DCC – Cosmologia 2

Breve história da humanidade pelo ponto de vista Jomon

Os humanos são membros de uma pequena raça que nasceu em um planeta minúsculo de uma estrela que já morreu. Nos primórdios de sua origem, não era uma raça muito inteligente. A história conta que eles evoluíram graças as guerras e ao desespero que infligiram uns aos outros. Não fosse pelo fato dos grandes conflitos que dizimavam populações inteiras serem capazes de instigar o desenvolvimento tecnológico e científico para fins bélicos, é provável que a espécie tenha perecido junto com o planeta.

Os humanos não eram muito unidos e divergiam abertamente sobre várias questões ilógicas. O desperdício de recursos era algo muito comum. A terra era mal aproveitada para criação de gado e combustível enquanto pessoas morriam de fome. Por incrível que pareça, mesmo depois das civilizações terem sido estabelecidas, as pessoas discriminavam membros do próprio povo por conta de diferenças irrelevantes, como o trabalho que cada um realizava.

Como eram egocêntricos. Cada um se acreditava mais importante que todos os outros. Dinheiro determinava o valor da própria vida. Não ter dinheiro significava morte. Não dá para culpa-los. Como seres primitivos que eram, eles ainda não tinham descoberto o equilíbrio que a nossa sociedade manifesta hoje. E mesmo assim, apesar dos milênios gastados em aprimoramento, nosso sistema está estagnado em uma corda bamba, onde pode cair sob qualquer interferência imprevista.

Mas não é de se estranhar que a humanidade tenha demorado tanto para se desenvolver. O ancestral comum dos humanos tinha uma vitalidade muito limitada. Estima-se que eles mal viviam 50 anos imperiais. Até mesmo os Brards mais frágeis têm uma vitalidade maior. Com o tempo de vida tão curto, a população não tinha como aprender a lidar com o fluxo do tempo e as repetições da história.

Eles tinham se adaptado ao movimento de rotação e translação do planeta, e tinha criado o estranho costume de contar a passagem do tempo através da revolução que o planeta fazia ao redor de si mesmo e de sua estrela. Então no que tempo que eles contavam um século, várias gerações já tinham ido e vindo. Vários erros eram cometidos, esquecidos e cometidos novamente.

Graças a incapacidade de aprender com a própria história, eles se viram em situações que beiravam a própria extinção em várias ocasiões. Registros históricos que sobreviveram à passagem do tempo demonstram que muitos dos eventos cataclísmicos eram causados por eles mesmos, como esgotamento dos recursos naturais, guerras internas, falta de alimento, e assim por diante.

Eu devo concordar que brincar com a natureza sem o domínio de tecnologia terraformadora era definitivamente uma ação primitiva sem nenhuma preocupação com as gerações futuras ou a manutenção da vida humana.

Inclusive, ao contrário do que muitos pensam, o planeta original não foi abandonado devido a morte da sua estrela, como é o caso dos planetas colonizados atualmente. Pelo tempo de poucos milênios desde o advento das primeiras tecnologias, todos os recursos naturais tinham sido esgotados e dizimados. A atmosfera foi poluída por combustíveis fósseis e pessoas chegavam a morrer de fome. Parece inimaginável. A humanidade não tinha base tecnológica para recuperar sequer o próprio planeta, então pela primeira vez as pessoas se uniram verdadeiramente em prol da busca de uma solução.

Não fosse esse sábio momento de lucidez que promoveu o avanço dos humanos pelo espaço, não haveria mais história para contar.

Os primeiros exploradores foram enviados às cegas naquele momento de desespero para tentar colonizar planetas que foram classificados como potencialmente habitáveis. Várias dessas missões acabaram com a morte de heróis desconhecidos cujos nomes foram perdidos nas linhas do tempo.

Mas o marco mais importante da história humana em seu princípio da exploração e colonização da galáxia ainda é um grande mistério. Historiadores especulam que uma grande guerra tenha ocorrido e que os registros históricos desse momento tenham sido apagados. O interessante, é que a perda de registro não foi apenas em uma ou duas colônias, mas em todas elas.

É comum haver especulações que essa queima de arquivo tenha ocorrido de forma consensual, como uma forma de apagar os motivos de tais guerras para a posteridade. Esse período censurado é sinônimo de muitas teorias conspiracionistas nas quais afirmam que foi durante essa época que os humanos encontraram a chave para a própria evolução.

Não há nenhuma prova que determine o fundamento de tais teorias, mas o fato é que a humanidade realmente estava consolidada depois dessa era obscura. As artes mágicas tinham começado a ser dominadas pela primeira vez, e os problemas da tecnologia de terraformação que tinham persistido por séculos e impedido que a humanidade prosperasse em segurança finalmente tinham sido resolvidos.

É claro que a evolução não para. Tendo se desenvolvido em planetas diferentes, com condições naturais diferentes, valores divergentes de gravidade e pressão atmosférica, e até mesmo os pequenos aspectos da composição do solo que afetava a produção de alimentos, até a composição do ar respirado, os humanos foram evoluindo de formas diferentes, criando linhas raciais diferentes dentro da mesma espécie.

É claro que cada planeta criou as suas próprias peculiaridades, mas as mais notáveis não foram as alterações das formas físicas, mas a alteração na vitalidade dos humanos. Os ambientes mais propícios acabaram por fortalecer e solidificar o tempo de vida, desses humanos chegando até mesmo a multiplicar várias vezes o tempo que o ancestral original conseguia viver por mais de dez, vinte vezes.

Os Jomons mais poderosos têm um tempo de vida que chega a marcar dez séculos imperiais, sendo que os Brards mais fracos ainda vivem cinquenta ou sessenta anos imperiais. Essa distinção na constituição física dos humanos levou a grandes mudanças na forma como as colônias eram exploradas.

Colônias capazes de gerar evolução de Jomons foram estudadas e replicadas com técnica de terraformação expandindo o domínio das novas raças por milhares de planetas, enquanto os Brards acabaram se difundindo aleatoriamente.

Apesar da falta de sucesso dos Brards em dominar um estilo de vida mais avançado graças ao seu insucesso em manter a memória e o aprendizado da experiência que os mais velhos têm, a reprodução deles é muito mais rápida e se alastrou com mais força do que para os Jomons. A proporção atual chega facilmente ao número de dez Brards para cada Jomon.

Um dos grandes problemas da falta de entendimento da dinâmica social entre os Brards e Jomons começou a entrar em foco no início da formação da Aliança das Soberanias Jomons, que posteriormente veio a se tornar o Império Humano.

A Aliança das Soberanias Jomons foi formada com sua base sobre o domínio das Artes Mágicas. De acordo com o conhecimento difundido de que ao manter uma moral sólida e honesta era possível evoluir a mente da pessoa para um estado místico capaz de interagir e manipular as forças que regiam o ambiente a sua volta, a noção de que os Artistas Mágicos eram seres superiores que tinham evoluído além de seus desejos mundanos em prol de todo o povo foi amplamente cravado na estrutura da sociedade.

O problema constava que apenas Jomons eram capazes de viver o suficiente até que suas convicções se consolidassem ao ponto de que eles fossem capazes de dominar magia, o que gerou fortes repercussões entre as soberanias Brards que começaram a repudiar os artistas mágicos como tentativas de impor uma doutrina de controle sobre eles.

A sociedade Jomon começou a tender para um equilíbrio social onde todos os trabalhos eram considerados igualmente importantes e o status social não era medido pela quantidade de recursos que alguém possuía, mas pelas relações que ela construía e por suas contribuições para o desenvolvimento e manutenção da Aliança.

Por milhares de eras a Aliança se expandiu ordenadamente por planetas conseguindo dominar com sucesso mais de 100 quadrantes estelares. Devido as dissidências internas da própria raça, provando que os humanos ainda não tinham evoluído de seu aspecto primitivo de generalizar o ódio pelas diferenças, algumas raças alienígenas tentaram se aproveitar da oportunidade para colonizar vários planetas humanos.

Durante um período de tempo, isso foi ignorado, pois grande parte dos planetas afligidos consistia de planetas Brard sem muita tecnologia de defesa e relativamente isolados dos demais planetas, o que acarretou em mais perdas do que a Aliança era capaz de medir até então.

Quando finalmente a situação não podia mais ser ignorada, as colônias humanas se uniram, tanto Brards, quanto Jomons, para evitar o alastramento das raças alienígenas fora de seus territórios, iniciando oficialmente a Era Gionardi.

A Era Gionardi, ainda em vigência com sua 12ª geração, marcou o início da união entre Brards e Jomons e a formação do Conglomerado Imperial que passou a ter a principal voz nas decisões que marcavam interferências diretas ou indiretas nas relações interplanetárias e alocava medidas protetivas aos planetas associados quando necessário.

A sede do Conglomerado foi construída no Quadrante Cepheus, cuja convenção das soberanias aliadas decidiu como sendo o primeiro quadrante da contagem imperial. Centralizado na área entre as Nebulosas de Órion, Carina e Águia como marcos da fronteira do território humano na galáxia.

Desde a formação das fronteiras, o Império achou por bem manter as colônias apenas entre os sistemas estelares sob seu controle. Mesmo assim, as relações internas entre os Brards e os Jomons ainda convergiam para um final trágico, já que a aceitação dos Brards como parte do império era superficial e não envolvia nenhuma proteção ou palavra do imperador em prol deles.

A situação se manteve relativamente estável até o último século quando grandes insatisfações começaram a insurgir entre os Brards que se diziam cansados de viver à sombra dos Jomons até culminar no evento conhecido como a Grande Guerra Xenofóbica.

Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

3 Comentários

  1. Nega Fulor ,gostei muito da ideia pois ajuda a aprofundar o universo e provavelmente dará mais liberdade para abordar os assuntos na história, porém eu pessoalmente tenho uma dificuldade muito simples na sua história que provavelmente ajude na hora de entender o tempo e a distância, por exemplo:
    quanto tempo é uma geração, 10 anos, 20 anos ou 30 anos?ou mesmo uma geração são 50 anos imperiais ?
    Quanto é um quadrante estelar na sua história, pois ate onde eu me lembro um quadrante é como se fosse 1/4 de uma galáxia, logo o império humano tinha um alcance de 50 galáxias ?
    me ajudaria e acho que ajudaria várias outras pessoas se tiver um tópico sobre as unidades de medida , tempo, distância, velocidade,
    Por exemplo para velocidade uma nave de baixo padrão se desloca no espaço a x por hora , uma de alto padrão a x por hora, a da Alecia x por hora , pois assim fica mais fácil para referência de saber o quão mais rápido é ou quão longe algo é.
    E também dizer no tópico quanto é um ano impererial, pois daí n precisa voltar nos capítulos para procurar.
    Sinceramente espero ter dado uma sugestão construtiva e não uma crítica , pois sua história é ótima e expressa bem os sentimentos dos personagens.
    Obrigado por ler esse longo comentário kk
    Ps:desconsidere os erros de português e pontuação por favor.

    1. Obrigada anikimus! Era justamente esse tipo de comentário que eu estava esperando por aqui. Sabendo as dúvidas e as curiosidades dos leitores eu vou poder saber onde melhorar ainda mais a história. Qualquer coisa, sinta-se a vontade para fazer mais pedidos.
      Assim que der, eu vou preparar um material falando sobre as unidades de medida de DCC.

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