CdMD – Capítulo 82

Quebrando um Velho Hábito – parte 1

A identidade do líder do Grupo não era importante. No momento, Zin precisava ganhar o poder de selo para lutar contra a bruxa.

Havia muitos loucos varridos no mundo e ele sabia que não tinha tempo para desperdiçar lidando com eles. Zin imediatamente pediu para Cho-Yul trazer o Vento Celestial até ele. Cho-Yul obedeceu e correu até a cabana. 

Depois de alguns minutos, ele voltou.

— Esse é o Vento Celestial? — Zin perguntou.

— Sim.

Cho-Yul trouxe um leque de bambu sem o pano. O leque só tinha o corpo do bambu restando e o corpo em si estava coberto por teias de aranhas. Era um leque inútil. 

Um item era difícil de fazer, mas fácil de quebrar. O Vento Celestial não era exceção. O amuleto não foi cuidado apropriadamente e foi maculado quando várias pessoas usaram ele. O Vento Celestial se tornou um pedaço de lixo inútil.

— Sinto muito. Eu não esperava que isso fosse acontecer. — Cho-Yul curvou sua cabeça e se desculpou. Era uma pena que o amuleto foi arruinado, mas ao mesmo tempo, não era grande coisa. 

— Dizer que sente muito não é o bastante. — Zin respondeu. 

— Uhn?

— Você precisa se responsabilizar. 

Apesar do amuleto estar arruinado, Cho-Yul ainda era um feiticeiro habilidoso.

— Você vai vir comigo até o templo e exorcizar o Espírito Traiçoeiro. — Zin ordenou. Felizmente, ele encontrou uma solução alternativa. 

Quando Cho-Yulouviu as palavras de Zin, ficou sério. 

Enquanto Zin estava dando um esporro em Cho-Yul, Ramphil e Leona estavam comendo em um restaurante. Eles tinham rações-C, mas pensaram que podiam fazer um favor para as pessoas da cidade ao gastar algumas lascas. Apesar dos residentes esperarem ganhar algumas lascas, a maioria não se aproximou de Leona e Ramphil.

Ramphil usava um uniforme Armígero e tinham um veículo armado. Leona e Ramphil obviamente assustavam eles. As pessoas da cidade estavam alarmadas, mas ficaram com menos medo quando viram os dois comerem e pagarem a conta com as lascas sem causar qualquer problema. 

Zin encontrou com Leona e Ramphil sem trazer Cho-Yul.

— Como foi a conversa? — Leona perguntou Zin.

— Boa. Provavelmente, nós não vamos poder usar o amuleto, mas em vez disso ele vai nos ajudar.

Não era muito problemático para Cho-Yul  viajar até o Castelo do Poder Celestial e voltar em alguns dias. Sua única preocupação era que SoSeoLan pudesse estar à espreita na área ao redor. Entretanto, ele não estava com medo o bastante para ignorar o pedido de Zin. 

Zin pensou que Cho-Yul era um tolo e covarde. Ele esperava que recusasse. No final das contas, Cho-Yul era uma pessoa que viveu em medo a despeito do poder que ele tinha. 

Zin estava pronto para levá-lo a força se ele se recusasse. Quando ele pediu para Cho-Yul ir ao templo, o jovem ficou sério.

— Pode me dar um dia para pensar no assunto?

Zin não esperava ouvir isso. Cho-Yul queria um tempo para se preparar para voltar.

— Ele disse que um dia seria o bastante. Então, vamos esperar e ver. — Zin disse. Ramphil e Leona assentiram. Havia muito lugar para eles dormirem, como o veículo armado ou nos prédios vazios da vila.

As pessoas da Erva Daninha estavam curiosas quanto o motivo de três forasteiros irem até a vila deles, mas ninguém perguntou diretamente. Eles estavam cautelosos para não ofender os forasteiros, porque sabiam que aquele veículo armado de aparência monstruosa podia destruir a vila toda.

Zin era um homem mão de vaca, mas ele gastaria às vezes algumas lascas sem pensar duas vezes. Ele foi até alguns residentes que estavam evitando os três.

— Há algum lugar para nós ficarmos? — Ele perguntou a eles.

— Uhn? Ah… nós vamos precisar perguntar ao nosso líder, mas vocês podem ficar em qualquer prédio vazio. 

— Obrigado.

Havia muitos prédios vazios e não havia problemas se o trio dormisse em qualquer um deles. Zin não tinha medo de gastar lascas quando precisava, mas se recusava senão fosse necessário.

Os residentes da Erva Daninha consideraram Cho-Yul o bêbado como um forasteiro. Ele não tinha amigos próximos e os residentes o tratavam como um tolo. Ninguém prestava muita atenção nele porque ele estava bêbado a maior parte do tempo.

Dessa forma, um forasteiro visitando ele era estranho. Alguns residentes foram até sua cabana perguntar sobre o forasteiro, mas Cho-Yul fechou a porta e não respondeu ninguém.

Ele estava sóbrio, montou uma mesinha e se sentou no chão. Perto dele havia um saco feito de feno que estava cheio de arroz. Ele geralmente usava o arroz para fazer álcool ao adicionar fermento, mas dessa vez, não ia fazer isso.

Cho-Yul pegou um punhado de arroz.

*Whoosh!*

Ele jogou o punhado de arroz na mesa e contou o número de grãos antes de varrê-los da mesa. Então, pegou outro punhado de arroz.

*Whoosh!*

Ele continuou a repetir essas ações.

Cho-Yul usou o arroz para ver sua sorte. Ele continuou jogando o arroz até o saco ficar vazio. Nesse momento, o chão estava coberto de arroz e a lua estava alta no céu. Cho-Yul estava coberto de suor

O resultado da adivinhação é sempre preciso.

Seu mestre, Goo-Yun, disse isso enquanto ensinava feitiçaria a Cho-Yul.

É uma questão de como os resultados são interpretados.

Sempre que alguém via sua sorte várias vezes, eles conseguiriam três padrões diferentes. Os grãos de arroz podem se espalhar em padrões diferentes, mas se eles puderem ser interpretados de forma correta, pode-se obter o mesmo resultado. Um feiticeiro conseguiria ler o ponto chave.

De acordo com Goo-Yun, um feiticeiro habilidoso poderia interpretar o resultado da adivinhação de forma precisa. Cho-Yul tentou interpretar a adivinhação que ele fez. SoSeoLan também era uma feiticeira excelente, então eles tinham algo em comum.

Eles não acreditavam na Vontade do Céu. Entretanto, havia uma leve diferença entre eles. SoSeoLan tomava ações para provar que a Vontade do Céu não mandava no mundo. No outro lado, Cho-Yul se escondia dela a fim de zombar e negar a Vontade do Céu. Ele zombava dela ao permitir que um feiticeiro habilidoso se escondesse do mundo.

Cho-Yul e SoSeoLan negavam a existência da Vontade do Céu. 

Mas, as coisas mudaram. Um caçador de bruxas visitou Cho-Yul e pediu um favor para ele. A Vontade do Céu achou seu caminho até Cho-Yul, incitando ele a fazer algo. Ele se perguntava se precisava fazer algo por causa disso. 

Cho-Yul realizou duas adivinhações. Ele queria ver o que aconteceria se seguisse ou não caçador.

O resultado para quando ele seguia era estranho. Seu destino se entrelaçava com o de outra pessoa e desaparecia. Ele aparentemente seguiria o caminho de alguém . 

Cho-Yul percebeu que se saísse da vila, não voltaria. Seria um ponto de mudança em sua vida. 

Que resultado interessante. 

O resultado de ambos o surpreendeu e maravilhou.

— Eu vou morrer em um lugar perigoso. — Cho-Yul disse lentamente, lendo a sorte. 

— Eu vou viajar com alguém que vaga, então não vou morrer pacificamente em uma cama. Vou viajar com uma pessoa que não é um ser humano e vou encontrar Espíritos Traiçoeiros onde quer que eu vá. Vou trilhar um caminho cheio de perigo. Não há necessidade de ler mais. 

Cho-Yul iria evidentemente viajar para lugares onde não havia nada além de perigo e dor. O resultado da sorte implicava fortemente sua morte. 

Quando ele saísse da vila, não haveria como voltar. Morte o esperava no fim da jornada. Escolher esse caminho seria uma coisa tola de se fazer. O resultado de ficar na vila era simples. Ele continuaria vivendo uma vida sem sentido.

Havia duas opções na frente dele: um oceano tempestuoso desconhecido ou uma selva sem nada. A adivinhação foi realizada a fim de evitar perigos e buscar a sorte. Dependendo da seleção, a sorte de uma pessoa mudaria. 

Cho-Yul podia continuar vivendo como um bêbado. Ele podia se esconder e ficar a salvo mesmo quando a Estrela do Desastre acertasse o mundo. Entretanto, quando o mundo fosse coberto com desastre, ele não teria lugar para fugir.

— …

Depois de interpretar muitas sortes, ele começou a ler aquelas das outras pessoas que se envolveriam em sua vida. Conforme interpretava os resultados complexos e conflitantes, ele começou a chorar em silêncio.

Apesar dele acabar morrendo no final do caminho, ele percebeu que tinha que ir embora.

— Eu posso me esconder das ondas de destruição, mas não terei lugar para ir no fim. — Cho-Yun soluçou quando percebeu que ninguém pode correr de seu próprio destino.

Tomar uma decisão era impossível. Apesar de Cho-Yul ter decidido viver uma vida na qual poderia fazer álcool num lugar desolado, ele não estaria a salvo do desastre iminente que a Estrela do Desastre claramente prediziu.

Mesmo se escolhesse viver como um perdedor, ele percebeu que não poderia escapar de seu destino. Cho-Yul sabia que inevitavelmente encontraria sua companheira estudante, SoSeoLan. 

Cho-Yul não podia fazer nada além de chorar.

Depois de um bom tempo, ele se levantou resoluto, acreditando que essa era a sua primeira e única oportunidade de lutar de volta. Ele não esperava mudar o mundo. Depois de tomar a decisão de prosseguir, ele não podia ficar parado.

— Phew!

Cho-Yul arrastou a jarra de álcool que ele estava guardando em sua cabana. Já que não estava na melhor forma, ele tinha problemas em carregar tal coisa pesada. Depois dele deixar ela no jardim, ele voltou para dentro e trouxe outro.

Ele estava suando e tremendo e começando a se cansar. As três jarras grandes eram coisas que o confortam. 

Ele conseguia beber seu pesar. Todas as jarras estavam no jardim na frente da cabana. Cho-Yul trouxe seu travesseiro de pedra e o levantou. 

— Haaaaah!

*Clang! *

Sem hesitar, ele balançou o travesseiro no primeiro jarro e o quebrou. O álcool derramou quando o jarro quebrou. Cho-Yul prosseguiu para o próximo e o esmagou também. 

— Haaah!

*Pow!*

O segundo jarro também se despedaçou. O cheiro de fermento e álcool permeou o lugar. Sem prestar atenção ao álcool jorrando, ele quebrou o terceiro jarro.

*Bam!*

Álcool fluía dos três jarros quebrados e Cho-Yul os virou de ponta cabeça para despejar o álcool sobrando.

— Huff… Huff…

O álcool molhava o chão todo. Cho-Yul jogou o travesseiro fora e assistiu a cena em silêncio.

O bêbado do Ponto da Erva Daninha quebrou todos os seus jarros de álcool no meio da noite quando ninguém estava perto.

Cho-Yul  estava molhado com suor e álcool.

Então, ele começou a rir como nunca riu antes em sua vida.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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