CdMD – Capítulo 77

Presságio Estranho na Terra da Feitiçaria – parte 3

Leona se lembrava vividamente quando a Bruxa Branca olhou para ela como se soubesse quem ela era. A bruxa foi atraída pelas ondas psíquicas de Leona e, então, se aproximou dela. Leona nunca soube o nome de sua mãe.

Seu pai sempre a chamava de vadia. Leona sabia que esse insulto não era o nome de sua mãe, mas ela não queria descobrir de qualquer jeito.

O nome de sua mãe era Eiel. Leona achou o nome estranho e ela se sentia estranha que a Bruxa Branca estava mostrando compaixão para ela por causa do nome e da sua mãe.

No fim, Leona conseguiu sobreviver porque a Bruxa Branca ajudou. 

— O único jeito de derrotá-la é selando parte do poder da Bruxa Branca e, então, acabar com ela com a Cavaalma.

— Então, é por isso que você precisa do poder de uma força de selo. — O lorde assentiu em compreensão. Zin não conseguia lançar um feitiço poderoso o bastante para selar um Imortal.

— Qual o estado atual do selo?

— Ele entrou em um estado onde a alma já se dissipou há muito tempo.

O lorde e Zin estavam falando em uma linguagem que  Leona e Ramphil não conseguiam entender.

— Então, não vamos ter problemas se eu pegar emprestado uma parte do poder.

— Sim… mas dúvido que você vá conseguir selar um maligno tão perigoso com só uma parte do poder de selo.

— Eu não tenho escolha. Não sei onde o sucessor do imperador está.

— Você está se referindo ao sucessor do…?

O lorde suspirou. Ele não estava suspirando porque sentia falta do imperador. Ele estava suspirando por se sentir miserável.

— O que aconteceu?

— Na verdade, a um ano atrás, uma pessoa que chegou nos níveis mais altos visitou o templo.

— … eu assumo que você esteja falando sobre um feiticeiro de alto nível?

— Sim. E ele disse que recebeu o poder do imperador.

Isso eram ótimas notícias que havia alguém que recebeu o poder do imperador, que também era um caçador de imortais, como um sucessor. Mas em vez disso o lorde parecia triste.

— … por favor me diga o que você viu.

— Ele de fato tinha o poder, mas não parecia ser uma pessoa madura que poderia ter ganho o poder. 

— Hmmm… poderia explicar o que você quer dizer com isso?

— Ele estava pedindo pelo Vento Celestial. Ele estava clamando seu direito como o sucessor do imperador…

— Vento Celestial… não é o amuleto que o imperador deixou no templo?

— Sim… mas eu não esperava que o feiticeiro iria exigi-lo tão abruptamente…

O lorde parecia chateado com a experiência que teve.

— Ele disse que iria vendê-lo e iria comprar algumas bebidas com o dinheiro.

— … quem é esse desgraçado maluco? — Zin estava visivelmente irritado enquanto gritava com raiva. Leona nunca viu Zin falar com tanta raiva antes.

O Vento Celestial não era um brinquedo para se fazer o que quiser.

Zin perguntou ao lorde de novo. 

— Então, você o deu para ele?

— Sim, eu tive que dá-lo porque ele era o sucessor de direito.

— Hmm….

O rosto de Zin ficou vermelho de raiva.

— Puta merda…

— O que é o Vento Celestial, moço?

— É o maior amuleto que um caçador de imortais pode usar. É tão poderoso quanto a minha Cavaalama.

O Vento Celestial era o amuleto do imperador, um feiticeiro de alto nível e um caçador de imortais, carregada consigo. O Vento Celestial era um dos amuletos mais poderosos que continha poder o bastante para destruir malignos. Zin se perguntou quem seria louco o bastante para vender aquilo. Mas Leona estava curiosa sobre o amuleto em si e perguntou. 

— O que tem de especial nesse amuleto que faria ele tão poderoso quanto a sua Cavaalma?

— Se um feiticeiro experiente usar, ele pode controlar o clima como quiser. 

O Vento Celestial foi feito com uma pérola de dragão, a pele de um imortal e o tendão de um vampiro. O amuleto continha o poder de um dragão e um feiticeiro de alto nível poderia conseguir um poder imenso ao utilizá-lo.

Leona não conseguia entender como o amuleto poderia controlar o clima.

— Sem chance, como isso seria ao menos possível…? — Ramphil não terminou sua sentença. Ele se lembrou do campo de força de luz azul ao redor do templo.

O Vento Celestial era usado para manter um bom clima no Castelo do Poder Celestial. O imperador usou o amuleto para chamar a chuva quando havia uma seca e para limpar o céu quando o brilho do sol era necessário.

Apesar de não haver feiticeiros de alto nível no templo para usar seu poder total, o amuleto era muito importante para o templo.

— Eu não sei. Ele mencionou seus motivos e parecia ser perdedor o bastante para fazer tal coisa. 

Não havia monstros no castelo então não dava para se ganhar lascas. E, na verdade, ninguém no castelo usava ferramentas que precisavam de energia. Eles viviam em meio a natureza sem a ajuda da tecnologia. Não era possível para o lorde pagar o feiticeiro que estava exigindo o amuleto.

No passado. 

— Eu vou deixar meu Vento Celestial aqui a fim de domar o poder da pedra do Poder Celestial. Se meu sucessor precisar do amuleto, por favor dê a ele.

O imperador falou para o lorde que ele deixaria o amuleto sob uma condição.

“Você deve entregar o amuleto não importa o motivo.”

O imperador disse que o lorde precisava dar o amuleto quando o sucessor viesse pegá-lo. Entretanto, o lorde não esperava ouvir tal razão nojenta vindo do sucessor. 

Zin estava extremamente irritado, sua cabeça encarando o chão enquanto balançava sua cabeça com raiva. 

— Tá, se o merdinha vendeu o amuleto ou não, eu já vi que ele não vai ser útil de qualquer jeito. Já é bom o bastante saber isso.

Zin estava chateado quando ouviu isso. Ele ficou em choque que o sucessor do caçador de imortais era um idiota.

— Vamos ir até o selo.

Zin não era o tipo de pessoa que ficava preso a assuntos que não eram de seu controle. Ele começou a se mover para cumprir seu objetivo principal.

Zin se levantou e o lorde seguiu-o.

— Os dois convidados também irão nos acompanhar? — O lorde perguntou a Zin e ele assentiu depois de olhar para eles.

— Não vai ser a melhor experiência, mas vai valer a pena. Sigam-me.

O lorde não tinha problema com estranhos entrando no selo contanto que Zin permitisse. Leona e Ramphil se perguntavam o que Zin tinha feito para o lorde. Apesar de Zin ser muito exigente, o lorde aceitava todos os pedidos.

O lorde pegou uma tocha que de algum jeito não parecia ser comum.  Ela exalava um odor agradável.

— Eu não estou certo se isso vai ser o bastante…

O lorde puxou a maçaneta da porta localizada atrás do templo. 

*Creeeak!*

Leona ficou surpresa com o som, fazendo com que Zin sorrisse e falasse. 

— Eu acho que nós vamos precisar substituir as dobradiças.

— Haha… mas isso nos alerta quando outras pessoas entram no templo. Às vezes, coisas velhas são melhor que as novas. Mestre caçador, você sabe que isso é verdade.

Itens velhos tinham um poder que os novos não tinham. Zin sorriu quando ouviu as palavras sábias do lorde.

— Lorde, você está mostrando sua sabedoria na frente de um velho também.

— Haha, eu mostrei, mestre caçador?

Zin e o lorde começaram a descer as escadas com Ramphil e Leona seguindo logo depois. Leona olhou Ramphil e começou sussurrar para ele. 

— Zin está falando mais como um velho depois de encontrar esse lorde.

— Eu também acho.

— … Zin é ótimo em socializar com pessoas de idades diferentes.

— De fato.

Enquanto Leona ria atrás dele, Zin suspirou. Ele pensou que era melhor ignorar a criança.

*Frrr!*

O lorde acendeu a tocha, iluminando a passagem escura. A passagem subterrânea mal tinha a largura o bastante para quatro pessoas andarem lado a lado. E a passagem era em um formato em espiral em direção ao subsolo. Leona e Ramphil não conseguiam acreditar que havia tal passagem indo para o baixo.

— Mestre caçador, você poderia por favor explicar sobre a fortuna e a maldição para o grupo?

— Sim, claro.

— Obrigado.

— Desse ponto em diante, eu proíbo vocês de fazer algo que dê azar.

Quando Zin começou a falar num tom sério, Ramphil e Leona ficaram levemente nervosos.

— Agora nós estamos entrando em um lugar muito importante. Qualquer ação azarenta, não importa o quão pequena seja, pode ferir o selo. E eu estou falando isso para que nós tenhamos cuidado com as nossas ações.

Leona queria reclamar e perguntar o motivo de Zin trazer eles aqui para começo de conversa, mas ela permaneceu em silêncio e continuou a olhar para ele.

— Não liguem outras lanternas e não iluminem outros lugares porque está escuro. Não cuspam no chão. Não arrastem seus pés no chão. Não falem a menos que seja absolutamente necessário. E você em especial Leona, não xingue. 

— Ah, tá bom…

Zin continuou a falar sobre coisas para eles evitarem. Ele disse que se alguém espirrasse, você precisava espirrar mais duas vezes em sequência. Falou sobre muitas coisas que fez Leona se perguntar se eles realmente tinham que tomar cuidado com tudo isso. Depois de Zin terminar de falar, ele começou a andar para frente.

— O…o que vai acontecer se nós cometermos um erro?

— Nada.

— … o quê? Então por que você explicou tudo isso.

— É tolice agir de um jeito que poderia possivelmente causar um desastre mesmo você sabendo que não haverá um vindo. É uma regra não escrita entre feiticeiros quando eles estão lidando com feitiçaria. E nós estamos em um lugar onde um nível poderoso de feitiçaria está agindo. Nós precisamos ser extra cuidadosos.

Zin estava falando que eles tinham que tomar cuidado apesar de que nada aconteceria. Leona não conseguia entender o que ele estava tentando dizer, mas Ramphil conseguiu entender as intenções de Zin. Ele estava dizendo que não havia mal em ser extra cauteloso. Claro, Ramphil e Leona não queriam causar um desastre e andaram com cuidado pela passagem.

Depois de um tempo, ninguém no grupo estava falando conforme seguiam a tocha na frente deles. Havia um silêncio pesado e o grupo continuou marchando. Havia uma razão para o Castelo do Poder Celestial estar no topo do solo. Leona tinha um sentimento que o Imortal estava selado no meio da rocha do Poder Celestial. Ela pensou que deveria ser mais quente porque estavam indo em direção ao subsolo, assim como daquela vez que ela entrou no lar das formigas.

Mas em vez de quente, Leona sentia um frio nos seus arredores. Ela se perguntava se ouviria a voz do Imortal, mas com sorte não sentiu nada. 

Ramphil estava pensando sobre muitas coisas diferentes enquanto  andavam pela passagem misteriosa, mas ainda suspeita bem funda na terra. Ele pensou sobre o poder do amuleto do Vento Celestial que poderia controlar o clima e o poder misterioso da feitiçaria.

Ramphil estava sempre se surpreendendo ao encontrar poderes novos e desconhecidos em suas viagens com Zin. E ele ainda estava confuso pelo fato que a Bruxa Branca foi um subproduto de um experimento Armígero. A organização Armígera, que normalmente não ligava para o que acontecia na selva, estava totalmente ciente da Bruxa Branca. 

Ramphil estava ciente de suas habilidades e posição no Armígero. Ele não tinha intenção de viver por justiça. Qualquer um dizendo que trabalhava por justiça era um idiota que sofreu lavagem cerebral pela propaganda Armígera. Não era possível viver por justiça. 

Mas Ramphil se perguntava o motivo de qualquer escolher uma vida injusta. Ele se perguntava o que o Armígero estava planejando fazer com a Bruxa Branca. A Divisão da Ásia Central conduziu experimentos em segredo, causando um conflito interno da organização Armígero como resultado. 

Ramphil estava mais afiliado a Divisão da Ásia Central do que ao QG. O Senhor da Guerra Ramzier que dava ordens para Ramphil estava sob controle da Divisão da Ásia Central. Ramphil não tinha razão para viver uma vida justa, mas ele considerava sem sentido viver uma vida má. 

Enquanto pensava sobre a Bruxa Branca, ele percebeu que ela só mais uma vítima. 

A Bruxa Branca saiu a solta matando pessoas porque estava furiosa com os experimentos que fizeram nela. Ramphil se perguntou se era certo caçar a Bruxa Branca. 

A Bruxa Branca foi criada por causa do Armígero e essa mesma bruxa matou muita gente. Quem podia dizer que isso não era culpa do Armígero?

Alguns dias atrás, Ramphil matou os Salteadores que colocaram uma família na jaula porque se sentiu enojado. Entretanto, agora que ele descobriu o que o Armígero fez, ele se perguntava como a organização deles era diferente dos Salteadores. 

Se a ordem não era ética ou se o QG era corrupto, o que um soldado deveria fazer?

— Ramphil!

— !

Ramphil levantou seu queixo quando ouviu o grito. Ramphil percebeu que ele estava deitado no chão e Zin estava segurando ele. O lorde estava balançando a tocha ao redor dele vigorosamente. A escuridão estava gritando conforme a luz iluminava a área ao redor de Ramphil.  Ele ficou atônito ao ver a escuridão fugir da luz. 

— Gwaaaaahahhahahaha!

Conforme o lorde balançava a tocha, a luz rasgava a escuridão e Ramphil continuou a assistir a cena. E logo depois, Zin gritou de novo. 

— Acorde!

*Tapa!*

Leona estapeou o rosto de Ramphil com toda a sua força. Ele lentamente se levantou, sua bochecha  vermelha. 

— Por que… por que eu estou deitado?

— Possessão. Nem mesmo um minuto se passou. Levante-se. 

— Todos os tipos de espíritos estão vagando porque o Vento Celestial não está aqui…

— Nós não podemos fazer muita coisa sobre isso.

O lorde suspirou se sentindo angustiado. Em uma fração de segundo, Ramphil foi possuído por um espírito maligno. Leona agarrou sua garganta e checou ele aqui e ali. 

— Você está bem. 

— Sim, exceto pela minha bochecha. — Ramphil esfregou sua bochecha e se levantou.

— Foi breve, mas você foi possuído. Seu corpo poderoso pode estar a salvo de tiros, mas não é imune a possessões. 

— Eu sei disso… mas nunca experimentei isso na minha vida…

Vindo da fortaleza de Seoul, Ramphil era parte da tropa de contra-ataque de espíritos. Ele estava acostumado a lutar contra fantasmas e espíritos, mas ele nunca foi possuído antes. 

— É porque você só encontrou fantasmas grandes que só atacavam com força total. Você provavelmente nunca encontrou um espírito astuto e furtivo. 

Ramphil estava se sentindo desorientado, mas o grupo estava seguro já que o lorde assustou os espíritos. 

— Essa criancinha salvou você. Você devia agradece-la.

— O quê? Eu?

Conforme Zin explicava como Ramphil estava a salvo, era Leona que ficou surpresa, não Ramphil. 

— O espírito que possuiu Ramphil fugiu porque você gritou. 

Leona sabia do que Zin estava falando. Ramphil perdeu sua consciência e caiu no chão e assim que Leona gritou com Ramphil, isso assustou o espírito e ele fugiu por causa do poder da bruxa. 

— Obrigado… obrigado…

Ramphil agradeceu e ele não conseguia acreditar que ela o salvou. Leona coçou sua bochecha já que ela não esperava ouvir Ramphil agradece-la.

— Você só deu azar. Você tá bem agora, isso que importa.

Leona riu e Ramphil também sorriu enquanto tentava encontrar o equilíbrio de seu corpo. Com sorte, Ramphil foi possuído por um período muito curto de tempo e não havia problemas com seu corpo. 

— Isso foi incrível. Eu só consegui afastar os espíritos, mas ela conseguiu assustá-los com um único grito…

O lorde ficou maravilhado ao ver o poder de uma bruxa pela primeira vez em sua vida.

Erudhir
"Se olhar ao redor e não souber quem é o alvo, então o alvo é você."

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!