DS – Capítulo 157

Caminhando penosamente pelos restos queimados da floresta, Ravil proferiu uma série de obscenidades sem fim enquanto ele mantinha o ritmo do maldito dos infernos do Lei Gong. Lorde dos Malditos Trovões, está mais para Lorde dos Peidos Barulhentos. O maldito velho fedido  insistiu em seguir Ravil e seus bandidos escolhidos, incluindo uma dúzia de Sentinelas, deixando o resto com Bulat para manter um olho em Jorani. Isso significava que Ravil foi forçado a ajudar a lutar contra o fogo, já que foi sua desculpa para ir embora. Se não fosse pela chuva fortuita, provavelmente ele ainda estaria jogando baldes de água e terra nas chamas ao lado de alguns civis estúpidos do caralho, tempo desperdiçado quando ele poderia estar procurando pelo Chefe.

Tudo por causa de um bandido senil que queria “esticar suas pernas”.

Ponha uma flecha na parte de trás da cabeça dele, ele nem vai ver.

Suspirando melancolicamente com a imagem em sua mente, ele apressou seus passos para marchar ao lado do velho maldito. — Então, onde exatamente estamos indo? Você não foi exatamente acessível. — Não, você gastou seu tempo inteiro comendo e bebendo como um rei, até nós passarmos pela vila queimada. Agora estamos aqui correndo como cachorros, e por que?

Sem seu sorriso de costume, Lei Gong encarou ao longe enquanto se movia, como um predador faminto a procura de uma refeição. — Cê não consegue sentir o cheiro?

— Não consigo sentir o cheiro de nada além de fumaça e cinzas. — E dos seus peidos, parece que algo morreu aí dentro e está lentamente apodrecendo.

— Bom, as florestas estão cheias disso, o fedor do poder Corrompido agarrado no ar. Algo grande veio por aqui, o bastante para macular a terra, e está ficando mais forte conforme nos movemos o sul.

Corrompidos do caralho… mas se o chefe fosse ser encontrado, seria lutando contra o Corrompido com um sorriso em seu rosto, o maníaco por batalhas. Querendo se livrar do velho para que ele pudesse fugir com os Sentinelas, Ravil bebeu um gole de água antes de zombar. — Então? Eu não sou um soldado, não sou pago para lutar mais. Vamos deixar o exército cuidar disso.

Balançando suas sobrancelhas brancas, Lei Gong riu levemente. — Cê luta com fogo mas não com Corrompidos? Cê é um covarde, não é mesmo? Desertores geralmente são.

Resistindo a vontade de atacar, Ravil cerrou seus dentes e contou até dez. — Vai se foder. Eu vou partir agora e levar meus homens comigo.

— Mas nem fodendo que vai. — Fixando Ravil com um olhar duro, Lei Gong mostrou seus dentes. — Ouça bem, eu vim junto de curiosidade, queria sabe quem cês realmente eram. Isso não importa muito agora.

— Eu te disse quem eu sou. — Velho gagá paranóico do caralho.

— Não pode mentir para um mentiroso. Antigo soldado claro, isso explica suas habilidades. Cê tem aquela aparência de rato da cidade, pronto para esfaquear qualquer um que te olhar engraçado, então eu acredito também. — Olhando para ele de cima a baixo, Lei Gong zombou ironicamente. — O problema é, nem ferrando cê é de Shen Mu. Cê teria me atacado no escuro por comparar a Árvore Divina com o Arvoredo de Sanshu.

Merda. Abrindo sua boca para falar, ele rapidamente fechou o bico com um olhar do velho maldito. Ele pode ser decrépito, mas o veterano grisalho era forte demais para Ravil ganhar dele em uma luta justa. Boa coisa que ele não gosta de lutas justas. Atrás de suas costas, Ravil fez uma série de sinais de mão para os Sentinelas.

Desatento aos movimentos ao redor dele, Lei Gong continuou a falar. — Achei muitos “bandidos” suspeitos, cê nem é o mais perigoso. Um pequeno grupo luta bem, anda a cavalo bem, e atiram como se tivessem nascido com um arco na mão. Então, por que há um grupo de elite apoiaria uma gangue de bandidos, roubando suprimentos do exército do Conselho só para trabalharem duas vezes mais para que eles possam entregar os suprimentos para Shen Yun? — Balançando sua mão prevendo qualquer desculpa, Lei Gong balançou sua cabeça. — Com Corrompidos na mistura, eu to cagando agora. Cês são soldados, forçadamente recrutados, sinceramente. Até nos matarmos a escória Corrompida, eu sou seu oficial comandante e cês são meus soldadinhos. Agora calem a boca e marchem, isso é uma ordem.

Sorrindo cordialmente para o velho maldito, Ravil deu uma saudação casual e continuou correndo ao seu lado, sinalizando para os Sentinelas relaxarem. O homem sabia demais, mas ele podia ser útil contra os Corrompidos, então não fazia sentido lutar com ele agora. Se o pior vier, ele sempre podia mandar alguém dar um tiro amigo no velho, Ravil gostava mais dessas chances.

Marchando um dia e uma noite inteiras quase sem descansar, Ravil estava tão ansioso quanto Lei Gong para encontrar os Corrompidos. Enquanto eles se moviam para o sul, a floresta ficava mais densa ao redor deles, verdejante e vivaz. Não demorou até eles passarem por uma trilha de marcas de uma dúzia de homens, provavelmente candidatos como qualquer outro. Seguindo a trilha por uma hora, eles ouviram o bater de cascos de cavalo se aproximando e espiaram o cavalo em pânico galopando pelas árvores. Se espalhando, eles capturaram facilmente o cavalo, sua boca espumando enquanto seus flancos arqueavam de exaustão.

Um chorinho queixoso chamou sua atenção, e Ravil abriu a bolsa cautelosamente só para encontrar um filhote de urso dentro, tremendo de medo. A outra bolsa revelou  um outro filhote, e Ravil trocou um olhar sabido com os outros Sentinelas. Animaizinhos fofos? Quem mais poderia ser?

— Cê tem algo? — A voz de Lei Gong explodiu com autoridade.

— Talvez. Eu acho que deveríamos ir para o leste, descobrir de onde esse cavalo veio. Tinha que estar fugindo de algo.

Com um olhar pensativo, Lei Gong olhou para o leste e então de volta para o sul onde a trilha levava. — Parece um pouco fina. Se incomoda de dar uma desculpa melhor? Ou talvez contar a verdade?

Com um dar de ombros relaxado, Ravil fingiu indiferença enquanto ele lutava para achar uma desculpa, mas a Mãe providenciou. A cabeça de Lei Gong se virou para leste de repente, vendo ou sentindo algo que os outros não conseguiam. Correndo sem uma palavra, o velho maldito saiu disparado, deixando Ravil abismado com sua velocidade. Oferecendo um agradecimento silencioso a Mãe, ele encarregou um Sentinela para tomar conta dos cavalos e dos filhotes antes de seguir Lei Gong.

Era importante se certificar que eles fossem bem cuidados. Rindo enquanto ele corria, Ravil balançou sua cabeça deslumbrado. No meio de uma luta contra os Corrompidos, sozinho ainda por cima, e o Chefe ainda tinha tempo para colecionar animais.

Caralho, conhecendo o Chefe, ele pode muito bem ter outra esposa na fila.

Seu estômago fervia com ansiedade enquanto Qingqing rezava para que Bei pegasse sua mão. A batalha de Baledagh contra Gen continuava em um concerto de batidas, o sorriso feroz de Baledagh uma visão aterrorizante. Dançando ao redor dos ataques ineptos de Gen, ele fazia o caçador experiente parecer uma criança, apesar de uma mão esquisita nascida dos pesadelos. Ela foi acordado pela tremedeira frenética de Deng, confusa e em pânico pelo caos ao redor deles, aterrorizada pela chacina de cadáveres mutilados ao redor dela, mas ela se recusava a partir sem Bei. — Não é sua culpa Bei, é dele. Gen fez tudo isso, venha comigo por enquanto. Nós ficaremos bem, Baledagh vai ganhar e Gen vai pagar por seus crimes.

Pobre Bei, traída pelo homem que ela desejou por tanto tempo. Qingqing sempre soube que Gen era ciumento e possessivo, mas ela nunca pensou que ele seria capaz de tal tortura sádica, nunca em dez mil anos. Baledagh era conhecido como um médico habilidoso, talvez ele fosse capaz de ajudar Bei. Seus olhos colados na batalha, ela murmurou sem pensar. — Você não teve escolha, você teve que matar Tio Wei ou Gen teria te matado.

As palavras mal sairam de sua boca antes dela perceber seu erro, mãos voando para cobrir sua boca enquanto sangue se esvaia do rosto de Bei. — Oh Bei, me desculpe eu não quis falar disso. Por favor, só venha comigo e nós vamos passar por isso juntas. Eu estou aqui para você.

Uma canção de ninar excruciante se passou conforme a expressão vazia de Bei encarava para trás, perda e auto-culpa claras em seu rosto. Desesperadamente puxando seu braço, Deng chiou:

— Nós precisamos ir embora agora, Gen não nos notou, mas se ele notar nós estaremos em perigo.

Dispensando suas preocupações, ela se focou no lado ileso do rosto de Bei, olhando em seus olhos e rezando para que suas palavras alcançassem sua melhor amiga. — Por favor Bei, não desista. Lembra daquelas vezes que nós falavamos sobre fugirmos juntas? Elas não podem ter sido mentiras. Nós fomos amigas uma vez, tão próximas quanto irmãs, e eu quero ser assim de novo. Um novo começo, tá bom? — Um meio sorriso apareceu em seu rosto enquanto Bei assenti quase imperceptivelmente, a tensão desaparecendo de seus ombros enquanto seu corpo relaxava, e Qingqing deixou sair um suspiro de alívio.

Graças a Mãe, tudo ficaria bem.

Os gritos de Gen perfuraram o silêncio e ela se encolheu, se virando para ver ele cair no fogo, rolando em um pânico frenético. Com um sorriso satisfeito, escuro e agourento, Baledagh foi até Gen com escudo em sua mão. — Corrompido ou aldeão, você não é nada. Uma mosca insignificante, mal vale o esforço te esmagar.  Morrer pelas minhas mãos é um honra que você não merece, mas eu vou lhe garanti-la mesmo assim. — Seu braço se levantado no ar, Baledagh congelou no meio do golpe, se virando para ela com seus olhos em pânico. — Qingqing, corra!

Se afastando instintivamente, Qingqing se virou para ver o rost de Bei se dividir enquanto sua boca se abriu em sofrimento silencioso, sua pele ilesa ondulando como milhares de serpentes, descascando para revelar a carne vermelha e o sangue carmesim por baixo. Pûs claro irrompeu de dentro, se misturando com sangue e cobrindo o corpo de Bei enquanto jorrava em uma torrente, endurecendo ao redor dela como carne rosa-vítreo, transparente. Um choro inumano explodiu de sua boca enquanto a criatura expandia em tamanho, brotando em uma forma lustrosa, delgada com curvas lustrosas terminando em bordas afiadas, arredondadas. O cabelo preto e longo de Bei fluía como seda na cabeça inclinada da criatura, enquadrando um rosto esfolado com olhos vazios e lábios voluptuosos contorcidos em um sorriso mal formado, prometendo prazer e violência com seu olhar sedutor.

A puxação de Deng parou enquanto ele empurrava Qingqing para o lado, indo em direção a criatura com seus olhos arregalados de admiração. — Tão linda… — Braços abertos como se pronto para abraçar sua amante, Deng estava com um sorriso tolo quando a criatura reagiu. Sua mão afagou seu rosto, deixando uma trilha de sangue antes de puxá-lo para seus seios. Tremendo em êxtase, Deng aceitou o abraço sem resistir, boca aberta em êxtase silencioso enquanto sua pele descascava, sua carne derretendo e indo para dentro da criatura em uma corrente visível de sangue e vísceras fluindo ao redor de seu corpo.

Chocada, Qingqing mal sentiu o braço de Baledagh em sua cintura e a levantando, carregando ela para longe do perigo. Mãos descansando em seu ombro, ela tinha uma clara visão da criatura se contorcendo enquanto devorava o pobre Deng, deixando nada além da pele e roupas. O tempo desacelerou quando a criatura se virou para encará-los, sua carne vítrea exposta se amontoou em uma careta. Levantando uma única mão, ela balançou seu dedo como se repreendesse uma criança, ficando de pé de maneira coquete com uma mão no quadril em paródia as donas de casa de todo lugar.

Aparecendo diante dela em um piscar de olhos, o peito de Qingqing explodiu de dor conforme o golpe poderoso da criatura arremessava Baledagh para o lado. Seus olhos se abaixaram para ver a mão da criatura enterrada em seu peito, pele descascando da ferida em todas as direções. O cheiro metálico de sangue enchia sua boca enquanto suas mãos e pés pendiam inutilmente no ar, a criatura que costumava ser Bei sorria tolamente como se dissesse “Eu sempre te odiei”.

— NÃO!! — Um grito desolador ecoou pela floresta enquanto Baledagh decepava o braço da criatura, e Qingqing caía no chão como um monte de palha. Seu corpo ficando frio e deixando de responder, ela assistia a batalha se desenrolar, Baledagh impotente diante da criatura como Gen estava impotente diante dele. Acabando tão rápido como começou, a arma de Baledagh rebateu na pele da criatura enquanto sua mão remanescente perfurava a barriga dele. Com uma agitada poderosa do pulso, a criatura arremessou Baledagh no chão, seu corpo deslizando na terra até para a alguns metros dela.

Gemendo enquanto ele olhava ela nos olhos, Qingqing viu tristeza e desespero gravados em seu rosto, seu coração quebrando por ele. A criatura não estava com pressa de acabar a batalha, ela andou para pegar seu braço decepado. Se arrastando até ela, Baledagh deixou uma trilha de sangue carmesim no chão atrás dele. Lágrimas caindo de seus olhos, ele esticou sua mão para afagar seu cabelo e pôs sua mão na bochecha dela, sem fôlego por causa da dor e do desespero. — Me desculpe Qingqing, eu não fui forte o bastante. Eu sou um imprestável, nem consegui proteger a mulher que amo.

Com uma respiração estremecida, Qingqing sorria, estupidamente feliz apesar das circunstâncias deles. Que homem tolo, proferindo seu amor por uma garota comum sem qualidades que a redimiam. Que história seria, amantes destinados a se encontrar em circunstâncias infelizes. Em outra vida, com outras decisões, tudo podia ter dado certo, apesar dela duvidar. Ele era tão parecido com os filhotes de urso, tímido e inocente, adorável e dependeu dela por um curto período de tempo, mas destinado a se tornar algo formidável demais para ela lidar. Eles eram de mundos diferentes, e foi algo feliz ela ter encontrado ele tão cedo na vida dele. Tão jovem e caprichoso, capaz de declarar seu amor depois de duas curtas decanas juntos, em alguns anos ele se tornaria uma pessoa totalmente diferente, a pessoa que ela esperava que ele fosse, frio e cruel.

Se apenas ela não tivesse mal entendido ele, talvez as coisas teriam sido diferentes. Se apenas ela fosse mais gentil com Gen, então talvez ele não teria pirado e Baledagh não teria espancado ele. Se apenas ela tivesse corrido mais rápido em seu cavalo então talvez eles tivessem passado do fogo e deixado todos esses problemas para trás. Ou se apenas ela não fosse tão covarde, fugindo enquanto ele dormia, talvez ela podia ter escapada de um destino tão terrível.

Eles teriam acordado de manhã e partido para encontrar as pessoas dele, talvez até se apaixonando de verdade, um redemoinho de romance para atingir o Império como uma tempestade. Ela daria a luz aos seus filhos para criá-los junto com seus filhotes adoráveis, criancinhas bochechudas rindo e brincando sem nada a temer. Ela estudaria para se tornar uma herbalista ou iátrica, talvez até uma médica dado tempo e ensino, deixando seus pais orgulhosos. Uma vida maravilhosa de amor e aventura com seu herói, seu Baledagh.

Tantos e “se” e “talvez”, palavras cruéis que é melhor não serem ditas. Esticando seu braço para pegar sua mão, ela tentou agradecer ele, se desculpar, dizer que era culpa dela, que ele não era imprestável e que ela não merecia seu amor. Incapaz de reunir fôlego para falar, ela encarou amorosamente seus olhos marrom-dourados deslumbrantes, desesperadamente tentando transmitir suas palavras para ele.

Você é extraordinário e sem igual, bravo e heróico, então se salve. Não morra aqui, não por uma órfã sem nome sem nada para oferecer. Me deixe para trás, fuja, e esqueça tudo sobre mim. Não se torne amargo e fatigado, eu não valho a pena. Em outro tempo, em outro lugar, se a Mãe permitir, talvez nos conheçamos de novo e nos apaixonamos, vivendo nossas vidas juntos em harmonia abençoada.

 

Mas não nessa vida. Simplesmente, não era para ser.

 

Obrigado por me dar esperança, meu doce, e que vive corando, Baledagh.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

2 Comentários

  1. todo mundo reclamando dessa parte e eu não entendo o pq. Tem um desenvolvimento interessante na personalidade desse outro Rain(coisa q tava faltando na minha opinião, apesar de eu ainda não gostar dele como pessoa e sim como personagem q funciona bem na trama) e a Qing é um personagem interesante, apesar de ser óbvio deis do início q ela ia morrer

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!