CdMD – Capítulo 80

Sucessor do Imperador – parte 2

No dia seguinte, o trio foi até a floresta para deixar o Castelo do Poder Celestial. Os residentes do castelo continuavam com seus trabalhos e brevemente se despediram deles.

Foi uma resposta amigável, mesmo que reservada. Os residentes pareciam prontos para acolhê-los de volta e ao mesmo tempo, não pareciam ligar se nunca mais voltassem.

Só o lorde do castelo saiu para se despedir. Ele tirou um bloco de madeira chapeada. 

— Isso…

— É uma bússola dos Oito Diagramas. 

Era um dispositivo compacto que era similar aos Oito Diagramas. Pessoas o usavam para detectar o feng shui em uma região particular. 

— Ele não consegue detectar a área de forma tão precisa quanto o Oito Diagramas, mas vai reagir a qualquer sinal de feitiçaria ou espíritos malignos. O dispositivo vai te avisar, mestre caçador, se houver qualquer armadilha ou perigos na frente relacionados a feitiçaria.

O dispositivo não conseguia detectar detalhes menores como os Oito Diagramas, mas a bússola ainda era uma ferramenta ótima para reagir a feitiçaria próxima.

Zin ficou maravilhado enquanto olhava para a bússola.

— A feitiçaria do templo se tornou bem avançada.

— Haha, nós não temos muito mais coisa para fazer aqui. Eu te desejo uma jornada segura, mestre caçador.

— Eu agradeço. Vou dar uma surra naquele idiota e trazer de volta o Vento Celestial.

— Isso não é muito necessário. Bom, então, nós vamos começar as rezas hoje…

O lorde se afastou do trio e Zin colocou a bússola no bolso.

— Então é tipo uma bússola.

— Sim. 

A bússola dos Oito Diagramas era certamente um dispositivo útil.

— Vamos lá. 

Os três começaram a correr pela floresta e alcançaram o penhasco mais uma vez. Leona se sentou no chão e encarou o fim do penhasco.

— Ah, véi… aí véeeeei. — Leona começou a entrar em pânico. 

Era um penhasco com uma queda sem fim e ela não conseguia ver o chão. Subir pode ter sido fácil, mas descer parecia maluquice. Entretanto, Ramphil e Zin começaram a se preparar para descer.

— Ah, véi… fala séeeeeerio…! — Leona gritou e estava prestes a chorar, mas Ramphil e Zin simplesmente ignoraram.

Ponto da Erva Daninha.

Era uma vila pequena com umas cem pessoas vivendo lá. Entretanto, a vila tinha todas as necessidades para a sobrevivência. A terra era fértil e havia muitas casas construídas nas ruínas. Havia um  rio passando por perto, o que significava uma fonte abundante de água potável.

A muralha de lixo ao redor da vila servia como defesa dos inimigos e os guardas estavam armados com fuzis brutos. As defesas eram fortes o bastante para afastar os Salteadores ou monstros. A vila não era o melhor lugar, mas era considerado um ótimo lugar para o pouco mais de cem pessoas que viviam lá. 

A vila só não tinha energia, assim como mão de obra insuficiente para caçar monstros lá fora. A vila não podia arcar para ligar suas lanternas durante a noite e o problema só ficava pior já que ninguém saía do Ponto.

— Eu espero que os caras do Grupo não apareçam…

Um dos residentes da Erva Daninha murmurou, se sentindo preocupado. Os outros residentes começaram a falar também. 

—  Para que eles viriam aqui? Por qual razão viriam incomodar nossa vila pobre…?

— Você acha que eles vão matar pessoas para roubar coisas? Eles matam porque há pessoas vivendo lá.

— Mas eles não podem estar interessados nesta vila. Só que as outras acabaram atacadas pelo Grupo.

— Que sorte…

Baseado na conversa dos residentes, parecia que a região norte estava totalmente ocupada pelo bando de Salteadores chamado de o Grupo. E o Grupo estava expandindo seu território continuamente. Os dois homens sentados na rocha olharam para um bêbado cambaleando.

— Cara, o que os fantasmas estão fazendo? Por que eles não levaram aquele cara ainda?

— Ele deve ter bebido muito.

— Que vida miserável. Ele ainda parece jovem.

O jovem tinha um cabelo longo e seus olhos estavam desfocados. Ele não estava andando direito visto que parecia bêbado. Ele estava carregando uma bolsa de couro em sua mão direita e conforme cambaleava para frente ele bebia álcool de sua bolsa.

Todos no Ponto falariam disso, implicando que o bêbado era o maior problema na vila. 

Ele só sabia como fermentar grãos para fazer álcool e as pessoas não estavam felizes que ele estava usando grãos preciosos para fazer álcool. Mas o jovem colheu seus próprios grãos, então as pessoas não podiam culpá-lo diretamente. Ele era bem estranho, tanto que os residentes não sabiam o que fazer com ele. 

— É meio incrível que ele saiba como cultivar a terra tão eficientemente. 

— Eu sei. Seria incrível se apenas ele parasse de beber.

Apesar do jovem bêbado parecer que mal trabalhava na terra, sua terra sempre possuía uma colheita farta. O homem até doava uma parte para o armazém comum. Exceto pelo seu hábito de beber demais, ele fazia todo o resto direito.

Os residentes iriam sugerir que ele parasse de beber, mas ele sempre recusava e dizia, “Como eu vou viver um dia sequer nesse mundo maldito sem beber?”

O homem estava firme e as pessoas não conseguiam continuar repreendendo-o. 

O jovem chegou na vila a uns dois anos atrás. Inicialmente, ele pediu por um pedaço de terra onde pudesse plantar e os residentes aceitaram ele na vila. Mas em algum ponto, ele começou a fazer álcool e não parava de beber. Houve muitos incidentes envolvendo sua embriaguez, mas as pessoas desistiram dele no fim.

Apesar dos residentes odiarem sua embriaguez, eles o aceitaram como um deles já que ele era diligente em seu trabalho na terra. Eles cuidavam dele e ocasionalmente iriam checá-lo se não o vissem por alguns dias. Eles eram gratos que o homem era viciado em drogas baratas. Na verdade, alguns aldeões iriam visitar sua casa para beber juntos.

Os residentes da Erva Daninha ambos odiavam e gostavam do jovem ao mesmo tempo.

— Hmm…

— Bom…

Parecia que os dois homens estavam esperando conseguir uns copos do jovem.

O bêbado entrou cambaleando em sua cabana e se deitou no chão. O cheiro de fermento enchia seu quarto. Ele pegou alegremente um balde de álcool da jarra e o bebeu. O homem vivia como queria e parecia ser bem excêntrico já que não era muita gente que bebia nesse mundo apocalíptico.

— Kaaaah… — O homem terminou sua bebida e começou a se sentir tonto. Com seu rosto vermelho de tanto beber, ele estava pronto para dormir.

Entretanto, o bêbado estava sempre pensando sobre algo.

— Você parece confortável demais. Não há tempo para beber o dia inteiro.

— Ah, qual o problema mana? Está tudo bem. Você devia relaxar e curtir sua vida.

— Seu maldito desagradável. Foi tolice da minha parte esperar algo de você. 

— Hahaha, o que você esperava? Só vá com o fluxo. Nada nunca muda nesse mundo. Por que você tenta tanto? Por que você se preocupa tanto?

— Você não tem intenção de alguma de herdar a relíquia?

— Bom. Eu não preciso de um item que parece inútil.

—Então, dê para mim.

— Infelizmente, eu não posso por causa da promessa com o mestre. E eu nem tenho ele.

— Você sempre usa o mestre como uma desculpa.

— Haha… e isso é novidade? De qualquer jeito, gostaria de um goró?

—Phew… eu não quero mais falar com você. Parece que você vai morrer nesse lugar de tanto beber. Eu estou saco cheio de você.

— Se cuida, mana. Eu não vou me levantar e me despedir de você.

Quase um ano se passou desde que ele viu ela. Seus olhos estavam fervendo com ambição e ganância. O homem pensou que era melhor viver como um tolo. Conforme o homem estava prestes a cair no sono, a porta da cabana se abriu.

*…Creeeeeeaaaaak…*

A dobradiça da porta rangeu e alguém que o bêbado não reconhecia entrou na cabana. 

— … você realmente parece patético.

O homem com um casaco preto parecia um caçador e ele não parecia mesmo amigável. O bêbado coçou seu estômago e se sentou contra a parede. Em resposta a hostilidade do visitante, o rosto do bêbado ficou sério. O jovem começou a falar em um tom hostil.

— A vila não gosta de visitantes.

— Os residentes com certeza me acolheram.

Os residentes acolheram os companheiros do visitante depois que eles deram algumas lascas para as pessoas. Mas o bêbado falava como se não ligasse.

— Isso é problema dos aldeões.

O jovem continuou a encarar o visitante conforme ele parecia ficar mais sóbrio.

— Se você conseguiu chegar na vila ao passar pela Feitiçaria de Disfarce que foi colocada na entrada, com certeza você não é bem-vindo.

O Ponto da Erva Daninha permanecia seguro do Grupo porque os Salteadores não conseguiam encontrar esse lugar. O jovem ativou a Feitiçaria de Disfarce a fim de manter a vila segura de ataques. 

Naturalmente, ninguém visitava a vila e o visitante na frente do jovem era alguém que conseguiu encontrar a vila escondida. Dessa forma, o jovem não podia acolher o caçador misterioso na frente dele.

— Como você encontrou o “Portão da Vida”?

A Feitiçaria do Disfarce criava vários portões e todos eles levavam até o “Portão da Morte”. A fim de chegar no “Portão da Vida”, você precisaria evitar os quatorze “Portões da Morte”. Seria impossível alguém encontrar o da vida por acidente.

— Eu sei um pouquinho de feitiçaria também.

O caçador estava dizendo que ele sabia como resolver o truque por trás da Feitiçaria do Disfarce. A bússola dos Oito Diagramas ajudou muito Zin, mas ele não iria mencionar isso para o jovem.

Zin se sentou na frente do bêbado e encarou ele. O jovem estava completamente sóbrio nesse ponto.

— Você é o sucessor do imperador e o feiticeiro de alto nível?

Zin parecia pronto para quebrar o pescoço do jovem se ele desse uma resposta idiota.

O jovem ficou espantado ao ouvir a palavra imperador vinda do visitante. 

Zin analisou a cabana fedida e estalou sua língua enquanto olhava para o bêbado na frente dele.

— Você parece um beberrão. Imprestável.

— … o que você quer?

— Eu ouvi que você pegou o Vento Divino. Dê ele para mim.

— Você deve ter ido até o templo do Poder Celestial.

O bêbado lentamente se levantou e se virou de costas para Zin.

— Eu vendi ele muito tempo atrás para pagar umas bebidas.

— Você acha que eu estou de brincadeira aqui?

*Pow!*

— Arggh!

Zin pegou ele pelo pescoço e forçou ele contra a parede. A cabanavelha começou a balançar e poeira caiu do teto. Zin estava puto e pronto para matar o homem. 

— Certo… eu vou te dar mais uma chance.

*Bam!*

— Aíiiiii!

Zin jogou ele para longe e o homem rolou no chão. O jovem parecia ser um bêbado e ele não parecia mesmo um feiticeiro de alto nível.

— Eu preciso do poder de selo.

— Do que você tá falando? Para que raios você precisaria do poder de selo…?

— Você se chama de feiticeiro de alto nível e nem sabe o que está acontecendo nesse mundo?!

Zin estava extremamente irritado.

Apesar do jovem não ser como Zin, ele era uma pessoa de grande poder. Zin estava tratando o jovem de forma diferente das outras pessoas.

Zin estava furioso que uma pessoa com grandes poderes estava desperdiçando suas habilidades. O jovem nem era um vilão, mas sim um bêbado.

Então, algo inexplicável aconteceu depois.

Zin pegou o jovem e arremessou ele para fora da cabana. Sentando perto dele, Zin queria que o jovem sentisse o que estava acontecendo no mundo. Fazia um tempo desde que o jovem realizou algum feitiço poderoso.

O céu estava claro e o jovem focou quietamente sua atenção para sentir a energia no céu. Em um instante breve, ele sentiu como se uma adaga perfurasse seu coração.

Estrela do Desastre!

Uma energia hedionda que nunca foi vista antes rodopiava no céu.

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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