DCC – Capítulo 130

Conselho Imperial

 

Marco Gionardi:


— Então toda aquela comoção foi organizada por Henry Siever? — Zasha Egor perguntou, lançando um olhar severo para Dominik Siever.

— Henry está fazendo a própria frente de investigação. Tendo se deparado com os fatos expostos recentemente, ele deve ter planejado uma contramedida, — Dominik disse na defensiva.

— As ações dele foram irresponsáveis. — András Stanislav acrescentou, recostado na poltrona. — Nós temos uma sociedade estruturada com regras, não temos lugar para justiceiros. A divulgação de informações associadas ao uso de crisálidas obliterantes é extremamente proibida.

— Já basta, — eu intervi na discussão ficando estressado. — O problema foi revertido a tempo. Não há porque discutir o mérito ou demérito da situação.

— Meu jovem imperador, — Zasha começou com um certo desdém, como se estivesse se preparando para discutir noções jurídicas com crianças. — Eu temo que esteja sendo um pouco partidário nessa situação. Para qualquer outra pessoa além dele, vossa alteza não hesitaria em ordenar pelo menos o comparecimento oficial para interrogatório, ou a prisão preventiva. Nós sabemos que Henry esconde alguma coisa. Deveríamos pressioná-lo a compartilhar as informações que ele tem, e não deixá-lo livre para fazer o que bem entender.

— Não pense que pode subestimar minhas decisões apenas por que faz parte deste conselho, Zasha, — eu o repreendi imediatamente. Estava começando a perder a paciência.

— Eu me pergunto se vossa alteza não teria algum motivo para não tentar convocá-lo diretamente. Isso ao menos acalmaria nossas incertezas sobre ele, — András complementou. — Receio que mesmo a palavra dos Siever não serviria muito nesse caso, já que o rapaz deixou a família há décadas.

— Como se atreve a declarar que nossa palavra não é de serventia? — Dominik questionou ofendido.

— Bom, não foi o meu filho que foi flagrado utilizando artes proibidas para proveito próprio. Um legítimo mestre em onisciência! Que outra alternativa temos além de duvidar? — Zasha respondeu mantendo o desdém. — E vocês mesmo baniram Henry de sua casa, como podemos interpretar a integridade dele de outra forma?

— Você esqueceu que foi Henry quem deteve Emil? — Dominik interpelou. — Além disso, todas as contribuições que ele fez ao nosso império foram todas após o banimento dele da Casa dos Siever. Como pode contestar as intenções dele justo agora?

— Então por que não convocá-lo para inquérito? Que tipo de favorecimento especial é esse que um mero cidadão não pode ser incomodado pelo Conselho Imperial para depor sobre um assunto tão grave? Que tipo de autoridade ele tem para interceder diretamente nas investigações e não poder ser incomodado por nós? — Zasha atacou de volta.

— Henry não é um mero cidadão. O título dourado dele foi concedido pessoalmente pelo meu antecessor, — eu comecei a explicar de novo. — Tecnicamente falando, ele tem mais autoridade do que todos vocês reunidos, com seus brasões de prata.

— É isso que eu não entendo! — András acrescentou. — Eu reconheço que as contribuições dele foram grandiosas, e ele é visto como um herói por todos, inclusive na luta contra esses terroristas malditos, mas por que ao ponto de ganhar um brasão dourado? Eu sinto como se tivesse alguma informação faltando.

— É claro que tem informações faltando. Ele guarda segredos! Para alguém envolvido diretamente em vários dos maiores incidentes contra o império, é um tanto quanto perturbador, — Zasha disse, se virando para o casal Siever e percebendo a insatisfação deles com o andamento dessa conversa. — Nós vivemos em um sistema dirigido por oniscientes, então deve ser compreensível para você, Dominik, que guardar segredos é algo absolutamente perigoso para todos nós. Você pode confirmar, em nome de toda a Casa dos Siever, que esses segredos que o filho de vocês guarda não pode comprometer a nossa sociedade?

Dominik ficou em choque com a pergunta de Zasha. Ahh… esse tipo de conversa era extremamente cansativa.

— Dominik não pode. Porém eu conheço os segredos que Henry guarda. Isso não é suficiente para vocês? — perguntei entediado.

— Então quais são esses segredos? — Zasha insistiu.

— Não são coisas que vocês necessitem saber. Basta deixá-lo em paz sobre tais assuntos, — eu respondi.

Zasha e András trocaram olhares inquietos, e mesmo Dominik ficou pasmo. Eu pude sentir que eles ainda queriam persistir no assunto.

— Se é esse o caso, por que não o chama para depor, e pede a ele as informações apenas sobre esses dois casos envolvendo as crisálidas? — András perguntou calmamente.

— Por que ele não quer!

— Mas isso é um absurdo! Você é o imperador de todo o nosso conglomerado. Como pode aceitar esse tipo de posicionamento? — Zasha disse quase cuspindo as palavras. — Desde que você ordene, mesmo que ele tenha um brasão dourado, ele deve apenas obedecer!

— Então me obedeça! Para que eu existo além de apontar a direção correta nas decisões que devem ser tomadas pelo bem coletivo? — eu disse, ficando irritado. — Você não faz ideia do poder de Henry Siever e quer torná-lo um inimigo? Se ele quisesse, poderia ser ele aqui na sua frente agora e não eu. Acha mesmo que pode confrontá-lo desnecessariamente e despreparadamente, sem um motivo maior que a sua insegurança, e ainda me acusa de absurdos? Mesmo se as suas três casas se unissem para arrastá-lo à força, sem um plano, vocês não seriam sequer capazes de pará-lo.

— Então, vossa alteza vai simplesmente ficar sem fazer nada? — András perguntou com ceticismo. Mas o sentimento de confronto vindo dele diminuiu consideravelmente.

— Eu não lembro de ter dito isso, — eu respondi tentando voltar minha expressão ao normal respirando fundo.

— Então qual o plano de vossa majestade? — Dominik perguntou nervoso.

Era definitivamente cansativo lidar com todos os políticos pessoalmente, e ainda por cima esse recém criado Conselho Imperial. Eles haviam notado, pelas próprias investigações, os incidentes estranhos que podiam indicar o retorno de Dhar ao nosso império. Como representantes das maiores influências mágicas da galáxia, eu não podia ignorar os esforços deles, fora que era muito mais fácil para mim ter eles diretamente sob meu comando do que deixá-los livres para fazer como bem quisessem e acabar caindo em alguma armadilha. Desde que descobriram sobre o incidente envolvendo Emil, todos eles iniciaram suas próprias investigações e descobriram várias coisas. Havia principalmente uma desconfiança contra os Siever que estava me dando nos nervos.

Eu também não tinha como simplesmente dizer que Dhar já estava entre nós de alguma forma sem sequer conseguir apontar uma direção precisa. Ninguém poderia saber que eu tinha me encontrado pessoalmente com ele, pois isso também me exporia. Essa sensação de estar sendo encurralado era extremamente estressante. E eu ainda tinha que limpar os rastros que Henry e Alésia deixavam para trás… Talvez fosse finalmente hora de usar meu trunfo contra ele. Era mais fácil controlar o que estava acessível. Pensando até aí, eu fiquei de pé e disse:

— Se me permitem me ausentar, eu deixarei a companhia de vocês e tentarei falar com ele pessoalmente. Eu já fui informado que ele pretende deixar o palácio antes do amanhecer. Então não haverá outra oportunidade em um futuro próximo. Deixarei um autômato para continuar presidindo esta reunião.

Alésia Latrell:


Eu estava realmente aproveitando essa festa com minhas amigas, nos divertindo até que trio de guardas se aproximou cortesmente, e falou enquanto faziam reverências para mim:

— Vossa alteza imperial deseja apreciar sua presença para um diálogo.

Não apenas eu, mas todas as meninas se assustaram com o convite. Eu já ia respondendo com um impaciente “o que é que ele quer?” quando lembrei da minha promessa de pelo menos fingir que o respeitava publicamente. Além de que eu deveria pelo menos agradecer dessa vez pelo que ele fez a Amelie. E não era como se não soubessem que eu deveria ter alguma relação com ele, já que eu tinha um brasão dourado, e era esposa do dito publicamente melhor amigo dele.

— Por favor, mostre o caminho, — eu disse resignada para o guarda e me virei para minhas amigas. — Qualquer coisa, chamem o Henry. Nos encontraremos depois que eu resolver isso.

Nenhuma delas fez mais perguntas, nem mesmo os guardiões do nosso segredo que estavam por perto. Eu ainda captei brevemente o olhar preocupado do professor Theo quando eu estava sendo escoltada para fora do salão. Realmente uma convocação direta do imperador deveria assustar muitas pessoas.

Eu tinha que avisar Henry.


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

3 Comentários

  1. Mano chega deu para sentir a impaciência do março com esse capítulo.
    Valeu pelo capítulo Nega Fulor.
    P.S:E a arte estava muito boa.😤🖒

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