CdMD – Capítulo 83

Quebrando um Velho Hábito – parte 2

No próximo dia, Cho-Yul saiu de sua cabana com um comportamento novo e diferente, surpreendendo os residentes da Erva Daninha.

— Aquele não é o jovem que ficava bêbado o tempo todo?

— Acho que sim.

Havia um motivo para eles ficarem surpresos.

O Cho-Yul que costumava andar cambaleando com um passo de bêbado estava andando direito. Seu cabelo não estava mais bagunçado ou com sua aparência suja.  Ele tentou arrumar seu cabelo e aparentar ter tomado um banho. A despeito de usar seu traje cinza velho, ele parecia bem atento.

Mais do que tudo. Cho-Yul efetivamente se aproximou e cumprimentou seus vizinhos em vez de ignorá-los como antes.

— Senhor, eu me desculpo pelas coisas que fiz durante minha estadia.

— Huh? O que? Você é realmente o Cho-Yul que eu conheço?

— Sim. Eu vou ir embora da vila e partir numa jornada longa e gostaria de me despedir. 

Cho-Yul não parou em uma pessoa só. Ele visitou cada pessoa na vila e os cumprimentou. 

Todas as pessoas que ele visitou desejaram a ele boa sorte em sua viagem. Muitos dos residentes ficaram surpresos com sua partida repentina. Eles não esperavam que ele fosse mudar tanto em só um dia. 

Os residentes logo perceberam que a mudança repentina dele era por causa dos forasteiros. Quando muitos deles ouviram falar que ele se tornou um homem diferente, perguntaram o que tinha acontecido.

— Tenho que resolver um assunto. — Cho-Yul respondia. Porém, não entrou em detalhes. Cho-Yul visitou o líder da vila por último. O homem de meia-idade se levantou quando viu um Cho-Yul diferente entrar em sua casa.

— Cho-Yul, o que está acontecendo?

— Eu vim me despedir, senhor.

O líder ouviu muitos pedidos dos residentes para expulsar Cho-Yul antes, mas ele se recusava a fazê-lo porque não haveria outro lugar na selva para Cho-Yul ir. Apesar do líder ocasionalmente repreender ele, Cho-Yul podia viver na Erva Daninha por causa do cuidado que o líder dava a ele. 

Antes do líder pudesse impedi-lo de ir, Cho-Yul falou.

— Minha verdadeira identidade é de um feiticeiro.

— O quê?!

— O Grupo não consegue encontrar essa vila e estão confusos porque fiz um feitiço. Eles passaram pela vila pelo menos quatro vezes hoje.

— !

Ele começou a explicar o tópico da feitiçaria e os detalhes por trás de seu feitiço para o líder, que não sabia nada do assunto. 

— Você deve proibir todos de saírem da vila. Você não vai conseguir usar lascas por um tempo. Mas a área de efeito da Feitiçaria do Disfarce é de pouco mais de um quilômetro de raio. No momento, vocês vão ter que encontrar um jeito de sobreviver só cultivando vegetais.

Cho-Yul também adicionou que seria melhor se os aldeões ficassem escondidos até o poder do Grupo diminuir. O líder ainda estava chocado, incerto se Cho-Yul estava contando a verdade.

Se o que disse era verdade, isso significava que ele protegeu a vila dos Salteadores.

Havia outras coisas que o líder achava estranho. O clima na Erva Daninha nunca foi bom e a vila sempre sofreu de problemas com comida. Entretanto, nos dois anos desde que Cho-Yul chegou, a colheita foi farta. As pessoas podiam colher mais comida e não ligava se Cho-Yul estava fazendo álcool com o excesso de grãos.

A vila também foi abençoada com um clima ótimo pelos últimos dois anos. As pessoas eram gratas pelo clima ótimo.

— Foi você que… — O líder começou.

— Não é grande coisa para mim controlar o clima. De qualquer jeito, obrigado pelos últimos dois anos que você me permitiu ficar aqui.  

O líder percebeu que o bêbado pé no saco na verdade era a pessoa mais importante da vila. Aquele bêbado também estava prestes a ir embora.

Ele não conseguia falar enquanto via Cho-Yul se virar e ir embora. Ele se transformou em uma pessoa diferente.

——-

— Eu estou pronto. — Cho-Yul disse enquanto ele se aproximava do trio. 

— Por que você ficou andando por todo lugar? Você parecia estar se despedindo pela última vez. — Zin o repreendeu.

— Um relacionamento pessoal deve ser levado a sério. — Cho-Yul não disse a Zin sobre o resultado de sua adivinhação e Zin não perguntou. Mesmo assim, ambos sabiam de algo que Leona e Ramphil não.

Cho-Yul se decidiu, ele iria partir de vez da vila. Zin podia ler mais ou menos a determinação de Cho-Yul. Já que ele estava preparado para a jornada longa deles, Zin não fez mais perguntas.

— Agora você parece um feiticeiro de verdade. — Ele comentou.

— Obrigado. — Cho-Yul respondeu com um sorriso.

O grupo cumprimentou uns aos outros brevemente. 

— Você é do Armígero? Eu sou Cho-Yul. Prazer em te conhecer. — Cho-Yul não ficou com medo de Ramphil que vestia um uniforme Armígero. Ele esticou sua mão, a qual Ramphil pegou em cumprimento.

— Eu sou um executor temporário, Ramphil. Prazer em te conhecer também. — Ramphil respondeu.

— Eu sou Leona. — Leona disse.

— E uma bruxa. — Ramphil adicionou abruptamente.

— Huh, o quê? — Cho-Yul ficou surpreso pelo comentário repentino.

— Por que você falou sem nem me perguntar? — Ela se virou para Ramphil, que só deu de ombros.

— Você não me falou porque eu não perguntei. E estou contando para Cho-Yul para ele não ser pego de surpresa.

— … seu perdedor. Depois de tanto tempo ainda tá puto com isso?

— Sim. — Ramphil disse como se fosse óbvio.

— E-espera um pouco… pode me explicar em mais detalhes? — Cho-Yul perguntou, extremamente surpreso. Ele não conseguia entender como uma bruxa podia estar viajando com um caçador de bruxas. Cho-Yul olhou para Zin, que suspirou.

— Vamos. Eu explico no caminho. 

Depois de ouvir a história longa, Cho-Yul assentiu. 

— Agora entendi.

Havia muitas histórias que se entrelaçaram. Cho-Yul conseguia entender agora o sentido da sua adivinhação. Ele percebeu que o caracter “dano” que apareceu era na verdade Leona, uma bruxa. Muitos anos se passaram desde que os malignos rondaram essa terra. Pessoas esqueceram o que um maligno era. Eles conheciam a palavra “maligno”, mas esqueceram o que isso significava. Cho-Yul, o descendente de um caçador de malignos, também esqueceu do ódio que as pessoas sentiam por um maligno. Ele ficou surpreso que a criancinha na frente dele era uma bruxa, mas não achava que ela devia ser morta.

— Leona, você consegue usar seus poderes de bruxa? — Cho-Yul perguntou respeitosamente.

Sua atitude extra-educada fez ela se sentir estranha. 

— Ei, você pode falar mais naturalmente? Me senti mó estranha. — Leona não gostava de falar formalmente e preferia conversar de forma natural com Cho-Yul.

— Eu me sinto mais confortável falando assim, mas você pode falar como quiser. — Ele respondeu.

— … você é irritante de um jeito diferente do Ramphil. — Ela comentou.

— Bom, nós somos um grupo de estranhos, então o que você esperava? — Zin entrou na conversa.

— E você é um desses estranhos, moço. — Leona se virou para olhar para ele.

— Nem. — Rejeitou curto e grosso.

— Moço, você sabe que é o mais estranho de todos nós.

Não havia nada mais especial do que um caçador de malignos que viveu por mais de duzentos anos. Zin riu enquanto Leona o repreendia enquanto Cho-Yul olhou maravilhado com o caçador de malignos e a bruxa discutindo.

No passado, era dito que um caçador de malignos era tratado como um maligno.

O caçador de bruxas na frente dele era um dos caçadores de malignos considerados como implacáveis. Cho-Yul não conseguia imaginar facilmente o atual Zin como sendo um deles.

Depois de zoar com Zin um pouco, Leona olhou para Cho-Yul.

— Ah, você perguntou sobre o poder da bruxa, certo? Eu não sei como usar. 

— Você não sabe?

— Às vezes, eu sinto o poder dentro de mim, mas é muito difícil de controlar.

Cho-Yul assentiu enquanto Leona explicava sobre seus poderes. era sua primeira vez encontrando uma bruxa. Ele estudou sobre elas antes, mas nunca conheceu uma.

Zin era a única pessoa que encontrou malignos e até caçou eles. 

— Ela é um pouco lerda e burra, então você vai ter que aguentar ela. — Zin brincou.

— Eu sei que você tá me zombando. Pode parar moço. — Leona fez beicinho. 

— Haha… calma gente. Eu não queria criar uma briga aqui… — Cho-Yul pensou que era sua sorte que a bruxa não conseguia controlar seus poderes totalmente.

Zin olhou para cada membro do grupo e pensou sobre como eles trabalhariam.

— Que grupo Parece que o fim do mundo chegou. — Ele murmurou depois de um tempo.

Cho-Yul tinha suas dúvidas sobre viajar junto com eles, se perguntando exatamente o que aconteceria. Entretanto, o pensamento não aterrorizou ele porque já havia se decidido a ir nessa jornada.

Um grupo composto de um executor Armígero, um caçador de bruxas, uma bruxa e um feiticeiro de alto nível estava pronto para viajar. O veículo armado começou a se mover pelas planícies.

—-

— Foi uma boa decisão me juntar a vocês. — Cho-Yul mencionou quando viu a pilha de latas de ração-C. Ele experimentou vários tipos de comidas e doces novos e ficou maravilhado com a luxúria. Ele pensou sobre como as refeições ficariam muito melhor com uma garrafa de álcool, mas se ele bebesse uma gota sequer, Zin o espancaria.

— Eu ainda não aceitei você como um membro do grupo oficialmente. O que te faz pensar que você vai viajar com a gente? — Zin olhou para ele com uma careta. 

— Essa é a vontade do céu, grão-mestre. — Cho-Yul respondeu.

— Típico de feiticeiros, sempre usando isso para responder a tudo. — Zin suspirou. 

Muitos feiticeiros se referiam a vontade do céu para explicar qualquer evento ou ação. Não dá para ganhar num argumento com um feiticeiro quando ele fala da vontade do céu. 

— O mundo da feitiçaria é profundo e misterioso. Apesar de você discordar, as coisas vão acontecer como o céu quer, grão-mestre. 

— Você só aprendeu essa merda do seu mestre?

— Haha, minhas desculpas. Isso é tudo que eu aprendi, grão-mestre.

— Vocês feiticeiros… — Zin balançou sua cabeça quando ouviu isso.

Leona e Ramphil olharam maravilhados com a conversa deles.

— Tá bom, certo. Está tudo bem. Mas para de se referir a mim como “grão-mestre”, pode ser? Me irrita. — Zin disse. Ele realmente não gostava de ser chamado de “grão-mestre”. Fazia ele se sentir um velhote.

— Então, como deveria te chamar?

— Me chame de Zin. Eu não gosto de ser referido como um ancião.

— Mas eu não posso me referir a um grão-mestre pelo nome dele…

Quando Cho-Yul falou, Zin ficou furioso, cerrando seus punhos até suas juntas ficarem brancas. 

— Se eu ouvir “grão-mestre” sair da sua boca mais uma vez, vou te estraçalhar. 

— Não é engraçado… mas tá, entendi. — Cho-Yul respondeu, percebendo que Zin não estava de bom humor. Por outro lado, Leona ficou surpresa pela raiva dele.

— Se você não quer ser chamado de velho, devia parar de zoar como um. — Ela o repreendeu.

— Bom, você tem que entender. O caçador viveu uma vida muito longa. — Ramphil adicionou.

Zin ficou ainda mais furioso quando ambos Leona e Ramphil zoaram ele.

— Eu não quis ser engraçado. — Ele tentou falar, então parou. Leona sorriu e ambos ela e Ramphil assentiram. Eles não falaram mais. 

— Não, sério! Eu não estava tentando ser engraçado. — Zin insistiu, ficando envergonhado.

— Tá, entendi. — Leona bebeu seu suco e assentiu. 

— Sim, acontece. — Ramphil concordou. 

— …

No passado, ele zoou Leona várias vezes e Ramphil ainda se lembrava de ter que vagar pela cidade de Harbin em trapos fedidos.

Era hora do acerto de contas deles.

— Merda. — Zin resmungou frustrado.

Parecia que o grupo não teria uma viagem harmoniosa e amigável juntos.

Alguns dias depois.

— O que está acontecendo?

Eles chegaram no ponto onde a Pedra do Poder Celestial podia ser vista. Ramphil parou o veículo armado quando chegou na colina. Ele se afastou um pouco e se escondeu atrás de uma rocha. 

— Eu vejo Salteadores. — Ramphil relatou.

— O quê? — Zin saiu do veículo armado e Ramphil o seguiu.

Ambos deitaram no chão e observaram os Salteadores com binóculos. Um grupo de Salteadores estava acampados perto da Rocha do Poder Celestial. 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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