DCC – Capítulo 164

Mensagens

 

Tinha literalmente algumas centenas de mensagens deixadas no último mês em que eu fui mantida em animação suspensa em Maskin. A maioria era dos primeiros dias, que por mancada minha, eu não mandei nenhuma mensagem avisando sobre o que tinha acontecido para Amelie.

Desde que ela tinha selado a própria alma à minha, ela poderia sentir quando alguma coisa de errado acontecesse comigo. E isso, sem falar de Henry, que tinha uma ligação bem mais profunda. Se Amelie tinha sentido que algo errado tinha acontecido, então não tinha como isso ter passado despercebido para Henry.

As primeiras mensagens eram obviamente apenas de Amelie.

“O que está acontecendo? Por que se feriu? Está tudo bem? Me responda assim que possível!”

“Alésia, por favor! Me responda imediatamente!”

“Alésia, está tudo bem? É claro que não está… senão você já teria respondido… Eu posso sentir que você não está bem. O que aconteceu?”

“Alésia… as coisas estão se complicando por aqui. Aparentemente Henry colocou fogo no palácio, mesmo estando parado no mesmo lugar sem se mover. Ninguém consegue chegar perto o suficiente para acalmá-lo, então apenas isolaram aquela parte da propriedade. Eu tenho certeza que ele conseguiu sentir que tem algo de errado com você…”

“Por favor, me responda… até mesmo o imperador parece um pouco inquieto… O que está havendo? Rael veio falar comigo. Ele percebeu que tem alguma coisa errada e está fazendo perguntas…”

As mensagens continuavam enfileiradas. Depois de Amelie, Isaac também começou a enviar mensagens, perguntando o que estava acontecendo. Ele tinha conhecimento sobre as Relíquias, mas não sabia sobre a maior parte das complicações entre mim e os pais dele. Obviamente, Marco não iria contar que resolveu encarcerar a mente de Henry e torná-lo um prisioneiro.

Mas Isaac era esperto. Ele obviamente desconfiava que algo de errado estava acontecendo entre aqueles dois, além da picuinha de sempre. No mínimo ele sabia que Henry nunca sairia do meu lado de livre e espontânea vontade para ficar no palácio.

Logo após Isaac, as meninas da academia também começaram a entrar em contato. Elas perguntavam por que eu estava ignorando Amelie e Isaac. Depois, por que eu estava ignorando elas…

A onda de mensagens teve uma queda significante na frequência depois que Amelie informou que Marco parecia ter perdido o interesse e não estava mais inquieto com o meu sumiço repentino. Depois disso, todos passaram a enviar apenas uma ou duas mensagens por dia. Esperando que eu eventualmente entrasse em contato.

— Algum problema? — Mikal perguntou, observando minha reação repentina.

— Parece que eu esqueci de avisar que eu estava bem nesse tempo para algumas pessoas. Eu não esperava que fosse ficar tanto tempo desacordada. De qualquer forma, estão todos bem preocupados… — Eu suspirei e respondi.

— Você não é a esposa de Henry Siever? Não lhe ocorreu deixar sequer uma mensagem avisando que tinha se ferido pro maridão? Eu imagino que vocês devem ter um laço de alma, então ele deve ter ficado realmente preocupado. — Mikal criticou com uma leve ironia.

Eu suspirei mais uma vez. É claro que se eu pudesse entrar diretamente em contato com Henry, eu teria feito isso… Então por conta de todos aqueles acontecimentos, eu tinha ignorado completamente a possibilidade de avisar Amelie de que eu estava bem.

Eu coloquei a mão sobre meu peito, onde a marca do laço que simboliza meu entrelaçamento com Henry estava. Será que ele podia sentir agora? Ele estava sofrendo tanto… eu também podia sentir a dor dele… Então ao menos, se ele pudesse se livrar da preocupação de que eu estava em perigo, eu também ficaria mais em paz. Os pensamentos de Mikal flutuaram nesse momento.

— Então vocês realmente estão entrelaçados… — ele disse com uma expressão chocada. Mikal sabia que eu tinha algum envolvimento com Henry, mas ele não sabia da completa natureza disso. Até aquele momento eu era apenas uma “coisa” que Henry tinha criado. Um brinquedo. Uma arma… Aparentemente, eu tinha deixado escapar a informação de que nós realmente tínhamos feito um Laço de Alma para simbolizar nosso casamento, quando Mikal ironizou sobre o assunto.

Porém para a minha surpresa, Mikal colocou a mão novamente em cima da minha cabeça e afagou meu cabelo. Ele tinha uma expressão complexa, mas se esforçou em sorrir para mim.

— Não se preocupe, com certeza ele vai entender quando você explicar. Vai ficar tudo bem… — Mikal disse da forma mais amigável que conseguiu, o que me deixou completamente desarmada.

Eu conseguia entender o que ele estava pensando. Ainda com aquela ideia irritante de me ver como um brinquedo de Henry com forma de boneca indefesa potencialmente perigosa. Ele não conseguia entender porque diabos colocariam nos ombros de “uma criatura tão jovem, imatura e sem preparo” como eu, o peso de alguma coisa tão poderosa e/ou assustadora que nem mesmo ele podia se dar ao luxo de tentar descobrir. Ele não tinha certeza ainda da natureza da minha relação com Henry, mas agora ele estava entendendo.

Mikal não duvidava mais que eu pudesse aprender a me defender, e nem achava que eu fosse fraca. Durante esse tempo todo, ele achou que eu fosse uma espécie de arma inventada por Henry para lidar com certos problemas. Ele não tinha considerado que eu realmente tinha sido jogada nessa com todas as minhas fraquezas e emoções. Mas agora ele tinha certeza de que isso vinha a um custo muito pesado para mim. E é claro, ele estava desconfiando que havia mais coisa errada aí do que apenas um segredo sendo guardado.

— Não seja idiota. Eu sei que ele vai entender quando eu explicar… Se o problema fosse eu, já teríamos resolvido… — Mikal sorriu, mas ainda não perdeu a oportunidade de afagar minha cabeça mais uma vez antes de se afastar. Eu achava irritante, mas ainda assim pude sentir as boas intenções dele em tentar aliviar minha tensão. — Obrigada por cuidar de mim esses dias…

Mikal apenas deu de ombros e voltou a ficar com aquela pose relaxada de quem estava cansado demais para argumentar. A plataforma flutuante que nos levava finalmente tinha alcançado o centro onde os vários autômatos estavam parados imóveis por todo lado, e logo já estávamos descendo o elevador até o subsolo, onde aquela fantasma d’água estava.

Nega Fulor
Leitora compulsiva. Escritora obsessiva. Artista nas horas vagas.

4 Comentários

  1. Estou no aguardo do proximo capitulo…rsrsrs literalmente usei minha magia de “Buraco Negro” e suguei todos os caps. akskakskakska

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