DS – Capítulo 159

Entrando na clareira, o estômago de Ravil se contorceu enquanto ele avaliava a morte e carnificina. Derramamento de sangue era uma coisa, mas isso era doentio. Fluídos corporais de pelo menos meia dúzia de aldeões estavam espalhados, como uma pintura oleosa tirada de uma mente se afogando na loucura. Um anel de cabeças intactas estava em uma fila organizada, todas encarado a fogueira fumegando, uma audiência mórbida para uma refeição repulsiva, seus rostos para sempre contorcidos em medo e agonia.

Corrompidos do caralho, que o Pai tome todos em sangue e fogo.

Isso não era nenhum pouco como as ruas de Shen Huo, onde a morte era cruel, mas rápida. Uma faca nas costelas ou uma porrada na cabeça acabava com as coisas em um instante, sem problemas e bagunça mínima. Não os Corrompidos, não, eles gostavam de fazer suas presas sofrerem mesmo depois da morte, profanando cadáveres em jeitos indizíveis e fazendo disso um show para o divertimento depravado deles. Sinalizando para os outros, Ravil engoliu a raiva e nojo e andou pelo campo, arco em mãos e nervos a flor da pele enquanto avaliava a área em busca de sinais de perigo, sobreviventes ou o Chefe.

Agora não era hora de ficar doente, vomitar teria de esperar.

Gesticulando para seus homens se espalharem, ele se moveu em direção à Lei Gong, o velho maldito sentado na grama com seu bastão em seus joelhos. Um visão patética, mais do que o normal pelo menos, seus olhos estavam fechados em concentração enquanto ele se curava, a pele vermelha viva ao redor de seu rosto visivelmente inchando em bolhas cheias de fluídos. Vários chumaços de cabelo do tamanho de punhos estavam faltando de sua cabeça e barba, a pele em suas mãos enegrecida e queimada. Suas roupas em farrapos carbonizados e seu peito e abdômen tinham vários cortes limpos, perfeitamente espaçados e jorrando sangue negro, infectado. Vendo ele assim dificultava lembrar que Lei Gong era um antigo Tenente-Coronel e não um mendigo imundo, com doenças.

Engolindo seco, Ravil sussurrou:

— Mãe do Céu, o que aconteceu aqui?

Ele quase escapuliu de suas botas quando Lei Gong abriu seus olhos e falou: — Demorou hein, o que cê fez, vei caminhando até aqui? Encontrei um Demônio isso sim, um recém caído. Senti ele se transformar e vim correndo, bati nele até que um Corrompido de merda começou a lançar fogo como um macaco jogando merda. Eu acho que ambos vieram da vila ao norte, onde o fedor começou. Não vi outros, mas não quer dizer que não estejam aqui, lembra daquelas rastros? — Se encolhendo de dor, ele gesticulou atrás de Ravil com seu queixo. — Se não fosse pelo Oficial Falling Rain aí puxando meu rabo do fogo, eu teria morrido, não tenho vergonha de admitir. Distraiu o maldito Corrompido por tempo o bastante para eu enviar os dois correndo para as colinas. Porém, me custou algo, tome cuidado que eles não voltem para terminar o trabalho.

Resistindo a vontade correr e checar o Chefe, Ravil levantou suas sobrancelhas e franziu seus lábios, fingindo não ligar para as feridas do velho maldito. — Você vai viver? — Mais fácil para todos se ele morresse heroicamente, com canções sobre sua última luta contra um Demônio terrível. — Precisa que eu te ajude a partir, rápido e indolor?

— Na, cê não parece tão triste, seu — cough, cough — bandido malvado, eu sofri mais em alguns puteiros. Isso nun é nada sério. — Limpando o sangue caindo de seu queixo, Lei Gong sorriu e balançou suas sobrancelhas brancas e cheias, agora com pontas chamuscadas. — Cê vai ter que alertar o exército, o Demônio vai se tornar astuto dado tempo para crescer, velocidade incrível e… — Tocando seu peito, ele mostrou os fluídos que não pareciam saudáveis para Ravil ver. — Venenoso pelo andar da carroça.

Caralho se ele não estava começando a respeitar o velho filho da puta durão. — Então e agora? — Casualmente desviando o olhar, Ravil escaneou a área, negligenciando o Chefe até um escudo familiar chamou sua atenção. Mesmo assim, a pele amarelada e quase só pele e osso vestido com roupas de plebeu deixava o Chefe quase irreconhecível. Mãe ajude ele, por favor esteja vivo.

Bufando, Lei Gong voltou a sua postura sentado. — Eu paro de segurar sua mão e volto a cuidar das minhas feridas. Cê é um garoto grandinho, cê sabe o que fazer. Não deixe Falling Rain partir antes que eu fale com ele, bata nele cê precisar. Eles chamam ele de “imortal”, então eu espero ele sobreviver a um ou dois tapas de amor, haha.

Depois de se certificar que os olhos do velho maldito estavam fechados, Ravil correu até o Chefe em pânico para checar se ele estava respirando. Sentindo o ar quente contra sua palma, ele soltou um suspiro de alívio, ombros cedendo enquanto ele agradecia a Mãe por hábito. Mãe isso e Mãe aquilo, ele parecia um daqueles amantes da Mãe que compraram a idéia toda da Milícia da Mãe, sempre falando das glórias Dela.

Ainda, só o Chefe conseguiria dormir depois de uma luta de vida ou morte, tratando isso como qualquer outro dia. Porra, aparência pálida de lado, ele parecia estar melhor que o Lei Gong, com só uma ferida no estômago que já estava fechada, as habilidades famosas do Chefe trabalhando duro. Olhando para os Sentinelas e bandidos encarando, ele os encarando com seu olhar mais feroz. — O que vocês estão olhando maravilhados? Idiotas de olhos esbugalhados, boca de peixe e desmiolados, não me ouviram? Há um Demônio a solta. Protejam a área, montem acampamento e mantenho seus olhos abertos. Eu quero dois esquadrões vigiando a toda hora em turnos, o resto de vocês cubra aqueles corpos, os jattuya já estão circulando. Nós vamos dar aqueles pobres malditos um funeral adequado depois que as coisas estiverem arrumadas. Você vá pegar o cavalo e os filhotes de urso.

Tomando posição na frente do Chefe, Ravil girou uma flecha em sua mão e encarou Lei Gong se curando, contemplando encher o antigo  Tenente-Coronel de buracos de flecha. Com ele metendo o nariz em todo lugar, o maldito esperto já sabia demais e essa era a oportunidade perfeita para silenciá-lo. Ainda, parecia um pobre fim para um homem que acabou de lutar com um Demônio e o Chefe pode ficar irritado se Ravil desperdiçasse seus esforços em salvar o velho mendigo. Pondo a flecha de volta em sua aljava, Ravil fez o que ele sempre fazia quando deparado com decisões difíceis: ele deixava outra pessoa lidar com elas.

Se o Chefe quisesse Lei Gong morto, então ele só precisava falar e Ravil colocaria uma flecha entre os olhos do velho maldito.

Depois de meia hora, o corredor voltou com os animais do Chefe e Ravil despejou as bolas de pêlo perto do Chefe, abaixando eles no chão ainda dentro de suas bolsas. Por mais fofinhos que eles parecessem, eles ainda eram ursos e ele tinha certeza que eles morderiam se tivessem um alvo. Ao regenerar seus olhos pareceu que alguém tinha colocado carvões em brasa dentro de seu crânio, e ele não estava com pressa de experimentar o que era regenerar uma mão.

Depois de um pequeno empurrão para tirá-los da bolsa, os filhotes tremendo rapidamente encontraram suas estribeiras. Soltando choros de dar pena, eles avançaram até os braços imóveis do Chefe, pressionando seus narizes contra sua pele enquanto davam patadas nele. A reunião sincera lembrou Ravil de sua quin, Jinx, e de novo ele quis não ter deixado ela para trás com Rustram. Um animal doce, burra como um saco de pedras, mas ela sempre chiava de alegria quando ele afagava seu pêlo espesso. Não havia o que fazer, os quins eram reconhecíveis demais para um trabalho nas sombras. Ainda, não era tão mal, ela ficaria feliz com os outros quins, ficando gorda e brincando. A besta provavelmente já esqueceu tudo sobre ele agora, feliz como uma criança em uma loja de doces.

Um gemido irritado acordou Ravil de seus pensamentos enquanto o Chefe se apoiou para afagar os filhotes, casualmente escaneando seus arredores. — Argh, narizes frios! Vocês tem sorte por serem fofos, ou eu engordaria vocês para comer. Que porra, eu vou ir a falência alimentando vocês suas latinhas de lixo, não vou? — Bancando o bobo, ele deu um olhar confuso para Ravil, silenciosamente perguntando se era seguro falar abertamente. Balançando sua cabeça levemente, Ravil gesticulou em direção a Lei Gong, incerto se o velho maldito, astuto ainda estava ouvindo. Entendendo, o Chefe assentiu sabiamente:

— Olá, estranho. Você é um Ascendente?

Talentoso em tantas áreas, o Chefe podia ser perdoado por ser um ator horrível. — Não, eu sou Ravil, da Milícia da Mãe. Porém, eu estou aqui com Lei Gong.

— Eu sou Falling Rain. Éee… prazer em te conhecer. — Um silêncio estranho preencheu o ar enquanto eles buscavam palavras, tentando se comunicar em aberto sem se entregarem. O Chefe voltou a escanear os arredores, franzindo enquanto estudava o velho maldito. — Por que o sangue dele está preto?

— O Demônio era venenoso, ele diz que vai ficar bem.

— Estranho, ele não me envenenou… — Deixando de lado os filhotes, o Chefe ficou de pé e deu tapas em si a fim de se limpar, quase não conseguindo manter sua cabeça para cima enquanto ele cambaleava em direção ao velho maldito. Quase caindo, ele inspecionou cuidadosamente os cortes, cautelosamente movendo os pedaços de pano para olhar melhor. — Merda, não é veneno, algo está comendo a carne dele. Garras cáusticas e fodem mentes, Demônios são tão cheios de surpresas. — Se virando de volta para Ravil, ele inclinou a cabeça. — De qualquer jeito vamos dar uma volta, eu acho…

Sem aviso, as mãos do velho maldito se abriram e pegaram o chefe, puxando ele para um abraço mortal. O arco de Ravil se ergue em um instante, flecha pronta para atirar enquanto Lei Gong pressionava seu bastão contra a garganta do Chefe. — Solte ele. — Os Sentinelas seguiram Ravil, cercando o velho maldito com arcos prontos.

— Ha, eu sabia, a Milícia da Mãe estava mancomunados com os Bekhai. Sua reação prova. — Sorrindo selvagemente enquanto ele se escondia atrás do chefe, os olhos de Lei Gong estavam arregalados de alegria enquanto Ravil amaldiçoava sua própria estupidez. — São aqueles ursos, cê descobriu que eram dele, é por isso que cê tava tão ansioso para seguir a trilha do cavalo. Finalmente! Nun tem nada mais irritante que um quebra-cabeça meio resolvido. Meu dinheiro estava na garota raposa Yuzhen, então eu tentei deixar para lá, sem dano sem sujeira depois de tudo. Porém, eu não podia ir embora, não saber com certeza me incomodava muito. — Sorrindo mesmo com dor, Lei Gong riu quietamente em admiração ao Chefe. — Molequinho esperto. Corajoso também, nem piscou quando eu me apresentei, só se deitou para dormir sem nem um “como cê vai”. Não sente medo fácil, né?

O Chefe ofegou um resposta enquanto ele agarrava o bastão dele. — Mentira. Seu fedor me aterroriza.

O peito de Ravil se encheu de orgulho. Mesmo impotente nas mãos do inimigo, o Chefe não o honrava. — Você está cercado. Eu tenho vinte homens com flechas miradas em você. Solte ele agora. — Bom, oito Sentinelas no momento, os antigos bandidos devagar para reagir.

Ouvindo suas palavras, eles pegaram seus arcos só para congelarem no lugar antes de pegarem suas flechas. Deixando cair suas armas, os antigos bandidos e Sentinelas coletivamente arfavam de medo enquanto tremiam incontrolavelmente. Uma presença intimidante enraizado em Ravil, o esmagando sob seu peso, seus braços tremendo enquanto ele lutava para ficar parado.

Sorrindo, Lei Gong balançou sua cabeça. — Agora Ravil alguém tão experiente como você devia saber que números não significam nada contra um expert com Aura. Seja um bom moleque e abaixe seu arco enquanto eu tenho um papo com o Oficial aqui. Maldito seja, mas cê é durão hein. Pensei que levaria horas até você acordar, o que aconteceu com sua ferida no estômago e tudo mais. Acho que eles não te chamam de “imortal” por nada. Preparado para falar de condições?

Tossindo abaixo do bastão, o Chefe arfou:

— Pronto.

Fazendo careta em aversão, Ravil abaixou seu arco, pausando enquanto uma sensação calmante o envolveu, como lavar seu rosto em água gelada. Todos seus medos e dúvidas foram deixados de lado enquanto seu corpo vacilava sob sua nova liberdade. O Chefe falou mais uma vez. — Mirar. — O arco de Ravil voltou para cima em um instante e mirou na cabeça do velho maldito como todos ao redor dele, os outros levantaram seus arcos também, ainda tremendo, mas em controle de suas ações e focados na tarefa em mãos, esperando pelo comando de atirar.

Silêncio reinou enquanto Lei Gong analisava a situação, sua boca abrindo e fechando enquanto ele espiava ao redor, não acreditando em seus olhos. — Pela Vagina Molhada da Mãe… Condensando sua Aura tão jovem, esse velho já viu de tudo. Novas ondas ultrapassando as velhas… Ha… — Balançando sua cabeça, Lei Gong suspirou. — Eu queria companhia na caminhada longa até o abraço da Mãe, mas seria uma puta pena para alguém tão talentoso morrer jovem. — Soltando o Chefe, Lei Gong se caiu no lugar, não mais um guerreiro imponente e selvagem, parecendo exatamente um velho esperando a morte. — Pelo menos eu vou ser poupado de assistir a Purificação, eu não acho que tenha estômago para isso mais.

Ravil quase soltou a flecha até que a mão levantada do Chefe parou ele. — Esperem, — ele arfou, tossindo em ataques enquanto lutava para ficar de pé. — Abaixem suas armas. Continue se curando, velho… me consiga algumas horas… posso neutralizar a corrosão do Demônio… salvar sua vida.

Balançando sua cabeça, Lei Gong suspirou e se deitou, incapaz de se sentar por mais tempo. — Talvez cê possa, talvez não, mas não importa. Cê não vai me deixar ir embora, eu sei demais. Minha curiosidade me custou esse tempo, mas melhor morrer livre do que viver o resto dos meus dias como um escravo.

Uma risada chiada escapou dos lábios do Chefe enquanto ele massageava sua garganta e Ravil se preocupou que a falta de ar deixou ele débil de espírito — Eu disse a mesma coisa uma vez. Realmente parece idiota quando você é que está ouvindo. Não precisa de um juramento de escravo, eu não quero um velho fedorento me servindo. Faça um juramento de segredo. Fique de boca fechada em relação aos meus laços com a Milícia da Mãe e todas as nossas atividades, e eu vou deixar você ir impune, saudável como sempre. Talvez. Você ainda pode morrer se eu não encontrar as ervas certas, então sem promessas.

Sem esperar por uma resposta, o Chefe cambaleou em direção a floresta. Direcionando um Sentinela para preparar o cavalo e colocar os ursos do Chefe, Ravil correu para o lado do Chefe. Apoiando ele enquanto este andava, Ravil sussurrou quietamente: — Você está certo sobre isso? Não há garantia que o velho maldito não vá falar, e essa é nossa melhor chance.

— Eu nunca tenho certeza de nada, mas houve mortes o bastante por hoje. Ele salvou minha vida, então eu deveria tentar salvar a dele, é o certo. Além disso, ele não vai a lugar algum, não até eu tratar ele pelo menos. Eu preciso encontrar algum… — Parando de repente, o Chefe encarou o corpo de uma garota da vila.

Uma puta pena, ela era uma coisa linda em vida, mas pelo menos ela não foi torturada, seu corpo inteiro e intacto. Sentindo a dor do Chefe, Ravil falou sem pensar. — Vocês eram próximos?

— Mais ou menos. — O Chefe se ajoelhou e pegou sua mão. — O nome dela é Ai QIng. Ela salvou minha vida. Me arrastou para fora do lago, me alimentou, me vestiu, e cuidou de mim por decanas enquanto eu me recuperava. Uma alma gentil, o trabalho duro dela a recompensou com nada além de miséria, escárnio dos membros de suas vila e uma morte prematura, sozinha nas matas.

O silêncio era pesado em Ravil enquanto ele assistia, desconfortável em ver esse lado do Chefe. Um tolo de coração mole disposto a lutar pela dignidade de um bando de aleijados, um homem que arriscou tudo para ajudar um grupo de estranhos, e, embora Ravil fosse grato, ele se preocupava com o Chefe. Bons homens com frequência morrem cedo, por causas que não são as suas.

Depois de uma pausa estranha, Ravil limpou sua garganta e murmurou suas condolências. — Ela fez um grande serviço ao Império.

— Ha. Você acha que isso passou pela mente dela quando ela estava morrendo? Eu duvido. Seus últimos pensamentos foram provavelmente cheios de arrependimento, amaldiçoando por ter algum dia me conhecido.

— … Chefe, não é sua culpa que ela morreu, e ela é só… É…

Sorrindo com tristeza, o Chefe olhou para Ravil e balançou sua cabeça. — E ela é só uma aldeã, certo? Uma boa troca, a vida dela pela minha, uma ninguém por um “Herói do Império”…  Besteira. Provavelmente, eu tive mais experiências de quase morte do que ela teve anos de vida, ela tinha melhores chances de chegar aos oitenta do que eu. Tudo que ela queria era ver o mundo. Ela sonhava em se tornar uma herbalista ou iátrica, então quem sabe, e se ela estivesse a alguns anos de inventar um novo tratamento, que mudasse nossas vidas? Talvez aquele velho deveria ter sido o próximo grande filósofo, ou aquela caveira pertencia a um músico brilhante, ou alguém aqui deveria ter dado a luz a um herói do destino… Tanto potencial perdido, você que deveria entender melhor disso. Um ano atrás você mal conseguia segurar um arco direito, meio ano atrás você estava pronto para desistir e morrer em obscuridade, e olhe agora. Como minha vida é mais valiosa do que a de qualquer pessoa aqui? Por que eu fui… — Suspirando enquanto se levantava, o Chefe fez careta e andou até seu cavalo e ursos ainda esperando. — Desculpa, eu só estou tendo uma crise existencial. Não se preocupe.

Pegando as rédeas do cavalo, Ravil lutou para organizar seus pensamentos. Limpando sua garganta, ele olhou para cima e falou o que pensava. — Chefe, eu sou só um rato de rua e não entendo muito. Eu não vou dizer que tudo é como a Mãe quer, porque eu acho que isso é um monte de merda, sempre achei. Eu tomo minhas próprias decisões, e, apesar do destino cagar em mim todo no fim, elas foram minhas escolhas. É o mesmo para ela, ela tomou a decisão de te salvar e eu sou grato pelo sacrifício dela. Dado a chance, eu faria a mesma coisa que ela fez, minha vida pela sua. Você é o melhor homem que eu conheço, e eu te devo mais do que eu poderia pagar em dez vidas. — Dando de ombros timidamente, ele adicionou:

— Claro, isso não significa muito vindo de mim, eu não conheço muitos bons homens, mas todos os outros sentem o mesmo.

Depois de uma longa pausa, o Chefe se inclinou para dar um tapinha em seu ombro, sorrindo com tristeza. — Obrigado. Na verdade, significa muito vindo de você, eu pensei que você ainda me odiava. Porém, eu não preciso de mártires, o que eu preciso é de soldados vivos. É necessário dinheiro e tempo demais para se treinar novos soldados. — Batendo em suas bochechas, o Chefe se virou para seu assento no cavalo. — Certo, chega de bobagem sem energia, vamos salvar o Lorde do Trovão.

Rindo baixinho, Ravil seguiu atrás em uma corrida fácil. É só salvar o Lorde do Trovão, nada impressionante demais.

Era bom ter o Chefe de volta.

— Então, Ravil, o que eu perdi enquanto estava fora? E o que Lei Gong quis dizer quando ele mencionou uma purificação? Eu não estou entendendo algo, ou ele estava preocupado que eu iria vomitar nele?

Quase pisando em falso, Ravil encarou o Chefe. Não importa quantas vezes isso vinha tona, ele continuava esquecendo da maior fraqueza do Chefe: uma completa falta de senso comum.

 

O Chefe não ia gostar disso. Se alguns aldeões mortos eram o bastante para uma crise existencial, como ele iria reagir com uma Purificação em massa?

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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