DS – Capítulo 162

Soltando um longo suspiro enquanto caía em sua mesa, Yuzhen olhou melancolicamente para a janela. A luz do luar refletida no lago e iluminava a cena noturna, as três árvores titulares de Sanshu visíveis ao longe. Titãs acima da copa das árvores, elas se destacavam contra o horizonte enquanto os vagalumes voavam como pequenas estrelas que desceram para visitar a costa do lago. No segundo andar de um restaurante pitoresco, ela ordenou que o prédio inteiro fosse usado só para ela, se apaixonando com a vista depois de uma única refeição.

Oh, como ela queria estar lá fora entre as árvores, andando sem se preocupar com nada ao invés de ficar presa aqui tendo que lidar com uma pilha de cartas, encomendas, demandas e ultimatos sob à luz de uma única vela. Se não fosse pela proximidade com a cidade de Sanshu, ela poderia ter feito uma oferta para comprar o prédio pequeno e aconchegante só para ela, um lugar para se viver… após sua aposentadoria. O segundo andar poderia ser facilmente convertido em uma área de visitas espaçosa e, ao mesmo tempo, continuaria a funcionar como um restaurante no primeiro andar, até que uma boa vida para ela. É uma pena que ela não sabia o básico sobre cozinhar ou possuir um restaurante, porém Yuzhen teria muito tempo para aprender. Aos 38 anos de idade, menos de um décimo de sua expectativa de vida natural, e eventualmente uma fonte de renda constante seria necessária. Como um disfarce das suas atividades de roubo virtuosas…  

Tremendo por conta de suas fantasias selvagem, ela se repreendeu por ficar distraída. Apesar dela não ter nenhuma intenção de gastar sua vida longa soterrada embaixo de uma montanha de papéis, até tal tempo quando liberdade pudesse ser achada, esse trabalho era sua vida. Falhar aqui era inaceitável, não depois de tudo que seu velho arriscou para que ela chegasse tão longe. Fechando seus olhos, Yuzhen respirou fundo e massageou suas têmporas, se preparando para refocar em seus afazeres.

— Dor de cabeça, minha bela? Sorte a sua, eu tenho o remédio perfeito, uma boa companhia e uma boa bebida.

Movendo-se em seu assento, Yuzhen alcançou sua espada sem sequer perceber, encarando o intruso com seu olhar mais feroz. Impassível diante de seus melhores esforços, Gerel recostou-se em sua cadeira na frente dela e encarou seu olhar com seus olhos âmbar impressionantes, um sorriso de auto-satisfação estampado em seu rosto irritantemente bonito. Uma pena que ele insistiu em raspar a cabeça, ele pareceria melhor com a cabeça cheia de cabelo. — Eu te disse para parar com isso. Pelos peitos da Mãe, eu quase gritei para meus guardas, você é mais sorrateiro do que uma maldita Fúria.

Com um dar de ombros preguiçoso, o sorriso de Gerel se tornou irônico. — Eu não tenho outra escolha, é você que quer manter nossos encontros um segredo. — Uma insinuação de reclamação apareceu em seu tom, sua visão no assunto já foi deixada clara no assunto. — De que outro jeito eu vou te encontrar se não por furtividade e enganação?

Ignorando seu tom machucado, ela desistiu de sua persona gélida e relaxou. — Você está certo de que não te viram? Nem mesmo meus guardas?

Fingindo estar ferido, ele revirou seus olhos. — Você me subestima. Se você está tão preocupada, diga a palavra e eu vou substituir seus guardas com minhas pessoas enquanto me livro dos espiões desajeitados mantendo um olho em você. Então eu vou ser livre para ir e vir sem preocupações, o que você me diz?

Lutando para manter seu sorriso escondido, ela desviou o olhar e vasculhou sua papelada. Enlouquecedor, ele não tinha direito de sorrir tão docemente. — Eu te disse, eles só seriam trocados por espiões melhores. Mais fácil deixá-los correrem soltos e encontrar as migalhas que eu deixo para eles, me permitindo controlar o que eles relatam para seus superiores.

— Bah. Espionagem e diplomacia, eu não tenho estômago para isso. — Tomando vantagem da distração dela, ele puxou uma carta da mesa e evitou suas mãos conforme ela investiu para recuperá-la. Passando pelo conteúdo da carta em segundos, ele levantou uma única sobrancelha em questionamento. — O que é isso? Uma carta de amor, detalhando como esse “Chao Yong” gostaria de demonstrar a afeição dele por você. — Olhos se estreitando, seu sorriso se tornou perigoso e selvagem, uma transformação que deixou o rabo dela pegando fogo. Se controle mulher, não se perca para a lascívia ainda, há trabalho a ser feito. — Um rival? Eu deveria desafiá-lo para um duelo em sua honra e cortar a garganta dele? Isso te agradaria, minha beldade?

Desistindo do documento, ela cruzou os braços e fez beicinho. — Carta de amor minha bunda, você sabe muito bem que é uma ameaça aberta. Não ouse ir desafiar ele, ele tem vários duelistas notáveis como empregados, e eu não quero ter seu rosto bonito arruinado por cicatrizes.

Com uma mesura zombeteira, Gerel devolveu a carta com ambas as mãos. — Como você comando meu amor, embora eu tema que você seriamente subestima minha proeza, em combate e em recuperação. — Gesticulando para a pilha de papéis, ele pendeu sua cabeça e perguntou:

— Curiosidade me consome, quantos outros rivais eu tenho?

Ela respondeu com uma bufada. — Incontáveis, então é melhor você fazer um poema ou verso para me ganhar de volta antes que eu perca meu interesse em você.

— Uma beldade arrebatadora que eu espero poder abraçar, sentir seus seios fartos, apreciando o sentimento, como duas luas cheias no verão…

Balançando a mão enquanto ela ria, sua letra horrível fazia ela sentir pontadas. — Para, para, eu falei errado. Me perdoa, eu te imploro, nunca faça isso de novo. — Rindo juntos, eles se sentaram quietos por vários instantes antes dela balançar sua cabeça e suspirar. — Por mais que eu aproveite sua companhia, eu não tenho tempo para você hoje. Eu tenho muito trabalho para fazer, defletir e acalmar preocupações pela província.

— Oh? Algo que eu possa ajudar? Eu tenho amigos em lugares altos.

Revirando seus olhos, ela não conseguia não sorrir com carinho para ele. Ele era uma boa companhia quando não estava procurando o principezinho perdido. — Como eu tenho, mas eu não ouso pedir ajuda deles. Todas essas letras são do Conselho e de seus aliados, com mais sem dúvida a caminho de todos os cantos do Império. Entretanto, a Sociedade ainda não se pronunciou e disse a opinião deles, o que me deixa na desvantagem. É uma benção eu acho, eles parecem contentes em assistir o desenrolar das coisas por enquanto. — Bastante afortunado, já que ela não saberia o que fazer se eles se interessassem. Ainda, qualquer ajuda seria bem vinda, embora era meramente um pensamento melancólico da parte dela. Ela foi ignorada por décadas até seu velho se comprometer com seu sonho de fazê-la suceder ele como Marechal do Norte.

Com Gerel como uma caixa de ressonância para ela extravasar suas frustrações, ela delineou sua situação. Para o mundo a fora, eles mostravam a imagem de ser unificados em todas as coisas, apesar de estar fraturados e divisivos em quase todo problema, incluindo apontar ela como a sucessora do velho dela.

Divididos em três facções no assunto, a menor delas, a Progressiva liderado pela Seita da Unidade Harmoniosa, que apoiava a causa dela. Eles sentiram uma mudança nos tempos com a Tenente-General Akanai ganhando favor no Norte, segurando o flanco oeste com graça e aprumo, junto com a indicação forçada de Nian Zu do Major-General Baatar como seu herdeiro aparente. A atitude selvagem da província em relação a meio-bestas estava mudando em uma direção positiva, e eles escolheram Yuzhen como o rosto meio-besta da Sociedade sem nem falar com ela. Que um trio de meio-bestas liderava a Seita da Unidade Harmoniosa também era um fator decisivo, provavelmente, já que ao ajudar ela a ganhar apoio, eles estavam se ajudando.

Se opondo a eles estavam os Tradicionalistas, liderados pela família Shing e apoiados pelo Clã Situ, que insistiam que a indicação dela era um insulto a milhares de anos de história. Pela sua contabilidade, já que não há registros de um meio-besta ter algum dia conseguido se tornar um oficial dessa patente antes, isso provava que um meio-besta nunca seria digno do título de Marechal do Império. Lógica retrógrada, ela não esperava menos da família do velho dela, mas ainda machucava ver eles no leme da campanha de difamação contra ela.

Como sempre quando um problema surgia, um “grupo” neutro era apontado para mediar a situação. O Clã Han tomou o palco central dessa vez, se beneficiando grandemente ao jogar cada lado um contra o outro enquanto discretamente punham seu apoio em leilão. — É diplomacia no seu melhor, — ela delirou enquanto Gerel despejava outro copo de vinho para ela, o pervertido querendo embebedá-la e transar com ela. Normalmente, não teria problema, ele era um amante capaz e se soltar faria bem a ela, mas Yuzhen não tinha tempo agora. — Se não fosse por esse problema com o Concelho, a Sociedade teria me ignorado com alegria até que meu velho morresse. Sem sua proteção ou meus próprios aliados, eu seria sortuda se tivesse uma morte rápida enquanto todos estão distraídos e de luto pela morte de um herói nacional. — O melhor que ela podia esperar era deixar ele acreditar que conseguiu torná-la em seu sucessor, não importando as consequências.

Bebendo o vinho de uma vez, ela bateu o copo vazio na mesa. — Outro. — Esse era o sétimo ou o oitavo copo? Ela precisava visitar o banheiro para ficar sóbria, mas isso nunca era divertido. Despejando outro copo, Gerel assentiu pensativamente e perguntou:

— Como essa situação mudou as coisas?

Um homem doce, ele sabia que ela precisava soltar suas aflições e ele se sentou paciente por toda a reclamação dela. Durante sua tirada, ele trocou de lugar, seu braço ao redor de seus ombros enquanto eles bebiam, e ela acolheu seu toque. Intimidade era natural para ele, ela o viu com os outros Bekhai, mostrando níveis de familiaridade e amizade que ela tinha inveja. E não apenas com mulheres, com homens também, o que trouxe a mente dela todo tipo de pensamentos devassos. — Com o Conselho provavelmente pondo pressão na Sociedade, eles são forçados a lidarem comigo agora, o que significa que eles vão lidar com o meu velho. Eu me preocupo com ele ficar na Ponte sem mim. E se eles marcarem ele para assassinato? Como eu vou proteger ele daqui?

— Não precisa se preocupar, ele está em boas mãos. Ele fez amizade rapidamente com Husolt e Chakha, marido da Akanai e Painho do Huushal. Há vários guardas Khishigs mantendo seu velho seguro, eu me certifiquei disso antes de eu partir.

Se apoiando nele, ela descansou sua cabeça em seu ombro e sorriu. Pelo menos ele não estava atrás só do corpo dela, embora teria sido melhor se ele a oferecesse conforto. “Oh Yuzhen, não precisa se preocupar, eu vou morrer antes de alguém encostar em um fio dessa sua linda cabeça”. Imprestável, cabeça dura. — É bom saber disso. Obrigada. — Se aconchegando nele, ela fechou seus olhos por um momento, se esquentando em seu calor e saboreando seu cheiro almiscarado, o cheiro da floresta. Talvez só alguns minutos, aqui na mesa, só para relaxar…

Se parando antes que ela dormisse ou pior, ela o empurrou e deu tapinhas em suas bochechas. — Chega de flertar, eu te disse que preciso trabalhar. Há cartas que precisam ser elaboradas, para pessoas não relacionadas com o Conselho. É senso comum que a Milícia da Mãe está roubando suprimentos que eram para a Ponte, e eu recebi muitas cartas mordazes me condenando por colocar a província em risco. Com aqueles malditos covardes dos Bandidos e Corsários no saco, como eu vou justificar guardar a entrada e manter soldados no nordeste enquanto a Milícia corre solta apenas alguns dias de viagem? Não é como se eu pudesse anunciar que a Ponte está totalmente estocada e recebendo suprimentos sem interrupção, traria perguntas desnecessárias demais. Esse esquema do Rain começou tão bem, mas agora as coisas estão começando a se desvendar.

— Tch, aquele maldito Rain, deixando tudo isso em movimento e, então, desaparecendo, fazendo só a Mãe sabe o que. — Eles brindaram e beberam outro copo, uma careta amarga em seu rosto. — Eu tenho uma pilha pequena de cartas e uma corrente de Envios me perguntou novidades que eu não tenho. Ele está desaparecido, mas vivo, o que mais eu deveria dizer? Eu deveria estar lutando contra Corrompidos e elevando minha reputação e patente, não aqui procurando por uma criança perdida. Que incômodo, quando eu encontrar ele, eu vou costurar a Insígnia de Oficial dele em sua pele para que isso não aconteça de novo.

Rindo, ela pressionou sua bochecha na mesa. Era tão bom e refrescante, ela queria sentir a briza da noite, mas não conseguia reunir forças para levantar. — Não seja tão duro com ele, Rain é bem esperto. Faz um mês inteiro desde que eu assinei o contrato, e o Conselho ainda não conseguiu fazer uma única entrega exitosa. Eles devem o bastante para os próximos seis meses de suprimentos, e as taxas continuam a se acumular todo dia. Juros compostos é uma coisa maravilhosa, eu não consigo acreditar que ele bolou algo tão deliciosamente desonesto. O Conselho vai ficar verde de arrependimento quando eu apontar essa cláusula do contrato, eu mal consigo me conter.

— Hmph. Ele desperdiça seu tempo em assuntos frívolos desse jeito, sempre preso dentro da cabeça dele. Tantas conquistas enquanto divide seu tempo em tantos assuntos, imagine o que ele seria se Rain se focasse em apenas um caminho, marcial ou cura.

— Na verdade, eu acho que assim é melhor. Os Bekhai já tem muitos guerreiros impressionantes, como Huushal e Sumila. O que eles não tem é um diplomata apropriado, e Rain é o seu melhor candidato para a posição. Ele pensa rápido, é adaptável e desonesto, e o melhor de tudo, humano, o que conta mais do que você pode perceber. Conserte seu comportamento grosseiro, encontre para ele uma esposa ou duas com famílias poderosas, e pouco tempo depois, vocês terão um representante para liderar os Bekhai em direção a proeminência. Não deve ser muito difícil, ele é inteligente, e bonito o suficiente, mulheres amam um herói.

— Ha, o menino já tem duas noivas esperando por ele, e você quer que ele encontre mais uma ou duas esposas? Que sorte de merda que aquele moleque tem, o que é tão bom nele de qualquer jeito?

Oh? Detectando uma nota de ciúmes, ela pensou em usar uma piada recorrente deles. Se sentando com uma carranca pensativa e inocente, ela deu sua melhor performance. — Ele já tem noivas? E aqui estava eu pensando em seduzi-lo para mim mesma. Você sabe como eu gosto de homens mais velhos, e você está ficando um pouco grisalho para os meus gostos.

Ansiosamente esperando que sua raiva se aflorasse enquanto ela assistia ele se sacudir com suas palavras, ela sabia que tinha ferido seu orgulho. Agora para ele agarrar ela pelos braços e sacudi-la, talvez rasgar as roupas dela enquanto grita e a xinga. Ele esteve relaxado e confortável demais perto dela, e, apesar dela gostar de sua companhia, ela sentia falta da paixão ardente e do ardor do início da relação deles. Agora para uma pequena luta simbólica antes de se entregar a lascívia primal dele, prosseguindo para uma sessão de amor enquanto ele trabalhava para consertar seu orgulho, dominá-la e fazê-la dele.

Ao invés, ela recebeu o silêncio insensível e olhar entristecido de Gerel enquanto ele a encarava machudo. Onde estava sua raiva? Onde estava seu desejo? Ela contou essa mesma piada várias vezes antes usando os moleques presos lá na Ponte e sua resposta era sempre a mesma, então o que era diferente hoje? Ele estava cansado dela, acreditando que não valia seus esforços? Um silêncio estranho pendeu entre eles enquanto permaneciam parados, a única vela escolhendo esse momento inoportuno para se extinguir. A escuridão facilitava as coisas, mas não muito; ela ainda conseguia enxergar seus olhos na luz do luar. Sua voz arrastada, pesada e ferida. — Você realmente se sente assim?

— Não. — Sua resposta foi instantânea, e ela sentiu a tensão se dispersar enquanto ele suspirou audivelmente. O que estava acontecendo? As coisas eram para ser leves e divertidas entre eles, dois adultos aproveitando a companhia um do outro sem laços para amarrá-los. Isso estava ficando… sério.

O clima estava morto e impossível de salvar, então depois de uma despedida estranha, Gerel saiu pela janela sem ser visto. Confusa e assustada, ela acendeu outra vela e voltou ao trabalho. O que ela precisava era uma distração, em mais jeitos do que um. Algo para atrair atenção para longe da escassez da Ponte. Talvez estava na hora de abortar a Milícia e permitir que o Conselho faça suas entregas para Shen Yun sem problemas, por um curto tempo pelo menos. Enquanto isso, ela podia perseguir a Milícia pela floresta por algumas decanas, talvez até enforcar o “Carrasco” Jorani e alguns dos seus tenentes, como “Mestiço” Kabi, “Dedos leves” Yu e Ulfsaar o Voraz. Como aquele último acabou trabalhando sob Jorani era um mistério, um bandido em ascensão, capaz de usar Aura com uma recompensa de vinte ouros, ele aterrorizou Sanshu pelos últimos dois anos com seus bando de guerreiros capazes. Alguns bandidos mortos para enforcar no cinto dela, e ela seria uma heroína para os cidadãos, embora pouca coisa mudaria para ela, politicamente falando.

Elaborando seus planos, ela trabalhou até que exaustão e álcool a sobrepujaram, acordando sozinha e frustrada na manhã seguinte. Mal tendo tempo para consertar sua aparência, ela saiu de sua tenda e encontrou Gerel esperando por ela. Entrando em pânico internamente, ela rezou para a Mãe que ele não fizesse uma cena em plena vista de seu comando e amaldiçoou a preguiça dela. Esperando que ele entendesse a dica, ela franziu e falou em um tom cordial, mas distante. — Como eu posso te ajudar Capitão Sênior Gerel.

Não mostrando emoção enquanto ele saudava, Gerel respondeu:

— Nós devíamos falar em particular.

Voltando para sua tenda, ela ficou parada enquanto seu estômago se revirava e ela gesticulou para ele falar. — É uma reunião pessoal?

— Não. — A resposta instantânea a deixou aliviada e irritada ao mesmo tempo. Por que ele não queria falar sobre os assuntos particulares deles? — Eu recebi notícias de Rain. Ele está vivo e com seus amigos no oeste. — Graças a Mãe ele foi encontrado, menos um fardo em seus ombros. Assim que ela relaxou, suas próximas palavras a deixaram chocada. — Infelizmente, ele mandou notícias de um surto Corrompido na costa oeste do Lago do Tesouro, incluindo uma confirmação em primeira mão de um recém transformado Demônio.

Todos os pensamentos de relacionamentos pessoais desapareceram conforme suas vísceras davam um nó. Cambaleando para encontrar seu lugar, ela passou a próxima hora passando por cada detalhe com Gerel antes de mandá-lo embora para se preparar. Ela pediu por uma distração, mas isso era demais. Depois de um mês estável os problemas se empilharam com vingança. Seu primeiro comando, já abundante de conluios planejados e intriga política, agora se tornou um pesadelo. Suas mãos tremiam enquanto ela escrevia a mensagem codificada, lendo cada cópia várias vezes para garantir que não havia um erro sequer antes de selá-las com seu carimbo. Tão poucas palavras, mas uma mensagem tão pesada.

— Com um coração pesado e pelo poder conferido a mim por Shing Du Yi, Marechal do Norte, eu, Major Shing Yuzhen da Sociedade declaro estado de emergência nas cidades de Sanshu, Jiu Lang, Shen Yun, e Ping Yao. Cada cidade deverá enviar não menos que três mil soldados capazes de provar sua pureza perante os olhos da Mãe. Segredo é da mais alta importância, desobediência será punível com execução sumária, sem julgamento.

Depois de selar a última cópia, ela as entregou ao seu ajudante com instruções de entregá-las aos postos avançados mais próximos ele mesmo. Chamando de volta todas as forças, incluindo os Subtenentes no nordeste, ela deu ordens para eles marcharem para oeste e estabelecer um perímetro. Voltando a sua tenda para esperar, ela se sentou em sua cadeira e pôs suas mãos em seu rosto, se preparando para a chacina que viria.

 

Uma Purificação.

 

Mais de dez mil almas inocentes a serem massacradas por seu comando, tudo pelo bem maior.

 

Perdoe meus pecados Mãe e tenha piedade da minha alma.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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