lascas. Um caçador nunca fazia nada de graça, mesmo se fosse um trabalho que ele tinha que fazer. Um caçador nunca deixaria uma oportunidade como essa ir embora. 

— Você sabe que não existe essa coisa de um caçador fazer algo de graça.

O Salteador olhou para Zin espantado. Zin estava pronto para ordenhar lascas sempre que possível, como ele sempre fazia. 

A vida na fortaleza era confortável em muitos jeitos, incluindo grande higiene. Havia muita comida para comer, roupas para vestir e lugares para dormir. Qualquer coisa além disso melhorava a qualidade de vida ainda mais. Na fortaleza, havia instalações educacionais e médicas assim como prédios para atividades recreacionais. 

Quando Leona seguiu as crianças para um desses prédios, ela ficou surpresa com o que viu. Havia muitas telas grandes mostrando jogos de esporte em estádios.

As pessoas que estavam no horário de folga ou terminaram seus serviços vinham aqui para se divertir.

— O que é tudo isso?

— É chamado de jogo! Vamos brincar juntas!

A garota que parecia ser a líder se introduziu como Sara. As outras crianças também se apresentaram, mas Leona só conseguiu se lembrar do nome de Sara. 

Felizmente, Leona conseguia ler as sentenças mostradas nos monitores. Diferente de outros viajantes sem educação, sua mãe ensinou ela como ler e escrever. 

Havia jogos de tabuleiro e video games. Alguns dos jogos eram chatos para os residentes locais, mas havia pessoas que jogavam profissionalmente esses jogos. O ambiente para aproveitar tal diversão era um privilégio. Não havia muitas pessoas no prédio, mas Leona e as crianças que entraram no prédio estavam andando por aí e se divertindo 

Aquele dia era um dia sem aulas, então elas estavam livre para brincar.

Que luxo. Acho que eles tem tempo demais nas mãos. 

Leona pensou que era tolice construir um lugar só para se divertir. Mas Sara pensava que Leona era estranha por falar isso.

— Leona, você fala com um adulto. Vem aqui! Eu vou te ensinar as regras do jogo. Quando você se acostumar com o jogo, também vou te mostrar como jogar o jogo “Selva”. — Sara riu e Leona se sentou na frente do jogo de tabuleiro.

Era um jogo para vários jogadores que usava um dado. Leona não sabia como jogar, mas começou jogando o dado para brincar de qualquer jeito. 

Essa instalação era um prédio bem importante na fortaleza. A fortaleza era um prédio gigante, mas tinha um espaço confinado.

A vida na selva era perigosa e as pessoas vivendo dentro de uma área confinada não sabiam como era a vida na selva. Em algum ponto, pessoas vivendo em um lugar confinado ficariam de saco cheio de viver dentro de um área tão pequena. Entretenimento era necessário para aliviar o estresse das pessoas. 

Depois do Armígero reconhecer a importância do entretenimento e começar a construir as instalações, a taxa de suicídio declinou 90%. Leona não sabia muito disso e pensava que a instalação de entretenimento era só um luxo.

Fortalezas diferentes inventavam jogos novos e se os jogos obtivessem críticas boas, aqueles eram distribuídos para as outras fortalezas. Esses jogos populares eram necessidades para aliviar o estresse em muitas fortalezas. 

— É um seis! Você é bem sortuda, Leona! — Sara riu quando viu o numero do dado que Leona tirou. Sara estava feliz com o que quer que Leona fizesse.

Leona não fazia muito e ela nunca conheceu alguém que foi tão legal com ela sem uma razão. E era o mesmo para as outras crianças. Elas olhavam para Leona com curiosidade, mas elas não eram hostis de maneira alguma com ela. 

Era a primeira vez que Leona via crianças agindo como crianças. 

— Não é difícil andar pela selva? — Enquanto brincavam juntos, as crianças e Sara perguntaram várias coisas para Leona sobre o mundo de fora.

Leona responde com franqueza. 

— Mmm… bom é bem merda. 

Leona xingou sem hesitar, surpreendendo as crianças por um momento, mas elas começaram a rir já que pensavam que as pessoas da selva eram legais o bastante para xingar. 

Crianças tinham muita curiosidade quanto a selva. Em algum ponto, elas pararam de brincar e só fizeram muitas perguntas para Leona. 

— E os monstros? Você caçou algum monstro?

— Não, eu nunca cacei um sozinha.

— Eles são assustadore? Você ficou com medo?

— Huh? Bom… — Leona não gostava de monstros, mas não tinha medo deles. Os monstros não se incomodavam com ela, então não importava muito.

— Eh… eu não fiquei com medo não. — A frase de Leona foi o bastante para impressionar todas as crianças.

— Leona! Como são os monstros?

O que você quer dizer com isso…? — Leona pensou quando a criancinha fez essa pergunta. O pequenino estava provavelmente perguntando como eles pareciam.

Mas Leona respondeu de um jeito diferente. 

— Não são nenhum pouco gostosos. 

— !

— !

As crianças ficaram todas chocadas ao ouvir essa resposta. Leona era definitivamente a criança mais doida que elas já conheceram. E, dessa forma, ela era bem atrativa para as crianças que estavam ficando entediadas com a vida na fortaleza.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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