DS – Capítulo 167

De pé na costa com seus camaradas, Gao Qiu observou a embarcação se aproximando com desagrado crescendo cada vez maior. Ocupado por dois passageiros vestidos em robes esfarrapados, a jangada mal feita deveria ter afundado com certeza até o fundo do lago. Mesmo se fosse mais resistente do que parecia, como esses estranhos encontraram o esconderijo dos Algozes da Baía? Sorte pura? Mais fácil mijar uma pedra do rim do tamanho de um punho. Ainda mais estranho eram as ordens do chefe de deixar os putos passarem ilesos, significando que eles eram importantes, pessoas que Gao Qiu não conhecia.

Segredos e mistérios, duas das coisas que ele mais odiava. Haviam demais deles ultimamente, com o chefe ficando frio e distante, seus sonhos de conquistar a terra secaram e morreram desde a traição de Liu Liu Shi. Ah, se apenas eles pudessem voltar aos dias de glória, quando o Demônio Vermelho navegava livre com o Espectro e o Liu Bastardo, tomando o que eles queriam caso fosse ouro, vinho ou mulheres. Aqueles tempos eram uma memória distante agora, enquanto a posse dos Algozes da Baía das vilas diminuia a cada ano. Deixar o exército sozinho era um movimento esperto, patriótico até, mas por que pegar leve com meros plebeus? Certo, isso permitia a eles ordenharem a vaca pelos anos vindouros, mas por que se tornar um bandido se não fosse a liberdade? Do jeito que as coisas estavam, ele podia muito bem se tornar um mercenário ou coletor de impostos se ele iria se amedrontar diante da ameaça de resistência.  

Regras e guias, essa merda não era nenhum pouco diferente de estar no exército.  Por que sofrer por todos aqueles anos como o Demônio Vermelho de Sanshu só para terminar morrendo de fome? Ele implorou para o chefe enviá-lo para se encontrar com o Liu Bastardo, tentar um acordo de paz a fim de fazer a vadia do Marechal recuar, mas ele foi recusado todas as vezes. As reservas de comida deles diminuiam a cada dia, seus estoques míseros já durando mais do que ele esperava. Isso não era jeito de se viver, se acovardando diante de bárbaros e moleques mimados enquanto comiam nada além de peixe seco do caralho e pão duro. Mesmo os vegetais acabaram agora, uma existência miserável para todos.

Guiado pelas correntes, a jangada atracou na praia enquanto os dois passageiros desciam com um pulo sem esforço. Um deles, um jovem, observou Gao Qiu e seus companheiros, um sorriso alegre em seu rosto. — Ah que maravilha, há tantos de você.

Algo estava errado com o moleque, seus olhos abertos demais, seu sorriso selvagem demais, com mais de uma insinuação de insanidade pendendo sobre ele. O outro levantou suas mãos e tirou o capuz, revelando um rosto familiar. — Nós não desejamos mal, nós buscamos uma audiência com o Espectro, Yo Ling.

O moleque respondeu alegre. — Ele está nos esperando.

— Dragão Sorridente. — A mão apertando seu machado, Gao Qiu desdenhou para o bandido almofadinha, um dos muitos novatos promissores em sua lista para morrer pelo bem da propriedade. Não apenas sua gangue estava tomando comida do prato dos Bandidos Algozes da Baía, mas eles estavam fazendo os Algozes parecerem mal ainda por cima. Gao Qiu nunca entendeu o motivo do chefe ignorar isso por anos, não estava certo, não estava certo mesmo. — Eu diria que é bom te ver, mas eu estaria mentindo. Qual o problema, a vadia do Magistrado enterrou seus “bandidos virtuosos” alguns palmos debaixo da terra? Agora cê tá buscando ajuda de escória como nós, hein? Bem, mete o pé, nun tem nada aqui pra você e o seu bonequinho de prazer. Vão embora.

O moleque parecia calmo apesar dos vários bandidos se aproximando, Dragão Sorridente se afastando lentamente com as mãos ainda para cima. Ficando de cara amarrada quando recebeu um Envio do Chefe, Gao Qiu balançou sua mão chamando seus camaradas. — Bah. Deixe eles passarem, o chefe quer conversar. — Murmurando baixinho com a indignidade, ele esperou até que Dragão Sorridente estava na distância de um braço. Soltando sua Aura, ele se preparou para comparar vontades com o homem mais novo, um pouco de diversão. Chefe disse para deixar eles passarem, não falou nada sobre não assustar eles.

Uma mão deformada se esticou e fechou ao redor de sua garganta, pegando Gao Qiu de surpresa. Sendo levantado no ar, ele agarrou corajosamente enquanto o moleque ainda assim o levantava sem esforço, o sufocando. Coberto com a Aura de Dragão Sorridente, uma barreira impenetrável mais forte do que o esperado, o moleque o olhou nos olhos com um sorriso enervante. — Não me teste vovô, você será maravilhoso quando perceber a Verdade. Eu odiaria te quebrar antes disso, mas há muitos mais por aqui. Eu posso ser exigente.

— Ponha ele no chão Gen, esse aí é o Demônio Vermelho, Gao Qiu. — Em sua tontura, Gao Qiu percebeu que Dragão Sorridente estava nervoso, com medo do moleque. — O Espectro não vai gostar se cê matar ele, então deixe ele ir. Como cê disse, todos amigos aqui.

Soltando ele como um saco de arroz, o moleque foi embora sem um segundo olhar, indo infalivelmente em direção ao chefe. Arfando por ar, Gao Qiu tussiu e cuspiu enquanto seus camaradas o deixavam, fugindo para evitar sua cólera. Primeiro Falling Rain, agora Dragão Sorridente e esse moleque desconhecido, novas ondas ultrapassando as velhas. Não era surpresa que o chefe queria encontrar eles, Gao Qiu era uma relíquia do passado. Suspirando em melancolia, ele se sentou e encarou a correntes espumando e a jangada mal feita.

Parecia que seu tempo havia passado, um velho frágil sem nada em seu nome. Não era surpresa que Yo Ling o afastou e ignorou todas as suas sugestões. Talvez houve um momento em que seus discernimentos tinham valor, mas agora não mais. Não havia espaço para o Demônio Vermelho nessa era, nenhum lugar para Gao Qiu. Estava na hora dos Dragões Sorridentes e dos Falling Rains do mundo deixarem suas marcas. Se levantando, ele guardou seu machado e foi até a água, pisando na jangada sem hesitação. Usando o poste para se empurrar para a corrente, ele guiou a jangada seguramente para longe, relembrando as glórias do passado e camaradas perdidos. Enquanto a ilha desaparecia ao longe, ele se despediu de uma vida vivida com poucos arrependimentos. Depois de tantos anos, tinha de valer algo. Para onde ir? Qualquer lugar menos aqui. Leste talvez, ou sul quem sabe, caso a jangada aguente.

Melhor que ele tivesse morrido em seu auge do que ser tão humilhado, se tornar irrelevante devido a nova geração, mas nem fodendo que o Demônio Vermelho de Sanshu caíria como um trampolim de algum novato em ascensão.

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Empurrado por patas arranhando e um ronronar estrondoso, eu acordo para ver os olhos grandes e verdes de Aurie me encarando melancolicamente enquanto eu estou deitado na cama. Suas orelhas rentes contra sua cabeça, sua boca aberta em um miado lamentoso, seus bigodes tremendo enquanto ele me cutuca para que eu me levante com o intuito do dia dele começar de verdade. Abraçando ele grosseiramente, eu rio enquanto ele se aconchega em mim, sussurrando um cumprimento para o meu bebezão peludinho. — Bom dia, Aurie. Cansado de ficar deitado? Desculpa por estar tão preguiçoso, eu preciso compensar pelo sono perdido.

Bocejando enquanto eu penso sobre a causa incomum da minha letargia, eu rezo que seja apenas meu corpo e minha mente se ajustando as feridas e falta de descanso. Eu costumava ficar de boa com quatro à seis horas de sono em uma noite, mas nos últimos dias tem sido umas doze, se não mais. Verdade, nosso corpo está em condição sub-ótima sendo gentil, mas eu tenho essa preocupação irritante que minha fatiga tem algo haver com Baledagh. Quero dizer, geralmente apenas um de nós está acordado na maior parte do tempo, mas agora com ambos mais ou menos ativos na maior parte do tempo pode estar drenando nossas reservas, por assim dizer. E quem vai dizer que sua tristeza e tédio não está afetando psicossomaticamente nosso corpo? Depressão é algo poderoso, mas eu não tenho idéia de como ajudar ele, exceto dando a ele algum tempo e deixando ele saber que estou disponível. Não está funcionando, desde que nos reunimos com minha comitiva, ele está fingindo estar dormindo ou dando beicinho e se recusando a falar comigo. Tudo que eu posso fazer é dá-lo mais tempo.

E de novo, eu posso estar pensando demais nas coisas, minha paranoia trabalhando ao esgotamento. Esperançosamente eu estou errado e nós vamos voltar ao nosso cronograma de dormir de sempre em uma decana ou duas. Eu não quero acabar dormindo dezoito horas por dia, eu realmente preciso do tempo extra para praticar. Aqueles sem talento devem trabalhar duro e eu sou menos talentoso que a maioria. Depois de rapidamente checar Baledagh e ver ele “dormindo”, eu prossigo com meus rituais matinais enquanto Aurie pula por aí, mais grudento desde meu retorno. Oito meses se passaram e em um piscar de olhos, meu gatinho fofinho se tornou um gato selvagem musculoso desgrenhado, seus ombros quase alcançando meu quadril. Enquanto os outros dois são mais altos, meu pequenininho da ninhada é o mais doce do grupo. Sarankho ainda está se aquecendo de novo comigo cautelosamente depois da minha ausência e Jimjam age como se eu nunca tivesse ido embora, apático à minha presença a menos que eu tenha comida. Está tudo bem, eu ainda amo eles, porque apesar de algumas vezes eu querer cair no sono em uma pilha de gatinhos fofinhos, eu não sei o que eu faria com três gatos selvagens de 250 kg grudentos, pulando ao meu redor. Além disso, julgando pelo tamanho de pônei da mãe deles, que ela descanse em paz, meus gatinhos ainda tem muito crescimento na frente deles.

Montaria de gato selvagem. Incrível demais. Porém, duvido que seria confortável.

Saindo da minha tenda, eu recebo uma visão de aquecer o coração, os filhotes de urso escalando as costas de Mafu enquanto Jimjam está sentado em um canto, frio e reservado. Notando minha chegada, o quin gordinho vira sua cabeça e chia ao me ver, desfrutando de um bom afago na cabeça de sua posição deitada. Os ursos vem até mim pedindo comida e atenção enquanto Jimjam incisivamente me ignora. Ah, Mafu e Aurie são os únicos que me amam por mim mesmo, para os outros, eu sou só uma fonte de comida ambulante.

— Bom dia Maridinho! — O cumprimento de Lin me lembra que eu tenho outras pessoas que eu amo, minha garota doce corre para os meus braços com um sorriso cheio de dentes. O topo da cabeça dela mal alcança meu queixo e suas orelhas de coelho fazem cosquinhas no meu nariz, seus guardas me encaram por de trás de seus véus. Pegando minha mão, ela me leva para longe saltitando enquanto Mafu pega os filhotes em seus braços e segue, não menos grudento do que Aurie. Foram necessários muitos empurrões e pedidos para impedir ele de estacionar sua bunda na minha tenda, apesar de eu não ter certeza se é porque ele quer me abraçar ou os filhotes. Eu gostaria de deixá-lo entrar, mas eu não acho que minha cama estreita padrão do exército aguenta o peso dele, e eu me recuso a dormir no chão.

— Aurie, você é tão bobinho. — Rindo enquanto ele pula ao lado dela, Lin diz:

— Seu café da manhã está guardado quentinho na área de treinamento, Mimi diz que você precisa mostrar seu rosto por causa da moral.

— Obrigado. — Nossa reunião de animais exóticos e guardas misteriosos atrai olhares enquanto andamos pela cidadezinha próspera construída ao redor do Arvoredo Sagrado. Um amontoado de hotéis, restaurantes, e outras coisas de turistas construídas ao redor das raízes de árvore protuberantes, a cidadezinha sem nome é em sua maioria habitada por viajantes aqui para rezar diante do Arvoredo Sagrado. Eles possuem um tour inteiro para isso, com patrulha e tudo mais, um monte de esperançosos cansados, buscadores da paz, se curando, ou buscando iluminação. Olhando para a titã magnífica de casca branca, eu estimo que levaria para mim pelo menos quinze minutos andando para dar ao redor da base, seus galhos parecem segurar o céu vistos daqui. Se alguém a chamasse de árvore do mundo, eu estaria enrascado para discutir com o apelido. — Esposinha, que tipo de árvore é essa? Não parece com nada que eu já tenha lido. — É um pouco enjoadamente doce, mas o apelido faz ela brilhar de alegria toda vez. Vale a pena.

— Eu nun sei Maridinho, ninguém sabe. Papai tem um livro sobre elas em algum lugar. — Inclinando sua cabeça para esquerda e para direita, ela morde seu lábio com se tentasse lembrar dos detalhes. — As três Árvores sagradas são todas espécies únicas, cada uma é diferente né? Essa aqui tem a casca branca e feita de madeira macia, enquanto a oeste a árvore tem casca preta e madeira dura, e para o norte está a árvore de madeira vermelha. Exceto pelo tamanho delas, elas são árvores normais que não dão frutos ou sementes.

— Sério? — Árvores gigantes inférteis, que misterioso. — E que tal enxerto?

— Nop, nunca nascem raízes, mesmo com o mesmo solo e tudo mais. A história diz que a Mãe plantou três árvores jovens e as nutriu com suas lágrimas, em comemoração por aqueles que morreram nas guerras contra o Pai e seus Corrompidos. É dito que suas lágrimas continuam a circular pelo lago e riso, algumas vezes curando aqueles que vêm rezar. É uma história legal, mas Papai nunca encontrou prova alguma.

Hmm… parece familiar. Sentindo a presença de Baledagh se mexendo sacode minha memória — Você já encontrou algum relato em primeira mão sobre as águas curativas do Arvoredo de Sanshu? — Porra, talvez seja isso que me manteve vivo debaixo da água por uma decana. Lágrimas Mágicas. Qual o próximo? Cortadores de unha celestiais para curar pele ressecada?

Eu provavelmente não deveria ser tão cético com coisas assim, mas quero dizer…

Fala sério…

Balançando sua cabeça, Lin saltita duas vezes, o que é imitado por Aurie. — Só histórias e mitos, nenhum fato. Deve haver águas ou veios celestiais por aí, muitas pessoas encontraram Corações por aqui, além disso há uma grande tartaruga em Ping Yao. Eu quero ir lá ver ela Maridinho, você pode me levar lá?

Pesar me perfura e meus passos ficam pesados, as emoções de Baledagh pesadas em meus ombros. Lutando com a melancolia dividida, eu engulo o nó em minha garganta e aperto a mão de Lin um pouco mais forte, tentando transmitir afeição cálida e amor para Baledagh. — Talvez. Nun sei. — Trocando para falar com Baledagh, eu pergunto:

— Você quer sair? Ou eu podia encontrar um tempo e vir para conversar, se é isso que você quiser.

— Não. Você deveria trazê-la para Ping Yao. Ela vai gostar, eu acho. — Recuando depois de sua resposta enigmática, a presença de Baledagh desaparece.

Sentindo que algo está errado, Lin olha para mim em questionamento e sorrio e balanço minha cabeça. Deixando isso de lado, ela continua a conversar comigo enquanto nós alcançamos a área de treinamento, um campo grande ao norte da árvore. A maior parte da minha comitiva está aqui, exceto aqueles que eu deixei com Ravil e Bulat, praticando diligentemente como eles fazem a cada manhã. Me sentando perto de Sarankho, eu afago sua bunda fofinha de gata e espero enquanto Lin corre para pegar meu café da manhã, sorrindo e conversando brevemente com meus soldados enquanto eles me cumprimentam. Ugh, jogar conversa fora é o pior. Eu prefiro praticar recrescer meus dedos ou algo do tipo, muito menos doloroso.

Voltando com meu café da manhã em uma bandeja, Lin dispersa a multidão rapidamente crescendo, me permitindo comer em paz. Equilibrando a bandeja em meus joelhos, eu desfruto do meu café da manhã enquanto assisto o treinamento, dando meu melhor para ignorar os olhares pidões dos meus bichinhos. A partida de treino de Rustram atrai a maior parte da minha atenção, meu segundo em comando sendo espancado pela severa e rígida Li Song. Pobre coitado, eu me pergunto se ele faz isso todo dia.

— Ele ficou melhor nesse último mês. — Sorrindo enquanto ela passa ao redor dos gatos, Mila cruza os braços e para orgulhosa, esperando meu elogio. — Pelo menos ele parou de balançar a rapieira como um martelo. Ele ainda tem um longo caminho a percorrer, mas ele vai chegar lá eventualmente.

Grande elogio vindo de Mila, ela nunca disse nada bom sobre minhas habilidades. Assim como a mãe dela. Mãe se eu dissesse isso alto algum dia, certeza que ela me mataria. — Você sabe, eu também aprendi uma coisa ou duas enquanto estava fora. Nós deveríamos lutar quando eu me recuperar totalmente.

Me dando língua, Mila sorri e pega um bolinho frito da minha bandeja, comendo com confiança. — Não fique com ciúmes. Eu vou lutar com você a qualquer momento que você quiser, eu sinto falta de te bater, é ótimo para aliviar o estresse. O que é justo já que você é a fonte da maior parte do meu estresse. — Indo embora para continuar ensinando, ela não parece nada além de uma jovem despreocupada, sem insinuação da guerreira sem iguais para ser vista.

Ela não é párea para mim mais, e se não fosse pela Yuzhen me mandando manter minha Aura escondida, eu desafiaria Mila agora. Eu já posso ver a cena, seus olhos fechados enquanto ela congela de medo, impotente diante de mim enquanto eu levanto minha cabeça, só para dar um peteleco nela no nariz e declarar minha vitória. Seria magnífico.

Eu não ligo se é usar uma vantagem injusta, eu preciso de uma vitória na minha coluna. Me chame de misógino, mas eu me recuso a ser sempre o mais fraco no nosso relacionamento, um homem deve proteger sua mulher. Mesmo se for por alguns anos até ela condensar sua própria Aura e voltar a me espancar novamente.

Terminado com meu café da manhã, eu sento e assisto com Lin aconchegada no meu ombro, aproveitando a paz enquanto a sonolência e descontentamento se assentam. A calmaria antes da tempestade, eu não pude bolar nenhuma idéia para salvar as pessoas do seu fim iminente, a Purificação se aproximava com cada dia que se passava. Gerel me avisou explicitamente para não falar ou agir contra a Purificação, e pela primeira vez, sou inclinado a concordar. Eles estão dispostos a massacrar dezenas de milhares de inocentes, o que são algumas centenas a mais no grande esquema das coisas?

Apesar de todo o progresso que eu fiz e a força que eu ganhei, eu ainda não tenho o poder para mudar nada. Eu estou desconfiado de anunciar que “eu” posso sentir os Corrompidos, já que estou bem certo que é uma habilidade de Corrompido. Quem sabe o que o Império aprendeu em milênios de combate com os Corrompidos, e eu não estou disposto a me sacrificar por pessoas que eu não conheço. Eu não sou um herói, isso nunca foi meu sonho. Eu só espero viver bem cercado por pessoas que eu amo, um sonho simples para um homem simples. Isso não é minha culpa, Dragão Sorridente esteve rondando por anos, quem sabe por quanto tempo ele ficou como Corrompido. A Purificação estava destinada a acontecer mais cedo ou mais tarde.

 

Então por que eu me sinto culpado pra caralho?

 

Tudo isso volta a uma simples pergunta, algo que eu nunca vou realmente entender exceto por Intervenção Divina.

 

Por que eu recebi uma segunda chance?

 

 

Tentar descobrir seu propósito cósmico realmente tira a diversão da vida.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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