DS – Capítulo 165

Avançando na vanguarda de seu exército, Yuzhen entrou no acampamento com um coração pesado, seus planos cuidadosamnete elaborados para genocídio se desenrolando diante de seus olhos. Localizado na base da Segunda Árvore, ela odiava usar esse lugar sagrado como base de operações para o massacre repugnante que viria, mas ela não tinha outra escolha. Taticamente, era a localização mais conveniente do qual se podia direcionar a Purificação, com todas as facilidades que ela precisaria prontas. Ainda melhor, permitia a ela uma desculpa do motivo que ela estava direcionando tantos soldados no meio do nada, apesar de ser uma frágil. Uma migração espiritual pessoal enquanto conduzia uma procura pelos simpatizantes dos Algozes da Baía, não fazia sentido para aqueles no poder, mas para os civis que ela buscava enganar, sua história iria segurar a barra até o momento que eles fossem questionados.

Pobres almas condenadas, que a Mãe traga vocês gentilmente para o abraço Dela.

Depois de remover a poeira e sujeira da viagem, Yuzhen pediu por uma reunião de almoço em seu campo de comando. Na casa de verão opulenta de algum oficial, a sala de jantar foi decorada garridamente por alguém com mais dinheiro do que bom senso. Tomando uma nota mental de ter o dono investigado por apropriação indébita de fundos Imperiais, ela foi até um espelho e riu, vendo que ele estava preso convenientemente para que o dono pudesse se admirar enquanto esperava pelos convidados chegarem. Egoísmo e narcisismo no seu melhor.

E de novo, era um espelho bonito, seu reflexo claro como o dia diferente dos espelhos mais comuns de cobre e prata que ela estava acostumada. Usando ele para endireitar seu uniforme e armadura, ela parou em uma pose suficientemente heróica, costas retas e mãos nos quadris, como um ator em um ópera representando desafio firme. Se divertindo com o romance, ela deu um passo mais perto do espelho e deu seu melhor “vem cá”, mordendo seu lábio e piscando seus olhos antes de rir com o quão infantil ela era. Yuzhe continuou posando extraordinariamente, apreciando a breve pausa de todo o estresse e culpa das últimas decanas. Talvez ela compraria um para si, ela até que gostava…

— Ahem.

Se virando em surpresa, ela engoliu seu pânico e se recompôs enquanto Gerel entrava no quarto com um sorriso zombeteiro. Atrás dele, Falling Rain, Sumila e Mei Lin eram gentis o bastante para fingir que eles não tinham notado, olhando o quarto em fingimento óbvio. Ela se permitiu ficar distraída por seu reflexo e expôs suas ações descerebradas para os Bekhai. Uma mulher adulta bajulando sua própria imagem durante esses tempos difíceis, eles devem achar que ela é uma completa tola. Escondendo seu constrangimento, ela os cumprimentou como se nada tivesse acontecido, gesticulando para a mesa de jantar. — Obrigada por se juntarem a mim para essa refeição.

Os cinco papearam enquanto compartilhavam comida e vinho, um assunto relaxante e informal. Como a hospedeira, ela papeou com Sumila e Mei Lin enquanto Rain devorava tudo na frente dele. Apesar dela receber notícias sobre sua condição, ela ainda ficou chocada ao ver ele. Magro ao ponto de estar esquelético, sua armadura de couro caia mal em seu corpo magro, parecendo menos um herói e mais uma criança brincando de ser soldado. Não é surpresa considerando o que ele passou, sobrevivendo de feridas massivas apenas para se perder no mar e encontrar uma companhia de bandidos Corrompidos e Demônio recém transformado. Ela não tinha inveja da sua habilidade para encontrar problema, apesar dele ter aguentado admiravelmente.

Talentoso, determinado, modesto e gentil, não era surpresa que Akanai e Médico Celestial Taduk noivaram suas filhas com Rain. Um pouco desperdício casando ele com duas meio-bestas, e era uma pena jogar fora seus designs para o jovem, mas ela não tinha interesse de ofender os Bekhai ou chatear a doce e séria Sumila. Também, com Gerel agindo estranhamente nesses últimos tempos, era melhor que Yuzhen se tirasse primeiro dessa situação cabeluda antes de encontrar outro amante. Ele partiu imediatamente após informar ela do retorno de Rain, dando a ela nenhuma chance dela informar a ele de sua decisão de terminar os pequenos encontros deles, uma troca que ela temia. Homens orgulhosos nunca levavam as notícias bem, mas as coisas estavam ficando sérias demais entre eles. Suas visitas eram para ser algo divertido não uma distração estressante. Ela tinha que se manter firme apesar das consequências e rezar para ele não fazer pirraça.

Com a refeição terminada, Sumila leu a situação e arrastou a adorável Mei Lin para longe do “maridinho dela”. Enquanto os servos limpavam a mesa,  Yuzhen encarou Rain com um olhar neutro, deixando o silêncio pesar nele. Se contorcendo em seu assento, seus olhares nervosos para Gerel foram ignorados, Rain era incapaz de esconder sua culpa óbvia. Ele teria que aprender como esconder melhor seus pensamentos se os Bekhai queriam usar ele como um representante. Talvez ela poderia se oferecer para ensiná-lo, o que não tinha nada haver em ficar sozinha com ele para prosseguir com um caso escandaloso entre professora e aluno…

Com o quarto esvaziado dos serventes, ela falou cuidadosamente enquanto estudava as expressões de Rain. — Eu entendo que você esteve mandando embora os aldeões dos arredores, protegendo os fugitivos da Purificação. Alguns chamariam isso de traição, uma ofensa punível com a morte.

Choque e raiva passaram em seu rosto por um instante até que ele se acalmou e relaxou visivelmente, entendendo a mensagem escondida. — Oh? Você tem alguma prova dessas acusações? — Ele era esperto, prestando atenção na primeira conversa de verdade deles e não ofereceu confirmação ou negação, uma resposta mais equilibrada do que ela teria esperado. Parece que Rain era mais astuto que Gerel, que agarrou sua espada como se estivesse pronto para fugir da província lutando, sua expressão em pânico algo a se ver. Tolinho, por que ele não podia ser mais perceptivo ou pelo menos mais pragmático? Lealdade era admirável, mas qualquer escravo podia ser leal. Se ela realmente tivesse intenções hostis, a decisão prudente era marcar o maior sacrifício e cortar relações com Rain, para o bem maior.

Sim, Rain era a melhor escolha como um representante. Gerel era heróico sem dúvidas, só não tinha o temperamento certo, combativo demais e teimoso demais para mudar. Verdade seja dita, ela não tinha prova de suas acusações, apenas alguns relatórios de aldeões fugindo para o norte em rebanhos, apenas algumas centenas, mas o bastante para chamar a atenção dela. Um jovem que coletava animais perdidos como pets definitivamente seria simpático o bastante para salvar aldeões da condenação iminente. Um guerreiro misericordioso, algo paradoxal, ela até meio que admirava suas ações apesar da dor de cabeça recebida por ter que esconder tudo. Ignorando sua pergunta, ela bebeu seu chá desdenhosamente, fingindo que a situação inteira estava abaixo dela. — Isso acaba agora. Pare com seus esforços e eu vou ignorar aqueles que já escaparam. Mais refugiados vão ser notados e minha mão vai ser forçada.

Dando de ombros facilmente, Rain se inclinou em sua cadeira. — Eu não posso dizer que estive ajudando aldeões a escaparem. Talvez a Milícia. Minhas escoltas relataram que eles estão se movendo ao norte, mas eles podem virar a qualquer momento. Dois mil fortes, eles são uma força a ser reconhecida. — Ainda não admitindo ou negando e até uma ameaça sutil, ela gostava de como ele lidava com as coisas.

Ah, se ao menos ele não fosse comprometido.

Escondendo um sorriso, ela assentiu e prosseguiu. — Por agora, meu plano é conter a situação e impedir que notícias se espalhem até que reforços cheguem das cidades. Os outros Oficiais vão chegar dentro de uma decana, e eu espero que vocês se deem bem. Sem lutas, sem duelos, sem treinos, nem conversem uns com os outros. Eu preciso de todos por perto e eu não tenho tempo para bancar a mãe de vocês. — Se virando para Gerel, ela perguntou:

— Incluindo ambos oficiais, quantos soldados sob seu comando podem verificar a Pureza deles?

— Se é só uma questão de provar a si mesmos, então todos os duzentos da minha comitiva e a maior parte da de Huushal. Se você quer dizer capitães no nível capitão, o número cai para quarenta e oito comigo e vinte e um com Huushal. Rain possui dez se você incluir os quatro guardas de Mei Lin.

Mais do que ela esperava, a profundidade do talento encontrado dentro dos Bekhai nunca deixava de surpreender ela. Tossindo levemente, Rain perguntou:

— O que você quer dizer com “Pureza”? E parece um pouco desigualmente distribuído isso, por que eu tenho tão poucos? Dois deles são guardas da Mila, não são? Então eu tenho quatro? Quem são os outros?

Gerel respondeu por ela. — É porque você preencheu suas fileiras com estranhos imprestáveis, então ninguém queria ficar de babá. Pior,se você não tivesse mandado os seus guarda costas para brincarem de bandidos, nós não estaríamos nessa bagunça. — Ela se encolheu com essa admissão direta de culpa. Mesmo em um quarto fechado, você nunca sabia quem podia estar escutando.

— Eu tenho guarda-costas? Quem são eles?

Ignorando a pergunta, Gerel continuou. — Quanto a pureza, é o padrão mínimo para provar a falta de Corrompimento, circular seu chi a um nível que possa ser sentido, e idealmente, manifestá-lo. Você está perto, mas uma falta é uma falta não importa se por um cabelo ou por uma palma.

— O que traz meu próximo ponto. — Yuzhen gesticulou para Rain. — Nós precisamos cobrir seu envolvimento. Se rumores sairem que você estava no meio do surto Corrompido, nossos inimigos vão usar isso como desculpa para ter ele Purificado. Você tem alguém em mente que possa suportar o escrutínio?

Coçando sua barbicha de um dia, Gerel pensou profundamente, parecendo lindo, solene, e fora de seu elemento. Quase uma caricatura de um guerreiro obstinado, ele não tinha muito em comum com ela, um homem totalmente inadequado para política. Não havia o que fazer, ela tinha que acabar as coisas agora. Como estava indo, se eles ficassem enredados em um relacionamento, só implicaria nele quando a Sociedade a tirasse do poder, e ela não queria vê-lo morto por causa dela. Era melhor cortar todos os laços de modo limpo por agora, era tudo que ela podia fazer.

Seu pensamento interrompido, Gerel virou sua cabeça para olhar de boca aberta, sua reação correspondia com a dele enquanto a Aura de Rain os lavava, um arrepio em sua pele avisando sobre perigo imenso. Se sentando calmamente, ele olhou inquisitivamente para ambos com uma insinuação de orgulho. — É isso que vocês querem dizer com manifestação? Eu não posso fazer nada chamativo como soltar fogo ou algo assim, mas eu tenho alguns truques se vocês precisarem ver eles.

Acordando de sua surpresa, Yuzhen esfregou seus olhos e riu. — Ah Mãe me ajude, ele chama isso de truque. Manipular as Energias dos Céus, um talento mítico e maravilhoso, e ele chama isso de truque. — Balançando sua cabeça, ela sorriu e piscou. — Você não é uma vadia da rua atraindo clientes desavisados para uma emboscada, você não precisa fazer truques.

Gerel estava menos agradado, franzindo ele perguntou:

— Quando você aprendeu a fazer isso?

— Éee… durante minha convalescença. É como… soltar minha raiva e deixá-la sair para o mundo, exceto que ela sabe com quem eu estou bravo e protege todos que eu considere amigáveis. Eu não posso explicar o mecanismo de verdade muito bem, quase como se eu estivesse segurando o fôlego e não estivesse mesmo. — Sorrindo enquanto sua Aura desaparecia, ele adicionou: — Eu entendi o motivo de ninguém conseguir explicar as coisas agora, mas seria muito mais fácil se todos admitissem que vocês não entendem ao invés de agir misteriosos e profundo. É irritante.

Revirando seus olhos, Gerel assentiu sabiamente. — Você está certo, eu vou contar para Baatar e Akanai para não serem tão irritantes, eu estou certo que eles vão apreciar seu entendimento. Aura não é o bastante, me mostre o que mais você consegue fazer.

Ela gostava de ver eles brigando, Rain ignorante da inveja de Gerel. Se permitindo um momento para viajar, ela imaginou os dois jovens  heróis lutando por ela, seus argumentos acalorados se transformando em um abraço apaixonado antes de se moverem para compartilhá-la, seus protestos fracos desaparecendo enquanto eles a afogavam em prazer. Quão deliciosamente depravado, mas Gerel já deixou claro que ele não era do tipo que dividia.

Quando a demonstração de Rain estava completa, ela dispersou seu pensamento aleatório e refocou na tarefa em mãos. — Parece que você se segurou em seu relatório.

Rain respondeu com um dar de ombros. — Eu não estava me segurando, Gerel falou para ficar com os fatos e ninguém pediu detalhes.

— Bom. É prudente escondeu sua raiva, continue fazendo isso até que eu diga o contrário. — Seu plano precisaria ser alterado novamente, mas ela já podia ver a conclusão. Deixem que os detratores venham discutir para a execução de Rain, pegando eles desprevenidos quando ele demonstrar sua Pureza com facilidade. Daqui em diante, seu lugar como o número um de sua geração era inabalável, os Esquadrões Disciplinares não teriam outra escolha além de apoiá-lo totalmente como um futuro pilar do Império.

Quanta perspicácia do Magistrado Tong Da Hai, se ligando aos Bekhai por tantas décadas por nada. Agora, seu investimento estava pronto para pagar imensamente. Tanto por um representante, Rain estava pronto para se tornar o verdadeiro rosto dos Bekhai. Suas esposas eram de pouca importância, nenhuma delas podia dá-lo um herdeiro.

Eles gastaram as próximas horas passando pela história de Rain em maiores detalhes. Notando sua distração e pesar em seu rosto quando ele falava de sua salvadora, seu coração doía por ele. Apesar dele não ter admitido, ela podia dizer que ele se importava com a garota, Ai Qing, frequentemente pausando em suas recordações, lutando contra as lágrimas enquanto ele as regalava com sua história. Que romântico, uma jovem plebéia cuidando de um guerreiro ferido, se apaixonando por sua enfermeira conforme os dias passavam. Um redemoinho de romance entre amantes destinados, acabando em um triunfo agridoce e tragédia, isso tinha todas as marcas de uma ópera de sucesso.

A história dele feita e sua ordens entregues, ela mandou Rain embora e ela se sentou em silêncio com Gerel, lutando para achar as palavras certas a fim de transmitir seus pensamentos. Os Bekhai eram pessoas diretas, então talvez ele apreciaria uma explicação sincera. Normalmente, ela lidava com esse tipo de coisa em público para evitar uma cena, mas ela sentia que ele merecia um tratamento melhor. Limpando sua garganta, ela olhou para fora da janela enquanto ela falava. — Eu acredito que está na hora de acabar com nosso relacionamento. Isso não é sua culpa, só uma questão de prioridades. Há vários fatores em mão e eu não tenho espaço para que questões pessoais nublem meu julgamento. Eu gostei do nosso tempo juntos e vou lembrar dele com carinho.

Seu coração silenciado enquanto ela se preparava para sua raiva e ultrágio, ouvir ele acusá-la e xingá-la, para suas ameaças de escravidão ou pior, tudo algo que ela já ouviu antes. Ao invés, depois de um longo silêncio, ele simplesmente respondeu: — Eu entendo. — Sua cadeira raspou contra o chão, seus passos firmes mal audíveis enquanto ele se movia na frente dela. Pondo de lado seu cabelo, ele pôs sua mão na bochecha dela e levantou sua cabeça. — Eu não sou mais do que um mero Capitão Sênior, um inimigo da sua Sociedade ainda por cima. Eu sei que você tem muitos inimigos que poderiam me usar contra você, e eu não tenho direito de exigir nada da filha do Marechal e herdeira. Eu só te peço que me dê tempo.

— Tempo para o que? — As palavras escaparam enquanto ela encarava seus olhos âmbar, quase se perdendo dentro deles.

— Para o meu nome ecoar por todo o Império, ecoar junto com o de Akanai, Mensageira da Tempestade, e Baatar, A Presa Sangrenta. — Seu rosto se contorceu em uma careta enquanto ele sussurava: — E Falling Rain, o Selvagem Imortal. Garoto idiota nem para conseguir um título apropriado. — Balançando sua cabeça, ele continuou. — Eu vou ascender a glória e me tornar um homem digno de você e no momento que eu conseguir, eu vou ao Marechal e exigir sua mão em casamento. Nem os Céus podem me parar.

— Tolo.

— Se amar você é tolice, que seja. Durante isso, eu não vou invejar você por seus encontrinhos e casos, mas saiba que seu coração me pertence e somente a mim. Se precisar de minha ajuda, fale e eu vou mover céu e terra para estar ao seu lado. — Sorrindo com tristeza, ele a beijou levemente e partiu enquanto ela lutava para se impedir de chamá-lo de volta. Sua mente em turbulência, ela repassava a cena de novo, seu coração se aquecendo por seu amor. Ele acreditava que era indigno dela? Um tolo, um caipira idiota que não entendia uma coisa sobre política, achando que a posição dela era inabalável e sublime. Pouco ele sabia que os dias dela estavam contados, destinada a seguir seu velho para o túmulo. Como ela podia envolver Gerel em sua queda.

Suspirando enquanto voltava ao trabalho, ela gastou o dia distraída, preocupada por sonhos de fugir com ele para viver uma vida de paz, juntos nas montanhas. Uma pena que ela não podia fugir agora, apesar de custar a ela tudo, ela estava determinada a ver os sonhos de seu velho realizados. Ela iria sucedê-lo como Marechal do Norte, mesmo se por apenas alguns minutos. Era a única coisa que ele já pediu a Yuzhen em todo tempo deles juntos e ela não tinha o coração para rejeitá-lo.

 

No fim, parecia que o amor tinha feito todos nós de tolos.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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