DNG – Capítulo 179

Operação Borboleta

No parque perto da casa de Han, os três comeram bolinhos de carne e beberam chocolate quente, exatamente como dois anos antes, quando tinham se conhecido havia pouco tempo.

A diferença agora era que não haviam mais invasores que se atreveriam a chegar muito perto da Terra. A forte ascensão da Força Espacial Federal trouxe à Terra um ambiente calmo e pacífico com o qual as pessoas sonhavam há anos. Com uma nave da classe Dragão e três Machados Fantasma, a Terra com certeza teria sua frota classificada entre as 300 mais fortes da Aliança.

Han estava comendo um bolinho de carne e observando as pessoas se exercitando no parque. Ele ainda se lembrava de quando via os idosos no parque com expressões de preocupação, receosos com o futuro da Terra e preocupados com o emprego de seus filhos e netos.

Agora, porém, a névoa que cercava a Terra havia sido dispersada e a luz começava a aparecer nos rostos de todos. A discussão não estava mais centrada em como as crianças não conseguiam encontrar trabalho, mas sim em como eles se uniram à Força Espacial Federal ou ao Grupo Federal de Engenharia.

— Aquela escultura de alguém levantando um touro de bronze se parece com Pang Zuolin. — Han apontou para a estátua de pedra que estava no meio do parquinho.

— É ele mesmo. Se não fosse por você ter proibido, a cidade já estaria coberta com estatuas suas. Nós crescemos ouvindo a história de Ke Lake, mas as crianças de hoje estão ouvindo a história de Han. Meu sobrinho ouviu dizer que éramos colegas de classe e ficou me incomodando para ver você, — Li Qi disse com um sorriso.

O gordo Cheng Zhong também começou a rir, dizendo que Han era agora o herói da Terra, mas com uma súbita mudança de assunto, ele perguntou com curiosidade:

— Mano, algo deu errado? Normalmente você está tão ocupado que não tem tempo para voltar, então como é que de repente você tem tempo sobrando?

Han disse com um sorriso amargo:

— Simplesmente eu descobri que meu trabalho duro foi inútil. A Aliança Via Láctea tem seu próprio sistema, e um peixe pequeno como eu não poderia desempenhar nenhum papel importante, então eu voltei. Como alguém da Terra, ainda é mais importante cuidar dos meus compatriotas. Quanto às pessoas fora da Terra, salvá-las seria obra de Deus, não minha.

Qualquer um podia sentir a tristeza dentro das palavras de Han, mas como ele não queria compartilhar tudo, Li Qi e Cheng Zhong não fizeram mais perguntas. Todos sabiam muito bem que o sorriso no rosto de Han era falso, e toda a pressão estava escondida no fundo de seu coração.

— Que tal ir à minha casa para uma visita? — Han convidou Li Qi e Cheng Zhong.

Cheng Zhong começou a rir de forma debochada. Han perguntou por que ele estava rindo e Cheng Zhong simplesmente não quis explicar.

Após sair do parque e entrar em uma rua perpendicular, havia a área residencial em que Han morava. Fora da área residencial, havia uma fila enorme, e a placa do bairro estava coberta por uma placa de cobre ainda maior. Nela, estavam letras orgulhosamente talhadas que anunciavam: “Antiga residência de Han!”

Han franziu a testa, sentindo que aquilo era ao mesmo tempo revoltante, mas também hilário.

— O que é que querem dizer com antiga residência? Primeiro de tudo, ainda não estou morto. Em segundo lugar, esta é a minha única casa na Terra, e eu ainda não me mudei!

Li Qi respondeu:

— Ninguém pode ser culpado por isso. Depois de ouvir que você morava aqui antes, todos os dias havia muitas pessoas que vinham visitar o local e ficou caótico nessa área, com esse povo problemático ciscando igual galinha por aqui. Desesperado, o governo não teve escolha a não ser pôr ordem neste lugar, com alguns secretários resolvendo a balbúrdia, e com o tempo isso realmente se tornou um ponto turístico.

Han não teve escolha senão aceitar o fato de que sua única casa se transformou em uma atração turística. Ele passou a noite em um hotel, encontrou-se com alguns colegas e amigos do passado e deixou Shanghai ao meio-dia do dia seguinte, partindo para a base de Nazca.

Este deserto ainda era o mesmo, mas construções em larga escala haviam acontecido ali. Com a expansão dos militares, mais e mais soldados vieram para este local e gradualmente o transformaram em uma cidade militar.

Han se encontrou com muitas das pessoas que ele precisava ver ali, como os três gigantes, Ke Lake, o velho Mo, e assim por diante.

Porém, Han não compartilhava suas preocupações com ninguém. Ele ainda sorria como de costume.

Agora, a capacidade da linha de produção principal atingiu a velocidade de um Machado Fantasma a cada dois meses, e isso realmente deixou Han empolgado.

Depois dos dois primeiros dias de reuniões frequentes, Han se trancou de novo e raramente se encontrava com outros convidados, não participando das reuniões militares ou políticas, concentrando-se apenas no treinamento e na pesquisa.

Han ouviu dos três viciados que o Protetor estava chegando na Terra, e diante da possibilidade de ver aquela figura lendária, Han ficou bem animado. Porém, Han também sabia muito bem que nem mesmo o Protetor poderia mudar a atitude da Aliança, pois caso contrário ele não teria sido expulso da galáxia décadas atrás, depois de revelar a chocante teoria de que a Via Láctea seria destruída.

Cerca de uma semana depois que Han retornou à Terra, o Protetor chegou sob a escolta de uma pequena frota, com um grupo de seus alunos e muitos guarda-costas de primeira linha que Han identificou à primeira vista.

Em uma ilha desabitada no meio do oceano, Han conheceu o Protetor.

Ele era um homem idoso e cego que, embora sem visão, ainda tinha uma excelente percepção sobre o ambiente ao seu redor, e quando ele saiu da espaçonave e pisou na areia branca, ele nem precisou da ajuda de outras pessoas.

Com uma fileira de redes e tendas, sucos de frutas espremidos na hora e muito gelo, Han deu as boas-vindas ao Protetor.

Se recostando em uma cadeira, o Protetor sorriu e disse:

— Seu planeta natal é um lugar muito bonito. Olhando para o seu estado atual, parece que você está de férias?

Han respondeu:

— Pode-se dizer que sim. Uma pausa repentina depois de viver uma vida agitada por alguns anos… Eu ainda estou me adaptando lentamente a esse ritmo de vida, diferente de você, que parece mesmo que está de férias, embora tenha trazido tantas pessoas, e todas com expressões de preocupação em seus rostos.

— Não posso culpá-los. Eu compreendi as coisas, eles não.

— Você compreendeu o que? — Han perguntou curioso.

— Me diz qual a sua opinião primeiro. O que você acha da Aliança?

Han soltou um longo suspiro, olhou para o litoral ao longe e sussurrou:

— A doença já se espalhou para dentro dos ossos, não há esperança para ela.

O Protetor bateu palmas de leve.

— Sim, foi exatamente isso que eu compreendi. Realizar uma cirurgia para tentar curar um paciente com doença terminal é altamente inadequado. É melhor simplesmente deixá-lo descansar em paz. Você provavelmente sabe que no passado meu pessoal e eu estivemos trabalhando para salvar a Aliança, e também fizemos muita coisa. Porém, agora, de repente, percebi que a Aliança esteve perdida o tempo todo. Isso realmente me deixou mais tranquilo. Afinal, é impossível tentar salvar um paciente que vai morrer impreterivelmente.

Han fez uma careta e perguntou:

— Você não veio até a Terra só para me dizer isso, não é?

— Claro que não! — O Protetor então explicou: — Eu vim porque quero convidar você para a minha Operação Borboleta.

Han disse levemente:

— Sou todo ouvidos.

O Protetor então pôs as cartas na mesa:

— Eu pedi a alguém para investigar seu passado e percebi que a razão pela qual você conseguiu tudo isso foi porque você sempre teve perseverança, dando tudo de si para proteger sua casa e seu povo. Porém, agora eu acho que você também se sente um pouco desanimado, depois que você finalmente viu a que a Aliança se reduziu.

— Estou mesmo desapontado. A humanidade não é a espécie mais poderosa do universo e, diante do desconhecido, só podemos seguir em frente, lutar sem parar para sobreviver, e a ganância só nos matará.

O Protetor concordou com um aceno de cabeça.

— Eu concordo completamente com você. Apenas as pessoas mais prudentes e dedicadas são elegíveis para viver no universo, então desta vez eu vim para lhe dar uma escolha. Sua obsessão está em proteger sua casa e salvar as pessoas na Terra, mas claramente, com o retorno da civilização pré-histórica, você não poderá fazer as duas coisas. Se você se juntar ao meu projeto, você não poderá salvar seu planeta, mas poderá salvar seus compatriotas e permitir que os quinze bilhões de pessoas na Terra sobrevivam a essa calamidade.

Han não falou nada, apenas franziu a testa e continuou ouvindo atentamente.

— O mundo pensa que fui eu quem usou um modelo vetorial para prever o fim da Via Láctea, mas isso está errado. Eu não sou um profeta, mas apenas um matemático. Um amigo meu me contou que o fim estava se aproximando, e eu não acreditei nele, então usei um conjunto de algoritmos de modelos vetoriais para calcular a probabilidade da previsão que ele me contou. E você já sabe o resultado, meu cálculo teve o mesmo resultado da profecia dele, e é por isso que montei um santuário no Domínio Oblívio e me tornei o chamado Protetor. Esse amigo meu também me deu uma coordenada. Ele disse que é um buraco de minhoca bem escondido e de um alcance absurdo, através do qual poderíamos alcançar uma galáxia distante e segura.

Han ficou chocado e disse surpreso:

— A Operação Borboleta envolve deixar a Via Láctea e morar em outra galáxia?

O Protetor não negou e explicou:

— Essa é uma boa descrição, mas isso é apenas uma parte do plano. Na ausência de outras opções, só podemos escolher salvar a raça humana. Somente se a humanidade puder viver em algum lugar do vasto universo nós poderemos ter esperança.

Han aprofundou a voz e disse:

— Essa galáxia da qual você estava falando, onde ela fica?

— A quinze milhões de anos-luz de distância.

— Nossa.

Han soltou um longo suspiro. O diâmetro de toda a Via Láctea era de apenas 120 mil anos-luz. Um local a quinze milhões de anos-luz de distância dali seria realmente longe. Se não houvesse o tal buraco de minhoca natural, a nave espacial mais rápida levaria 57 anos de viagem contínua para cobrir essa distância. Provavelmente, nem mesmo a mais famosa família exploradora da Via Láctea, a Folha de Bordo Anciã, teria ido a algum lugar tão longe.

— Quantas pessoas estão dispostas a migrar para a nova galáxia? — Han perguntou.

— Não muitas, — o Protetor disse com um sorriso sem graça. — Sem o apoio da Aliança, se espalharmos a notícia da destruição da galáxia, não será apenas uma violação da lei, mas ainda por cima a grande maioria das pessoas vai pensar que nós somos loucos. Afinal, a humanidade viveu na Via Láctea pacificamente por tanto tempo.

— Nossos compatriotas ainda estão estudando desesperadamente novas tecnologias e tentando crescer e melhorar o nível de tecnologia na Terra, — Han disse com muita humildade.

— Participar da Operação Borboleta também pode melhorar o nível de tecnologia da Terra. Você sabe muito bem que há especialistas qualificados de todos os tipos no Domínio Oblívio, — o Protetor disse.

Han riu e disse:

— Aquelas pessoas… — Han originalmente quase repetiu o ditado comum de que não havia nenhum homem bom no Domínio Oblívio, mas de repente ele mudou de ideia e seus olhos se iluminaram.

Homens bons?

O que são homens bons?

Os três viciados não poderiam ser considerados pessoas boas, mas todos possuíam habilidades de elite em diferentes campos, e Han só estava vivo até hoje porque seguiu por aquele “caminho do mal” e aprendeu muitas habilidades que a Aliança havia banido.

Do ponto de vista de Han, esse caminho do mal era o correto a se seguir! Apesar de serem proibidas pela Aliança, o que permitiu que Han estivesse vivo até hoje foram as drogas, bestas de fusão, tecnologia robótica e técnicas marciais proibidas!

Se ele participasse da Operação Borboleta, não seria o mesmo que enviar todos na Terra naquele caminho do mal que ele mesmo pegou?

Se libertar de todos os grilhões da Aliança para estudar diretamente com os mais notórios bandidos da galáxia… Para um planeta fraco como a Terra, não seria uma saída justa? Se alguém quisesse permanecer vivo em meio a selva escura, não bastaria apenas seguir a lei, mas também aprender a ser suficientemente cruel!

— Não precisa se apressar em responder. Afinal, esta é uma decisão importante que envolve a vida de outras 15 bilhões de pessoas. — Embora o Protetor fosse cego, ele ouvia a batida do coração de Han acelerando, então ele sussurrou: — Este é um projeto gigante e eu ainda preciso fazer muitos preparativos. Agora, eu tenho que ir. Depois de tomar uma decisão, você pode entrar em contato comigo. Porém, eu ainda preciso te lembrar. O tempo que nos resta está se esgotando.

Vermillion
Primeiro de seu nome, Nascido do Caos, o Que a Tudo Lê, Spymaster nas horas vagas, Father of Fakes, Professor de Inglês, Um dos Três, Editor do Qidian, Tradutor de TA, Soberania e DNG, Marido Raiz.

5 Comentários

  1. Agora o Han vai jogar todo mundo do planeta dele para o caminho do mal.😎kkkkkkkkk
    Valeu pelo capítulo Vermillion.😁🖒

  2. Depois de toda essa conversa, o que eu quero saber é: quem é esse “amigo” do Protetor?
    Pena que não existe nenhuma tecnologia milagrosa capaz de mover um planeta. Obrigado pelo capítulo!

  3. Aí no próximo capicapí Han chega e fala, “não preciso pensar, vamos começar Sá porra agora”

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