CdMD – Capítulo 73

Caçador de Malignos e o Armígero – parte 1

No dia seguinte…

O veículo armado estava pronto para ir e estava na hora de partirem. Leona não parecia feliz ou triste.

— Você não deveria se despedir dos seus amigos?

— Eh. Nem. 

Leona estava pretendo ir embora sem ninguém notar. E ela não sabia como lidar com despedidas. Entretanto, quando Zin terminou de empacotar as coisas, ele disse a Leona em um tom sério. 

— Certifique-se de se despedir deles.

— … por quê?

— Você vai se arrepender depois.

Zin estava sugerindo fortemente que seria melhor se despedir sempre que havia uma chance. Era melhor se despedir para que Leona não se arrependesse de não fazer isso.

Era um conselho de alguém que experimentou muitas despedidas e Leona assentiu quando olhou para Zin. Ela acreditava nele. 

— Tá, então… já volto.

— Vá para a estação dos veículos armados. Alguém vai te dar as direções quando você perguntar.

— Tá bom.

Leona assentiu e saiu do quarto. Não foi difícil encontrar Sara. Ela estava no horário e era hora do intervalo logo depois do café da manhã. Sara estava perto do quarto de Leona e estava esperando ela sair. 

— Leona!

Sara se levantou e todas as outras crianças foram até ela. As crianças adoravam ouvir as histórias dela sobre a selva. Elas faziam muitas perguntas enquanto Leona contava suas histórias. 

— Vamos para a escola. Vai ser legal.

Sara estava planejando levar Leona para escola onde as crianças eram educadas. Crianças nas fortalezas recebiam diferentes papéis dependendo de suas habilidades. Sara parecia certa que Leona iria ficar na fortaleza.

Mas Leona já se decidiu. Entretanto, ela não estava certa sobre como contar isso para Sara e as crianças.

— Eu estou planejando ir embora.

— … — Assim que Leona terminou de falar, houve um silêncio longo.

— Você tá mentindo, né? — Sara perguntou decepcionada.

— Não, eu não posso ficar aqui. — Leona não explicou o motivo em detalhes, e nem poderia. Ela tomou uma decisão ilógica. 

Sara perguntou de novo com uma voz tremendo. 

— Você não se divertiu com a gente? A selva é tão melhor assim?

— Não, eu realmente gostei de brincar com vocês. Serin. 

— Então, por que você está tentando ir embora?

Sara não conseguia entender Leona. Ela se perguntou o motivo de Leona deixar um ambiente bom para trás e optar por sair para a selva dura. Enquanto Leona olhava para Sara, que não conseguia entender o que estava acontecendo, ela percebeu que era mesmo bem diferente dessas crianças. 

Essas crianças só se preocupavam com a diversão e elas eram diferentes de Leona. E apesar dela saber que ela não deveria pensar assim, Leona pensava que essas crianças eram ingênuas demais. 

 — Por favor, não vá embora! Se você ficar aqui, vai conseguir tudo que quiser. Você me disse que a comida daqui era ótima e que também amou os jogos daqui.

Mas Leona balançou sua cabeça. 

— Eu tenho algo mais importante.

— O que é?

— Mas não consigo… explicar exatamente o que é. — Leona não estava confiante que conseguiria explicar claramente como ela queria ficar perto de Zin. Leona sorriu amargamente enquanto disse. — Mas eu não tenho isso aqui nessa fortaleza.

Leona tinha algo mais importante lá fora na selva, então ela determinou que não poderia ficar na fortaleza. 

Leona segurou as mãos de Sara e disse; 

— Muito obrigada!

Leona estava falando do fundo de seu coração. Ela olhou para as crianças e sorriu. Ela tinha um sorriso que lembrava o de um adulto. 

— Falo muito sério.

As crianças ficaram atraídas por Leona que era uma forasteira e uma criança. E, apesar das crianças não conseguirem descrever seus sentimentos, elas sabia que algo estava diferente. 

Obrigada e eu falo sério.

Não era algo que uma criança expressaria para outras. As crianças pensavam que Leona era uma criança mais madura do que elas, uma adulta madura. Sara e as crianças não conseguiram mais pedir para ela ficar na fortaleza.

A estranha da selva era simplesmente uma estranha. Eles perceberam que Leona era alguém de um mundo diferente. 

Leona agradeceu cada criança e se despediu. Leona estava seguindo a orientação de Zin ao se despedir de cada criança.

— Mana, tchau…

A criança mais jovem balançou sua mão e começou a chorar. Leona sorriu de volta e bagunçou seu cabelo. 

— Pare de chorar, seu bebê chorão.

Leona tentou sorrir apesar de se sentir triste. Quando a primeira começou a chorar, o resto das crianças começaram a chorar também. Sara parecia triste, mas não chorou ou gritou.
Sara era uma garota de natureza boa. Ela queria ficar com Leona, mas pensou que era a coisa certa deixar Leona ir se ela tinha que ir. 

— Tchau… — Mas Sara era uma criança no final das contas, então ela não conseguiu segurar suas lágrimas. Leona pensou que ela se atrasaria se ficasse tempo demais confortando as crianças.

— Muito obrigada galera, vou sentir saudades de vocês. — Leona sentia a calidez dessas crianças. Leona estava indo embora da fortaleza, mas ela iria se lembrar do tempo breve deles aqui.

— Eu acredito que esse mundo não é tão merda depois de conhecer vocês. — Leona falou como um adulto enquanto falava com crianças relativamente mais jovens e estava sinceramente grata.

Essas eram pessoas que não tinham qualquer animosidade. Leona estava feliz que ela era capaz de encontrar tais pessoas na fortaleza.

— Tá, até mais por agora! — Leona se virou e começou a correr.

Sara e as outras crianças não correram atrás de Leona. Todos ficaram lá parados assistindo ela ir embora. As crianças deviam ficar dentro da fortaleza e Leona estava determinada a ir embora para a selva. 

E apesar do tempo junto delas ser breve, as crianças perceberam que não poderiam viver juntos com forasteiros.

Assim como Leona aprendeu algo ao conhecer as crianças, elas também aprenderam algo ao encontrá-la. As crianças e Leona aprenderam sobre relacionamento através da despedida deles.

——-

Leona chegou na estação dos veículos armados e ficou maravilhada com as fileiras de veículos armados e tanques. Muitas pessoas estavam consertando e fazendo manutenção nos veículos. 

Zin foi o primeiro a ver Leona chegar. Ramphil, Zin e o Senhor da Guerra estavam observando o trabalho de manutenção no veículo armado.

— Conseguiu se despedir dos seus amigos? — Zin perguntou. 

Leona respondeu com uma voz alegre. 

— Sim!

O Senhor da Guerra parecia amargurado enquanto olhava para Leona que estava se preparando para ir embora. Mas não disse nada. Ele respeitava a decisão do executor assim como a de Leona. Quando o veículo armado fosse levantado pelo elevador, isso significaria que era a hora de se despedir da fortaleza.

O veículo armado agora tinha uma sessão de carregamento assim como uma nova metralhadora operada por uma pessoa. 

— Nossos técnicos trabalharam a noite inteira para instalar uma arma de plasma. Mesmo se a energia for usada, você pode recarregá-la usando uma lasca. Eu espero que isso ajude vocês na jornada.

A arma de plasma era forte o bastante para explodir qualquer monstro. Era ótimo que eles tenham conseguido adquirir um veículo e arma novos. 

— Muito obrigado, Senhor da Guerra.

Os técnicos terminaram a última inspeção deles e desceram.

Ramphil agradeceu eles pessoalmente. Leona entrou no veículo, seguida por Zin. A bagagem deles já estava dentro do veículo.

— Executor, eu espero que você tenha sucesso no que você planeja. 

— Vamos torcer.

O executor desistiu de perseguir a agente disfarçada a fim de caçar a Bruxa Branca. Ramphil tinha que cumprir o que lhe foi ordenado. 

Ramphil saudou e os técnicos e o Senhor da Guerra saudaram de volta.

Leona ficou maravilhada com a cena por um instante. 

— Vamos embora agora. — Ramphil disse enquanto entrava no carro.

Uma correia transportadora começou a mover o veículo armado até o elevador. A estadia deles na fortaleza foi curta, mas Leona sentia como se vários meses tivessem se passado.

Leona percebeu que provavelmente nunca voltaria para esse lugar.

— Esse lugar deve ficar a salvo, né? — Leona perguntou preocupada e Zin respondeu com seus braços cruzados.

— Provavelmente. 

Uma fortaleza era o lugar mais seguro na selva. E mesmo em meio a uma guerra ainda continuava sendo o mais seguro. 

Leona não estava acostumada a se despedir de bons amigos e ela continuou olhando para a estação através das portas. 

—-

O trio estava indo para o norte depois que deixaram a fortaleza. Leona estava sentada na área de armazenamento e parecia infeliz. 

— Esse veículo ainda fica balançando. Qual a diferença do outro? — Ela reclamou com os braços cruzados.

— … o que você esperava? — Zin jogou logo na cara. 

O veículo iria balançar em uma estrada de chão apesar da suspensão estar perfeita. 

— Ah bom. Dá pra aguentar. — Leona conseguia aguentar a viagem irregular dessa vez. O trio estava totalmente abastecido e pronto para ir para o Castelo do Poder Celestial. Ao passo que Leona estava se movendo ao redor do veículo para se sentir confortável, Zin pegou algo de sua bolsa. 

— Pegue isso.

— … o que é isso?

Zin passou para ela uma caixa de alumínio. Dentro da caixa, havia vários objetos enrolados em panos brancos. Leona não fazia ideia do que era. Zin desenrolou o pano e começou a juntar algo.

Conforme Leona olhava o que Zin estava juntando, ela conseguiu entender o que aquilo era. 

— Isso é uma arma? — Ela perguntou levemente. 

— Sim.

A arma montada era uma AKM com braço destacável. Zin passou a AKM montada para Leona. 

— Agora joga fora seu fuzil de merda.

— Espera… você tá dando isso pra mim?

— Sim.

A AKM customizada era menor e o braço mais curto. E mais importante de tudo, era bem leve. Era pequena demais para um adulto usar, na maior parte porque o AKM não era um fuzil para adultos. 

— É feita de fibra de carbono reforçada com plástico e é muito leve. Mas é menos resistente, então você não pode atirar aos montes de uma vez. Você deve conseguir carregá-la e atirar. 

— É realmente… leve. — Leona levantou o fuzil e ficou surpresa com quão leve era. — Mas você fez isso?

— Sim, na instalação de produção do Armígero.

Zin não só reabasteceu sua munição. Ele hipnotizou o técnico que estava seguindo ele com feitiçaria e criou uma AKM. Ele escondeu a AKM em sua bolsa e não foi pego.

Foi uma arma feita especialmente para Leona. 

— É muito confortável. É ótima. 

Fuzis eram geralmente pesados. Entretanto, o fuzil novo era feito com material leve. Tecnicamente, o fuzil podia atirar em modo explosivo, mas não era recomendado já que o barril não aguentaria os tiros explosivos.

Leona olhou para o fuzil novo e para Zin. Ela pensou que era engraçado que Zin fez esse fuzil novo e ainda sugeriu para ela ficar na fortaleza. 

— Moço… você não é mesmo honesto consigo mesmo.

— … cala a boca. 

Zin parecia tímido sobre a situação e evitou olhar Leona nos olhos. Naturalmente, Ramphil viu tudo, mas não parecia se importar com o fato que Zin usou o equipamento de produção sem autorização. Ele continuou dirigindo o veículo armado sem falar nada. 

A AKM de Leona foi construída para usar munição 5.56mm. Seu tamanho era mais parecido com a de uma submetralhadora, com um barril mais longo. Zin ensinou Leona como desmontar e remontar o fuzil. Ele montou e desmontou habilmente o fuzil no veículo armado balançando. 

— Um fuzil não vai operar se faltar uma única peça. Então tome cuidado para não perder nada. 

— Sim. 

Zin ensinou a ela como montar e remontar o fuzil, como remover um projétil preso no barril e como limpá-lo. Leona sabia sobre tudo isso assistindo Zin e ela aprendia rápido. Zin ordenou que Leona montasse e desmontasse o fuzil primeiro. 

— Por que eu preciso fazer isso? — Leona não entendia o motivo dela ter que repetir esses passos. 

— Se uma criança como você ficar carregando um fuzil por aí, pessoas vão te atacar para roubá-lo de você. O que vai ser especialmente verdade quando você estiver numa cidade. Certifique-se de desmontar o fuzil e colocá-lo na sua bolsa. Monte o fuzil quando precisar usá-lo.

— Acho que cê tá certo. — Uma criança carregando um fuzil visivelmente era um convite para outros roubarem a arma. Zin queria ensiná-la como montar e desmontar o fuzil para que ela pudesse escondê-lo nas viagens. 

— Isso aqui é um carregador, esse aqui é o martelo e esse aqui é o barril…

*Bump!*

— Ah não! Tá caindo!

Foi um caos tentar ensinar Leona numa viagem irregular.

No fim, Zin teve que parar a aula depois de deixar Leona tentar alguma vezes. Ele temia que Leona iria perder partes valiosas do fuzil.

*Clack!*

Leona carregou o fuzil e tentou mirar. Ela estava tentando se acostumar com o fuzil o máximo possível. Uma arma era muito importante para a sobrevivência e não havia mal em se acostumar a usar uma arma. 

Zin estava planejando também ensinar Leona como mirar em um alvo quando chegassem em um lugar seguro.

Depois de inspecionar o fuzil por um tempo, Leona disse. 

— Obrigada!

— … que incomum de você. — Zin evitou contato visual com ela e Leona coçou suas bochechas já que ela também ficou tímida. 

Então, Leona pensou em algo e gritou. 

— Lembrei! Moço, você conhece o jogo “Guerra na Terra Apocalíptica”!

— … é um jogo? — Zin respondeu visto que ele não sabia do que ela estava falando. Vendo que Zin estava confuso, Leona gritou para Ramphil.

— Ramphil! Você conhece o jogo?

— É um videogame na fortaleza. Mas eu nunca joguei.

— … todas as pessoas comuns pareciam jogar aquele jogo na fortaleza. 

— Bom então. Eu não devo ser uma pessoa comum.

Leona ficou sem palavras depois de ouvir a resposta simples de Ramphil. 

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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