CdMD – Capítulo 75

Presságio Estranho na Terra da Feitiçaria – parte 1

A terra ao redor do Castelo do Poder Celestial foi elevada ao céu na forma de um cilindro. O castelo estava mais de 250 metros do chão. Não seria fácil escalar até o castelo. 

— Que terreno estranho. — Ramphil pensou alto enquanto olhava para a parede alta. O jeito que o castelo estava lá em cima no céu parecia sobrenatural.

— Há um motivo para o castelo se chamado de Castelo do “Poder Celestial”. 

Leona olhou para o castelo maravilhada. O nome do castelo parecia indicar quão grande o castelo era, mas ela não sabia o significado do nome do castelo.

O castelo parecia formidável porque o terreno todo ao redor foi elevado.

— Eu estou maravilhado como um terreno poderia ter esse formato. — Ramphil se perguntou como um castelo poderia existir em um terreno estranho desses. Ramphil e Leona sabiam que havia muitas coisas estranhas sem explicação e eles pensavam que esse castelo era fora desse mundo.

— Sim, é algo incomum e é porque o ambiente foi criado com feitiçaria. — Zin contou para eles.

— Feitiçaria?

— O quê?! Dá pra fazer isso com feitiçaria?

Ramphil e Leona estavam se perguntando sobre a possibilidade. Leona viu o poder da feitiçaria e Ramphil pensou que feitiçaria era feita como parte de uma cerimônia shamanista pelas pessoas na selva. Eles sabiam que o poder da feitiçaria existia por causa de Zin, mas não conseguiam acreditar que alguém poderia mudar o terreno com feitiçaria.

Mas Zin falava como se não fosse nada demais. 

— A terra foi elevada por um feiticeiro de alto nível, isso não é algo difícil para uma pessoa assim. 

— O que você quer dizer com isso?

— Eu estou me referindo a um feiticeiro que alcançou o mais alto dos níveis. 

— Por que ele criou tal lugar? — Ramphil se perguntou o motivo de um feiticeiro precisar fazer isso.

— Esse é um lugar onde um Imortal está selado e não seria bom que o lugar fosse de fácil acesso para as pessoas.

O Castelo do Poder Celestial foi colocado em um lugar onde as pessoas não poderiam atacar facilmente. Ramphil pensou que isso seria algo impossível para o Armígero fazer.

— O mundo… é cheio de pessoas fortes. — Ramphil ficou maravilhado que um único feiticeiro conseguiria fazer isso. O Armígero era uma organização que não ligava muito para o que acontecia no mundo. Ramphil se perguntava se o Armígero deveria estar mais ciente do que acontecia. 

Leona levantou uma pergunta. 

— Então, como nós vamos chegar lá em cima?

— … hmmm, boa pergunta. 

O veículo não conseguiria escalar e não havia escadas indo até o castelo. Zin apontou para a parede sem hesitar.

— Nós vamos escalar. Vamos deixar o veículo aqui.

— … o quê?

— Não é tão difícil, sabe?

— Bom, não  acho que seja um assunto de fácil ou difícil…

Leona estava ficando aterrorizada e Ramphil ficou espantado com a sugestão de Zin. 

— O castelo foi construído de tal maneira para dificultar o acesso. Seria estupidez esperar um portão aqui.

A alguns minutos atrás, o trio estava se maravilhando com o cenário do castelo e agora eles estavam temerosos de escalar esse lugar.

Eles não conseguiriam levar o veículo. Leona estava preocupada e olhou para o veículo.

— Você pode guardar o veículo dentro da sua bolsa?

— Você não está fazendo sentido.

— E se alguém roubar o veículo?

— Há uma senha chave. Dá pra entrar na marra, mas eles não vão conseguir ligá-lo. 

Entretanto, se alguém abrisse ele a força, o trio perderia seu meio de transporte.

— O propósito principal do veículo era nos trazer até aqui. Se perdermos ele, que seja.

Zin bateu suas mãos enquanto andava em direção ao penhasco. Ele não tinha equipamento para escalar, mas não seria muito difícil para Ramphil ou Zin escalarem o penhasco. Zin colocou a maioria dos seus itens na bolsa. 

Leona e Ramphil ficaram surpresos com o que Zin estava fazendo.

— Eu não gosto disso também. Agora suba nas minhas costas.

— Ah, tá…

Leona ficou na cacunda de Zin e se segurou nele. Ramphil e Zin conseguiriam escalar o penhasco, mas Leona não. Então, um deles tinha que carregá-la. Zin estava usando um casaco que poderia ser usado como uma amarra e Leona estava presa nas costas de Zin como um bebê. 

Leona parecia estar de bom humor e riu. 

— Uou, que conveniente!

— Você vai se arrepender do que acabou de dizer. Vamos lá. 

— Tudo certo.

Assim que Zin e Ramphil pegaram nas rochas, eles começaram a escalar o penhasco. Leona riu por um minuto enquanto estava presa nas costas de Zin e, então, ficou surpresa quando olhou para baixo.

— Puta merda…

Eles estavam se afastando mais e mais do chão. Leona se agarrou no pescoço de Zin e murmurou. 

— Mo-moço. Isso é tããããão assustador!

Leona ficou aterrorizada. Ela estava sendo carregada por Zin, que estava subindo o penhasco sem nenhum equipamento de segurança. Enquanto ele continuava a subir como uma aranha, Leona se sentia como se fosse desmaiar.

— Você pode ir mais devagar?! — Leona estava gritando de medo, mas Zin e Ramphil continuaram subindo. Depois de cinco minutos, Leona fechou seus olhos e segurou apertado Zin. Ela nem conseguia mais falar. 

— Merda… Filho da puta… maluco… — Com seus olhos fechados, Leona continuou xingando usando todas as palavras que sabia.

Levou uma hora para eles escalarem o penhasco. Zin e Ramphil estavam tirando a poeira de suas roupas como se tivessem feito apenas um simples exercício de rotina.

Leona caiu no chão assim que Zin desamarrou seu casaco. Ela não conseguiu se levantar por um tempo. 

Leona lentamente falou visto que estava sem fôlego. 

— Ah… acho que eu mijei nas calças…

— ! — Zin ficou surpreso e tocou em suas calças. Suas costas estavam quentes, mas não molhadas. — Eh, é só suor. 

Zin suspirou de alívio. Carregar outra pessoa em suas costas não era algo fácil, mas ser carregado também não era moleza. Leona se arrastou para longe do penhasco e mal conseguia se levantar. Era difícil para ela andar visto que parecia com a cabeça nos ares. 

— Uou… o castelo parece tão diferente aqui em cima. 

Do topo, o castelo estava em uma área mais baixa. Havia várias casas de madeira que revestiam a área gramada. 

A vila parecia calma e pacífica. As pessoas não pareciam estar com medo ou tristes enquanto andavam nos campos. Ninguém parecia estar armado. 

Para ser exato, parecia ser mais um ponto do que um castelo. As pessoas pareciam estar vivendo em um ponto onde não havia ameaças externas. Leona ficou maravilhada com a cena. 

As casas de madeira não estavam construídas em uma linha reta, mas elas pareciam lindas com as plantas no fundo. Havia muitas plantas crescendo e as pessoas não pareciam ter problemas com comida. 

Zin começou a andar na frente. 

— Vamos. 

— Então não há guardas ou portões aqui?

— Eu não acho que eles precisam de um.

— Eu acho que eles vão ficar alarmados. 

— Nós só precisamos explicar nossa situação. Sigam-me.

Zin liderou e Ramphil e Leona seguiam atrás dele. As pessoas do Castelo do Poder Celestial não pareciam perceber que alguns forasteiros tinham chegado. Nas florestas ao redor da área mais funda, havia até animais. Não havia nada de especial na área mais funda, mas havia esquilos, gatos, pássaros e outros pequenos animais na área. 

— Algo parece… estranho.

Leona se sentiu estranha que a área estava em boas condições. Apesar do lugar ser vasto, ninguém podia entrar ou sair daqui. Ela ficou maravilhada que tal ecossistema foi preservado. Ela pensava que toda a área tinha sido feita por mãos humanas.

Depois de passarem pelas florestas, havia muitas fazendas onde pessoas estavam crescendo comida. Muitas plantas estavam crescendo nos campos: feijão, cevada, arroz, batatas e muitas outras. 

E conforme os três passavam pela floresta, eles encontraram uma mulher. Não seria estranho ver a mulher ficar assustada ao ver forasteiros, mas ela sorriu e os cumprimentou. 

— Olá visitantes. Parece que vocês escalaram para nos visitar. O deus Celestial deve ter protegido vocês. 

Ramphil e Leona foram pegos de surpresa pelo jeito que a mulher falou e ficaram parados. Zin começou a andar em direção a mulher. 

— O caminho do Poder Celestial parece estar com força total. Eu agradeço o deus Celestial. E por favor perdoe minha grosseria por interromper a paz do castelo que toca os céus. 

— É raro ver um visitante que sabe do caminho do Poder Celestial. O que te traz aqui? — A mulher estava sorrindo o tempo todo. Apesar de suas roupas serem velhas, suas postura e linguagem sugeriam que ela não era uma mulher comum.

— Eu gostaria de falar com o senhor sobre o selo.

Quando Zin mencionou o selo, a mulher ficou séria. Parecia que ela não tinha a autoridade para falar sobre o assunto. A mulher se curvou e disse, — Eu não serei capaz de te ajudar com isso. O senhor está no templo maior agora. 

Depois de terminar de falar, a mulher voltou aos campos para trabalhar. Zin sinalizou para Ramphil e Leona continuarem andando. Os três andaram com cuidado nos campos sem pisar nas plantas e foram em direção ao castelo do Poder Celestial.

— Sobre o que vocês conversaram?

— Eu não entendo, tem algo de engraçado nesse lugar.

— Eles são pessoas que não entram em pânico independente da circunstância. A mulher que nós conhecemos é uma pessoa treinada.

— Eu não entendo o que você está dizendo. Que tipo de lugar é esse? — Leona ficou surpresa de ver que todas as pessoas estavam calmas mesmo depois de verem Leona, Ramphil e Zin pela primeira vez. 

— Hmm… você pode pensar neles como monges que são treinados no templo.

— Essas pessoas são religiosas? — Ramphil não conseguiu pensar num jeito melhor para descrevê-los. Religiões ainda existiam pelo mundo.

— É parecido com uma religião. O objetivo principal deles é treinar a alma interna.

— Parece que eles não ligam para suas vidas. — Zin riu do jeito que Leona descreveu essa gente. As pessoas do castelo do Poder Celestial passavam por eles e simplesmente os cumprimentavam com um sorriso.

Entretanto, Leona e Ramphil ainda se sentiam inquietos sobre o jeito que as pessoas agiam. Ramphil ficou especialmente inquieto com a atmosfera.

— Hmm… bom, eles não são pessoas estranhas. Eles não treinam somente suas mentes e almas. 

 — O que você quer dizer com isso? 

— Nós nos referimos a eles com um nome diferente. — Leona e Ramphil encararam Zin enquanto se perguntavam qual nome era e Zin suspirou. — Feiticeiro.

— O quê?! — Zin estava dizendo que todas as pessoas do castelo do Poder Celestial eram feiticeiros?! Leona ficou espantada, ela não conseguia acreditar. 

— Se você pensar no assunto, essa terra foi levantada no céu por um feiticeiro de alto nível. Não seria estranho se pessoas comuns vivessem aqui? Você não esperaria que feiticeiros vivessem aqui?

— Bom, sim, isso faz sentido… — Leona não ficou surpresa que todas as pessoas no castelo eram feiticeiros. Era só  que ela esperava que feiticeiros usassem colares de caveiras e andassem por aí com cajados decorados com enfeites estranhos. Entretanto, as pessoas daqui pareciam comuns. 

— Isso é bem foda. — Enquanto Leona falava, Ramphil assentia em concordância. — Que lugar doido.

Ramphil e Leona estavam aprendendo que havia muitas coisas estranhas no mundo.

A maioria dos prédios eram feitos de madeira. As pessoas bebiam água da chuva e comiam os vegetais que elas cultivavam. 

— É pacífico de um jeito diferente da fortaleza.

— É porque o padrão para abundância é diferente. 

Fortalezas tinham quantidades abundantes de recursos e havia muitas instalações para melhorar a qualidade de vida. A vida na fortaleza era bem confortável. Vida no Castelo do Poder Celestial era perfeita de um jeito diferente. 

Leona pensou que ao passo que a fortaleza tinha todas as necessidades, as pessoas no Castelo do Poder Celestial pareciam felizes com o que tinham.

Não havia tantos recursos, mas ainda não havia falta deles. As pessoas pareciam relaxadas com suas mentes em paz e Leona pensou que esse era um bom lugar onde as pessoas eram cuidadosas o bastante para serem legais com estranhos. 

Nesse sentido, o Castelo do Poder Celestial parecia um bom lugar se comparado com a fortaleza. 

Leona pensou que mesmo se o mundo fosse um lugar doido, havia ainda lugares onde as pessoas eram legais. 

— Agora que eu penso no assunto, dá pra ver coisas relacionadas a feitiçaria! — Leona disse.

— … não faço ideia. — Ramphil disse.

— Olha! Olha aquelas coisas lá. — Leona conseguiu identificar que havia itens relacionados a feitiçaria espalhados pelo castelo. Entretanto, Ramphil que não sabia nada de feitiçaria, não entendia o que Leona estava dizendo.

Havia correntes douradas nas portas e havia itens no formato de leões nas maçanetas das portas. Eles eram objetos relacionados a feitiçaria.

— Eu não entendo como esses itens significam algo… — Ramphil balançou sua cabeça visto que ele não sabia como os itens e sinais eram relacionados a feitiçaria. Zin ficou pasmo que Leona conseguiu avistar objetos que eram usados para feitiçaria.

— Eu nunca te ensinei nada sobre feitiçaria em detalhes, como você soube?

Era possível que Leona estava sentindo a energia daqueles objetos porque ela era uma bruxa. 

Leona riu e disse. 

— É porque eles parecem tão estranhos. Então provavelmente significa que estão lá por um motivo.

— … isso é um ponto de vista interessante. Acho que você está certa! — Zin riu, impressionado como Leona chegou naquela conclusão.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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