DCC – Capítulo 133

Acorrentar

Henry Siever:


Marco me olhou com um desdém óbvio escorrendo pelas feições amarguradas dele.

— Eu esperava não ter que recorrer à isso, mas também não esperava que fosse ser diferente… Se quer me tratar como o vilão, então eu serei o vilão! — ele disse como se estivesse lamentando alguma coisa. As intenções de Marco finalmente mostraram as caras. Mesmo sentindo a iminência de um ataque, eu não tive tempo de reagir. Ele pronunciou o feitiço no mesmo segundo que decidiu fazer isso — Acorrentar!

Acorrentar era uma palavra de ativação de artes mágicas oniscientes para controle muito poderosas. Assim que as palavras foram pronunciadas, uma forte dor de cabeça me atingiu como se eu tivesse levado uma tremenda martelada no meu lóbulo frontal. Merda…

— O que fez comigo? — eu perguntei, sentindo uma enorme pressão tentando esmagar a minha cabeça de fora para dentro.

— Ah, isso… Foi algo que eu criei depois de alguns anos de trabalho árduo, — ele disse com uma expressão vazia e cansada. — Eu impregnei um objeto com a melhor arte de supressão do livre arbítrio que se poderia produzir com o poder de um imperador. A partir de agora, você irá obedecer todas as ordens que me ouvir falar, quer queira, quer não. Mas não culpe Isaac… ele não sabia.

A coroa! Eu ainda estava usando a coroa de brinquedo que Isaac tinha feito! Passei meus dedos ao redor da cabeça, mas não conseguia sentir nada. Aos poucos, o presente desapareceu, perdendo pouco a pouco a forma física, como se nunca tivesse estado ali. Ela estava se transformado depois da ativação do feitiço. Sem um corpo físico palpável, seria praticamente impossível removê-la sozinho. Aquele maldito do Marco tinha aparecido no exato momento em que eu tinha a posto, então ele tinha planejado ativá-la o tempo todo.

— E a minha primeira ordem é que você irá se separar daquela garota…

Antes que eu pudesse pensar claramente, meu pulso se ergueu e todo o meu poder fluiu pelo meu corpo, preenchendo até a ponta dos meus dedos. Marco era poderoso, e tinha uma barreira natural praticamente impermeável. Mas não para mim. Eu sabia como usar os poderes da Transformação muito bem para fazer cada átomo e molécula no ar me obedecerem. Então bastava eu me concentrar em um ponto específico, e toda barreira seria desfeita com um efeito dominó.

Uma barreira incrivelmente sólida e concentrada como a que Emil usou para se proteger de mim seria mais difícil. Eventualmente eu conseguiria, mas levaria mais tempo do que eu tinha à minha disposição. Mas Marco estava com o foco completamente dividido e todo o poder mental diluído em manter os autômatos espalhados por todo o festival ligados. Além de ter que usar o poder ao máximo, pelas últimas horas. Ele não poderia se proteger de mim ali.

Minha mão atravessou a barreira como se ela não existisse, e eu agarrei o rosto de Marco, mandando-o voando pela sala até colocá-lo contra a parede. Ele agarrou meu braço, tentando soltar minha mão, mas eu apenas apliquei mais força. Meus dedos apertavam a pele do rosto dele, pressionando mais ainda a cabeça contra a parede, que logo começou a mostrar algumas rachaduras.

— Sendo esse o caso… Precisamente falando, você deve pronunciar pessoalmente suas ordens para que eu às obedeça, — eu disse, sentindo a raiva escapar pela minha voz. O rosto dele começou a ficar vermelho, sentindo a pressão da minha força e a temperatura que se elevava pouco a pouco. — Não é a toa que você escolheu vir me ver pessoalmente. Você precisava que eu ouvisse da sua própria boca a palavra de ativação e as suas ordens para poder obedecê-lo. Mas o que acontece se você não puder falar?

Me solte imediatamente! — A voz de Marco repercutiu na minha mente.

— E há outro problema, você parece me confundir com algum qualquer de mente fraca que não teve nenhum treinamento em artes oniscientes. Já que você já ordenou que eu me separe de Alésia, eu terei que fazer isso… — os olhos de Marco me encaravam com raiva, enquanto ele se debatia tentando se soltar. Eu sorri como resposta e continuei: — Mas já que você não especificou quando, eu ainda escolho fazer isso… no dia da minha morte!

Ergui meu braço livre até agarrar uma das mãos de Marco, que tentavam inutilmente resistir à minha força. Ahh… eu queria fazer aquilo há tanto tempo…

Segurando o pulso dele com força, torci todo o braço dele até começar a ouvir os ossos estalarem. O grito abafado de dor de Marco escapou por entre meus dedos, enquanto eu soltava o braço quebrado que começou a pender molemente ao lado do corpo dele.

O que você está fazendo, seu idiota? — A voz dele soou novamente em minha mente, mas dessa vez com uma pontada de desespero e dor.

— Você brincou comigo pela última vez, velho amigo. Não me importo mais com quem você seja. Hoje, isso acaba.

Você acha que consegue escapar daqui se fizer alguma coisa comigo? — a voz de Marco irradiou novamente, tentando argumentar. — Os nobres prateados sabem que eu saí para falar com você. Eles já estão pedindo por sua cabeça por não colaborar com os protocolos imperiais… Se você continuar me agredindo, vai apenas dar a eles uma razão para revidar.

— E você acha que existe alguém aqui capaz de fazer frente a mim além de você? E você não tem a menor condição de me encarar nesse momento. Você está exausto! — Eu caçoei dele. Então agarrei o outro braço dele apesar das tentativas inúteis dele de se esquivar. — Agora é apenas você e eu!

O som de ossos estalando encheu o ambiente de novo, seguido pelo lamento angustiado de Marco. Ele respirava rapidamente enquanto o corpo tremia com a dor.

— Você… com certeza pode… se safar… — a voz de Marco soou mais uma vez, mas agora parecia que ele estava fazendo bem mais força para sequer pensar. — Mas você não pode escapar do palácio carregando Alésia com você. E mesmo que possa… acha mesmo que Alésia aceitará partir… e abandonar as amiguinhas dela? Depois de todo o esforço que ela teve para salvar apenas uma delas? Você não tem como deixar esse lugar carregando todas elas.

— Você com certeza é desprezível — eu disse, colocando mais pressão ainda contra o rosto dele. — Parece que você não dá muito valor ao restante dos membros inteiros que ainda tem… Eu pegarei Alésia e partirei daqui… E como eu já ataquei o imperador, qualquer guarda que você colocar no meu caminho também vai sofrer.

Então você não me deixa alternativa…

— E você sequer ainda tem…

Eu estava prestes a tirar sarro do otimismo dele em achar que ainda tinha escapatória do castigo que ele merecia, mas então uma pontada forte no meu peito me distraiu.

Alésia…

Ela precisava de mim!

— O QUE VOCÊ FEZ???


Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

5 Comentários

  1. É tão triste quando você curti um capítulo emocionante e percebi termino ali, dá tristeza e um ansiedade pelo próximo capítulo.
    Valeu pelo capítulo Nega Fulor

  2. O henry lavou a alma kkkkkk
    Ou quase
    O marco tbm é idiota quando quer
    Alesia a capítulos atrás deixou de ser fraca e chorona q fica sentada esperando pelos outros

  3. Se alesia der uma de fraca eu vou ficar put*! Ela não precisa de um príncipe encantado!!! (Eu terminei o desenho que disse que faria)

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